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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Rendição à Adicção, inicio da Recuperação


 


A Rendição, incapacidade de controlar a progressão da adicção, implica acção na aceitação. Aceitar a doença (Adicção) é uma decisão importante quanto ao processo de recuperação (mudança de aittudes e comportamentos geradores de qualidade de vida). Todavia, isso não significa que a decisão de aceitar a doença seja de um dia para o outro, pode ser uma mudança lenta mas gradual e honesta. A  aceitação é uma atitude motivada pelo desejo e ambição de (re)iniciar o processo de recuperação que conduz à liberdade e a uma possibilidade de usufruir da felicidade. Para alguns adictos, interpretam a rendição, como uma perspectiva negativa que os impede de usufruir deste processo libertador e resiliente.
Jacquelyn Small (Transformadores: os Terapeutas do Futuro, 1982) descreveu a rendição segundo um conceito positivo e algumas das suas ideias são a base deste artigo.

O processo da Rendição
Se é um adicto/a a substâncias licítas, incluindo o alcool, e ou ilícitas, jogo, sexo, disturbio alimentar, shoplifting (furto), shopaholics (compras) é provável que se sinta como uma pessoa fraca, sem vontade própria, perdida, infantil e ingénua se considerar a rendição como um processo em que precisa de desistir e ficar subjugada a uma espécie de poder Superior (conceito não religioso sem dogmas e divindades) dominante, castigador e controlador. Contudo, não é isto que acontece quando participa activamente no processo de rendição descrito pelos três primeiros passos dos 12 passos do grupo de ajuda mutua dos Alcoolicos Anónnimos (AA).
Quando admite a impotência perante a doença da adicção, está a reconhecer que o seu ego sozinho é inadequado e ineficaz em derrubar as forças da adicção activa. Depois, atraves da boa vontade procura acreditar que uma fonte de poder imaterial, externa ao seu ego, pode interceder por si próprio e pelos outros, de forma a orienta-lo nos momentos de adversidade e complexos do seu devir.
E o terceiro passo é uma forma de aprendizagem na aplicação desta fonte de poder imaterial, sentimento de ligação com uma força superior que com quem comunica, cada vez que decidir entregar (ex. a preocupação exagerada e a necessidade de controlo) a sua vida aos cuidados desse poder, conforme O/A concebe, seja Ele, Ela ou Algo.

A esta atitude pode designar um acto de rendição, é um passo que permite entregar a ilusão do controlo da adicção activa e permite ajustar-se ao natural fluxo da vida. Quando isto acontece na vida dos adictos, inicia-se um processo de transformação em que se coopera e colabora nas forças que governam o universo em vez de lutar contra elas. È semelhante à energia que se recebe quando as coisas fluem naturalmente; tal como “a agua do ribeiro que corre entre as pedras”.

O oposto à Rendição
Resistir à rendição gera rigidez, perfecionismo, medo, inventários negativos, falta de sentido de humor, fadiga e a percepção de que, afinal e ao contrario daquilo que pensava, a recuperação é algo muito difícil e doloroso. Por vezes, a frase utilizada “Trabalha os passos dos Alcoolicos Anonimos...” é indicador de resistência, em vez de ser o oposto. Um acto de aceitação e rendição.
Imagine que é uma criança que acorda durante a noite. Está no escuro e sufocada por um gás estranho, de repente um monstro agarra em si. O monstro tem uma cara estranha e braços poderosos. Você começa a gritar e a lutar, mas o monstro não o larga. Agarra em si leva-o para fora de casa e atraves da rua, apesar dos seus esforços para se libertar. De repente, vê os seus pais a aproximarem. Imediatamente, agarram em si e agradecem ao bombeiro que acabou de salvar a sua vida. A rendição pode soar a algo parecido.

Liberdade e Felicidade
A rendição, combinada com a aceitação é idêntico à sensação de participar activamente no sentido da vida. Estar disponível, cooperar e assim permitir que o proceso de recuperação da adicção o transforme na pessoa que sempre desejou ser. Atravès do acto de rendição, no dia-a-dia, irá permitir sentir a liberdade e a alegria necessario para o proposito e sentido da vida.

Bibliografia Addiction-naryJan R. Wilson e Judith A. Wilson

Comentário: O que é que realmente controla, na sua vida, capaz de proporcionar realização pessoal e qualidade de vida?

O acto de Rendição aparenta ter uma conotação negativa. Pode ser interpretado como um acto de fraqueza, derrota, algo humilhante e degradante. A nossa cultura considera que o sucesso é o oposto à rendição. Que o acto de rendição é contra a necessidade de controlo, da auto realização e do prestigio e poder. Estar em controlo é sinal de maturidade. A nossa cultura reclama que devemos ser os “mestres” dos nossos destinos, mesmo que os nossos comportamentos sejam disfuncionais e insanos geradores de sofrimento.

Paradoxo:
A filosofia dos 12 passos, dos Alcoolicos Anónimos, reforça que para recuperar da adicção a rendição é um acto libertador.

Ao admitir a impotência e (re)conquistamos uma sensação de poder nas nossas vidas.

Precisamos de dar aos outros de forma a manter aquilo que temos.

Só você pode faze-lo, mas não consegue sozinho.

Rendemo-nos para nos encontramos.

Rendição é:
Apaziguar na aceitação

Participar activamente no destino, em vez de ser o “mestre”.

Ter a boa vontade de ouvir os outros e seguir as sugestões daqueles que estão, onde nós queremos estar.

“Por vezes, para nos encontrarmos, precisamos de nos render.”

William Booth, fundador do Exército de Salvação Nacional, disse: “A grandeza do poder de um homem está na medida da sua rendição.”