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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Preocupação excessiva sobre usar drogas

 
 
Preocupação/ fixação (alguns exemplos, rituais, sentimentos, crenças, memorias e associações sobre drogas, incluindo o álcool) e a Adicção - pensamentos excessivos e intensos sobre o consumo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e ilícitas. Preocupação/fixação  - atenção excessiva e intensa sobre o consumo de drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas, vulgo craving.

 

Para quem sofre da adicção a substâncias psicoactivas, incluindo o álcool, este tipo de pensamento/fixação/associação frequente e intenso sobre drogas, pode tornar-se intrusivo e/ou obsessivo e ser algo extremamente desconfortável, gerador de ansiedade, principalmente, para aqueles que se encontram em recuperação (abstinentes) há menos de doze meses. Por outro lado, sabendo dos riscos associados ao craving  é importante adoptar medidas protectoras a fim de prevenir o deslize ou recaida. Para aqueles que identificam estes pensamentos/fixação intensos (craving), não significa que algo esteja errado, pelo contrario, faz parte das recordações do passado (memorias e habitos enraizados). É possível, com o tempo, encontrar formas construtivas de lidar e aceitar com esta situação. Não significa que quem esteja exposto a este tipo de pensamentos/fixação esteja à "beira de uma recaida", contudo será benéfico falar, com alguém, sobre estes pensamentos obsessivos e sobre os sentimentos que podem despoletar, principalmente o medo, a raiva, a vergonha, o ressentimento, o sentimento de culpa. Este tipo de pensamentos/fixação/associação também podem ser parte da doença da adicção. Encorajo as pessoas interessadas a procurar mais informação sobre o conceito e as dinamicas desta doença, ex neurobiologia e efeitos psicologicos da adicção. Tal como acontece, com outras doenças cronicas, por exemplo, diabetes, os doentes precisam de procurar informação credivel sobre os cuidados a ter em relação à doença. 
 
Algumas questões que podem ajudar sobre o pensamento intrusivo/fixação/associação (craving) no dia a dia.

1. O seu pensamento/preocupação em consumir drogas /beber pairou na sua cabeça, quando podia estar a pensar noutro tipo de coisa qualquer ?

2. Pensou em consumir drogas/beber sem identificar o motivo pelo qual este tipo de pensamento ocorreu ?

3. Quais são as situações, memórias, associações ou acontecimentos que podem “despoletar” este tipo de pensamentos sobre consumir drogas/beber?
 
Por exemplo: Discussões, entrevistas de emprego, estar sozinho ou no meio de muita gente, cometer erros, crises. Questione o pensamento intrusivo: "Como é que posso lidar de uma forma positiva com esta situação, sem consumir drogas ou alcool?" Existem várias alternativas antes mesmo de consumir droga na busca do prazer/alivio imediato:
 
Algumas situações que podem despoletar o craving sobre drogas.

Ø Escape: Evitar sentimentos sobre situações dolorosas, associações, conflitos e ou memórias dolorosas ou euforicas.
Sentimento de falhanço, rejeição, desapontamento, dor, humilhação, embaraço, tristeza que “exijam” alivio imediato.

Ø Relaxamento (Desanuviar a tensão): Mecanismos disfuncionais para descontrair, acalmar. Pode ser perigoso, para um adicto, desenvolver expectativas irreais. Por exemplo. pensar que para ultrapassar uma situação dolorosa, só será possível se consumir drogas (efeito de dormência emocional - lógica adictiva). Não é verdade, essa crença é um mito. Pode dar o beneficio da duvida e FAZER qualquer coisa construtiva, que realmente relaxe. Participe em actividades agradáveis e relaxantes, fale com alguém, pratique meditação, dê um passeio, em vez de escolher o «atalho» - obter o alivio imediato consumindo drogas. 
 
Ø Socialização Indivíduos tímidos sentem-se desconfortáveis (ex. fobia social) em certos eventos sociais (ex. festas, aniversários, casamentos, etc.).Nestes contextos sociais, a lógica adictiva reforça as crençasque promovem o consumo de drogas, incluindo o alcool,  «lubrificante social» para se sentirem descontraidos, e assim, conseguirem divertir-se, aliviar a tensão e ou o conflito.  
Ø Melhorar a imagem-propria:  Esta situação típica “espelha” a baixa auto-estima. Num determinado contexto social, quando um indivíduo se sente infeliz, consigo próprio, sente que não está a divertir ou desinibido. Ao comparar-se com os outros, despoleta a lógica adictiva, que promove as crenças negativas e associa o consumo de drogas/beber, antecipando sensações de bem-estar e alivio imediato após o consumo de drogas, incluindo o álcool. Por exemplo: "Se os outros estão a beber e a divertir, também quero sentir-me assim. Se consumir drogas e/ou beber um copo... este desconforto passa já." Não avalie o seu interior pelo exterior dos outros.

Ø Romance: Alguns adictos desenvolvem fantasias e expectativas do/a “parceiro/a perfeito” ocorridas durante o período da sua adolescência. Quando a fantasia (paixão) é confrontada com a realidade, por ex. surgem conflitos na relação, sentem-se decepcionados, frustrados ou infelizes com as suas vidas, procuram a excitação, o romance, a alegria da sedução e a procura de se ser amado. Este cenário quando encarado, sem medidas preventivas, pode conduzir ao deslize/recaída em drogas/álcool de forma a manter a “fantasia” viva e o entorpecimento da dor.

Ø “Quero lá saber”: Alguns adictos, apresentam falta de motivação ou compromisso para atingir as suas metas/objectivos, em termos realistas e de auto estima. Algumas afirmações mais comuns: "Estar em recuperação é uma chatice e dá muito trabalho." As suas atitudes expressam a desilusão e antecipam o falhanço, “Não vale a pena tentar...” “Para quê? Não vou conseguir...” ou “Quem é que se vai preocupar?...” Esta atitude negativa pode influenciar o estado vigilante necessário para manter a abstinência/sobriedade duradoura.
 
Controlo: O adicto acreditar que consegue controlar o consumo de substâncias psicoactivas, incluindo o álcool, e negar as evidências negativas da adicção pode estar a iniciar o processo da recaída e assim reiniciar o consumo compulsivo. O oposto ao controlo, é o individuo não reunir as competências cognitivas e os recursos necessários, naquela fase da abstinência, de forma a resistir ao craving (desejo intenso/fixaçãoem consumir drogas. Este fenómeno (craving) tem sido abordado, em estudos, que reforçam o efeito negativo das drogas no cérebro. Alguns adictos afirmam "De repente, sem saber porquê, fui usar drogas...ou beber um copo"
 

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