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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Um dia o gigante desperta irreconhecivel

 

 

Uma história antiga que se perpetua no tempo

No dia 21 de Outubro de 2009 assisti a um documentário (TV) sobre actividades criminosas, numa determinada cidade onde obviamente, os dependentes de drogas ilícitas ocuparam um lugar de destaque. Quase no final do referido programa surgiu um relato de uma mãe, cujo filho se tinha tornado dependente (adicto a drogas ilícitas). Ao ouvir esta mãe fiquei apreensivo e trouxe recordações de outros relatos semelhantes, sobre as consequências imprevisíveis da adicção activa no indivíduo, na família e na comunidade. Neste caso especifico, foram as drogas ilícitas, mas podemos acrescentar drogas lícitas, ex. o álcool, jogo, relações dependentes, sexo. Será que se podia fazer algo a fim de evitar a tragédia? Naquela situação, estavam reunidos todos os ingredientes para a “bomba” rebentar - violência física, verbal, abuso constante e adicção activa - “mistura volátil e explosiva”.

Esta história começa num país bem distante do nosso. Uma mãe solteira de um filho que após a infância exibia traços de personalidade de um jovem com tendência para a musica e com um futuro promissor. Esta mãe, que apelido de Carol afirmava que o seu filho era um ser encantador, bem-disposto e dedicado. Mais tarde, a Carol começou a identificar comportamentos estranhos e bizarros no filho. Um dia, ela descobriu que o seu filho de 14 anos tomava drogas ilícitas. A partir dessa altura o inferno invadiu esta casa de família

Consequências imprevisíveis

Desde esta descoberta até a Carol afirmar que a sua própria casa se tornou na sua própria prisão foi um ápice. Ela mandou instalar gradeamento nas janelas e sistemas de segurança porque o filho lhe roubava a casa todos os dias. O filho acordava-a atirando agua na cara da mãe e obrigava-a a ir trabalhar para depois lhe roubar o dinheiro para ir usar drogas. Tornou-se agressivo verbal e fisicamente. Todos os dias roubava coisas em casa e só as devolvia quando a mãe lhe dava o dinheiro para ir consumir mais drogas. Após um período indeterminado onde a Carol era submetida a este tipo de tortura, ela um dia pensou “ Isto que quero fazer não está certo…mas não suporto mais este sofrimento…

Agarrou numa corda e enrolou-a ao pescoço do filho enquanto este dormia e matou-o. Esta tragédia “encheu” os jornais nacionais e internacionais, e a Carol aguardou o julgamento em liberdade. Mais tarde, foi considerada como culpada pelo tribunal.

O que despoletou a vontade de escrever estas linhas tem a ver com a história amargurada de uma mãe e do seu filho de 18 anos adicto/dependente de substâncias ilícitas. Mais uma entre centenas, milhares por este mundo fora. Por vezes, são notícia nos cabeçalhos dos jornais e televisão, mas infelizmente nada muda, só mudam os intervenientes, porque a historia já é sobejamente conhecida e antiga.

O que mudou ao longo da historia na tragédia de forma a se interromper o ciclo de abuso de drogas licitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas  e a violência? Uma pessoa, como esta mãe, que foi sujeita à violência verbal e/ou física, abuso constante torna-se naquilo que a que chamo tortura. O que pensam as vitimas em relação aqueles que perpetuam o abuso?

Esta história, recordou-me centenas de histórias idênticas de famílias portuguesas destruídas pela natureza complexa e multifacetada da adicção (drogas lícitas, incluindo o álcool, ilícitas, jogo, sexo, relações).

Você alguma vez passou por uma experiencia traumática que tenha sido consequência da adicção (drogas licitas, incluindo o álcool, ilícitas, jogo, sexo, relações dependentes)? Caso a resposta seja afirmativa, envie um email para joaoalexx@sapo.pt relatando a sua experiencia. Através do seu relato poderá ajudar outras pessoas a enfrentar o estigma, a negação e a vergonha. Todos os dados pessoas são mantidos sob sigilo.