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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

27ª Dica Arte Bem-Viver de 25/09/2011

 

Olá, 

 

Ao longo da vida vamos alargando e/ou reforçando o leque de pessoas com as quais vamos interagindo, cujo historial é completamente distinto uns dos outros (diversidade). É um processo dinâmico que também influencia o nosso próprio carácter e algumas das nossas competências individuais e sociais (ex. família e cultura). Todavia, alguns de nós são seres mais sociáveis do que outros.

 

Sabia que não podemos escolher a família. Não podemos escolher o patrão ou os colegas de trabalho. Mas podemos escolher o parceiro/a romântico e/ou amigos. Nesta diversidade de papéis e seleções, existe um certo equilíbrio nos afectos e nas vínculos entre uns e outros.

 

A dica de hoje refere-se à pressão social. Como é que cada um de nós gere a pressão social? As decisões que você toma, para gerir a pressão social, estão enquadradas com os seus valores, objectivos e ideias?

 

Dicas:

1. Acontece com frequência, alguém não aceitar o seu Não? Essa pessoa teima em não dar importância ao que você diz ou faz? Pense nesta questão e responda: "Serei daquelas pessoas que desiste daquilo que acredita, para fazer a vontade aos outros? Isto é, mais uma vez, vou ceder e retroceder quanto ao Não e continuar a sentir-me ignorado/a?”

2. Se identificar um problema serio na comunicação com o seu interlocutor, com tendência para se agravar (agressividade) opte por sair de cena. Faça uma interrupção e abandone o local onde se encontra. Inspire e expire. O problema na comunicação pode estar no conflito de posições (paradigmas e preconceitos diferentes), a fim de se centrar no que é realmente importante, invista nos interesses de ambas as partes para a solução. Aprenda com isso.

3. Arrisque e decida com base na verdade (ética ou moralidade) e na reciprocidade, abandone a posição do ego. Seja directo e utilize as suas competências da comunicação (contacto visual, tom de voz, linguagem corporal, ouvir sem interromper, postura).

4. Após identificar o problema procure as soluções possíveis. Saiba antecipar que os critérios, de ambas as partes, são legítimos. Será mais vantajoso, para o problema, se ambos encontrarem uma solução.

5. Coloque-se na posição do seu interlocutor. Irá compreender o outro ponto de vista. Evite agir nos preconceitos e clarifique a sua posição, isso não significa manter se intransigente. Separe as pessoas dos problemas.

6. Aprenda a expressar os seus sentimentos, comece as frases "Eu sinto..." em vez de "Tu és...". Respeite os sentimentos das outras pessoas. Não adopte a culpa, como argumento, só agrava os problemas já de si complexos e delicados, limita o dialogo.

7. Responsabilize-se pelos seus sentimentos e comportamentos, ficará mais ciente do seu auto conceito e das suas limitações. Saia da sua zona de conforto.

 

 

Votos de uma semana construtiva na gestão da pressão social e valorização das competências individuais e sociais

 

Cumprimentos

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 129ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

Violência é abuso emocional e físico

 Não existe amor que justifique violência. Não existe confiança se há violência. Não existe comunicação através da violência. Violência é um abuso emocional e fisico com consequencias trágicas. Violência é violar a integridade e a liberdade de expressão e de escolha. Violência na relação é dependência; para haver violência são necessarias duas pessoas.

Amor é liberdade. Amor é confiança. Amor é honestidade. Amor é tolerância. Amor é comunicação e entendimento.

Se você é sujeita/o qualquer tipo de violência; não sofra em silêncio; partilhe os seus sentimentos, para um dia conseguir terminar a relação de dependência emocional.

Nota: De acordo com os ultimos dados o homem, apesar de em menor numero comparativamente às mulheres, também é vitima de violência domestica pela parte da sua parceira.

Sabia mais sobre a violência doméstica. Siga o link da APAV

 

http://apav.pt/apav_v2/index.php/pt/

Bom Ano e seja feliz!

O ano de 2012 está prestes a chegar ao fim e a passar à história. À nossa história, que num determinado dia teve um começo e um dia também terá um fim! A nossa vida é feita de memórias e objetivos dependendo do propósito e do sentido (Rumo) que escolhemos seguir, de acordo com as nossas decisões.

 

Qual é o balanço do seu ano que hoje termina? 

Questões para responder e escrever:

1. Quais os aspetos positivos e os aspetos negativos do ano de 2012? Avaliando os aspetos positivos e os aspetos negativos qual é o balanço final?

2. Quais foram as pessoas mais significativas de 2012?

3. Quais foram as metas e objetivos (ambição/sonhos) que atingiu durante 2012?

4. Quais são os seus objetivos para 2013? 

Dica para definir objetivos: específicos  medíveis no tempo, auto motivacionais, realistas, atingíveis e focados nas soluções.

 

Nota: Se considerar refletir sobre outros aspetos importantes da sua vida, faça-o segundo uma perspectiva construtiva, procure formas de se reinventar, no presente. Como humanos, estamos envolvidos num processo de mudança constante.

 

Exclusivamente para si, que é seguidor deste blogue, um excelente 2013! Recuperar É Que Está A Dar

 

Léxico de recuperação - Comunicação

Comportamentos Adictivos

Abecedário da Recuperação faz parte do léxico que define um estilo de vida com qualidade. Recuperar é que está a dar.

 

 

  • Abstinência
  • Brincadeira
  • Confiança - perseverança e coragem apesar do medo.
  • Dia a dia.
  • Esperança - é o equilíbrio quando surge o medo do desconhecido.
  • Fé - é o sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem comunicamos.
  • Gratidão - fazer o bem e o melhor possível; reconhecimento e reciprocidade.
  • Hoje – O dia mais importante
  • Inventário pessoal - aspetos positivos e os aspetos negativos
  • Jubilo - conquista, felicidade e despertar espiritual, não religioso.
  • Liberdade de escolha e decisão
  • Mestria - competências individuais e sociais (talentos)
  • Não - dizer não é liberdade, é assertividade. Em recuperação aprende-se a dizer não.
  • Oração - contacto consciente com poder superior imaterial
  • Partilhar é receber
  • Querer - Fazer o melhor possível e entregar o resultado.
  • Relações significativas de intimidade e de confiança; limites saudáveis.
  • Sentir as emoções, seja elas quais forem, prazerosas ou as dolorosas. adoptar comportamentos geradores de qualidade de vida (Saúde, família, trabalho, amigos)
  • Trabalho; produzir, criar. Desenvolver a autonomia e a independência
  • Um dia de cada vez
  • Viver de acordo com valores morais universais e espirituais únicos e livres, sem dogmas ou divindades.
Comentário: Caso você esteja interessado/a em participar poderá acrescentar mais palavras ao léxico de recuperação comentando este post. Participe.

 

19ª Dica Arte Bem-Viver de 31/07/2011

Olá,

 

Sabe qual é o significado a palavra Ressentimento? Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa (6ª Edição) da Porto Editora, “Acto ou efeito de ressentir (sentir novamente) ou de ressentir-se; lembrança dolorosa de uma ofensa recebida; melindre; rancor.”

 

Segundo o psicanalista Alfred Adler “Atitude de hostilidade generalizada proveniente de uma situação inferiorizante que o individuo não pode remediar por uma revalorização.”

 

Identifica algum tipo de ressentimento na sua vida? Memorias? Se a resposta honesta for sim, isso é Ok. Não somos perfeitos. E agora?! Avance no tempo, e pense no seguinte:

 

Sabia que, na maioria dos casos, o seu ressentimento nunca magoa a pessoa contra quem você dirige o seu rancor, ódio ou aversão? Quando não conseguimos direccionar as nossas emoções dolorosas (raiva, ressentimento) para o alvo devido (especifico) acabamos por generalizar e embargar a verdadeira fonte do nosso descontentamento e frustração. Isto é, como o ressentimento assume uma atenção/preocupação excessiva e significativa, só se magoa a si mesmo e/ou algumas pessoas à sua volta; reinicia o “antigo” ciclo do ressentimento, repetitivo e gerador de dor, do passado. No presente, sente que é duplamente vitima e classifica isso como uma injustiça; ressentimento do passado, raiva no presente. O Ressentimento conduz à fúria, ao ódio e à hostilidade e em situações extremas à violência, dependendo dos níveis de atenção e intensidade que dispensa sobre esta questão.

 

Questões: Seja a mais honesto/a possível.

  • Na sua perspectiva, qual é o motivo pela qual ainda valoriza o ressentimento, do passado?

 

O seu ressentimento mantém-se actualizado, no presente? É de “estimação” ou considera-se uma “dupla vitima”? 

 

  • Quais as consequências negativas do Ressentimento? Como é que se magoa? Como é que magoa, as pessoas significativas, à sua volta?

 

Faça uma lista dos aspectos benéficos e negativos do ressentimento (presente), na sua vida, e avalie as suas conclusões. Também pode envolver, neste trabalho, uma pessoa significativa e disponivel , afim de aflorar ideias, ter perspectivas diferentes e quiçá receber feedback.

 

Se deseja ser o dono/a do “leme seu do barco” monitorize, actualize as suas atitudes (sentimentos) e comportamentos. As coisas têm o valor que nós próprios lhes proporcionamos. “Só ouvimos aquilo que nos interessa”

Siga o link:

 

http://www.youtube.com/user/TEDtalksDirector#p/search/0/8_zk2DpgLCs

 

Votos de uma semana feliz na Arte de Bem Viver

Cumprimentos

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passados 16 meses é enviada para mais de 350 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 76ª publicação. Caso deseje receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis

Dia-a-dia nas consultas na busca da recuperação e da dignidade

 

 

Tratamento dos comportamentos adictivos. Importante: Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter o anonimato dos seus intervenientes.

 

Consulta com Cristina (nome fictício. Dependência emocional), abordamos a questão da intimidade nos relacionamentos românticos. Paixão, no início de um relacionamento, pode não ser sinonimo de intimidade e de compromisso, ao invés, pode ser sinónimo de sofrimento. Para algumas pessoas, intimidade é sinonimo de medo – medo do desconhecido, medo da rejeição e do compromisso, medo da exposição, medo do falhanço, medo do medo. A intimidade numa relação é semelhante a um contrato, celebrado por duas pessoas, onde ambas as partes se comprometem a preservar, a partilhar e a colher os seus benefícios, salvaguardando o bem-estar da relação. A intimidade é fruto do compromisso e da honestidade, de ambos os parceiros, faz parte de um processo com propósito e sentido em conjunto com o parceiro/a.

 

Consulta com Álvaro (nome fictício. Alcoolismo) falamos sobre a diferença entre a realidade e a ilusão. Quando ficamos iludidos (negação), através do alcoolismo, só conseguimos enxergar a realidade (verdade) após sofrimento e consequências negativas. O alcoolismo afecta seriamente todas as áreas da vida do individuo. Qual é o limite para a negação do alcoolismo? Não tem... “É só mais uma bebida, amanhã não bebo mais!”

 

Consulta com Maria (nome fictício. Distúrbio alimentar) falamos sobre sentimentos e os comportamentos. Podemos confundir os sentimentos, com aquilo que realmente é o nosso caracter; é necessário desvincular os sentimentos dos comportamentos. Não somos aquilo que sentimentos, mas aquilo que fazemos com os pensamentos e com os sentimentos.

 

Nas consultas abordamos com frequência, a questão da vida e da morte. Alguns indivíduos estiveram "perto" da morte, como consequência do sofrimento da adicção ativa (doenças, tentativa de suicídio, problemas de saúde e/ou overdose, acidentes). Quando se está doente da adicção ativa, as regras para se sobreviver são diferentes da maioria dos mortais. Paradoxo, tanto o sofrimento como o isolamento, aparentam ser uma “companhia” do dia-a-dia, uma segurança, mas no lado oposto, da mesma moeda, são um motivo suficientemente forte para questionar a razão de estar vivo. Em recuperação, é possível atenuar a dor/sofrimento através da ajuda de outras pessoas de confiança.

 

Consulta com Hilário (nome fictício. Adicto ao Jogo) identificamos pensamentos e crenças que mantêm o individuo fechado e isolado (vergonha tóxica). A forma como se defende do sofrimento, por ex. da vergonha e do sentimento de culpa, é atuar com base no prazer imediato, acting out, que reforça o isolamento, a vergonha toxica e o sentimento de inadequação. É um círculo de pensamentos, sentimentos e comportamentos disfuncionais quem mantêm o problema do jogo e o sofrimento; jogar para evitar o confronto com a realidade e a mudança de paradigmas.

 

 

 

O Anonimato: para quê? e para quem?

Caros leitores,

Não queria começar sem agradecer o convite feito pelo João Alexandre para escrever para os seus blogues. Obrigado!

 

Decidi escrever sobre este tema porque continuo a assistir a um fenómeno recente, a meu ver, pouco ético de lidar com o cliente/paciente e sua família. Em desespero, as pessoas estão prontas para fazer qualquer coisa, ou aceitar qualquer proposta para parar o sofrimento diário.

Porquê o anonimato? Se pegarmos numa curiosidade verificamos que nas dezenas de irmandades de 12 Passos existe sempre uma palavra que não muda. Então vejamos: Narcóticos Anónimos, Alcoólicos Anónimos, Cocaína Anónimos, Famílias Anonimas, Nicotina Anónimos, entre muitas outras. É fácil, é a palavra “Anónimos” está sempre presente porque é extremamente importante. Esta palavra está sempre presente para proteção. Mas para proteção de quem? Também é fácil. Para proteção dos membros dessas irmandades.

 

A importância do anonimato surge resultante da experiência acumulada, ao longo de varias décadas, por membros das mesmas irmandades. Sabe-se que a recuperação não é fato consumado, isto significa que a recuperação é construída e alicerçada, todos os dias, um dia de cada vez. Um individuo que hoje está em recuperação; amanhã pode não estar. Para além disso, a vida é uma maratona, e aquilo que hoje podemos considerar inofensivo, não significa que não possa trazer consequências para nós ou para as nossas famílias, a medio e a longo prazo; capaz de gerar muitos momentos de dor e sofrimento.

 

O que me revolta, é saber que pessoas que estão nesta área de serviço (profissionais no tratamento de adições) e que trabalham com esta abordagem de tratamento (12 Passos dos Alcoólicos Anónimos, vulgo AA) sabem o porquê da existência do anonimato, e mesmo assim, cedem as exigências dos media (por exemplo: a televisão) para ter um espaço num canal a emitir em direto a nível nacional. Isto pode significar, na prática, uma assistência de milhares senão milhões de espectadores.

 

Não é uma maneira digna de tratar um cliente que é humilhado em frente a milhões de espectadores, entre eles estão familiares, amigos dos familiares, filhos, patrões, enfim, a sociedade em geral. Podem afirmar, que o cliente e a família aceitam este tipo de exposição, mas na realidade, estas pessoas estão em total desespero, aceitam qualquer coisas que os ajude a sair do problema, e os centros de tratamento (instituições) sabem disso. Na minha opinião, deviam protege-los e não expô-los desta maneira.

 

De acordo com notícias dos Estados Unidos da América, uns indivíduos davam uns dólares aos sem-abrigo alcoólicos de Nova Iorque em troca de uma luta. Ou seja, estas pessoas concordaram agredir-se mutuamente para ter em troca dinheiro para mais uma bebida. Fica aqui a comparação para reflexão.

 

Na minha breve passagem profissional por Portugal, o centro de tratamento onde fui Coordenador Terapêutico também foi a um desses programas de televisão da manhã, mas com uma pessoa com varios anos de recuperação, sem aquela pressão do desespero para parar de usar, onde aceitou contar a sua vida em frente das camaras. O resultado foi o mesmo: durante aquele dia recebemos dezenas de telefonemas, e eventuais clientes. Então eu pergunto, porque não levam um cliente que tenha uns anos de recuperação? Ou então, levem o cliente e a família em desespero ao programa se isso significa a “oferta” de um tratamento para o cliente, mas POR FAVOR, não mostrem a cara e mudem a voz. Não quebrem o anonimato das pessoas, porque muitas vezes é só isso que elas têm, ou que elas ficam para reconstruir as suas vidas novamente. E todos nós de uma maneira ou de outra sabemos disso.

 

Aqui fica o texto para reflexão.

Forte abraço e até a uma próxima oportunidade.

 

 

Nuno Albuquerque,

www.primecounsellinglifecoaching.com

 

 

Leitura recomendada: "Dependência, Estigma e Anonimato nas Associações de 12 Passos" da Catarina Frois, Edição/reimpressão:2009, Editor: Imprensa de Ciências Sociais. Livraria Bertrand. 

 

 

Comentário: Desde já os meus agradecimentos ao Nuno Albuquerque pela sua participação no Recuperar das Dependências. Também partilho da mesma opinião, quando se expõe publicamente, o sofrimento e o desespero, cujo intuito é a ajuda, as audiências e a publicidade ao centro de tratamento em questão. É uma triangulação (cliente, meio de comunicação social e instituições) confusa e pode revelar-se promiscua, caso não existam políticas e orientações que salvaguardem os direitos do cliente. Já assisti, a esses ditos programas, e parece que alguns limites são de facto, ultrapassados, por ex. informação clinica (confidencial) sobre o cliente e a evolução em tratamento. Este tipo de informação deverá ser partilhado, exclusivamente, entre profissionais, nunca em público.

 

Quais são as orientações que visam proteger o cliente, previamente esclarecidas e definidas, entre a instituição de tratamento e os meios de comunicação social? Por exemplo; quanto á exposição publica, qual/quais são os fatores de riscos e as possíveis consequências psicológicas no individuo? De que forma são defendidos? Caso se vejam a constatar danos, quem são os responsáveis? A instituição ou os meios de comunicação social? Enfim, existem imensas questões delicadas que devem ser contempladas e esclarecidas, pelas partes interessadas, de forma a prevenir qualquer tipo de dano.  

 

Gostaria também de aproveitar o tema do anonimato, lançado pelo Nuno Albuquerque, para falar sobre a ética, em especial no centro de tratamento com as características já referidas neste texto. Na minha opinião, este tipo de instituições de tratamento, que utilizam os 12 Passos dos Alcoólicos Anónimos[i] devem ter um código de ética (politicas, orientações e regras) e supervisão (supervisor) clinica, de grupo e/ou administrativas (Case management) que definem a organização e a relação entre a própria instituição (hierarquia e constituição), os seus profissionais (instrumentos de avaliação e confidencialidade) e os próprios clientes (conduta e expectativas), a fim de serem salvaguardadas os direitos e os deveres de todos. Só conseguimos usufruir, em pleno, da liberdade quando cumprimos as regras.

Caro leitor/a, se algum dia procurar ajuda, para si e/ou para um familiar, para tratamento da adicção solicite informação sobre o código de ética da instituição.

 

                                                                                                    



[i] Importante: Para evitar mal-entendido, gostaria de informar que não existe qualquer tipo de relação comercial, institucional e/ou profissional entre os grupos de ajuda mutua dos Alcoólicos Anónimos (AA) e estas instituições privadas. Por exemplo, nos grupos de ajuda mutua não existem profissionais, não apoiam com qualquer tipo de instituições privadas, a participação dos seus membros é totalmente grátis, não existem cotas ou outro tipo de pagamento/contractos, quando os seus membros vêm a público são totalmente anónimos (não se revela o rosto e a voz dessa pessoa).

As instituições privadas de tratamento, em regime residencial de internamento, da adicção utilizam somente os 12 Passos, na filosofia do tratamento. 

Dica: Recuperação comportamentos adictivos

Recuperar da Adicção envolve sentimentos, nesse sentido, você precisa de reaprender novas competências e recursos de forma a identificar e a expressar os sentimentos (pensamentos-sentimentos-comportamentos). Ao contrário daquilo que possa sentir, não são os sentimentos que determinam que tipo de pessoa é; são as suas decisões, das quais você é o único responsável, para o bem ou para o mal. Não são os sentimentos de definem o caracter, mas o resultado das ações. Por exemplo, qual é o seu ídolo? Mestre? Mentor? Herói? O que é que você admira nessa pessoa? São os sentimentos privados dessa pessoa ou aquilo que ele/a é e faz? Na realidade, você não conhece essa pessoa na intimidade.  

 

 Durante a adicção ativa (circulo adictivo) recorre-se às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e os fármacos, e as ilícitas ou aos comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras, furto, codependência e distúrbio alimentar) para “fugir/adormecer” os sentimentos dolorosos – dor e a compulsão é direcionada para a obtenção do prazer/gratificação. Os fins justificam os meios. “Só mais uma, desta vez vai ser diferente…”

 

Sentimentos Vs. Resultados

Em recuperação faça uma monitorização, a mais honesto possível, dos seus sentimentos, em particular da raiva. Esteja atento/a aos seus impulsos (hábitos e rotinas) aos seus pensamentos irracionais (padrões antigos de julgar as situações e as pessoas). Por exemplo; se você está irritado/a encara um conflito de uma maneira; se está confiante encara o conflito de maneira diferente. Não existe absolutamente problema nenhum, caso você sinta raiva, é humano haver conflitos entre pessoas, principalmente quando se sente frustrado, magoado, desiludido, enganado e/ou injustiçado. Todavia, como você sabe, a raiva é uma energia muito poderosa, que precisa de ser monitorizada e direcionada para algo construtivo. Por exemplo, quando você estiver em raiva (energia poderosa) precisa de pensar no tipo de decisões que pretende fazer e os resultados que pretende atingir, de forma a não cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes. 

 

 

 

Quando o amor não é suficiente

Veja os bastidores do filme "When love is not enough"1 que aborda a relação entre Bill W (Co-fundador dos Alcoólicos Anónimos) e a sua mulher Lois Wilson (Co-fundadora dos Al-Anon 2), com a participação do actor Barry Pepper "Bill W." e da actriz Winona Ryder "Lois Wilson". 

O filme retrata a relação, entre marido e esposa, extremamente afectada pelos efeitos do alcoolismo, durante a "Grande depressão", no inicio dos anos 30, nos EUA. 

 

Em 1999, a prestigiada revista - Time Magazine afirmou que Bill W. era considerado uma das 100 personagens do século.

 

Notas:

1. Tradução: "Quando o amor não é suficiente"

2. Al-Anon é a designação americana dos grupos de Ajuda-mutua que reunem as mulheres e familiares, dos indivíduos alcoólicos