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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

3 Factos importantes sobre os sentimentos

Gestão dos sentimentos e o auto conhecimento: É Ok sentir, é sinonimo de estarmos saudáveis e vivos.

 

De acordo com determinados paradigmas disfuncionais somos educados a: 1. “Manter a cabeça fria”, 2. “Manter as emoções ao largo”, 3. “Não deixar que as paixões interfiram na logica” 4. A negar e/ou reprimir o medo, a vergonha e a raiva 5. A valorizar as aparências em detrimento do Eu genuíno. Como resultado, concebemos os sentimentos como uma faculdade mental excessiva, imatura e "lamecha" um parceiro do pensamento racional que é dispensável e imposta. Se o sentimento é doloroso sofremos com ele como um intruso indesejado. 

 

Não rotule os sentimentos de “bons” ou “maus”, “certo” ou “errado”. Valorize os seus sentimentos, quer sejam de felicidade e contentamento ou dolorosos e tristeza. É através dos sentimentos que tomamos decisões, que buscamos a motivação para superar a adversidade, que damos azo à criatividade, que intuímos sobre determinada situação importante, que nos aproximamos ou afastamos de pessoas (encontros e desencontros), que valorizamos as nossas necessidades.

Aprenda a discernir e a interpreta-los através da componente cognitiva e assim desenvolver a sua literacia emocional.

Dica:

  • O que é que me provocou este sentimento?
  • O que é que eu penso em relação a _____________ . (incidente associado ao sentimento)?
  • Qual é o significado do sentimento?

Partilhe os seus sentimentos com pessoas de confiança e disponíveis para ouvir. Se deseja explorar os sentimentos, procure  feedback crítico. Recuperar é que está a dar.

 

Somos mais parecidos uns com os outros do que aquilo que imaginamos

Todos nós temos problemas. Todos nós temos uma história para contar e a dada altura precisamos de ajuda. Porque é que possuímos a tendência excessiva para culpar o outro? Creio que existe uma tendência para avaliar e criticar o outro recorrendo a generalizações demagógicas e a padrões – preconceitos disfuncionais acompanhado de uma falsa sensação de moralismo e de inimputabilidade, em vez de, avaliar o contexto em que o individuo está inserido e investirmos naquilo que considero essencial nos relacionamentos, refiro-me à EMPATIA. É através da relação com o outro que adquirimos consciência de nós próprios. " De perto ninguém é normal."

As pessoas mais felizes gostam de pessoas. São nos detalhes que nos é revelado a essência da personalidade das pessoas.

28ª Dica Arte Bem-Viver, de 02/10/2011

Olá, exclusivamente para si, Bom Ano de 2014.

A 28ª Dica Arte Bem-Viver, está relacionada com o trabalho e o espírito de equipa.

 

Durante catorze anos consecutivos trabalhei num contexto de equipa, com supervisão individual, altamente dinâmico, que me possibilitou um conhecimento muito significativo a nível pessoal e profissional.

 

Passamos uma parte significativa das nossas vidas a trabalhar. Enquanto crianças, ouvimos com muita frequência: «O que é que queres ser quando fores grande?». Desde cedo fazemos um grande investimento na realização profissional e levamos adiante esse projecto, com altos e baixos, avanços e recuos, até ao final dos nossos dias. Crescemos e amadurecemos a trabalhar. Somos ensinados a ambicionar segurança, prestigio, reconhecimento, poder e sucesso. Se não monitorizarmos os objectivos e o propósito, podemos até ficar adictos ao trabalho (workaholics), desenvolvendo expectativas irreais, e assim sacrificar todas as outras áreas das nossas vidas, exemplos: relacionamentos de intimidade, família, incluindo os filhos, auto conceito, amigos, hobbies.

 

Considero, ao contrário daquilo que muitos pensam, que a questão financeira não é a motivação principal para um excelente desempenho profissional. Considero dois factores importantes. Primeiro: A gratidão (paixão) de desempenhar algo pela qual estamos dotados e que se enquadra no nosso perfil. Segundo: um óptimo ambiente de trabalho (ex. espírito de equipa).

 

Não é sinónimo de excelência, de compromisso e/ou profissionalismo ser medico, engenheiro, advogado, ou possuir um MBA (master business admnistration ) etc. Na minha opinião, acima de tudo é preciso atitude, compromisso, liderança e dedicação à causa. Quero dizer com isto que, existem pessoas que desempenham a sua profissão e/ou seguem as suas carreiras, mas poucas são profissionais de excelência.

 

Trabalha em equipa? Algumas curiosidades, sobre o espírito de equipa, baseadas na minha experiência profissional:

1. Em termos de potencial, o que é que você acrescenta à sua equipa de trabalho (espírito de equipa)?

2. Em termos de potencial, o que é o/a distingue dos seus colegas?

 

Sabia que tudo aquilo que acontece no seio do trabalho de equipa/grupo influencia cada um dos seus membros, ainda que possa não ser notado. Alguns factores que influenciam a dinâmica de grupo de trabalho: aceitação, apoio e esperança, altruísmo e vivências (diversidade), avaliação. E o potencial (mais valia) que cada membro da equipa proporciona aos restantes membros do grupo.

 

Sabia que as pessoas que nunca tenham trabalhado num contexto de grupo/equipa, de início, apresentam a tendência para percepcionar o grupo como uma entidade fechada e confusa à qual sentem uma certa hostilidade. Algumas pessoas pensam: «Que grande confusão» ou «Tanta gente! Isto vai ser um complicado.» Não conseguem ter uma perspectiva organizada.

 

Um dos factores mais importantes, para o êxito ou o insucesso no trabalho de grupo, é a disponibilidade, de cada indivíduo para este tipo de contexto, assim como, as suas características pessoais. Refiro-me ao compromisso e/ou a falta dele.

 

Sabia que o trabalho em equipa pode fornecer um nível de estimulação significativo capaz de activar processos que permitem a tomada de consciência das suas próprias qualidades, das suas áreas de maior dificuldade no relacionamento com as outras pessoas e facilitar novas crenças construtivas.

« I Love My Job» e você?

 

Votos de uma semana de trabalho motivada para a auto realização e para o espírito do grupo.

 

Cumprimentos,

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 145ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

27ª Dica Arte Bem-Viver de 25/09/2011

 

Olá, 

 

Ao longo da vida vamos alargando e/ou reforçando o leque de pessoas com as quais vamos interagindo, cujo historial é completamente distinto uns dos outros (diversidade). É um processo dinâmico que também influencia o nosso próprio carácter e algumas das nossas competências individuais e sociais (ex. família e cultura). Todavia, alguns de nós são seres mais sociáveis do que outros.

 

Sabia que não podemos escolher a família. Não podemos escolher o patrão ou os colegas de trabalho. Mas podemos escolher o parceiro/a romântico e/ou amigos. Nesta diversidade de papéis e seleções, existe um certo equilíbrio nos afectos e nas vínculos entre uns e outros.

 

A dica de hoje refere-se à pressão social. Como é que cada um de nós gere a pressão social? As decisões que você toma, para gerir a pressão social, estão enquadradas com os seus valores, objectivos e ideias?

 

Dicas:

1. Acontece com frequência, alguém não aceitar o seu Não? Essa pessoa teima em não dar importância ao que você diz ou faz? Pense nesta questão e responda: "Serei daquelas pessoas que desiste daquilo que acredita, para fazer a vontade aos outros? Isto é, mais uma vez, vou ceder e retroceder quanto ao Não e continuar a sentir-me ignorado/a?”

2. Se identificar um problema serio na comunicação com o seu interlocutor, com tendência para se agravar (agressividade) opte por sair de cena. Faça uma interrupção e abandone o local onde se encontra. Inspire e expire. O problema na comunicação pode estar no conflito de posições (paradigmas e preconceitos diferentes), a fim de se centrar no que é realmente importante, invista nos interesses de ambas as partes para a solução. Aprenda com isso.

3. Arrisque e decida com base na verdade (ética ou moralidade) e na reciprocidade, abandone a posição do ego. Seja directo e utilize as suas competências da comunicação (contacto visual, tom de voz, linguagem corporal, ouvir sem interromper, postura).

4. Após identificar o problema procure as soluções possíveis. Saiba antecipar que os critérios, de ambas as partes, são legítimos. Será mais vantajoso, para o problema, se ambos encontrarem uma solução.

5. Coloque-se na posição do seu interlocutor. Irá compreender o outro ponto de vista. Evite agir nos preconceitos e clarifique a sua posição, isso não significa manter se intransigente. Separe as pessoas dos problemas.

6. Aprenda a expressar os seus sentimentos, comece as frases "Eu sinto..." em vez de "Tu és...". Respeite os sentimentos das outras pessoas. Não adopte a culpa, como argumento, só agrava os problemas já de si complexos e delicados, limita o dialogo.

7. Responsabilize-se pelos seus sentimentos e comportamentos, ficará mais ciente do seu auto conceito e das suas limitações. Saia da sua zona de conforto.

 

 

Votos de uma semana construtiva na gestão da pressão social e valorização das competências individuais e sociais

 

Cumprimentos

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 129ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

Léxico de recuperação - Comunicação

Comportamentos Adictivos

Abecedário da Recuperação faz parte do léxico que define um estilo de vida com qualidade. Recuperar é que está a dar.

 

 

  • Abstinência
  • Brincadeira
  • Confiança - perseverança e coragem apesar do medo.
  • Dia a dia.
  • Esperança - é o equilíbrio quando surge o medo do desconhecido.
  • Fé - é o sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem comunicamos.
  • Gratidão - fazer o bem e o melhor possível; reconhecimento e reciprocidade.
  • Hoje – O dia mais importante
  • Inventário pessoal - aspetos positivos e os aspetos negativos
  • Jubilo - conquista, felicidade e despertar espiritual, não religioso.
  • Liberdade de escolha e decisão
  • Mestria - competências individuais e sociais (talentos)
  • Não - dizer não é liberdade, é assertividade. Em recuperação aprende-se a dizer não.
  • Oração - contacto consciente com poder superior imaterial
  • Partilhar é receber
  • Querer - Fazer o melhor possível e entregar o resultado.
  • Relações significativas de intimidade e de confiança; limites saudáveis.
  • Sentir as emoções, seja elas quais forem, prazerosas ou as dolorosas. adoptar comportamentos geradores de qualidade de vida (Saúde, família, trabalho, amigos)
  • Trabalho; produzir, criar. Desenvolver a autonomia e a independência
  • Um dia de cada vez
  • Viver de acordo com valores morais universais e espirituais únicos e livres, sem dogmas ou divindades.
Comentário: Caso você esteja interessado/a em participar poderá acrescentar mais palavras ao léxico de recuperação comentando este post. Participe.

 

As referências, não se aplicam só a alguns, servem para todos

 

 

Tradução:

“ A melhor maneira para ter sucesso e crescer na minha própria sobriedade, é fazer exatamente aquilo que aconselho aos outros fazerem.”

 

 

Fonte: National Catholic Council on Addictions (NCCA)

 

Comentário: Contrariando assim a “velha” e desatualizada máxima: “Não olhes para aquilo que eu faço; mas faz aquilo que te digo”

Visto esta citação surgir de uma organização católica americana que apoia a recuperação da adicção, isso não representa qualquer afiliação ou crença religiosa, da parte do autor do blogue.  

A publicação desta citação, no blogue, é simplesmente uma dica que não se aplica somente à recuperação da adicção, como também podemos redireciona-la a uma dimensão existencial.

O segundo propósito desta citação, neste blogue, serve também para reforçar a necessidade de haver um entendimento e um compromisso, plataforma de entendimento, entre religiões, investigadores (ciência), profissionais e instituições, num objetivo comum: recuperar pessoas, famílias incluindo as crianças e a própria sociedade afetada pelas consequências negativas da adicção, contra o estigma, a negação e a vergonha - Recuperar É Que Está A Dar

Dica: Recuperação comportamentos adictivos

Recuperar da Adicção envolve sentimentos, nesse sentido, você precisa de reaprender novas competências e recursos de forma a identificar e a expressar os sentimentos (pensamentos-sentimentos-comportamentos). Ao contrário daquilo que possa sentir, não são os sentimentos que determinam que tipo de pessoa é; são as suas decisões, das quais você é o único responsável, para o bem ou para o mal. Não são os sentimentos de definem o caracter, mas o resultado das ações. Por exemplo, qual é o seu ídolo? Mestre? Mentor? Herói? O que é que você admira nessa pessoa? São os sentimentos privados dessa pessoa ou aquilo que ele/a é e faz? Na realidade, você não conhece essa pessoa na intimidade.  

 

 Durante a adicção ativa (circulo adictivo) recorre-se às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e os fármacos, e as ilícitas ou aos comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras, furto, codependência e distúrbio alimentar) para “fugir/adormecer” os sentimentos dolorosos – dor e a compulsão é direcionada para a obtenção do prazer/gratificação. Os fins justificam os meios. “Só mais uma, desta vez vai ser diferente…”

 

Sentimentos Vs. Resultados

Em recuperação faça uma monitorização, a mais honesto possível, dos seus sentimentos, em particular da raiva. Esteja atento/a aos seus impulsos (hábitos e rotinas) aos seus pensamentos irracionais (padrões antigos de julgar as situações e as pessoas). Por exemplo; se você está irritado/a encara um conflito de uma maneira; se está confiante encara o conflito de maneira diferente. Não existe absolutamente problema nenhum, caso você sinta raiva, é humano haver conflitos entre pessoas, principalmente quando se sente frustrado, magoado, desiludido, enganado e/ou injustiçado. Todavia, como você sabe, a raiva é uma energia muito poderosa, que precisa de ser monitorizada e direcionada para algo construtivo. Por exemplo, quando você estiver em raiva (energia poderosa) precisa de pensar no tipo de decisões que pretende fazer e os resultados que pretende atingir, de forma a não cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes. 

 

 

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha III

Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente foram enviadas respostas a cada situação em especial.

Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.

 

A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é  interrompido.  

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha.

 

1. “Chamo me J. e gostaria de saber como gerir/ conduzir uma situação de consumo excessivo de álcool. A pessoa em questão não reconhece o consumo abusivo. Bebe praticamente todos os dias sozinho e em contexto não-social. Quando o faz, num contexto social, o consumo de bebidas alcoólicas tende sempre para o excesso. Estou preocupada e não sei como conduzir esta situação.”

 

2.“Chamo me A. e sou filho de mãe alcoólica e isso reflete se na minha vida sentimental. Os meus pais separaram se quando eu era criança, vivi com a minha avó até ao início da adolescência, depois fui viver com a minha mãe e aí então, foi realmente muito difícil. Sinto me inadequado e desconfiado nos relacionamentos de intimidade. Sou demasiado exigente comigo e com as outras pessoas, inclusive tenho a necessidade de controlar tudo e todos. Descobri o seu blogue e por isso  procurei a sua ajuda. “

 

3. "Chamo me L. escrevo lhe este email pois estou preocupada com uma situação que está a ocorrer a uma amiga minha : ela quando come doces , pizzas , salgados ( comida pouco saudável , em geral) vomita tudo a seguir. Isto é , ela se comer comida saudável leva uma vida normal , só quando se excede, ingestão compulsiva, é que tem a necessidade de vomitar tudo. Será esta situação normal? Será um vicio ?

Obrigada”

 

4.. “Chamo me P e encontrei por acaso o seu blogue. A minha história é a de alguém que luta e sofre com a adição pelos doces. Tenho alternado entre períodos de ser muito cuidadosa e saudável e depois, algo se apodera de mim e perco a noção de tudo, faço muito mal a mim mesma, estrago a minha vida, isolo me e caio na compulsão. Depois é a paranoia dos dias perfeitos para mudar de vida. O tempo passa e ainda não fui mãe, mas a sensação que tenho é que hipotequei a minha vida, congelei  a vida com medo de sofrer. O açúcar tem sido o veneno que me anestesia da realidade, faz -me fugir de encarar a vida e de ter coragem para tomar decisões e para me amar como sou...a tal auto estima...Ajude-me!”

 

 

5.. "Chamo me M e estou numa relação com um toxicodependente. Apaixonei me por ele. E só soube da sua adicção com drogas duras há menos de dois meses. Sempre notei que receava intimidade e o compromisso. Oscilava entre o sarcástico, distante, desinteressado. Explodia sem razão aparente e criticava-me negativamente. Falei com ele, já não suportava esta rejeição da sua parte. Disse lhe que não queria mais esta relação para mim. Ele mudava ou nada fazia efeito. Ele mudou do dia para a noite, mais atento, carinhoso. Passado uma semana voltou outra vez à rejeição. Mais uma senti me muito insegura. Estou confusa e a ficar farta deste comportamento instável. Até quando aceitar a instabilidade? Será que ele não consegue ter uma relação amorosa estável? Eu também consumo ganzas e bebo álcool. Será que o João me pode ajudar?”

 

 

 

14ª Dica Arte Bem-Viver de 26/06/2011 - Adiar a gratificação imediata

 Olá

 Adiar a gratificação imediata. O que é que isso significa?

 

É humano procurar a gratificação, a satisfação e o reconhecimento através das pessoas, lugares e coisas, é uma forma de recompensa, de aprovação e ou de agradecimento.

 

Todavia, na nossa sociedade, desenvolvemos o culto/habito pela competitividade e pelo consumismo na procura do caminho mais curto (atalho) e menos doloroso, neste sentido a gratificação/prazer imediata assume uma necessidade impreterível e disfuncional na gestão das emoções, gestão das prioridade, no critério da recompensa e gratificação individual. Se conseguirmos parar, por uns breves momentos, e reflectir sobre os nossos comportamentos, concluímos "Queremos as coisas já... ou de preferência para ontem."  Evocamos os princípios ( as palavras), mas procuramos satisfazer o nosso Ego (atitudes e comportamento). Aquilo que dizemos que somos; não é coerente com aquilo que fazemos. A nossa vontade, através dos impulsos reactivos e irreflectidos, na busca da gratificação imediata é suprema, como se a própria sobrevivência dependesse disso.

 

Adiar a gratificação imediata compromete o prazer imediato. Como? Primeiro, executamos as tarefas mais complexas que exigem auto sacrifício, disciplina, reflexão, criatividade, responsabilidade e determinação. É um processo de maturidade na gestão das competências cognitivas e sociais, dos impulsos, da dor e do prazer (balança emocional) nas coisas simples do dia-a-dia. Aprende-se a privilegiar (prioridades) os valores morais/éticos acima do prazer imediato, por ex. através da abnegação e o altruísmo Vs. egoísmo frenético e egocêntrico.

  

Se conseguirmos fazer uma gestão construtiva do desconforto emocional e da dor acabamos por aceitar esta condição, as prioridades, em primeiro lugar, ao invés de gerir a dor com um único proposito - preencher o vazio emocional (isolamento, solidão) com pessoas, lugares e coisas. 

 

Muitas vezes o que queremos (ter) não é o que precisamos (ser).

 

Votos de uma semana recheada de momentos de disciplina, honestidade, abnegação, reflexão, responsabilidade e determinação.

 

 

Cumprimentos

  

Nota: Esta Dica é um excerto do Retiro Espiritual Online (Programa Desenvolvimento Individual).

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passado um ano é enviada para mais de 300 pessoas, para vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. Vai na sua 56ª publicação. Caso deseje receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis

 

 


 

Relação de Intimidade

 

“Não me interessa qual o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar os desejos do teu coração.

 

Não me interessa saber que idade tens. Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.

 

Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas ou nos relembrares as limitações do ser humano.

 

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues ser fiel e, por isso digno de confiança. Quero saber se consegues ver  beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, o teu e o meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, “Sim!”.

 

Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se, depois de uma  noite de dor e desespero, exausto , dorido até ao tutano, consegues levantar-te e cuidares das necessidades das crianças.

 

Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.

 

Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustem interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo, e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.”

 

O Convite” de Oriah Moutain Dreamer

 

Comentário:Este texto parece realçar aquilo que é realmente importante entre duas pessoas quando assumem o compromisso de iniciar um projecto, em conjunto - Relação. A autora reforça os laços de intimidade, como os valores que sustentam a relação, isto é, para além do ego dos "parceiros" o mais importante é a relação, um sistema frágil e complexo. Para mim, em particular, gostei deste texto porque serve de inspiração e reforça a importância dos valores morais numa relação a dois, em detrimento do ego frenético e egocêntrico e dos aspectos materiais.