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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

9 factos sobre a perturbação do comportamento alimentar

9 factos sobre a perturbação do comportamento alimentar.

É possivel recuperar.

Recuperar é uma opção pessoal

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«A perturbação do comportamento alimentar não é um escolha, contudo, a recuperação da doença é um escolha pessoal.» 

 

Ninguém escolhe ficar doente. Pode revelar-se uma tarefa muito complexa identificar e diagnosticar sintomas e sinais relacionados com a perturbação do comportamento alimentar por parte da família, dos amigos, etc. Na grande maioria dos casos, os sintomas e sinais são ignorados, inclusivamente, o mesmo acontece por parte do doente. Contrariamente, a esta realidade, nos ultimos anos, tem-se verificado avanços significativos, por parte da investigação, sobre o tratamento e a recuperação das pessoas com perturbação do comportamento alimentar; da anorexia nervosa, bulimia nervosa e das crises de voracidade alimentar (binge eating). 

Algumas areas importantes:

  • Historial de dietas
  • Corpo e peso
  • Historial de abuso e dependência de substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central, vulgo drogas.
  • Utlização de diureticos, laxantes e comprimidos relacionados com dietas.

O diagnostico, na fase inicial da perturbação do comportamento alimentar, pode ser determinante e crucial para o sucesso do tratamento. 

Apesar dos desafios, relacionados com o tratamento e a recuperação da perturbação do comportamento alimentar, refiro-me à ambivalencia e à resistencia à mudança, é possivel recuperar. Recuperar da doença pode revelar-se uma experiencia enriquecedora e recompensadora, em vez de permanecer doente e isolado. Se você identifica sinais ou sintomas, relacionados com a perturbação do comportamento alimentar, procure orientação e esclareça as suas duvidas.

Estrutura do cerebro associada à recompensa/prazer e a adicção

 

 

O abuso de drogas, substâncias psicoactivas, do Sistema Nervoso Central, licitas e/ou ilícitas podem comprometer o funcionamento normal do cérebro (estruturas do cerebro responsáveis pela recompensa/prazer) contribuindo assim para a adicção/dependência - doença .
Alguns sintomas. 

  • Síndrome da abstinência, vulgo ressaca.
  • Tolerância à substancia psicoactiva, aumenta a frequência, a dose e o consumo (abuso), vulgo prazer imediato e oscilação dos sentimentos.
  • Continuar a usar drogas apesar das consequências negativas, vulgo perda do controlo.
  • De acordo com recentes estudos, as mesmas estruturas cerebrais associadas à recompensa/prazer também estão relacionadas com outros comportamentos adictivos, tais como o sexo, compras, o jogo, os relacionamentos e o disturbio alimentar. 
  • veja o video

Parar de comer compulsivamente

 

A minha história começa como tantas outras. Sempre fui uma criança gordinha, mas nunca obesa, o que não me preocupava nada, até ao dia em que alguém verbalizou que eu estava gorda e precisava de perder peso. Não sei quem foi, nem quando. Só sei que me marcou profundamente. De repente, eu era diferente dos outros. Tinha peso a mais, tinha de o perder e, pior ainda, tinha de deixar de comer para o conseguir.

A partir desse momento, parecia que estava sempre alguém à espreita, pronto a apontar o dedo e a lançar um olhar reprovador, cada vez que metia um pedaço de bolo à boca. Desde então, o dedo acusador passou a estar presente em todos os momentos que houvesse comida e eu a desejasse comer.

 

Como criança pensei que a solução passava por comer às escondidas. Se ninguém vir o que como, é como se não acontecesse, ninguém me pode acusar ou lançar olhares reprovadores… Foi assim que aprendi a comer às escondidas. Nesses momentos, era só a comida e eu, a minha nova melhor amiga. O prazer foi crescendo, à medida que criava um mundo secreto, só meu.

 

Com a entrada na adolescência a situação agravou-se e o aumento de peso tornou-se evidente. A primeira reacção foi fazer de conta e evitar os espelhos. O que não se vê, não existe… Os comentários continuaram e ajudaram a que comesse cada vez mais, numa espécie de espiral compulsiva. Evitava comer em público.

 

 

 

Dia-a-dia na recuperação das dependências

Apresento alguns excertos das pessoas, que diariamente procuram a motivação necessária, a fim de recuperarem a dignidade, a estima e a esperança num mundo em constante mudança. Todos nós, estamos expostos e vulneráveis às mais diversas condições adversas e ao invés de ser a adversidade a definir o rumo das nossas vidas, pelo contrário, somos nós seres fantásticos e resilientes que decidimos romper com aquilo que nos prende à dor e ao sofrimento.

 

No aconselhamento, as pessoas são o mais importante: os seus falhanços são os meus falhanços e os seus sucessos também são os meus sucessos. Ambos partilhamos esta aventura, porque o aconselhamento só é eficiente se o/a terapeuta e o cliente estiverem em sintonia,  na relação terapêutica de confiança, com o mesmo propósito - recuperação.

 

Importante: Todos os dados foram alterados de forma a proteger a identidade das pessoas e qualquer semelhança é pura coincidência. 

 

- Durante a consulta com a Natália, 39 anos (nome fictício – dependência emocional), abordamos a questão da intimidade nos relacionamentos românticos de compromisso: a química do amor (êxtase e o desassossego, vulgo paixão) e o amor duradouro (intimidade e o compromisso). Ela afirmava, com legitimidade, que a fim de manter o relacionamento duradouro é necessário haver entre os parceiros tempo para amar, sem este tempo a relação pode deteriorar-se.

Nota: Sabia que a novidade e o inesperado, por exemplo, quebrar a rotina e fazer coisas fora do comum, mantêm o amor duradouro. Não me estou a referir à paixão

 

- Durante a consulta com o Daniel, 25 anos (nome fictício – problemas com o Jogo), abordamos alguns factores que contribuem para o jogo compulsivo; 1. Jogar (curiosidade, correr riscos e o perigo inerente das apostas). 2. Gestão de sentimentos desconfortáveis, quebrar o tédio, a ansiedade e o aborrecimento 3. Recompensa (prazer intenso) e oscilações bruscas do humor.

Nota: Sabia que ganhar dinheiro não é o mais importante? O mais importante é jogar e apostar.

 

- Durante a consulta com a Anita, 38 anos (nome fictício – problemas com o álcool) e os seus pais abordamos os problemas associados ao álcool e o estigma social. A vergonha de expor o problema e pedir ajuda é tão doloroso que optaram por negar as evidências e as consequências negativas. Durante 10 anos não se falou sobre o assunto, inclusive, com outros membros da família. Afirmaram "Sentíamos que ninguém nos compreendia, pelo contrário, conscientemente, optamos pelo silêncio e pelo isolamento."

Nota: Sabia que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde publica?

 

 

 

O açucar em excesso pode tornar-se adictivo

 

Dada a escassez informação para o publico em geral, acabamos por ingerir açúcar, nos mais diversos tipos de alimentos, em quantidades excessivas e nefastas para a saúde. Erradamente, recorremos ao açúcar para nos mimar e "adormecer" as nossas emoções mais dolorosas, alívio típico do stress do dia-a-dia.

O açúcar afeta e pode comprometer seriamente o funcionamento normal do cérebro e assim provocar dependência. Neste caso específico informação é poder. Veja este video interessante e reflicta sobre o assunto em família, incluindo os seus filhos. Siga o link "That Sugar Film"

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha V

Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente, foram enviadas as respectivas respostas para cada situação.

 

Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.

 

A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é interrompido. É possível recuperar a dignidade, peça ajuda.

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha:

 

  • "Chamo Mario (nome ficticio) durante uma pesquisa na Internet sobre a codependência encontrei o seu blogue que me despertou o interesse. Li vários artigos do blogue e gostei. Identifico um problema serio nos relacionamentos de intimidade. Não me sinto realizada e gostada, como considero que mereço. Sinto-me atraída por homens que não disponíveis para me amar. Não foi um caso, mas já acontece há alguns, demasiados, anos. Gostaria de saber como funciona as consultas online. Agradeço desde já a sua atenção e disponibilidade.
  • "Chamo me João (nome ficticio) e tenho 24 anos. Desde que me conheço sempre tive problemas com a comida. A comida é mesmo um vício. Às vezes, abuso imenso e depois só me apetece vomitar. Engordei 40kgs nos últimos 2anos. Parece que não consigo parar de comer e fico super irritada comigo própria por me ter deixado chegar a este ponto. Tenho sentimentos de culpa. Preciso de ajuda. Não aguento mais este sofrimento."
  • "Chamo me Carlos (nome ficticio) quero pedir orientação sobre um problema que existe há anos na nossa família e que não conseguimos resolver. Um familiar, com 52 anos, tem há muitos anos problemas com álcool. Quando bebe, mesmo que sejam 3 ou 4 cervejas fica logo perturbado e torna-se agressivo. Saliento que ele não se embebeda todos os dias, mas quando o faz, duas ou três vezes por mês, conduz, já foi a tribunal por conduzir alcoolizado, já ficou sem carta de condução temporariamente, já teve que pagar multas elevadas e já cumpriu trabalho comunitário imposto pelo tribunal. Já perdeu vários empregos, aliás já está desempregado há 3 anos. Não sabemos o que fazer. A situação está a piorar cada vez mais. Precisamos de ajuda."                                        
  • Chamo me Tavares (nome ficticio). Encontrei por acaso o seu blogue sobre comportamentos de adição. A minha história é a de alguém que luta e sofre com a adição pelos doces. Tenho alternado entre períodos de ser muito cuidadosa e saudável e depois como que algo se apodera de mim e perco a noção de tudo, faço muito mal a mim mesma, isolo-me e caio na compulsão. Passei por alguns traumas na vida, de entre os quais ter ficado viúva aos 28 anos, e ainda bloqueei mais. Não sei porquê este meu perfeccionismo, de querer sempre tudo perfeito, exigir de mim e dos outros aquilo que afinal é mesmo humanamente impossível...tem sido muito complicado gerir todos os meus desequilíbrios e quedas, quer seja a nível pessoal, familiar e profissional. Preciso de ajuda, por favor."

  

Comentário: Quebre o silêncio disfuncional, tal como aconteceu a centenas de indivíduos e famílias resilientes que conseguiram alcançar a Recuperação e um novo modo de vida. Se identifica um problema, você não está sozinho/a.

Compreender o distúrbio alimentar

Perturbação do Comportamento Alimentar Sem Outra Especificação

 

Para além da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa segundo o Manual de Diagnostico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV)  refere a Perturbação do Comportamento Alimentar Sem Outra Especificação, do Inglês EDNOS, é uma categoria para perturbações que não preencham os critérios completos para uma Perturbação do Comportamento Alimentar específica. Os exemplos incluem:

1. Para mulheres, todos os critérios de Anorexia Nervosa estão presentes excepto a amenorreia (ausência da menstruação)

2.Todos os critérios de Anorexia Nervosa, estão presentes excepto que, apesar de uma perda de peso significativa, este encontra-se dentro dos valores normais.

3. Todos os critérios de Bulimia Nervosa estão presentes excepto que os episódios de ingestão compulsiva e os mecanismos compensatórios inapropriados ocorrem numa frequência inferior a 2 vezes por semana, ou têm uma duração inferior a 3 meses.

4. Uso regular de comportamentos compensatórios inapropriados por uma pessoa de peso normal após ingestão de pequenas quantidades de alimentos (por exemplo, indução de vómito após comer 2 bolachas).

5. Mastigar ou cuspir repetidamente, mas não engolir, grandes quantidades de alimentos.

6. Perturbação de ingestão alimentar maciça: episódios recorrentes de ingestão alimentar maciça na ausência dos comportamentos compensatórios inapropriados característicos de Bulimia Nervosa.

 

Critério de investigação para a Perturbação de Ingestão Compulsiva:

A. Episódios recorrentes de ingestão compulsiva.

1. Um episódio de ingestão compulsiva é caracterizado pelas seguintes condições: Ingestão, num período de tempo isolado (por exemplo, qualquer período de 2 horas), de uma quantidade de comida francamente superior à que a maioria das pessoas poderia consumir no mesmo espaço de tempo e sob circunstâncias singulares;

2. Sensação de perda de controlo sobre a ingestão de durante o episodio (por exemplo, sensação de que não pode parar de comer ou controlar o quê ou quanto se está a comer).

B. Os episódios de ingestão compulsiva associam-se a 3 (ou mais) dos seguintes sintomas

1. Ingestão muito mais rápida do que habitual;

2. Comer até se sentir desagradavelmente cheio;

3. Ingestão de grandes quantidades de comida apesar de não sentir fome;

4. Comer sozinho para esconder o embaraço pela sua voracidade;

5. Sentir-se desgostoso consigo próprio, depressão ou grande culpabilidade depois de ingestão compulsiva.      

C. Profundo mal-estar ao recordar as ingestões compulsivas.

D.As ingestões compulsivas têm lugar, em media, pelo menos 2 dias por semana durante 6 meses.

E. A ingestão compulsiva não se associa ao uso regular de estratégias compensatórias inadequadas (purgantes, jejum, exercício físico excessivo) e não aparecem no decurso de uma Anorexia Nervosa ou uma Bulimia Nervosa.

* Se identifica um problema de comportamento na relação com a comida, você não é a único/a,  fale com o seu medico.

 

 

A recuperação faz toda a diferença

 

De acordo com as últimas investigações, através de imagens de ressonância magnética, sabemos que a adicção é uma doença do cérebro. Determinados comportamentos e/ou o abuso de substâncias psicoactivas interferem e afectam a estrutura cerebral responsável pelo prazer, motivação, memoria (sistema de recompensa). Através dos comportamentos adictivos e abuso de substâncias psicoactivas adictivas, provoca uma modificação dos circuitos neuronais e o aparecimento de sintomas físicos, psicológicos e espirituais no individuo através da procura e recompensa patológica do prazer e alivio imediato. Para que você perceba melhor, esta região do cérebro controla os movimentos do corpo[i]o  núcleo caudado (região do cérebro) situa-se na parte interna é muito primitiva e faz parte daquilo que se chama cérebro reptilário. Esta região do cérebro (sistema de recompensa) evoluiu muito antes dos mamíferos, há aproximadamente 65 milhões de anos. O núcleo caudado ajuda-nos a detectar e a aperceber de determinada recompensa, a seleccionar entre recompensas, a preferir uma recompensa específica, a prever uma recompensa e a esperar uma recompensa.

 

Se você é um adicto/a toda a sua vida (família, trabalho, amizades, saúde, recursos financeiros, etc) gira em torno da recompensa adicção a comportamentos (jogo, compras, sexo, dependência emocional, distúrbio alimentar) e/ou a substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, geradoras de dependência e fica comprometido em termos das suas decisões (atitudes e comportamentos), por outras palavras; perde o controlo sobre as já referidas substâncias e/ou os comportamentos adictivos.

 

Áreas do cérebro afectadas pela adicção:

  • Recompensa (motivação)
  • Prazer
  • Motora (Aptidão psicomotora)
  • Humor
  • Memoria (processamento)
  • Sono
  • Cognição (défices cognitivos)

Considera que a sua adicção está a comprometer seriamente a sua qualidade de vida e a qualidade dos relacionamentos com pessoas significativas? Se estiver confuso/a em relação à resposta pode enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e colocar as suas questões. Todos os dados são confidenciais (sigilo total).

 



[i] Referências bibliográficas

Schultz, 2000; Delgado e colegas, 2000; Elliot e colegas, 2003; Gold, 2003

As 10 desculpas mais frequentes

Quem é gosta de ser confrontado? Ninguém gosta de ser contrariado. Por exemplo, quando alguém é confrontado devido à descoberta de uma mentira ou erro que tenha cometido, qual é a primeira reacção? Negar a realidade. Apesar de haver algumas diferenças, nos comportamentos adictivos o fenómeno é semelhante, um individuo adicto que seja confrontado, pelas consequências negativas da sua adicção, irá responder de uma forma defensiva, esquiva ou omissa. Irá negar qualquer evidência, facto ou realidade.

Irei expor aquelas que são as 10 desculpas mais frequentes identificadas no discurso de indivíduos adictos quando são confrontados e/ou convidados a falar abertamente sobre as consequências da adicção. Gostaria de acrescentar que estas desculpas, mecanismo psicológico de defesa (lógica aditiva), são observadas em vários tipos diferentes de adicção (substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, compras, dependência emocional, distúrbio alimentar). Gostaria de acrescentar o seguinte, este tipo de discurso também é identificado em alguns membros da família do individuo adicto.~

 

Nº 1 – “Não tenho nenhum problema com o meu comportamento.”

Esta é das afirmações mais comuns e aquela que considero a mais frequente. O individuo adicto não reconhece e ou admite qualquer problema e/ou consequências negativas da adicção. Nesta fase o individuo avalia os efeitos obtidos através das substâncias e/ou comportamentos, como algo positivo e inócuo, contribuem como um reforço da lógica para continuar os mesmos comportamentos; “Se está tudo bem porque é que hei-de parar?”

 

Nº2 – “O meu problema não é assim tão grave, o dos outros é pior. Eu sou diferente e posso parar quando quiser”

Apesar das crises em casa, no trabalho, na saúde (doença) e acidentes o individuo adicto continua a afirmar que consegue parar, e por vezes, é tão categórico nas suas convicções que é capaz de arranjar argumentos que convencem e confundem a esposa/o, as crianças, a família, o patrão/colegas; o individuo também acredita nas suas afirmações. Alguns membros de família afirmam “João Alexandre, ele/a dizia que ia parar, e fazia promessas. As nossas discussões eram de tal angustiantes que eu (mãe, pai, esposa, patrão) algumas vezes achei que estava a ser injusta e cruel para com ele/a.  Nos últimos tempos, praticamente ele fez dezenas de promessas, que eu acreditava nas suas palavras, mas na realidade, ele não conseguia cumprir. Cheguei a pensar que estava a ficar doida e a questionar a minha própria sanidade. ”