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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool

Ao visualizar este video, recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.

 

Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem  aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.

Veja o video e faça os seus comentarios.

 

Recuperar é que está a dar.

 

Recuperar faz parte da herança familiar

Provavelmente a maioria dos portugueses, conhece o ilustre actor norte-americano de Hollywood, Robert Downey Jr. (49 anos), vulgarmente conhecido, na sociedade americana, como o “Homem de Ferro” pela sua participação no filme da Marvel Comics, com o mesmo nome. Segundo a revista americana Vanity Fair é o actor mais bem pago do mundo. Começou a sua carreira muito cedo no cinema, aos seis anos de idade já participava nos filmes do seu pai, Robert Downey Sr. Desde essa altura a sua carreira tem sido recheada de prémios (Globos de Ouro entre outros) e sucessos, inclusivamente, creio ter sido nomeado, por duas vezes, para os Óscares pela sua interpretação nos filmes “Chaplin” e “Tempestade Tropical”.

Paralelamente, aos seus sucessos, uma parte da sua vida tem sido afectada pela dependência de drogas e as inevitáveis consequências negativas, tais como, problemas com a família, incluindo as crianças, problemas com a justiça e profissionais. Ao longo da sua vida o actor, desde os 18 anos, fez varias tentativas para se tratar, contudo sem sucesso, finalmente desde 2002 encontra-se em recuperação da adicção às drogas.

 

 

 

REEL Recovery Highlight 2013



Recuperar é que está a dar. Apesar da complexidade da doença da adicção é possivel recuperar. Se identifica um problema na sua vida, relacionado com drogas lícitas (alcool ou benzodiazepinas) ou ilícitas, você não está sozinho/a.

Robin Williams- Homenagem ao actor e ao homem que lutou contra a adicção.

Algumas frases famosas do actor

  • "A cocaína é a forma de Deus nos dizer que estamos a ganhar demasiado dinheiro.”
  • Pensava que a pior coisa era acabar sozinho. Não é. É acabar junto de pessoas que te fazem sentir só.”
  • “Não importa o que as pessoas te dizem, palavras e ideias podem mudar o mundo.”
  • Nunca lute com uma pessoa feia, pois ela não tem nada a perder.”
  • “Só tens direito a uma pequena dose de loucura, não deves desperdiçá-la.”
  • “Deus deu aos homens um pénis e um cérebro, mas infelizmente não lhes deu a capacidade de utilizar os dois ao mesmo tempo.”
  • “Sabe qual é a diferença entre um tornado e um divórcio? Nenhuma, em ambos os casos alguém está perdendo a casa.”

Soube da sua morte na passada segunda-feira. Fiquei em choque, sem palavras, e com imensas questões na minha cabeça, para as quais, ao longo da semana, procurei as respostas. Porquê? Como é possível?

O suicido é uma realidade cruel. Somos seres complexos e multitalentosos, quer na busca da realização pessoal, como na busca de soluções imediatas e irracionais para a dor, o sofrimento, o desespero e a solidão. É um paradoxo com o qual precisamos de viver, e por ultimo aceitar, o melhor possível.

 

Como não podia deixar de ser, e apesar de tanto se ter falado e escrito durante esta semana, tenho que prestar homenagem ao actor e ao homem que lutou, com todas as suas forças, contra a doença mental e a adicção e acabou por falecer de uma forma abrupta. Como adepto do cinema que sou, desde muito cedo, Robin Williams, foi dos actores que mais ajudou a compreender e a identificar, através dos seus mais variados papeis, a importância da sensibilidade, do sentido da humanidade, do sentido de humor, da paixão, do altruísmo, do sonho e da alegria, da irreverência contra o preconceito e o estereótipo, da coragem, etc. Os adjectivos que classificam este artista não têm fim, era uma força da natureza genial, tal como a grande maioria dos adictos que conheço. Por varias ocasiões, Robin veio publicamente, assumir a sua dependência de substâncias psicoactivas, vulgo drogas, (cocaína e alcoolismo) e reafirmar a esperança na recuperação, contra o estigma, a negação e a vergonha. Robin era actor, um marido, um pai e um membro activo da sociedade prestando apoio em várias causas socais

 

Para terminar a minha homenagem, gostaria de reforçar que é um mito considerarmos que o suicídio é um acto de coragem. Não tem nada a ver com coragem. É um acto de alguém que está angustiado, só e desesperado, e naquele momento de sofrimento intenso, mas efémero, contempla o suicídio, como a solução definitiva para o desespero. Ironicamente, o seu último filme, com o título “Aproveita a vida” é sobre um homem decepcionado. O homem morre, mas a sua genialidade, permanecerá presente, na memória colectiva, para a eternidade. Os adictos são pessoas, de extremos, ora apaixonadas ora decepcionadas, porque procuram viver intensamente, por vezes, demasiadamente; é tudo muito.

 

 

RIP, Robin ( 1951-2014). As minhas condolências para a família que irá viver com esta tragedia, contra a sua vontade, para o resto das suas vidas. 

Prescrição de opioides no tratamento da dor




O objectivo da prescrição de opioides visa fundamentalmente, numa situação clínica de tratamento da dor, melhorar a qualidade de vida.Caso você identifique um historial de comportamentos adictivos/dependência consulte o seu médico. Não faça auto medicação.

Filhos de pais alcoolicos

Este texto, enviado pela Renata, veio no seguimento de uma publicação no Facebook onde solicitei o envio de experiências de adultos, que tenham tido pais com problemas de álcool e/ou drogas ilícitas. Eis o relato da Renata.

 

“Tenho um pai e uma irmã que bebem todos os fins de semana, e às vezes, no meio da semana. Vivem dizendo que é normal, e que, como todos fazem , que mal tem ? Mas percebo a incoerência nas atitudes, no modo de vida maquiado como normal, porém completamente fora do contexto. Percebo atitudes completamente diferentes do "viver em conjunto" o álcool ou a adicção retirou deles o pé do chão, como se estivessem literalmente voando ou como se vivessem em outro mundo sendo o convívio muito difícil dado ao fato que podemos ser diferentes mas precisamos concordar em conectar.

Não há dessas pessoas o menor interesse em saber sobre isso ou parar esse processo...sou adicta e “limpa” e esses familiares precisam de ajuda mas talvez a única maneira de ajudá-los seja ficando bem longe!

João, acabo de expor-lhe minha realidade e tem a ver com o post sobre familiares adictos!

Obrigada”

Renata Ramos

 

Nota: Todos os dados foram preservados com a devida autorização da autora. Contra a contra o estigma, a negação e a vergonha. Bem-haja Renata

 

Comentário: Tal como a Renata refere, a estrutura familiar aparenta estar afectada pelo álcool. Segundo alguns estudos, nos EUA, referem:

  • Os filhos de pais alcoólicos estão mais vulneráveis ao risco de desenvolverem problemas com substâncias psicoactivas – abuso e dependência.
  • Os pais que apresentam problemas com álcool e/ou outras drogas podem influenciar os comportamentos dos seus filhos. O consumo e o abuso de drogas, incluindo o álcool, podem ser considerados permissivos entre a família, incluindo as crianças.
  • As famílias afectadas pelo álcool e/ou outras drogas estão mais propensas ao conflito, comparativamente, aquelas famílias que não estão expostas ao problema do álcool e/ou drogas. Os problemas na família giram em torno do consumo e do abuso de substâncias psicoactivas.
  • O ambiente familiar disfuncional, relacionado com o álcool e/ou outras drogas, propicia a negligencia das crianças e a falta de comunicação entre os seus membros; referências parentais, os papéis na estrutura e dinâmica da família e a gestão de conflitos.   
  • Alguns problemas identificados nas famílias com problemas de álcool e/ou outras drogas: Tendência para o incremento do conflito familiar, violência física e emocional, redução da coesão e da organização familiar, stress e isolamento, problemas de saúde e no trabalho, problemas/ conflitos conjugais e financeiros, mudanças drásticas na estrutura familiar, incluindo as crianças.

 

O seu pai e/ou mãe tem um problema com álcool? Ou drogas? Caso você seja filho/a  de pais alcoólicos ou dependentes de drogas ilícitas escreva um pequeno texto sobre a sua experiência a fim de ser publicada no meu blogue. Pela minha experiência profissional de duas décadas e apesar de não existir estudos sobre este tema, existem em Portugal centenas, de filhos de pais alcoólicos ou dependentes de drogas, hoje adultos, que ainda sofrem em silêncio o trauma, o estigma e a vergonha. Recuperar É Que Está A Dar

Importante: Todos os dados são confidenciais. Sigilo total

Dia-a-dia na recuperação das dependências

Apresento alguns excertos das pessoas, que diariamente procuram a motivação necessária, a fim de recuperarem a dignidade, a estima e a esperança num mundo em constante mudança. Todos nós, estamos expostos e vulneráveis às mais diversas condições adversas e ao invés de ser a adversidade a definir o rumo das nossas vidas, pelo contrário, somos nós seres fantásticos e resilientes que decidimos romper com aquilo que nos prende à dor e ao sofrimento.

 

No aconselhamento, as pessoas são o mais importante: os seus falhanços são os meus falhanços e os seus sucessos também são os meus sucessos. Ambos partilhamos esta aventura, porque o aconselhamento só é eficiente se o/a terapeuta e o cliente estiverem em sintonia,  na relação terapêutica de confiança, com o mesmo propósito - recuperação.

 

Importante: Todos os dados foram alterados de forma a proteger a identidade das pessoas e qualquer semelhança é pura coincidência. 

 

- Durante a consulta com a Natália, 39 anos (nome fictício – dependência emocional), abordamos a questão da intimidade nos relacionamentos românticos de compromisso: a química do amor (êxtase e o desassossego, vulgo paixão) e o amor duradouro (intimidade e o compromisso). Ela afirmava, com legitimidade, que a fim de manter o relacionamento duradouro é necessário haver entre os parceiros tempo para amar, sem este tempo a relação pode deteriorar-se.

Nota: Sabia que a novidade e o inesperado, por exemplo, quebrar a rotina e fazer coisas fora do comum, mantêm o amor duradouro. Não me estou a referir à paixão

 

- Durante a consulta com o Daniel, 25 anos (nome fictício – problemas com o Jogo), abordamos alguns factores que contribuem para o jogo compulsivo; 1. Jogar (curiosidade, correr riscos e o perigo inerente das apostas). 2. Gestão de sentimentos desconfortáveis, quebrar o tédio, a ansiedade e o aborrecimento 3. Recompensa (prazer intenso) e oscilações bruscas do humor.

Nota: Sabia que ganhar dinheiro não é o mais importante? O mais importante é jogar e apostar.

 

- Durante a consulta com a Anita, 38 anos (nome fictício – problemas com o álcool) e os seus pais abordamos os problemas associados ao álcool e o estigma social. A vergonha de expor o problema e pedir ajuda é tão doloroso que optaram por negar as evidências e as consequências negativas. Durante 10 anos não se falou sobre o assunto, inclusive, com outros membros da família. Afirmaram "Sentíamos que ninguém nos compreendia, pelo contrário, conscientemente, optamos pelo silêncio e pelo isolamento."

Nota: Sabia que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde publica?

 

 

 

Você sabia que é possível recuperar das dependências?

 

Sabia que:

O individuo dependente de drogas, incluindo o álcool, gradualmente sofre alterações neurobiológicas, associado às estruturas do cérebro responsáveis pela recompensa e prazer como consequência do consumo frequente de substâncias psicoactivas. Estas alterações são responsáveis pelo craving (vontade irresistível e intensa em voltar a consumir a droga de escolha) incapacitando o individuo de se manter abstinente.

 

Muitos indivíduos dependentes de drogas, incluindo o álcool, tentaram inúmeras vezes interromper e parar o abuso das substâncias psicoactivas do Sistema Nervoso Central, que podemos designar «tentativas caseiras» sem apoio profissional. Alguns são bem sucedidos, outros não, todavia segundo alguns estudos nos EUA, revelam que a grande maioria dos indivíduos que fizeram essas tentativas (caseiras) não conseguiram permanecer em abstinência durante longos períodos de tempo.

Um dos sintomas mais comuns associados ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo é:

1. Drogas: continuar a usar e a justificar apesar das consequências negativas, "É só mais uma vez..."

2. Álcool: continuar a beber e a justificar, apesar das consequências negativas, "É só mais um copo..."

3. Jogo: continuar a jogar e a justificar o comportamento problemático apesar das consequências negativas, "Vou jogar mais uma vez, para recuperar o dinheiro perdido."

 

 

 

Como é que posso mudar o meu parceiro?

 

 

Relacionamentos de intimidade e a adicção: Como é que posso mudar o meu parceiro que está doente? Não pode, mas pode mudar o seu comportamento e as dinâmicas da relação.

 

Ao contrário daquilo que se pode pensar, a maior grande parte dos indivíduos dependentes de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, ou comportamentos adictivos, por exemplo, jogadores compulsivos e adictos ao sexo não são pessoas que vivem isolados da sociedade, não são sem-abrigo, não estão todos hospitalizados ou internados em centros de tratamento, pelo contrário, têm as suas esposas/maridos, famílias e filhos, carreiras profissionais, e apesar do estigma e da negação, são indivíduos activos no trabalho e mais ou menos integrados na sociedade. Por falta de informação sobre a adicção e o impacto na família e na comunidade (sociedade) temos a tendência para negar as evidências; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.

 

São homens e mulheres adictos que têm os seus parceiros; namorados/as ou esposas/maridos. Na maioria dos casos, as esposas/maridos e/ou namorados/as sabem da existência do problema no parceiro/a, ou pelo menos, apesar de falta de conhecimento ou informação, têm a consciência de que algo não está bem e que é preciso mudar. Infelizmente, devido à complexidade dos relacionamentos e da adicção não sabem como faze-lo, por causa de vários factores. Um deles é gerarem vínculos que reforçam os seus papéis de zeladores e cuidadores. Isto é, assumem o poder e a responsabilidade de zelar pelo parceiro/a. Eles e elas adaptam as suas rotinas do dia-a-dia às vicissitudes e à adversidade (comportamento problema) relacionada com o impacto da adicção na relação, vivendo num estado eminente de ambivalência, alerta e preocupação. Afinal, no universo das relações, quem é que não tem problemas sobre o comportamento do marido? Da esposa? Do namorado? Da namorada? Todos nós. Contudo, nesta situação especifica da adicção, o problema, para além de se agravar e afectar gravemente os afectos, paradoxalmente, também pode ser atenuado, compreendido e/ou resolvido. A questão é: Como.

 

Leia com atenção e responda a estas três questões:

1. Você tem um relacionamento com uma pessoa dependente de drogas? Ou álcool? Ou Jogo compulsivo? Ou adicção ao sexo? Se a resposta é sim, reflicta sobre estas questões:

 Você castiga a pessoa dependente? Por exemplo, você grita (explosões irracionais de raiva e ressentimento), ridiculariza, ameaça, humilha em frente aos filhos, à família e às outras pessoas. 

Faz questão de dizer às outras pessoas que o seu familiar/parceiro/a dependente é um/a falhado/a.

Ignora (longos períodos de silêncio e indiferença) a pessoa dependente. Faz frequentemente ameaças que o/a vai deixar de uma vez por todas.