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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

A Raiva e as Dinâmicas

O problema da Raiva: Algumas Definições

Generalizando, a Raiva é um sentimento que varia entre a irritação suave, à raiva e à fúria (ódio) intensa. 

A Raiva é uma resposta natural aquelas situações em que nos sentimos ameaçados, que nos vão magoar ou em que alguém significativo, de uma maneira gratuita e/ou sem fundamento. Sentimos raiva quando alguém nos engana e sentimos injustiçados por isso. Podemos ficar em Raiva quando, por ex. uma criança ou alguém significativo é ameaçado e/ou magoado. Podemos concluir que a Raiva pode ser uma resposta à frustração quando as nossas necessidades, os nossos desejos ou objectivos não são atingidos.

Quando ficamos com Raiva, podemos perder a paciência e agir de uma maneira impulsiva, agressiva ou violenta (irracional). A maioria das pessoas têm a tendência para confundir a Raiva com a agressão e/ou assertividade. Agressão é um tipo de comportamento/impulso intencional que pode causar danos graves nas outras pessoas (vitimas) e/ou destrói-se bens. Este comportamento pode envolver abuso verbal, emocional ameaças e ou actos violentos.
Um termo relacionado com a raiva e a agressão é a hostilidade. A hostilidade refere-se a um conjunto de atitudes e julgamentos (crenças) que são a motivação para comportamentos agressivos. Enquanto a raiva é uma emoção, a agressão é um tipo de comportamento. A hostilidade é uma atitude que envolve julgar as outras pessoas de uma forma negativa, onde se manifesta aversão e descontentamento em relação aos outros.

 


Quando É Que A Raiva Se Torna Um Problema?

Qualquer ser humano sente raiva (sentimento), sentir raiva é OK. Faz parte das nossos sentimentos. A Raiva torna-se um problema quando é sentida de uma forma intensa e/ou reprimida. Quando é sentida de uma forma frequente e expressa de uma maneira inapropriada, por ex. agressividade, intimidação. Sentir raiva de uma forma intensa e frequente provoca extrema tensão física no corpo. Quando sentida de uma forma prolongada, em episódios frequentes, certas divisões do sistema nervoso central ficam altamente activas. Consequentemente, o ritmo cardíaco e a pressão arterial aumentam e permanecem elevadas durante longos períodos de tempo. Este tipo de stress no corpo resulta em diferentes tipos de problemas de saúde. Evitar a doença física é um factor, por si só, motivador para aprender a gerir a raiva construtivamente.

Outra razão convincente para gerir a Raiva construtivamente está relacionado com as consequências negativas que resultam na expressão dos sentimentos de uma forma inapropriada. Num extremo, a Raiva conduz à violência e/ou à agressão física, pode resultar em numerosas consequências negativas, tais como; ser detido ou preso, ficar ferido, retaliar contra pessoas que ama, ser expulso de um centro de tratamento, sentir culpa, ser despedido/a do emprego, ser evitado pelas pessoas (persona non grata), vergonha ou arrependido.

Mesmo quando a Raiva não conduz à violência, a expressão dos sentimentos de uma forma inapropriada e impulsiva, o abuso verbal, a intimidação ou comportamento ameaçador em muitos casos produz consequências negativas a nível social. Por ex. é provável que aquelas pessoas que sejam submetidas e expostas a experiências de violência (explosão de raiva) desenvolvam medos, ressentimento, falta de confiança e/ou provoque o afastamento em indivíduos, membros de família, amigos e colegas de trabalho.


 

Mitos sobre a Raiva

Mito nº1 – A Raiva é hereditário

Um das falsas impressões ou mitos sobre a Raiva é a forma como exprimimos este sentimento. Uma das falsas crenças é que não pode ser modificada porque é hereditária. Algumas vezes, ouvimos alguém dizer “Eu tenho esta raiva porque o meu pai também era uma pessoa cheia de raiva. Sou igual a ele, por isso é que sou assim…” Esta revelação implica que a expressão da Raiva é rígida e não pode ser modificada. A evidencia, através de estudos, revela que as pessoas não nascem com este tipo de manifestação especificas em expressar a sua Raiva. Esses estudos, revelam que a forma como exprimimos a Raiva é aprendido com os outros, através da observação, por isso, também existem outras formas de reaprender a expressar a Raiva, de uma maneira mais construtiva.


Está bem documentado através de estudos que a maior parte do comportamento das pessoas é aprendido através da observação na interacção social, particularmente pessoas significativas e influentes nas nossas vidas. Este grupo de pessoas podem incluir os nossos pais, outros membros de família, professores e amigos. Se as crianças observam os seus pais a expressar a Raiva através de actos agressivos, tais como, por ex. abuso verbal e violência, é provável que um dia, também elas possam expressar a sua Raiva atraves da agressividade, violência e destrutiva. Felizmente, este comportamento pode ser modificado através de novas aprendizagens, competências e recursos. Não é imperativo continuar a agir com base na agressividade.


Mito nº2 – A Raiva conduz automaticamente a agressão.

É um mito também associado à falsa crença de que a única forma eficaz de lidar com a Raiva é através da agressão. È um pensamento comum, que a Raiva é algo que cresce, a um ponto que se torna irreversível, e que não pode ser controlada, evitando assim a agressividade explosiva. De qualquer forma, tal como já foi referido, a Raiva não conduz necessariamente à agressão. De facto, uma gestão efectiva envolve um determinado tipo de auto controlo através da aprendizagem de competências cognitivas e técnicas de assertividade, mudança do self-talk (dialogo interno) negativo e hostil, visando desafiar pensamentos irracionais, promovendo uma variedade de estratégias comportamentais construtivas.


Mito nº3 – As pessoas devem ser agressivas para obterem aquilo que desejam.

Muitas pessoas confundem assertividade com a agressividade. O objectivo da agressividade é dominar, intimidar, manipular, magoar, e injuriar a outra pessoa, “Vencer a qualquer custo...”.Por outro lado, o objectivo da assertividade é exprimir sentimentos de Raiva de maneira  honesta e construtiva para com as outras pessoas (reciprocidade). Por ex., Se ficar frustrado, por alguém que, de uma forma repetida chega atrasado às reuniões de trabalho, pode responder: gritando obscenidades e palavrões. Este tipo de abordagem é um ataque à outra pessoa em vez de ser um tentativa para abordar o comportamento problema especifico que provoca a Raiva

 

Uma maneira assertiva de lidar com esta situação talvez possa ser “ Quando chegas atrasado para a reunião, fico muito frustrado. Desejo que sejas pontual com mais frequência.” Este discurso expressa os seus sentimentos de frustração, de insatisfação e comunica a forma como gostaria que a situação se modificasse. Esta expressão da Raiva não culpabiliza ou ameaça a outra pessoa e consegue minimizar a possibilidade de causar qualquer tipo de dano.


Mito nº4 – Ventilar a raiva é sempre desejável.

Durante muitos anos, existia uma crença popular adoptada por vários profissionais sobre a importância de ventilar a expressão agressiva da raiva, com gritos e esmurrar almofadas, como terapia saudável. Contudo, a investigação nesta matéria, revelou que as pessoas que expressam a sua raiva de uma maneira agressiva, simplesmente, se sentem melhor da sua raiva, mais aliviadas. Por outras palavras, ventilar a raiva de uma forma agressiva reforça o comportamento agressivo.


Algumas ideias para reflexão

A Raiva Como Resposta Habitual aos Problemas

A expressão da Raiva não é somente aprendida, pode tornar-se habito, padrão de comportamento, como resposta previsível a um conjunto variado de situações. Quando a Raiva é libertada frequentemente de uma maneira agressiva, pode tornar-se um habito prejudicial por causa das consequências negativas. Hábitos, por definição, são comportamentos que se repetem durante períodos significativos de tempo, sem pensar nas consequências, por ex. nos prós e nos contra. Muitas vezes, as pessoas com problemas em lidar com a Raiva escolhem ter comportamentos agressivos para resolver os seus problemas, sem pensar nas consequências negativas ou provocar danos nas pessoas à sua volta. Pedem desculpas com muita frequência e fazem promessas, mas nada muda.

 

Interromper o Habito (ciclo) de Agir Impulsivo na Raiva.

Ficar atento à raiva. Para interromper o habito de agir na Raiva, é necessário desenvolver um discernimento sobre as situações, atitudes, circunstancias e comportamentos que as outras pessoas possam adoptar perante si que despolete a sua raiva. Este discernimento pode também envolver a compreensão e a identificação das consequências negativas resultantes das Raiva. Por ex. Você está numa fila no supermercado e fica impaciente porque está muita gente à sua frente. Pode ficar com raiva, e num gesto impulsivo exigir ao individuo que está, atarefado, na caixa do supermercado que procure outro empregado afim de resolver o problema imediatamente. Conforme a sua Raiva vai aumentando, pode envolver-se  numa troca de argumentos com o caixa ou com outro cliente. O responsável pela loja pode responder a esta situação chamando o segurança para o colocar fora do supermercado. As consequências negativas que possam resultar deste evento simples são: Não ter conseguido fazer as compras que desejava, o embaraço e a humilhação de ser posto na rua da loja.

 

Estratégias Para Controlar a Raiva (Agressividade).

Paralelamente, a adquirir discernimento sobre a sua Raiva, precisa de desenvolver estratégias para gerir e lidar com os sentimentos de uma maneira eficaz e construtiva. Estas estratégias podem ser utilizadas para interromper o aumento da Raiva, antes perca o controlo da situação e assim sofra as consequências negativas já aqui referidas. Uma das medidas para controlar a raiva devem incluir estratégias imediatas (urgentes) e preventivas.

 

Estratégias imediatas (urgentes) envolve o “timeout” -  “saltar fora da situação ”, “sair de cena”, fazer exercícios respiratórios, dar um passeio e parar os pensamentos hostis. 

Estratégias preventivas envolvem a implementação de um programa de exercícios e mudanças dos seus pensamentos irracionais.

 

Um exemplo de estratégia imediata (urgente) em lidar com a raiva é o “timeout”. O “saltar fora”, “sair de cena” pode ser utilizado de uma maneira formal e informal. Apresento uma estratégia informal e imediata de “timeout” que consiste em abandonar a situação se verificar que a sua raiva aumenta e que vai perder o controlo do seu comportamento. Por ex. você viaja num autocarro cheio de passageiros, de repente, apercebe-se de que algumas pessoas o estão a empurrar. Nesta situação, simplesmente, sai do autocarro e esperar por outro mais vazio.

 

O uso da estratégia “timeout” pode consistir em não se envolver em discussões ou argumentos que facilmente provoquem a Raiva intensa. Nestas situações, pode ser útil utilizar o “timeout” ou também utilizar o “timeout” com gestos. Isto permite informar a outra pessoa (pessoa de família) que vai parar imediatamente com a discussão, que naquele momento. Você identifica que a frustração e a raiva intensa podem tomar conta da situação e a responsabilidade dos seus comportamentos é unicamente sua. 


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