A importancia da confrontação nas relações e na Adicção
- É o acto de revelar, trazer, “puxar” ( arte que exige prática e aprendizagem) a pessoa a enfrentar, “ cara-a-cara “ a sua realidade distorcida – efeito espelho.
A confrontação, na comunicação nas relações e na Adicção, ocorre quando é observado uma discrepância/divergência entre:
b) Aquilo que é dito agora (hoje) e aquilo que foi ouvido ou afirmado, anteriormente (há uma semana). "Promessas quebradas" e ou plano de intenções que não passam das palavras aos actos.
c) Aquilo que é dito agora e as suas acções no dia-a-dia.
Para o dependente de substancias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, e/ou substâncias ilícitas a sua realidade tem sido negada, reprimida e evitada por muito tempo através da sua adicção.
Ninguém gosta de ser confrontado, é humano. Todavia a confrontação, na comunicação, é o meio utilizado para "desmascarar" e expor as defesas disfuncionais e os jogos psicológicos utilizados para esconder e negar a adicção activa, cujo objectivo principal é gerar motivação suficiente para quebrar a ambivalência e despoletar a mudança de comportamento. A confrontação é um convite para a mudança e explorar as defesas disfuncionais num ambiente seguro, por ex. entre a família. Infelizmente e na maioria dos casos, evita-se a confrontação, adopta-se uma atitude negligente e passiva, permissiva e facilitadora. Caso existam duvidas ou questões individuais quanto ao acto de confrontar é necessário, diria urgente, explorar e desenvolver conhecimento interior de maneira a reconhecer aquilo que receia e o impede de confrontar (medo do desconhecido). O acto de confrontar não significa estar sempre certo, punir, castigar e/ou julgar, mas permitir ao adicto no activo que assuma as consequências dos seus actos disfuncionais.
Algumas pessoas evitam confrontar o dependente de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas quando sentem que podem magoar e que depois não vão conseguir suportar a dor ao se colocarem no papel do confrontador. Abordam as consequências da adicção tratando o dependente como uma pessoa "frágil" que é preciso ter cuidado, senão quebra. Esta atitude facilitadora, pela parte da família, da namorada/o, do amigo/a, do patrão pode contribuir para a progressão da adicção.
Alguns medos identificados na confrontação:
Medo da rejeição – "Necessito de aprovação e reconhecimento dos outros",
Medo de errar - "Talvez o confronte mais tarde e só então irei provar que estou certo",
Medo de ser antipático ou rude – "Não sei como confrontar quando sinto ( raiva, ansiedade, emocionada ) este tipo de emoções",
Medo do desconhecido - Projectar e antecipar pensamentos derrotistas e/ou catastróficos "Não vou ser capaz de lidar com isto. Não aguento"
Medo da intimidade – Perante uma situação problemática “ cara-a-cara “, é necessário confrontar, sentir-se ansioso/a e vulnerável, sem defesas e sem limites. Pensa " Se vou confrontar... não vai gostar mais de mim ou vai abandonar-me"
Para uma negociação (confrontação) eficaz recomendo alguns princípios a utilizar:
Não faça perguntas hostis a menos que pretenda “ guerra“. Procure negociar, mas seja firme.
Não faça perguntas que ponham em causa a honestidade da outra parte. Não é por isso que ela irá a ser honesta.
Não deixe de ouvir. Tome nota da sua questão e espere pela sua vez.
Não se julgue juiz ou "dono" da razão. Uma negociação não é uma sessão de tribunal.
Não faça perguntas para mostrar que é inteligente.
Tenha a coragem de fazer perguntas aparentemente ingénuas.
Insista na pergunta se a resposta for evasiva ou insuficiente.
Faça perguntas para as quais já sabe a resposta. Isso ajuda a verificar a credibilidade do interlocutor.
Pode ainda utilizar um conjunto de frases adequadas a uma boa comunicação:
- "Corrige-me se estiver errado"
- "Aprecio o que fizeste por nós"
- "Colocamos a justiça (ex. interesses da família/empresa) acima de tudo"
- "Gostaria de chegar a um acordo, não na base do poder ou da posição individual de cada um,
mas na base dos princípios"
- "A confiança não está aqui em causa "
- "Posso propor uma questão para verificar se aquilo que penso está correcto?"
- "Deixa-me explicar qual é a minha dificuldade em seguir o teu raciocínio"
- "Uma solução justa pode ser ..."
Confrontação não é julgar o outro, não é humilhar, não é faltar ao respeito, não é tirar inventários moralistas, não é ameaçar ou agredir verbalmente.
Confrontar o dependente de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas sobre as consequências da adicção activa é passar das palavras aos actos, com respeito e assertividade, não agressividade.
Na minha experiência, não existe melhor confrontação do que quando procuramos ouvir activamente, compreender aquilo que o outro afirma, ser autêntico, ser espontâneo, ser honesto, ter empatia e estar disponível para apoiar. É preciso recordar que ninguém é perfeito e que todos nós, adictos e não adictos, aprendemos com os erros.
O processo da aprendizagem na arte da confrontação é baseado em sentimentos, valores morais e espirituais, não religioso sem dogma e divindades. Evite este tipo de argumentos "Não faças aquilo que eu faço, mas faz aquilo que te digo". Seja um exemplo para os outros.
