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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Lidar com a Vergonha Tóxica, segundo Melody Beattie

Maneiras saudáveis de derrubar e enfrentar a vergonha tóxica.
Mudança no sistema de crenças pessoais rígidas e do controlo baseadas na vergonha (tóxica) por crenças flexiveis baseadas no Amor-próprio e na Auto aceitação.

O sistema de crenças pessoais rígidas e controladoras da vergonha tóxica reforça os nossas atitudes e comportamentos; no dia-a-dia agimos de acordo com essas mesmas crenças disfuncionais de uma forma subtil baseadas na crença interior que aquilo que somos e fazemos não é “normal” e OK. Pelo contrario, somos “anormais”, indesejáveis e diferente os outros (estigma, preconceito e estereotipo).
Através da recuperação da adicção activa, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto o adicto  aprende novos conceitos e decide quem realmente é. Aprende a amar e a ser amado, aceita-se de uma forma incondicional. Quando comete erros aprende a separar os sentimentos e o comportamento da sua própria identidade. 

Segundo Melody Beattie, aquilo que fizemos (comportamento) pode não ser OK., mas nós (pessoa única e singular) somos OK. Podemos decidir fazer algo diferente para corrigir esse padrão de comportamento disfuncional. Este é o objectivo básico em recuperação, é a essência dos programas de 12 Passos(1) e é o que o programa de recuperação dos 12 passos pode fazer por nós próprios.


Ao longo da vida, adquirimos um código moral que nos informa, no dia-a-dia, se estamos a violar ou não esse código de valores. Todavia, em recuperação adoptamos um novo sistema de crenças saudáveis e construtivas, através dos 12 Passos ( http://en.wikipedia.org/wiki/Twelve-step_program ) mantendo um contacto com o nosso poder Superior,(conceito individual imaterial não religioso sem dogmas e divindades). Este novo e realista sistema de crenças reforça a confiança e a auto-aceitação, bem como a relação com as outras pessoas. Somos pessoas OK e esta realidade é reforçada, atraves da aprendizagem com os erros  e da monitorização honesta dos comportamentos, em vez da busca da perfeição e da ilusão. Em recuperação, inicia-se o processo de adaptação à realidade, privilegiando a tolerância, a flexibilidade, a honestidade, a ajuda-mutua e a responsabilização.


Expor a vergonha tóxica

Aprende-se a distinguir a diferença entre o sentimento de vergonha e o sentimento de culpa. A culpa é a crença de aquilo que fazemos (comportamentos) é OK ou não. Quando violamos o código de valores , por ex. roubar. A culpa genuína é importante. É um sinal indicador que violamos a nossa própria e universal conduta moral. Ajuda a manter um nível aceitável de honestidade, por ex. auto critica saudável, e seguir na linha do objectivo traçado, propósito e sentido, de ter “os pés assentes na terra”. Na vergonha tóxica não existem valores morais. A vergonha é a crença individual que reforça e distorce a realidade, quer tenhamos feito algo positivo ou não; o “ material” de que somos feitos não é OK.

 

A culpa é algo que se pode resolver com o tempo. Por exemplo, através de reparações dos erros do passado e na procura de soluções para corrigir e mudar as atitudes e os comportamentos disfuncionais.

 

Na vergonha tóxica não se consegue anular ou fazer reparações, está “enraizada” no nosso ser. Vivemos com a sensação de que aquilo que temos de fazer em relação aquilo que nos rodeia é arranjar um rol de desculpas e justificações pela nossa própria existência, nem que para isso as nossas necessidades sejam ignoradas e/ou negligenciadas.

 

Podemos ter "ataques" de vergonha tóxica, moderados e ou agudos. Podemos viver num constante estado de vergonha, perfeccionismo e controlo. Todavia, podemos aprender a identificar e a reconhecer a vergonha tóxica. Como é que a sentimos? Quais os pensamentos e as crenças que a produzem? Como é que somos afectados? Como é que reage normalmente à vergonha tóxica? Foge? Esconde-se? Culpa os outros? Fica bloqueado/a? Sente raiva intensa ou tenta controlar?

Em recuperação, aprende-se a identificar quando é que a vergonha toxica é o núcleo gerador e disfuncional das  atitudes e comportamentos. Em jeito de ritual, podemos acender uma vela e chamar a vergonha tóxica; como um sentimento horrível que é despejado em nós mesmos, que impõe regras rígidas e controladoras– normalmente estas regras rígidas não são as nossas; são de alguém; de outra/as pessoa/s (ex. educação parental)