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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Transição do Tratamento para o Regreso à Vida Activa


 

Transição do Tratamento em regime de Internamento Residencial para o Regresso à Vida Activa – Pós-tratamento


 


Trabalho desde 1993 na área do tratamento, em regime de internamento residencial, e acompanhei aproximadamente 650 casos (adictos), e algumas dessas pessoas estão abstinêntes de substâncias há vários anos, enquanto outras, após um período indeterminado retornam aos “velhos” e “familiares” comportamentos da adicção activa, refiro-me aos deslizes e à recaída.
O que motiva as pessoas a mudar de comportamento e almejar uma vida abstinente de substancias psico activas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas, e “normais” enquanto outras não?

Sempre me despertou imenso interesse o trabalho da prevenção da recaída e as fases de recuperação no vasto e complexo universo de tratamento e de recuperação da adicção.
Qual o significado do tratamento em regime de internamento para uma pessoa, se pensarmos que a recuperação é algo para a vida? Não existem tratamentos no mundo, que garantam 100% de sucesso, isto é, após o período de internamento, que pode variar entre 3 a 4 meses em primaria (primeira-fase) e 12 meses em segunda-fase (extended care/halfway) os adictos consigam permanecer abstinentes e recuperar os valores emocionais e espirituais, não religioso sem dogmas e ou divindades, de volta para o resto da vida. Também partilho da ideia que no tratamento da adicção, como doença crónica, existe sempre a probabilidade de recaída para algumas pessoas ao longo das suas vidas. Somos seres complexos, por um lado, demasiado previsíveis por outro...

Na minha experiência de trabalhar em tratamento não me recordo de alguém que tenha terminado o tratamento, afirmasse “João, vou para casa e vou voltar a usar drogas e continuar dependente”. Pelo contrario. No caso das pessoas que recaíram, após o tratamento, a grande maioria afirmava que tinha sofrido experiências demasiado horríveis, relacionadas com dependência das substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool e as ilícitas. Acredito também que após um tratamento de internamento as coisas nunca mais serão vividas da mesma forma, quer para aqueles que permanecem abstinentes quer para aqueles que têm deslizes e recaídas. Adquiriram um conhecimento e uma consciência da realidade e da doença, como uma mais-valia. É como plantar uma "semente", o resto deixa de estar ao nosso alcance. È preciso saber aguardar pelos resultados...

Existem vários factores associados a uma transição com sucesso após o tratamento, em regime de internamento para o regresso à vida activa. Após um período de tempo em tratamento em regime “fechado” é chegado o grande momento; ambicionado e temido ao mesmo tempo – de regresso à vida activa. Para a maioria dos adictos abstinentes, familiares, amigos, e em alguns casos no local de trabalho, é um período onde se experimenta um misto de emoções tais como; ansiedade e alegria, insegurança e confiança e re-adaptação.

Adictos abstinentes que possuam fracos recursos e/ou que não se sintam confiantes podem estar mais vulneraveis quanto cometerem deslizes, ao contrario daqueles que sintam mais confiantes. Individuos que desconheçam e/ou não confiem nos recursos de protecção disponíveis (pessoas, lugares e coisas -P.L.C.) para os apoiar, durante a abstinência, tal como, aqueles individuos que tenham duvidas acerca da viabilidade e da eficácia desses mesmos recursos protectores é possível, perante a adversidade, não utilizarem as “ferramentas” de recuperação para si mesmos.