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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Dr. George Vaillant e o Alcoolismo

13º Congresso Brasileiro de Alcoolismo. Rio de Janeiro - 12 e15 de Agosto de 1999


“Meio século de tratamento doloroso induzido através de emetina (alcalóide pulvéreo branco, extraído da noz da ipecacuanha, é um emético potente e perigoso, usado principalmente no tratamento da disenteria) também não mudou a história natural do alcoolismo.
E a recuperação do abuso do álcool também não depende de força de vontade. Em quase nenhum estudo relacionado com a recuperação do alcoolismo a força de vontade do indivíduo, no momento da admissão, foi prognóstico de recuperação.

Como disse Mark Twain, "Acho muito fácil deixar de fumar; deixei vinte vezes". Estudos a longo prazo demonstram que o tratamento (placebo) é quase tão eficaz quanto a desintoxicação.

O poder que a dependência de substâncias psicoactivas adictivas exerce sobre os seres humanos não reside em nosso córtex. O poder da dependência nas nossas mentes está localizada no que foi chamado o nosso cérebro de réptil. O poder localiza-se no campo das transformações celulares, em células do cérebro – o nucleus accumbens e o tegmentum superior. Estas transformações estão fora do alcance da força de vontade, além do alcance do condicionamento e também fora do alcance do insight psicanalítico.

A natureza do poder que a dependência exerce sobre o cérebro humano são expressados pelo provérbio japonês, "Primeiro o homem toma uma bebida, então a bebida toma uma bebida, então a bebida toma o homem". Não existe nenhuma droga para fins clínicos — excepto os opiáceos — que em estudos a longo prazo, obtenham êxito no tratamento do alcoolismo. Depois de algum tempo, o nosso cérebro de réptil simplesmente nos convence a não tomar o remédio que estraga a nossa bebida. O dissulfiram não é melhor do que um placebo. Não existem estudos a longo prazo sobre as novas pílulas mágicas como naltrexona e acamprosato. Desconfio que por bons motivos.

Por outro lado, há quatro factores habitualmente presentes na recuperação da maioria das dependências, incluindo o tabaco, o comer compulsivo e o jogo. Estes quatro factores são:
1. assistência (apoio) externa imposta,
2. dependência de um comportamento substitutivo,
3. novas relações de amor, e
4. um aumento da espiritualidade ou na filiação a grupos de ajuda-mutua, ex. Alcoolicos Anónimos (AA). Evitar as RECAÍDAS é a razão pela qual estes quatro factores são mais eficazes do que a desintoxicação ou alguns meses de aconselhamento. Médicos e hospitais não curam os diabéticos, só a restrição dietética auto-imposta e a auto-aplicação de insulina pode controlar o diabetes. Os quatro factores são importantes para a prevenção da recaída numa amostra de uma comunidade terapêutica composta de alcoólicos, dependentes de heroína e alcoólicos tratados. A recuperação do alcoolismo não é espontânea.