Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperação Duradoura e a Alimentação Saudavel

 

Na minha opinião a alimentação saudável é uma pratica corrente a ter em conta na recuperação duradoura dos comportamentos adictivos. Cada vez mais observo homens e mulheres em recuperação ansiosos e preocupados com os seus hábitos de alimentação e como consequência inquietos com a sua saúde física, mental e espiritual, não religios sem dogmas e divindades. Uma vez ouvi alguém afirmar que “ Aquilo que comemos está relacionado com a forma como nos sentimos e tratamos.”
 
Recuperação dos comportamentos adictivos (substâncias psicoactivas, lilícitas, incluindo o alcool e as ilícitas, jogo, sexo, disturbio alimentar, compras- shopaholics, shoplifting - furto, dependencia emocional) é regularizar hábitos disfuncionais (sono, alimentação, higiene pessoal, saúde, etc.) e identificar comportamentos geradores de sentimentos dolorosos e disfuncionais e em alguns casos compulsivos por ex. a comida, relações, sexo, jogo patológico, trabalho patológico e fazer compras.
 
Na maioria dos casos, agimos no prazer imediato, com base em pensamentos automaticos, com vista a saciar o vazio interior e espiritual (não religios, sem dogmas e divindades), com coisas (pessoas, lugares e coisas) e não optamos por adiar a gratificação e congratularmo-nos por isso. Queremos algo e já.
 
Para aqueles que estão em recuperação de comportamentos adictivos que têm filhos/crianças podem organizar em família refeições saudáveis e coloridas. Partilhar momentos e rituais saudáveis em família em que a refeição (saudavel e diersificada) é o momento de comunicação, união e confraternização. 
 
Nos últimos cinco anos, após um período conturbado que ainda atravesso, tenho procurado adoptar uma postura diferente e procurado investir “devagarzinho” na alimentação saudável, refiro-me à vegetariana. Após iniciar este ciclo algo mudou no meu comportamento em relação à comida, semelhante á sensação que tive quando deixei de fumar. Sinto que estou a cuidar de mim e isso é reconfortante, inspirador, gratificante e gerador de auto-estima. Também tenho desenvolvido um ritual com o meu filhote de em vez dos gelados vou ao supermercado comprar fruta e/ou sumos de fruta naturais (sem corantes nem conservantes, sem adicção de açúcar. Existem uns muito bons) e passamos um momento inesquecível juntos.
 
Frequento um restaurante vegetariano que é excelente. Cada vez que ali me desloco tenho a sensação de que os pratos são confeccionados com dedicação, criatividade e amor.
Na passada sexta-feira estava a deliciar-me com uma saborosa iguaria juntamente com um amigo e tive uma ideia luminosa. Revelar este simpático, descontraído, sereno e acolhedor espaço chamado:
 
 Daterra localizado na Rua Dr Afonso Cordeiro, 71 em Matosinhos. Reservas 912835771 reservas@daterra.pt / www.daterra.pt
 
Espero que usufruam tanto ou mais que eu e lembrem-se “Recuperar é que está a dar”
 
Se quiserem divulgar restaurantes vegetarianos e ou outros que conheçam e considerem excelentes e saudáveis nos seus manjares e que sejam um deleite para o espirito podem enviar o nome e a sua localização para o blogue através de email. Já agora quando enviarem o email com o nome do restaurante enviem uma sugestão quanto ao prato que mais gostaram e bebida, sem ser alcoólica, claro.
 
Mais tarde irei publica-los a todos e tornar a lista acessível.
 
 

Resiliencia humana; ser espiritual

Ontem após mais uma consulta com um dos clientes fiquei a pensar nas consequências indesejáveis do uso de drogas ilícitas e da forma insidiosa e subtil com que uma pessoa fica "presa" a sua dependência.

 

Esta pessoa falava da forma como os seus impulsos o controlam e o conduzem, por vezes sem pensar nas consequências negativas dos seus actos, na obtenção da dose tão ardentemente e obsessivamente desejada. Ele questionava-se "João, será que algum dia irei sair deste ciclo vicioso que dá cabo da minha vida? Quero ter uma vida normal, sem drogas."

 

Esta afirmação parece legitima e profunda. Resume a constatação da sua ambivalência e  impotência. Da frustração e da dor. Da sua incapacidade de autocontrolo e de falta de auto realização.

 

Ninguém deseja ser adicto. Ninguém deseja ser diabético. Ninguém deseja ter um cancro. Ninguém deseja sofrer de hipertensão. Isto significa que a dada altura da nossa existência jogamos na "roleta russa" por força das circunstâncias, das atitudes e dos comportamentos, do ambiente e da carga genética, Faz parte dos desafios da vida e da descoberta das nossas competências individuais e sociais. senão formos sujeitos a adversidade nunca saberemos realmente quem somos e para onde vamos.

 

Depois do grande confronto, da negação e da ambivalência, da vergonha e do sentimento de culpa, da raiva e do ressentimento, de culpar tudo e todos, incluindo Deus conforme cada um O/A concebe, nasce finalmente a "luz" e o adicto realiza que afinal é um sobrevivente resiliente. A lógica adictiva reforça o controlo. Paradoxalmente na adicção, o adicto muda as suas atitudes e comportamentos,  quando descobre que é impotente. 

 

Durante as consultas, não me canso de insistir na importância da fé e esperança junto daqueles que acompanho e que sofrem de doenças crónicas, e que almejam uma vida saudável e recompensadora . A vida encerra segredos que só são revelados aqueles que se atrevem e correm riscos. Acreditar na fé e na esperança é um risco porque buscamos uma fonte de poder imaterial fora de nós mesmos.

 

Na minha opinião, a maioria do ser humano ignora o grande potencial da realização espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, até ser submetido a experiências adversas e/ou traumáticas, onde não existe o ego (orgulho doentio, arrogância, mentira, prepotência, a intolerância, etc.). Admitimos perante os outros que afinal falhamos, erramos, magoamos, nesses momentos "baixamos a cabeça", pedimos para ser perdoados e manifestamos o desejo de mudar - nasce a "luz". Passamos das palavras (promessas quebradas e dos falsos alibis) aos actos (pedir ajuda para a mudança e acreditar no desconhecido). A mudança pode ser um processo sensível - avanços e recuos (recaídas), recorremos à motivação, à inspiração e a orientação espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades, que nos guia se nos mantermos no "caminho" do propósito e do sentido.

 

Será que quando ajudamos e servimos os outros (altruísmo, humildade, honestidade, dignidade, empatia) estamos a ser seres espirituais, capaz de gerar conexões necessárias para a ambicionada recuperação duradoura e recompensadora?

 

Alguns estudos realizados nos EUA revelam a importância da espiritualidade, não religiosa, numa abordagem complementar no tratamento da adicção. Juntos conseguimos correr os riscos necessários e obter da vida a realização dos "sonhos" que outrora achávamos impossível.