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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Dependência financeira

 

Nos tempos que correm a dependência financeira atinge dimensões serias e em alguns casos torna-se crónica, equiparável a viver com uma “doença para o resto da vida”, com a probabilidade de se manter activa de geração em geração.

Comportamentos adictivos e a perda de controlo

A dependência financeira é frequente em indivíduos que apresentam comportamentos adictivos, assim como as suas famílias (ex. drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas, o jogo, sexo, compras - shopaholics, shoplifting-furto, codependência). Recordo inúmeros casos em que um membro de família dependente de drogas, incluindo o álcool, e jogo afectou drasticamente todo o orçamento, recursos e o património familiar com o consentimento e permissividade de alguns membros da família. A vergonha tóxica, a raiva e o ressentimento, a obsessão e a compulsividade instalam-se e deterioram as relações familiares (homeostase).

A perda total do controlo associado ao dinheiro é uma das consequências mais significativas e dolorosas na vida de um indivíduo, seja dependente/adicto ou não por ex. atraves da falta de uma gestão responsável e construtiva, falta de autonomia dos seus recursos financeiros, bem como, a necessidade de viver dependente do ponto vista financeiro de outra/as pessoa/as e ou instituições. Alguns indivíduos adoptam comportamentos relacionados com dinheiro que não coincidem com os valores, ideais e ou objectivos pessoais e sociais, susceptíveis de sabotar todo e qualquer plano de estabilidade financeira (ex. poupanças). Representam, num contexto social, um status associado a um estilo de vida fausto, vivendo de mentiras, manipulações, ideais irrealistas, de créditos bancários acumulando dividas acima das suas possibilidades, efeito “bola de neve”.

 Uma gestão financeira caótica

A dependência financeira pode manifestar-se de várias formas desde o financiamento recorrente para projectos (ex. através de instituições de crédito) até ao património familiar. Nos últimos anos, a dependência financeira tem aumentado principalmente na camada jovem visto estes dependerem dos seus progenitores para satisfazer as suas necessidades. A incompetência e a perda de autonomia em atingir a independência ficanceira pode ser uma fonte enorme de pressão na vida de um indivíduo afectando negativamente a sua motivação, a criatividade e o desejo de auto-realização.

Alguns indivíduos dependentes de recursos financeiros cujo patrocínio advém da sua família ou amigos identificam uma sensação desconfortável amarga; devem um “favor pela ajuda”. Este preço (dívida) pode tornar-se demasiado desconfortável, transformando-se numa fonte de raiva e ressentimento, contudo quando reflectem sobre a possibilidade de prescindir e aliviar-se deste “fardo”, sentem altos níveis de ansiedade, forçando-os a recuar, adoptando uma postura passiva e/ou submissa de forma a manter o “jogo/dança” e a ambivalência. Valorizam mais o benefício imediato, quando conseguem mais um financiamento, do que o custo das emoções desconfortáveis e comportamentos relacionados com o autonomia e auto-realização.


Dependência financeira a quanto obrigas

A dependência financeira é uma das razões principais senão a mais importante para as mulheres permanecerem em relações românticas abusivas. Nos EUA, um estudo revelou que 46% das vítimas de violência doméstica, após períodos de violência, regressam ao ciclo de abuso quando voltam para os seus parceiros violentos por falta de poder/autonomia financeira (Anderson, e al. 2003).

O dependente financeiro, visto apresentar um défice na gestão e autonomia dos seus recursos, necessita de um ou vários facilitadores financeiros/ patrocinadores de forma a satisfazer as suas necessidades. Ambos “caminham de mão” dada e não abdicam deste “jogo/dança” de representações.

A razão da existência de um realça a importância do papel do outro na relação - uma mão lava a outra.

Para aqueles individuos que identificam motivos razoáveis para alterar padrões e crenças disfuncionais perante a possibilidade de mudança sentem ansiedade e o medo do desconhecido suficientemente forte para cristalizar a motivação - novas atitudes e novos comportamentos. Todavia, quando estas emoções são enfrentadas, com um misto de medo e coragem (fugir para a frente) assume-se uma decisão/atitude irrevogável, baseada na crença de que a emancipação individual compensa, a médio e a longo prazo (dependência vs independência).

A vida encerra segredos que só são revelados aqueles que arriscam.