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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Rostos, vozes, ideias e experiências

O conceito acerca da Recuperação abrange todas as Adições (drogas lícitas, incluindo o álcool, a nicotina, e as ilíctas), Jogo, Sexo, Trabalho, Distúrbio Alimentar, Compras, Shoplifting, Relações de Dependência, Trabalho, mas aquilo que realmente importa são as pessoas (Capital Humano).

 

Através das relações com outras pessoas valorizamos a importância dos vínculos e dos laços (espírito de equipa) e adquirimos uma perspectiva vasta, misteriosa e profunda daquilo que SOMOS capazes de atingir. Por exemplo, quando existe uma tragédia num determinado país do mundo, milhares de pessoas mobilizam-se para ajudar na transformação e "renascimento das cinzas". O fenómeno da Adicção veio para ficar e afecta milhares de portugueses, incluindo as crianças vulneráveis, há muitas gerações.

Porque é que procuramos parceiros amorosos? Porque que determinadas pessoas (família e amigos) são o nosso "tesouro"?
Quando estamos em dor ou angustia, porque é que precisamos de pessoas?

 

As pessoas significativas estão lá para nós (presentes) quando não conseguimos ser tolerantes, ser compreensivos, justos e responsáveis connosco mesmo. As pessoas significativas são o balsamo, o equilíbrio e o "espelho" da nossa imperfeição e humanidade. Somos seres gregários.


A Recuperação dos Comportamentos Adictivos é um conceito recente em Portugal da qual o seu potencial são pessoas dedicadas, abnegadas e determinadas na causa comum. "O Todo é mais importante que a soma das Partes". Somos uma equipa unida capaz de gerar e gerir competências, talentos e recursos individuais, sociais e espirituais.

 

A todos os...
Mário, Maria, Carlos, Cristina, Francisco, Ana, António,Antónia, Ângelo, Ângela, Fernando, Fernanda, Jesus, Carla, Jorge,Margarida, Augusto, Augusta, João, Joana, Marta, Miguel, Madalena,Francisco, Francisca, Duarte, Denise, Marco, Sandra, Inês,Joaquim, Patrícia, Rui, Susana, Álvaro, Luís, Luísa, Rafael, Rafaela,Paulo, Paula, José, Marisa, Nuno, Cristina, Fernando, Fernanda,Alexandre, Leonor, Bruno, Bruna, Hugo, Ivone, Raul, Alexandra,Vasco, Vanessa, Sofia, Sérgio, Rita, Manuel, Manuela, Rodrigo, Catarina, Pedro,Sara, Sílvio, Lia, Miguel, Sandra, Diogo, Mónica, Jorge, Eliana, Gil, Cláudia, Cláudio, Lúcia, Lúcio, Ricardo, Filipa, Filipe, Raquel, Emanuel, Isa,Isaac, Vera, Jaime, Victor, Artur, Manuela, Manuel, Liliana,Bernardo, Rosa, Martim, Deolinda, Esperança, Gaspar, Ermelinda,Hermínio, Sónia, Lucas, Anabela, Andrade, Marisa, Varela, Ascensão,Clara, Alberto, Bárbara, Dinis, Beatriz, Arnaldo, Alberta, Armando,Camila, Amaral, Cidália, Asdrubal, Camilo, Cândido, Carolina, César,Cátia, Pacheco, Célia, Céu, Constança, Daniel, Clotilde, David, Eduardo, Elisabete, Ernesto, Ester, Pedro, Gabriela, Henrique , Graça, Carvalho,Helena, Simões, Olga, Júlio, Júlia, Tavares, Laura, Saraiva, Azevedo,Lídia, Marcelo, Mariana, Lázaro, Marília, Raposo, Renata, Raul, Rosário, Roberto, Elsa, Gustavo, Sílvia, Tiago, Sónia, Victor, Teresa, Cardoso, Eva, Gabriel, Ema, Vicente, Dulce,Sá, Laurinda, Matias, Soraia, Orlando, Lua, Bento, Fátima, Xavier, Leonor, Domingos, Teresa, Guilherme, Rute,Inácio, Lília, Teófilo, Andreia, Patrício, Glória, Samuel, Guadalupe,André, Natacha, Adão...

 

Recuperar das Dependências em vez optar pelo Estigma, Negação e pela Vergonha.
Se verificar que o seu nome não consta neste grupo e está em Recuperação dos Comportamentos Adictivos envie um email. Siga o link www.facebook.com/joaoalexx

 

Facilitador/a financeiro - "Patrocinador"


Um dependente financeiro (D.F.) precisa de um facilitador financeiro (F.F.), a que apelido de “Patrocinador”, assim como, um facilitador financeiro precisa de um dependente financeiro. Este relacionamento pode gerar atitudes e comportamentos de dependência disfuncional entre ambos e caso existam, as crianças também são prejudicadas. Qualquer dependência patológica (perda do controlo) afecta todas áreas da vida de ambos parceiros (ex. casal), refiro-me à inexistência de por ex. da confiança, da comunicação honesta, a auto-estima, assertividade e à intimidade.

Pena de si mesmo e o síndrome do salvador/salvadora  

O indivíduo que “patrocina” financeiramente exerce um papel semelhante ao co-dependente (parceiro/a do individuo dependente de drogas, incluindo o álcool) exerce na vida de um alcoólico ou dependente de drogas, isto é, sente-se realizado ao participar activamente na solução dos problemas do outro – uma missão impossível (mito dosalvador, herói, controlo), descorando as consequências que essa facilitação – patrocínio - surte na sua vida pessoal e social. Na realidade, não só coopera na progressão da doença da adicção activa como se prejudica a si mesmo. Já acompanhei indivíduos co-dependentes tão disfuncionais (ex. deprimidos, ansiedade aguda, pânico, segredos – “vida dupla”, isolamento, mentira) como o próprio dependente de drogas.

 

Perda de controlo e o medo daquilo que os outros pensam

Os F.F. emprestam dinheiro em detrimento das suas próprias finanças. Sacrificam a segurança e a estabilidade do seu capital em benefício dos outros (dependentes financeiros). Não são assertivos o suficiente para recusar (dizer NÃO) aos pedidos relacionados com dinheiro, inclusive recorrem a empréstimos ou ficam endividados, visto não possuírem recursos suficientes para liquidar essas dívidas. Na maioria dos casos, depois de presentear o D.F., de “bandeja” com capital pretendido, os F.F. sentem raiva e ficam ressentidos, pela sensação de que os outros estão a tirar partido das suas fraquezas (abuso/vitimização). Aparentam sentir-se culpados por ter dinheiro e buscam o alivio das suas emoções dolorosas; invocando o bem/dar (altruísmo, o desprendimento de bens materiais, a solidariedade, a tolerância) – para prejuízo pessoal e beneficio dos outros. A percepção da sua auto-estima (auto conceito) é disfuncional, confundindo intimamente com a a causa em ajudar (facilitar) o outro.

O FF identifica-se como pessoa com valores e princípios, por ex. altruísmo, abnegação, solidariedade, apoiar os mais “fracos” e “desprotegidos”. Todavia, tal como acontece com ao codependente, que patrocina o consumo de drogas ou álcool, o facilitador financeiro não só afecta as suas próprios recursos financeiros como também adopta comportamentos permissivos e facilitadores que contribuem somente para adiar e interferir negativamente na recuperação do individuo dependente - “Tapa os buracos causados pelo dependente financeiro” e sente-se responsável por isso. Reage segundo impulsos e crenças disfuncionais.

Qual ou quais as consequências na vida de um F.F. quando proporciona ao outros aquilo que não tem, mas que engendra esquemas para ter? Sente-se desiludido, vergonha tóxica e sentimentos de culpa, ressentido e angustiado por perder o controlo do seu próprio comportamento.  

 

 

 

 

 

 

Impotência: agente “catalítico” de mudança

A maioria dos indivíduos com distúrbios financeiros, reconhece a nível intelectual o básico de forma a manter uma situação financeira estável e duradoura ex. poupar para o futuro, não gastar mais do que aquilo que ganha e aprender a usufruir do sucesso financeiro de uma forma responsável e autónoma.

Todavia, como qualquer outro tipo de comportamento adictivo, a informação ou o conhecimento sobre uma gestão equilibrada das suas finanças pessoais não é de todo suficiente para mudar o comportamento disfuncional. Para a maioria dos dependentes de substâncias, incluindo o álcool, o sinal de alerta surge da pior forma, por ex. problema de saúde ou legais, separação ou divorcio, perda do trabalho.

Caso identifique comportamentos disfuncionais, que ao invés de proporcionar qualidade de vida, proporcionam tristeza, preocupação exagerada, ansiedade e solidão, peça ajuda.

A solução deste tipo de problemas e do sofrimento não está obviamente nos outros. Somos nós próprios que precisamos de mudar e viver a vida de acordo com princípios e valores, em vez de viver em função de pessoas e coisas.

 

 

 

Dependência financeira

 

Nos tempos que correm a dependência financeira atinge dimensões serias e em alguns casos torna-se crónica, equiparável a viver com uma “doença para o resto da vida”, com a probabilidade de se manter activa de geração em geração.

Comportamentos adictivos e a perda de controlo

A dependência financeira é frequente em indivíduos que apresentam comportamentos adictivos, assim como as suas famílias (ex. drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas, o jogo, sexo, compras - shopaholics, shoplifting-furto, codependência). Recordo inúmeros casos em que um membro de família dependente de drogas, incluindo o álcool, e jogo afectou drasticamente todo o orçamento, recursos e o património familiar com o consentimento e permissividade de alguns membros da família. A vergonha tóxica, a raiva e o ressentimento, a obsessão e a compulsividade instalam-se e deterioram as relações familiares (homeostase).

A perda total do controlo associado ao dinheiro é uma das consequências mais significativas e dolorosas na vida de um indivíduo, seja dependente/adicto ou não por ex. atraves da falta de uma gestão responsável e construtiva, falta de autonomia dos seus recursos financeiros, bem como, a necessidade de viver dependente do ponto vista financeiro de outra/as pessoa/as e ou instituições. Alguns indivíduos adoptam comportamentos relacionados com dinheiro que não coincidem com os valores, ideais e ou objectivos pessoais e sociais, susceptíveis de sabotar todo e qualquer plano de estabilidade financeira (ex. poupanças). Representam, num contexto social, um status associado a um estilo de vida fausto, vivendo de mentiras, manipulações, ideais irrealistas, de créditos bancários acumulando dividas acima das suas possibilidades, efeito “bola de neve”.

 Uma gestão financeira caótica

A dependência financeira pode manifestar-se de várias formas desde o financiamento recorrente para projectos (ex. através de instituições de crédito) até ao património familiar. Nos últimos anos, a dependência financeira tem aumentado principalmente na camada jovem visto estes dependerem dos seus progenitores para satisfazer as suas necessidades. A incompetência e a perda de autonomia em atingir a independência ficanceira pode ser uma fonte enorme de pressão na vida de um indivíduo afectando negativamente a sua motivação, a criatividade e o desejo de auto-realização.

Alguns indivíduos dependentes de recursos financeiros cujo patrocínio advém da sua família ou amigos identificam uma sensação desconfortável amarga; devem um “favor pela ajuda”. Este preço (dívida) pode tornar-se demasiado desconfortável, transformando-se numa fonte de raiva e ressentimento, contudo quando reflectem sobre a possibilidade de prescindir e aliviar-se deste “fardo”, sentem altos níveis de ansiedade, forçando-os a recuar, adoptando uma postura passiva e/ou submissa de forma a manter o “jogo/dança” e a ambivalência. Valorizam mais o benefício imediato, quando conseguem mais um financiamento, do que o custo das emoções desconfortáveis e comportamentos relacionados com o autonomia e auto-realização.


Dependência financeira a quanto obrigas

A dependência financeira é uma das razões principais senão a mais importante para as mulheres permanecerem em relações românticas abusivas. Nos EUA, um estudo revelou que 46% das vítimas de violência doméstica, após períodos de violência, regressam ao ciclo de abuso quando voltam para os seus parceiros violentos por falta de poder/autonomia financeira (Anderson, e al. 2003).

O dependente financeiro, visto apresentar um défice na gestão e autonomia dos seus recursos, necessita de um ou vários facilitadores financeiros/ patrocinadores de forma a satisfazer as suas necessidades. Ambos “caminham de mão” dada e não abdicam deste “jogo/dança” de representações.

A razão da existência de um realça a importância do papel do outro na relação - uma mão lava a outra.

Para aqueles individuos que identificam motivos razoáveis para alterar padrões e crenças disfuncionais perante a possibilidade de mudança sentem ansiedade e o medo do desconhecido suficientemente forte para cristalizar a motivação - novas atitudes e novos comportamentos. Todavia, quando estas emoções são enfrentadas, com um misto de medo e coragem (fugir para a frente) assume-se uma decisão/atitude irrevogável, baseada na crença de que a emancipação individual compensa, a médio e a longo prazo (dependência vs independência).

A vida encerra segredos que só são revelados aqueles que arriscam.

Compras compulsivas - Shopaholics

Qual é o problema associado às compras? Será assim tão grave?
Nem todas as pessoas que gastam dinheiro em produtos, acessórios ou equipamentos apresentam um problema de comportamento. Quem é que resiste aos saldos? Quem é que resiste a umas compras no centro comercial? Quem não pensa “Bolas, hoje tive um dia muito difícil mereço uma prenda”.
 
Identificar atitudes e comportamentos
Na realidade, ainda existe alguma controvérsia quanto ao estudo e ao diagnóstico, todavia é evidente que existem casos de indivíduos que necessitam de apoio e orientação. O meu principal objectivo é alertar as pessoas, de forma a que consigam PARAR e reflectir sobre a perda de controlo em relação ao frenesim, ao desassossego e às consequências negativas do seu comportamento associado às compras. Conheço alguns casos de pessoas que desenvolvem a compulsão das compras – “culto”. Algumas reconhecem este padrão de comportamento disfuncional, como uma bóia de salvamento - nos momentos de angústia, de raiva, frustração, tristeza, solidão. O problema não é as compras ou o dinheiro, somos nós que adoptamos comportamentos que geram comportamentos disfuncionais e adictivos.
  
Um estudo realizado nos EUA revela que este problema afecta 5.8% da população (Koran, e tal 2006) e é tão comum como a depressão. Os indivíduos com este distúrbio não conseguem deixar/parar de pensar sobre a sua necessidade e preocupação frequente, em fazer compras.
  
Recordo um caso de uma pessoa que admitia a sua impotência em que antes de entrar no centro comercial, afirmava para si proprio, "Hoje não vou gastar um centimo em compras. Vou só passear." Passado uns minutos surgem aqueles pensamentos irresistíveis que precipitam as compras e o individuo cede a um conjunto de justificações, e afirma "Preciso de comprar...é só uma. Não resisto às compras. Mais tarde quando chego a casa sinto-me desconfortável e triste por gastar dinheiro em coisas que não preciso e por perder o controlo.”
 
Fases do comportamento problema
Os indivíduos com comportamentos compulsivos às compras agem mediante impulsos irresistíveis, a obsessão e ficam incapacitados de controlar os seus comportamentos (perda total de controlo). Recorrem às compras para se libertar da pressão diária e buscam o alívio (gratificação imediata) das emoções “privadas” dolorosas, por ex. ansiedade, dor, tristeza, frustração.

O Dr Raymond Miltenberger identificou quatro fases no comportamento compulsivo às compras
1. Antecipação: pensamentos, anseios e preocupação sobre o acto de comprar algo especifico – ex. o produto em causa que foi identificado previamente.
2. Preparação: contemplar o plano das compras; onde e como, e os métodos de compra (dinheiro, cartão de debito ou cartão credito).
3. Compras: fazer as compras; aquilo que define como entrar no frenesim intenso e ou êxtase - “pedrada”
4. Pagamento: o acto de pagar interrompe a encerra a actividade frenética das compras acompanhadas por uma sensação de vazio, remorso e frustração.
 
A compulsão às compras equipara-se ao efeito das drogas no cerebro do individuo. Quando um indivíduo antecipa uma ida às compras doses elevadas de dopamina (neurotransmissor responsável pelo prazer) invade o seu cérebro. Estão assim criadas as condições para iniciar os comportamentos adictivos. Este ciclo disfuncional, onde se compra para obter a gratificação imediata, mais tarde, sente o remorso e a culpa, associado às compras depois reinicia um “novo” ciclo adictivo de compras. O dia-a-dia é passado a pensar em dinheiro, compras, produtos, preços, lojas, revistas, compras online, cartão de crédito, artigos, etc.
  
Fazer compras proporciona níveis altos de excitação e uma sensação de “pedrada” (êxtase). Todavia porém, após este período intenso surge uma oscilação drástica de humor, sensação de vazio e frustração, capaz de gerar baixa auto-estima, remorso, sentimento de vergonha tóxica e culpa. Para o indivíduo compulsivo às compras gastar dinheiro é semelhante ao alcoolismo e á dependência das drogas com consequências emocionais e sociais muito semelhantes. Alguns estudos nesta área revelam que os indivíduos compulsivos às compras sentem mais ansiedade, depressão, comportamentos obsessivos-compulsivos e baixa auto-estima comparativamente aos indivíduos compradores não compulsivos.

Se a progressão do distúrbio não for interrompido, através de tratamento, pode culminar num agravamento das consequências por ex. dividas, hipotecas, problemas nas relações intimas e/ou românticas, divórcio, dificuldades serias na concentração no trabalho e em alguns casos problemas legais.

Em muitos casos, os compradores compulsivos, arranjam patrocinadores (amigos/as, maridos ou mulheres, pais, etc.) de forma a conseguir consumar e manter os seus devaneios e os seus comportamentos adictivos.

As Dependências associadas ao dinheiro

Considero oportuno, visto alguns milhares de portugueses atravessarem tempos conturbados de desconfiança, de desespero, de reflexão, abordar um assunto polémico e ambíguo. Refiro me ao dinheiro e aos distúrbios a ele associados na nossa sociedade. São os momentos difíceis, de dor e privação que influenciam (aprendizagem) o nosso comportamento, refiro á relação entre o sofrimento e a motivação para mudança. Se nada muda; tudo fica na mesma.

 

Dependemos do dinheiro. Não podemos prescindir dele, assim como acabamos por permitir que nos influencie, cada caso um caso, seja de uma forma negativa (ex. ganância e cobiça) ou positiva (integridade, decência) sobre as nossas atitudes e acções. Podemos desenvolver uma relação de amor e ódio, parece ser um assunto tabu recheado de falsas crenças e mitos. Na minha opinião, o problema não é o dinheiro; mas sim aquilo que as pessoas pensam e fazem com o ele. Recordo um caso de uma pessoa que afirmava “Na minha família, ninguém podia mostrar dinheiro vivo, deve permanecer oculto – circulava debaixo da mesa.”

 

Qual é o comportamento das pessoas perante o dinheiro ou a falta de dele, numa cultura que promove e incentiva o consumo e o estatuto, associado ao prestigio, ao sucesso e ao poder?

 

Tenho constatado que o dinheiro e os comportamentos adictivos são temas transversais na nossa sociedade. Precisamos de dinheiro para viver e algumas pessoas precisam de dinheiro (extra) para "alimentar" a sua adicção activa ao longo das suas vidas, sejam substâncias (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, ou ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, compras - shopaholics, trabalho, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting - furto). Nesta “indústria da adicção”, anualmente milhões de euros são despendidos em drogas (licitas e ilícitas), álcool, sexo, jogo, trabalho, furtos, compras e comida, assim como milhares de pessoas estão envolvidas direta e/ou indiretamente nesta problemática/adicção activa. De que forma a sociedade e a cultura são influenciadas pelas dependências associadas ao dinheiro (capital)? Os fins, obter prestigio, estatuto e sucesso financeiro, justificam os meios, pouco convencionais e/ou ilícitos?

 

Todos nós conhecemos alguém que apresenta uma incapacidade em gerir responsavelmente os seus recursos financeiros, mas podemos não saber qual a raiz do problema. Pode retirar dinheiro do seu ordenado, pedir dinheiro emprestado, enganar ou rouba de forma a manter a sua adicção activa -“Não olha a meios para atingir os fins.”

 

 

 

Fases de recuperação através da abstinência - drogas

Ao longo dos anos tenho observado indivíduos dependentes de substâncias psico activas / adictivas, lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas que são admitidos em tratamento, quer seja em regime residencial de internamento ou através das consultas tradicionais presenciais (terapia individual), e ao mesmo tempo, também acompanho individuos que permanecem abstinentes, como parte do seu programa de recuperação duradoura, a que apelido de mudança de estilo de vida (M.E.V.) através de princípios espirituais - não religioso, sem dogmas e divindades - que promovem o conhecimento interior das suas emoções, auto-conceito, competências e talentos, e uma conexão emocional com os outros e o mundo a sua volta (integração activa na sociedade).


Após a admissão em tratamento, em regime residencial de internamento,  é iniciada a primeira fase (crucial) - interrupção do consumo de substâncias psicoactivas (auto-medicação de drogas, incluindo o álcool) geradoras de problemas e consequências negativas, ex. perda do controlo dos seus comportamentos, problemas de saúde e familiares, legais e profissionais. Para alguém dependente de drogas, incluindo o álcool, este “passo” é realmente assustador.

A síndrome da Abstinência (Ressaca - dor/sofrimento físico e psicológico) dura aproximadamente entre 15 a 30 dias, cada caso um caso. Hoje em dia, o sofrimento é mitigado por outras drogas lícitas, receitadas por médicos, que permitem ao indivíduo o desmame gradual das substâncias psicoactivas/adictivas até ficar abstinente - “limpo”.

Existem porém casos excepcionais de indivíduos que por um conjunto de razões/sintomas clínicos necessitam de recursos extra e mais prolongados (medicação - monitorizada pelo medico) a fim de permanecerem compensados e estáveis de forma a conseguirem assimilar e aderir ao programa de tratamento. Muitos destes casos, podem estar relacionados com as consequências da dependência das drogas (ex. neuroquímica do cérebro).
 

  • Fase Sindroma de Abstinência (Ressaca) 0 – 15 dias de abstinência

Alguns sintomas físicos e psicológicos: Cansaço, vómitos, vontade em usar drogas, incluindo o álcool (nesta fase, conheci indivíduos que ingeriram “aftershave” e álcool puro), pesadelos, suores frios, insónia, irritabilidade, deprimido, angustia e ansiedade, alterações extremas do humor, redução do apetite, dificuldade no raciocínio, na concentração e memória, dores de cabeça, perda do controle dos seus comportamentos (impulsos), atitude negativa e baixa resistência física á dor,

Nota: Observei indivíduos, em tratamento, descompensados psicologicamente, que apresentaram alguns destes sintomas, sem que o seu problema estivesse relacionado com drogas (ex. comportamento compulsivo ao sexo).

 

  • Fase da “Lua-de-mel” 16 - 45 dias de abstinência

Alguns Sintomas: “Andar na lua”, euforia, super-confiante - “Está tudo bem…Sinto bem”, Conseguiu ultrapassar a ressaca - sinonimo de dor e sofrimento vs. alivio. Demasiado optimista, negação e ambivalência, o aidcto interrompeu a compulsividade associado aos consumos, e nesta fase pensa que agora já consegue consumir drogas ou álcool de uma forma controlada, conhece outras pessoas que têm o desejo de parar de usar drogas, aprende que a adicção às substâncias psicoactivas é uma doença.
 

 

Recuperação Vs Adicção (doença)

 

 
Adicção consiste no consumo frequente de substâncias psico-activas (dependência de álcool, drogas ilícitas e lícitas, incluindo o alcool e medicamentos receitados pelo medico - benzodiazepinas, tranquilizantes, ansioliticos, analgésicos) ou de comportamentos (sexo, jogo patológico, disturbio alimentar, relacionamentos, trabalho patológico, compras - shopaholics, furto - shoplifting).
No caso das drogas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas é caracterizado pela perda de controlo (uso continuo apesar das consequências negativas e da incapacidade em permanecer abstinente; aumento da tolerância à substancia (aumenta a frequência e as quantidades para se obter o efeito desejado) e o síndroma de abstinência, vulgo ressaca.
No caso dos comportamentos compulsivos é caracterizado pela perda total de controlo (insanidade/crises exacerbadas/problemas); esforços repetitivos para interromper (controlar) o comportamento problema falham, preocupação frequente ( torna-se o assunto n.º 1 – central na vida da pessoa, o mais importante); negligencia obrigações familiares, sociais, ocupacionais e recreativas de forma a manter a preocupação, bem como, os esforços repetitivos em controlar (comportamento problema) - Ciclo adictivo. Em alguns casos pode ser crónico, progressiva, e por vezes fatal.

Todavia é possível interromper a progressão da adicção e assim iniciar a recuperação.
Existe a Esperança. Caso identifique um problema de comportamento gerador de sofrimento peça ajuda.
 

Dependências para todos os gostos



Certos comportamentos e/ou o consumo de substâncias psicoactivas associados a certo tipo de indivíduos, dependendo de alguns factores bio-psico-sociais conseguem transformar drasticamente, e em alguns casos, por em risco, a vida dessas mesmas pessoas. A dependência de varias substâncias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos podem aparecer no mesmo indivíduo.

Todavia ninguém fica dependente/adicto de um dia para o outro. Através de um acto voluntário inócuo, por ex consumo de substâncias psicoactivas, actividades relacionadas com o jogo, sexo, comida, compras, associado ao lazer e/ou prazer, pode despoletar no individuo sensações de bem estar, cujas memorias futuras serão um reforço positivo e assim aprender os efeitos de agir no prazer e na gratificação imediato – sensação de boas vindas aquele estado de espiríto relaxante e/ou energético. A repetição dos comportamentos poderá despoletar hábitos, crenças e rituais, é um processo que é determinado e influenciado pelas caracteristicas do indivíduo e pela substância psicoactiva e/ou comportamento - factores bio-psico-sociais.
Sabia que todos nós estamos expostos a este fenómeno?

Algumas substâncias psicoactivas geradoras de dependência/adicção


Álcool – Estima-se que existam meio milhão de alcoólicos em Portugal.

Drogas ilícitas – Segundo dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência indicam que em 2006, 32 460 pessoas participaram em consultas (tratamento ambulatório), principalmente consumidores de heroina (substância opiacea altamente adictiva). Em 2001, 7.8% da população com mais de 15 anos já experimentou drogas.
Gostaria de referir que segundo um relatório anual da Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE) o consumo de substâncias psicotrópicas legais (por ex- benzodiazepinas - tranquilizantes, ansioliticos) é maior em Portugal do que em qualquer outro país europeu à excepção da Irlanda. O OICE é um organismo das Nações Unidas a quem cabe analisar o cumprimento das três convenções da ONU sobre droga, afirma que as razões por trás deste consumo exagerado de drogas legais não são conhecidas pelas autoridades portuguesas.

Tabaco – Existem no nosso país aproximadamente 2 milhões de fumadores. Deste universo, 70% afirma querer largar a dependência mas apenas 10% a 15 % consegue deixar de fumar, segundo números da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Cafeína – O consumo de café em Portugal per capita, em Portugal, ultrapassa os 10 gr diários, o equivalente a 2 cafés em cada 3 dias por pessoa. Entre 1990 e 2003 , o aumento foi de 18% de acordo com o Instituto de Nacional de Estatística.


Alimentação – A obesidade atingia, entre 2005 e 2006, 16,5% dos portugueses com mais de 18 anos, segundo o Instituto Nacional de Saúde. Algumas estatísticas revelam que os homens (20,8%) sofrem mais deste problema do que as mulheres (16,6%). A anorexia, bulímia nervosa, a ingestão compulsiva e a obesidade, são doenças graves com elevados custos psico-sociais. 

Compras / Gastar dinheiro compulsivamente

 

"Não são somente as pessoas com comportamentos adictivos à comida, jogo e/ou substâncias psicoactivas ilícitas que se confrontam com questões serias a nivel financeiro e económico, muitas pessoas encontram dificuldades quanto à forma como gerem e gastam (tomam decisões) os seus recursos financeiros. Gastam para além das suas possibilidades. Podem ter tendências para comprar/gastar de uma forma impulsiva, comparar preços e/ ou produtos de uma forma obsessiva e sentirem-se culpadas, por causa da sua baixa auto estima, por comprarem artigos para si próprias, ex. “Não mereço comprar aquilo para mim.” ou sentir pânico se encontrar um artigo/produto idêntico aquele que compraram no dia anterior numa loja. Este tipo de comportamentos podem não ser necessariamente adicção mas revela-se urgente, fazer alguma coisa construtiva e saudável, de forma interromper e inverter este tipo de atitudes e comportamentos disfuncionais.

A Adicção
Todavia, o limite pode ser ultrapassado, quando existe a tendência impulsiva para gastar/comprar ou a obsessão de gastar dinheiro, entra-se no domínio dos comportamentos adictivos. Tal como qualquer outra adicção existem sinais ou sintomas, tais como por ex. perda de controlo, desonestidade, sentimento de culpa ou um desejo intenso (luta/batalha interior) para manter os comportamentos e atitudes sob controlo.

 
Gastadores compulsivos (shopaholics) referem comportamentos e atitudes semelhantes a outro tipo de adicções: por ex. baixa auto estima, comprar coisas para se sentirem melhor consigo próprio, expectativas altas quanto à relação com os pais e/ou maridos/mulheres (procurar a atenção, ser o centro das atenções), dormência emocional (ex. reprimir emoções) ou falta de assertividade.
 

Addiction-nary” - Jan R. Wilson e Judith A. Wilson

http://www.debtorsanonymous.org/

Comentario: Em Portugal este fenomeno da adicção às compras ainda é desconhecido, apesar das evidências. Tem sido divulgado, quase diariamente, nos noticiários sobre o aumento do endividamento dos consumidores em Portugal acompanhando uma mudança de hábitos de consumo que reflectem uma alteração de comportamentos culturais e sociais. Todos queremos ter um apartamento, um carro ultimo modelo, um telemóvel topo de gama, as roupa de marca, um computador portátil “xpto2, uma TV, um Mp3 etc. e a lista continua. Qual é o preço desta “factura mensal alta” no nosso sistema de valores morais e na qualidade de vida?

Num relatório publicado recentemente sobre o consumo de ansioliticos e anti-depressivos, em Portugal, um dos motivos que justificam o nível elevado de consumo destes produtos, é o endividamento.

Sabemos que o endividamento excessivo, é um fenómeno transversal à sociedade portuguesa afectando quer os consumidores de fracos recursos quer os de recursos elevados. Todas classes sociais podem ser afectados por este fenómeno.

Sabemos que a publicidade ao crédito é extremamente agressiva, apelativa e desresponsabilizante. É fácil ter dinheiro. Basta ir a uma instituição de credito. Entramos com recursos precários e saímos uns “vencedores” com dinheiro na conta. O que mudou nas nossas atitudes e comportamentos perante o endividamento? Sabemos que hoje, também em virtude da utilização dos cartões de crédito, os consumidores não têm apenas dois empréstimos, o do carro e o da habitação, mas seis ou sete em simultâneo.

http://www.consumidor.pt/portal/page?_pageid=34,1&_dad=portal&_schema=PORTAL

http://www.iseg.utl.pt/

 
A adicção às compras é normalmente um tipo de adicção à excitação, as alterações bioquímicas, no cerebro (estrutura do cerebro responsavel pela recompensa), despoletadas pela antecipação, o medo e uma sensação de alivio temporário de outro tipo diferente de problemas, por ex. emoções dolorosas. Gastar dinheiro passa a ser considerado uma prioridade, que interfere com outras actividades profissionais, ludicas, familiares, e um preocupação diaria (fixação): perda do controlo

Roubar artigos nas lojas de comercio.
Numa fase agravada e avançada da adicção às compras os adictos roubam produtos em lojas. Pode-se começar por furtar algo que seja necessário, porque naquele momento não existe dinheiro disponível. Todavia o medo e a excitação (risco) são altamente estimulantes, adopta-se um “status” e um padrão adictivo (entra-se nos estabelecimentos já com o intuito de roubar algo). Os adictos a drogas e ou bulímicos após terem despendido somas significativas na sua adicção (drogas ou comida) esgotam os seus recursos financeiros e quando desejam algo roubam nas lojas. Se o roubo em lojas se torna mais do que um meio de obter as drogas ou comida será necessário tomar medidas especificas, visto despoletar comportamentos adictivos, isto se o objectivo desejado for a recuperação da adicção.

A Recuperação da adicção às compras
Para iniciar a recuperação é importante interromper o comportamento problema e a lógica adictiva. É urgente pedir ajuda profissional. Outro recurso, pode ser envolver-se em grupos de ajuda mutua e trabalhar o programa dos Doze Passos dos Alcoolicos Anónimos. É necessario enfrentar a ambivalência e “travar” o padrão repetitivo e compulsivo de gastar dinheiro.
Para recuperar é preciso optar. Será muito difícil, continuar a gastar dinheiro de uma forma compulsiva e ao mesmo tempo, não haver criterios instituidos para uma gestão correcta e responsavel dos recursos financeiros (por ex. orçamento mensal, despesas diarias, ordenado, cartão de credito). Podemos acrescentar que a adicção também afecta a relação de confiança com a família, incluindo as crianças (por ex. crises conjugais, separação e/ou divórcio, neglgênciar a educação das crianças). Se o adicto continuar a comprar coisas de forma a evitar as emoções dolorosas, será preciso identificar quais os mecanismos psiclogicos que interferem na sua autoestima, autonomia, relações de intimidade, isolamento, vergonha e sentimento de culpa. 

Comportamentos/mecanismos defensivos observados em tratamento

A minha experiência profissional como técnico de aconselhamento na área da adicção foi exercida, ao longo de 14 anos, no tratamento em regime de internamento, de curta duração (12 semanas). Acredito que o tratamento, neste tipo especifico de regime, realmente funcione. Na minha opinião pessoal a duração do tratamento primário (ambiente livre de drogas e álcool, intensivo e protegido) terá a duração de oito semanas (dois meses), máximo, 12 semanas. Duração que considero suficiente para a maioria dos pacientes, contudo gostaria de salientar - “cada caso um caso”. Termiando este periodo de doze semanas, e mediante uma avaliação do caso pela equipa de profissionais, acredito existir condições de os utentes passarem para o regime de apartamento de reinserção/ halfway/extended care ou ambulatório. A grande maioria dos pacientes necessita de regime de apartamento de reinserção/ halfway/extended care ou ambulatório que pode ter a duração mínima de seis meses até um ano. Contudo não gostaria de falar sobre a duração e o tipo de tratamento, o assunto que gostaria de abordar tem a ver com alguns tipos de comportamento que normalmente são observados e adoptados em pacientes em tratamento.


Como é do conhecimento geral, quem sofre de dependência, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool e as ilícitas ou comportamentos, como o jogo, sexo, compras (shopaholics), copdependencia, disturbio alimentar, shoplifting (furto) só realiza que de facto está em apuros quando a adicção se encontra numa situação avançada e em alguns casos ”fora de controlo” apresentando todo um conjunto de mecanismos (irracionais e disfuncionais) utilizados para manter o comportamento problema, seja consumir substancias ou jogo, comida, sexo, compras, gastar dinheiro. O adicto no activo utiliza todos os meios ao seu alcance, refiro estrategias (mecanismos) disponíveis para atingir os fins (prazer imediato, alivio, recompensa). Ninguém é admitido em tratamento, em regime de internamento, com a sua vida organizada e feliz, bem pelo contrario. Com a agravante, de a família (pessoas significativas) passar por uma fase critica, também eles estão seriamente afectados psicologicamente (doente) pelo problema. Todos os membros são atingidos pelo problema. Isto significa que adoptam, ao longo da progressão da adicção, comportamentos problemáticos, disfuncionais e facilitadores. Evitam ver, sentir e confiar. Adopta-se a “regra do silêncio”.
Não existem culpados. Claro que uns casos mais extremos e dramáticos que outros, mas todos, inclusive a família e amigos/as, sem excepção, experimentam e conhecem a impotência, a obsessão e a compulsão, a negação e a ambivalência, o sentimento de culpa e a vergonha, baixa auto estima, a raiva e o ressentimento, o medo e a angustia, a depressão e a ansiedade e o isolamento emocional. Neste sentido, o problema pode atingir proporções gravíssimas se não for abordado por profissionais competentes. Se não houver mudança nas rotinas, atitudes e comportamentos, nada muda. Nada mesmo. 

Quando uma pessoa (homem ou mulher) que apresenta comportamentos adictivos chega a tratamento realiza, chocado, que algo precisa de mudar nas suas atitudes e comportamentos. Esta realidade é incontornável e inequívoca. A permanência em tratamento durante o tempo definido entre a equipa e o paciente, é uma experiência profunda e significativa a nível emocional, mental e espiritual, não religioso sem dogmas ou divindades. No futuro, após completar o tratamento as coisas nunca mais serão a mesma. Todavia, a maioria dos adictos adopta alguns mecanismos de defesa (comportamentos) observados e adoptadas em tratamento pelos pacientes que reforçam a lógica adictiva.