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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Rostos, vozes, ideias e experiências

O conceito acerca da Recuperação abrange todas as Adições (drogas lícitas, incluindo o álcool, a nicotina, e as ilíctas), Jogo, Sexo, Trabalho, Distúrbio Alimentar, Compras, Shoplifting, Relações de Dependência, Trabalho, mas aquilo que realmente importa são as pessoas (Capital Humano).

 

Através das relações com outras pessoas valorizamos a importância dos vínculos e dos laços (espírito de equipa) e adquirimos uma perspectiva vasta, misteriosa e profunda daquilo que SOMOS capazes de atingir. Por exemplo, quando existe uma tragédia num determinado país do mundo, milhares de pessoas mobilizam-se para ajudar na transformação e "renascimento das cinzas". O fenómeno da Adicção veio para ficar e afecta milhares de portugueses, incluindo as crianças vulneráveis, há muitas gerações.

Porque é que procuramos parceiros amorosos? Porque que determinadas pessoas (família e amigos) são o nosso "tesouro"?
Quando estamos em dor ou angustia, porque é que precisamos de pessoas?

 

As pessoas significativas estão lá para nós (presentes) quando não conseguimos ser tolerantes, ser compreensivos, justos e responsáveis connosco mesmo. As pessoas significativas são o balsamo, o equilíbrio e o "espelho" da nossa imperfeição e humanidade. Somos seres gregários.


A Recuperação dos Comportamentos Adictivos é um conceito recente em Portugal da qual o seu potencial são pessoas dedicadas, abnegadas e determinadas na causa comum. "O Todo é mais importante que a soma das Partes". Somos uma equipa unida capaz de gerar e gerir competências, talentos e recursos individuais, sociais e espirituais.

 

A todos os...
Mário, Maria, Carlos, Cristina, Francisco, Ana, António,Antónia, Ângelo, Ângela, Fernando, Fernanda, Jesus, Carla, Jorge,Margarida, Augusto, Augusta, João, Joana, Marta, Miguel, Madalena,Francisco, Francisca, Duarte, Denise, Marco, Sandra, Inês,Joaquim, Patrícia, Rui, Susana, Álvaro, Luís, Luísa, Rafael, Rafaela,Paulo, Paula, José, Marisa, Nuno, Cristina, Fernando, Fernanda,Alexandre, Leonor, Bruno, Bruna, Hugo, Ivone, Raul, Alexandra,Vasco, Vanessa, Sofia, Sérgio, Rita, Manuel, Manuela, Rodrigo, Catarina, Pedro,Sara, Sílvio, Lia, Miguel, Sandra, Diogo, Mónica, Jorge, Eliana, Gil, Cláudia, Cláudio, Lúcia, Lúcio, Ricardo, Filipa, Filipe, Raquel, Emanuel, Isa,Isaac, Vera, Jaime, Victor, Artur, Manuela, Manuel, Liliana,Bernardo, Rosa, Martim, Deolinda, Esperança, Gaspar, Ermelinda,Hermínio, Sónia, Lucas, Anabela, Andrade, Marisa, Varela, Ascensão,Clara, Alberto, Bárbara, Dinis, Beatriz, Arnaldo, Alberta, Armando,Camila, Amaral, Cidália, Asdrubal, Camilo, Cândido, Carolina, César,Cátia, Pacheco, Célia, Céu, Constança, Daniel, Clotilde, David, Eduardo, Elisabete, Ernesto, Ester, Pedro, Gabriela, Henrique , Graça, Carvalho,Helena, Simões, Olga, Júlio, Júlia, Tavares, Laura, Saraiva, Azevedo,Lídia, Marcelo, Mariana, Lázaro, Marília, Raposo, Renata, Raul, Rosário, Roberto, Elsa, Gustavo, Sílvia, Tiago, Sónia, Victor, Teresa, Cardoso, Eva, Gabriel, Ema, Vicente, Dulce,Sá, Laurinda, Matias, Soraia, Orlando, Lua, Bento, Fátima, Xavier, Leonor, Domingos, Teresa, Guilherme, Rute,Inácio, Lília, Teófilo, Andreia, Patrício, Glória, Samuel, Guadalupe,André, Natacha, Adão...

 

Recuperar das Dependências em vez optar pelo Estigma, Negação e pela Vergonha.
Se verificar que o seu nome não consta neste grupo e está em Recuperação dos Comportamentos Adictivos envie um email. Siga o link www.facebook.com/joaoalexx

 

Varias vozes; a mesma experiência

 

 

Decidi juntar alguns relatos de pessoas, de email`s que chegam todos os dias, cujas vidas foram sujeitas ao trauma da adicção activa. No dia que consigamos falar a uma só voz, na busca de soluções, encontraremos uma luz ao fundo túnel. Todas os dados dos intervenientes foram alterados de forma a manter a confidencialidade. 

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"Tenho 34 anos, sou casada e tenho um filho de 5 anos. Na altura da minha gravidez passei um período muito conturbado pois sofri represálias no emprego. Durante este tempo recriminei-me pela gravidez. Quando finalmente tudo estava a acalmar, fui abaixo pois o meu filho passou também por uma fase muito má e estive cerca de 9 meses com insónias, acabei por ser medicada com ansiolitico e antidepressivo. Passados uns meses deixei a medicação e recomecei a fazer ginástica que havia parado durante a gravidez e a preocupar-me mais comigo - fisicamente. O meu marido sempre foi gordinho e antes de eu engravidar, ele estava com quase 100 kg, consultou uma nutricionista e perdeu muito peso, mais tarde voltou a ganhar quando o bebé nasceu. Também ganhei alguns kilos e tornei-me muito preocupada em emagrecer mas também comecei a sentir cada vez mais incomodada com o excesso de peso do meu marido. Controlo diariamente o peso, faço exercício duas a três vezes por semana e sinto-me bem assim. O problema é que estendi este controlo ao meu marido e tento controlar o que ele come só pelo facto, de repugnar vê-lo tão gordo. Mudei a alimentação em casa e incentivei-o a fazer exercício. Ele começou a andar de bicicleta estando agora muito mais magro. Continuo a incentivá-lo e sinto-me agora mais atraída por ele estando a nossa vida íntima muito melhor, mas continuo obcecada com o que ele come e se comete excessos sinto-me em pânico que ele volte a engordar e fico chateada com ele. Os meus cumprimentos, Emília"


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"Tenho 25 anos e uma dúvida que ainda ninguém me conseguiu esclarecer, nem sei se existe algum esclarecimento lógico e nem sei se estarei a recorrer a pessoa certa. É possível ser viciado numa relação, que não é saudável? Namoro á 2 anos (com o homem com que me vejo casada), e tenho um caso com um homem 8 anos mais velho, acerca de 5 anos. Às vezes tenho a sensação que este meu caso é doentio e se calhar de ambas as partes. È um "relacionamento" muito pouco saudável em quase tudo, existe muita agressão verbal de parte a parte, tudo o que possa imaginar já foi dito um ao outro, ao ponto de uma vez ele me ameaçar que me destruía a minha vida, de milhentas vezes termos dito um ao outro “Desaparece da minha vida…, Nunca mais te quero voltar a ver…, etc.” E no máximo, passado 2 semanas, estamos envolvidos novamente, sem nunca se pedir desculpas pelo que foi dito anteriormente. Muitas das vezes quando estou longe dele, sinto quase 100% de certeza que foi a ultima vez, porque cada vez é pior, porque saio frustrada, que isto só me faz mal, porque estou farta de tudo (dele, da situação), mas ate agora, este fim ainda não aconteceu! Por favor ajude-me, estou farta, mas cada vez que tento afastar-me dele não resulta (ou porque sinto saudades dele ou de falar com ele...) já não sei o que fazer.Pode existir algum tipo de vício ou dependência neste tipo de relação? Muito Obrigada. Vera"

 

 


 

Merecem algo melhor do que o pior que podem aguentar

 
As necessidades das crianças são negligenciadas
As crianças, cujos lares são afectados pela adicção, um dos pais ou ambos são adictos (drogas lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas, o jogo, distúrbio alimentar, sexo, trabalho, compras - shopaholics, furto - shoplifting, codependencia) são inseguras e carentes de afectos e “desligadas” das suas verdadeiras emoções – ex. abandono e inadequação.

Nos primeiros anos de vida, estas crianças apresentam problemas de comportamento em casa e na escola. No ensino primário surgem problemas de literacia (escrita e leitura). Durante a adolescência as dificuldades nos relacionamentos com os professores e/ou grupo de pares transformam a escola numa experiencia adversa que culmina com o insucesso escolar. Este tipo de experiências, sem a monitorização parental, pode desencadear atitudes e comportamentos que conduzem à delinquência juvenil.

As crianças quando expostas aos comportamentos adictivos podem ficar incapacitadas, a nível competências individuais e sociais, a fim de se realizarem como indivíduos, como consequência de ambientes familiares caóticos. Convém salientar que, na maioria dos casos, os comportamentos adictivos surgem associados (comorbildiade) a outros tipos de problemas de saúde mental; a ansiedade e/ou a depressão, também podemos acrescentar o  isolamento social, problemas nos relacionamentos (ex. falta de intimidade e desconfiança) e a violência doméstica.

Obviamente, este tipo de comportamentos caóticos coloca toda a família numa enorme pressão que pode se perpetuar – paradoxalmente, é encarado algo normal e familiar (homeostase).
 
Os ciclos disfuncionais “escondidos” – segredos de geração em geração.
Para uma grande parte dos pais que exibem comportamentos adictivos, também podem ter sido “vítimas” de adversidade durante a sua infância. São oriundos de um sistema familiar caótico. Estes pais podem ter ficado afectados psicologicamente e pouco preparados para proporcionar um ambiente familiar seguro, equilibrado e com afectos genuínos e saudáveis aos seus filhos. Infelizmente, existe a crença generalizada, associado ao estigma, de que é mais grave para uma criança ter um pai alcoólico ou drogado do que um pai apresente comportamentos adictivos em relação ao sexo ou trabalho - workaholism. É um mito porque na maiorias dos casos o desenvolvimento da criança é negligenciado pelos progenitores. Conheço crianças cujos pais nunca usaram drogas ou álcool, mas são adictos ao sexo. Estas crianças, apresentam problemas sérios no seu desenvolvimento, ex. inadequação, baixo rendimento escolar e agressividade.

 
Segundo Dawe, (2007) quando estes pais iniciam actividades criminosas e ou ilegais relacionadas com os comportamentos adictivos torna-se muito difícil encontrar recursos que contribuam para um estilo de vida saudável.

É preocupante, porque o risco de estas crianças, que crescem em ambientes familiares caóticos, serem sujeitas a vários tipos de abuso é elevado, em particular a negligência (National Center on Addiction and Substance Abuse 1999; Walsh, 2003) .

Segundo Chaffin, (1996) após 12 meses de abuso de drogas por um dos progenitores existem fortes indícios para o abuso e negligência do/os filho/os. Identificar a amplitude do problema, intervir e inverter a progressão da disfuncionalidade nas famílias destas crianças é um processo complexo e delicado.

 
Infelizmente, a maioria dos centros de internamento/tratamento, em Portugal, que admitem pais ou mães com problemas de drogas lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas abordam o problema na perspectiva do cliente - dependência; os membros da familia, inlcuindo as crianças não são contemplados no programa de tratamento. Os resultados do tratamento seriam mais satisfatórios se a abordagem também contemplasse o sistema familiar caótico, por ex. quebrar o padrão disfuncional (adictivo) que afecta o sistema familiar há muitas gerações.
 
 
Segundo Hogan, (2006), mesmo que o pai ou a mãe tenham sido submetidas a tratamento, as crianças aparentam não apresentar benefícios a médio e longo prazo.
 
No próximo post veja as consequências negativas e adversas no ambiente familiar.
 
 
As crianças merecem algo mais nas suas vidas do que a dor, o castigo, a inadequação, a obrigação e o caos.
 
Caso seja um pai ou mãe que encontre dificuldades em gerir os seus próprios comportamentos adictivos (drogas licitas e/ou ilícitas, incluindo o álcool, de jogo, distúrbio alimentar, sexo, trabalho, relações disfuncionais - codependencia, envie a sua questão e tentarei apoia-lo/a.
 
Não permita que a vergonha do passado se intrometa entre a esperança de um futuro melhor.

 

 

 

 

 

 

 

 

Adicção ao sexo - A perda do controlo é um sintoma

Comportamentos disfuncionais (adicção) acerca de sexo podem interferir negativamente e tornar caotico a vida daqueles que "alinham" no prazer imediato e no frenezim gerado por esta energia "poderosa". A vergonha, a impotencia e a perda de controlo paralelamente à obsessão e à compulsividade são sinais de adicção. Sabia que o sexo é uma fonte natural de prazer? Qual é o limite que é preciso ultrapassar de forma a que o sexo seja uma fonte de sofrimento?
È possivel interromper este frenezim constante e "indomável"atraves da rendição, pedindo ajuda.
O actor da famosa serie X-Files, David Duchovny pediu ajuda.

Ver link e comente:

www.youtube.com/watch

 

Adicção ao sexo

Adicção ao Sexo segundo o Dr Patrick Carnes (reputado investigador americano sobre a adicção ao sexo).


Vergonha, Perda de Controlo, Ilusão, Negação, Dependência, Isolamento, Ansiedade, Preocupação constante (ex. 24 horas sobre 24 horas), problemas com a lei,  problemas familiares (intimidade entre casais e filhos) e financeiros (prostituição, internet) são apenas alguns dos sintomas.
 

É possivel interromper o ciclo de destruição atraves da recuperação (mudança de estilo de vida - MEV)
Veja o video e comente. Clique no link

http://www.youtube.com/watch?v=CIza2yEGw90

Pedido de Ajuda Corajoso - Adicção ao Sexo

"Caro Senhor,

Peço-lhe que me dê uma ajuda ou orientação pois sinto que necessito de auxílio. Tenho 48 anos, solteiro, gay e tenho um comportamento sexual adicto. Estou numa relação com uma pessoa, que amo, e faço-a sofrer com a minha atitude. Não gosto deste meu comportamento que me leva à traição, remorso, ansiedade, vazio e insatisfação. Quero ultrapassar este meu vício em sexo. Gostaria que me desse uma orientação ou indicasse alguém, ou grupo, que me pudesse ajudar, perto da minha zona de residência, que é Fatima (cidade ficticia)
Grato pela atenção"

Francisco (nome ficticio)

Recuperação Vs Adicção (doença)

 

 
Adicção consiste no consumo frequente de substâncias psico-activas (dependência de álcool, drogas ilícitas e lícitas, incluindo o alcool e medicamentos receitados pelo medico - benzodiazepinas, tranquilizantes, ansioliticos, analgésicos) ou de comportamentos (sexo, jogo patológico, disturbio alimentar, relacionamentos, trabalho patológico, compras - shopaholics, furto - shoplifting).
No caso das drogas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas é caracterizado pela perda de controlo (uso continuo apesar das consequências negativas e da incapacidade em permanecer abstinente; aumento da tolerância à substancia (aumenta a frequência e as quantidades para se obter o efeito desejado) e o síndroma de abstinência, vulgo ressaca.
No caso dos comportamentos compulsivos é caracterizado pela perda total de controlo (insanidade/crises exacerbadas/problemas); esforços repetitivos para interromper (controlar) o comportamento problema falham, preocupação frequente ( torna-se o assunto n.º 1 – central na vida da pessoa, o mais importante); negligencia obrigações familiares, sociais, ocupacionais e recreativas de forma a manter a preocupação, bem como, os esforços repetitivos em controlar (comportamento problema) - Ciclo adictivo. Em alguns casos pode ser crónico, progressiva, e por vezes fatal.

Todavia é possível interromper a progressão da adicção e assim iniciar a recuperação.
Existe a Esperança. Caso identifique um problema de comportamento gerador de sofrimento peça ajuda.
 

Três Características que os Adictos ao Sexo apresentam em comum



Sabia que os adictos ao sexo partilham algumas características, em comum, para alem daqueles comportamentos compulsivos que desencadeiam e despoletam o agir nos sentimentos (acting out / perda do controlo) – ex. masturbação, relacionamentos heterossexuais e/ou homossexuais, voyeurism, etc. Frequentemente, também partilham algo em comum - uma historia de abuso nas suas vidas.

 

Caracteristiscas:

1. 97% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso emocional.

2. 83% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso sexual.

3. 71% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso físico.

Interessante, não é? Contudo para algumas pessoas não é surpresa. Para a maioria dos adictos este historial (fatores) de “ligação dos pontos” é determinante na adicção e pode ser um indicador, contribuindo assim, para o seu discernimento de forma a desencadear uma mudança de aitutdes e comportamentos adictivos, ao inves de negar, e interromper a progressão da adicção activas nas suas vidas e iniciar a recuperação.  

Fonte: Dr Patrick Carnes

Comentario: Ao longo da minha experiencia profissional confirmo estes dados no acompanhamento de individuos adictos ao sexo. Para alguém que apresente a adicção ao sexo, em muitos casos, não consegue encontrar razões e ou motivos para tal comportamentos disfuncionais. Recordo alguns pacientes afirmarem... "Sinto-me um bicho ou um animal, sem sentimentos..." outros referem "Parece que sou um tarado sexual, só penso nisto com a agravante de este tipo de comortamento gerar ansiedade e sofrimento...".

Podera desencadear uma mudança no discernimento, significativa de comportamentos e atitudes, se identificar que em dada altura da sua vida foi vitima de um e/ou varios episodios de abuso (fisico, emocional e ou sexual).

Recordo uma historia veridica de um padre que abusava sexualmente de um menino de coro da sua igreja. Mais tarde, quando se descobriu, este incidente, a investigação veio revelar que este padre, enquanto menino de coro, também tinha sido vitima de abuso sexual de outro padre da mesma igreja.
Nessa igreja praticava se o abuso sexual ha muitas gerações.
Os episodios de abuso, mais frequentes praticam-se dentro da propria estrutura familiar. O sexo é uma fonte natural de prazer, todavia se identifica comportamentos geradores de ansiedade, pânico e sofrimento em relação ao sexo, peça ajuda.

Dependências para todos os gostos



Certos comportamentos e/ou o consumo de substâncias psicoactivas associados a certo tipo de indivíduos, dependendo de alguns factores bio-psico-sociais conseguem transformar drasticamente, e em alguns casos, por em risco, a vida dessas mesmas pessoas. A dependência de varias substâncias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos podem aparecer no mesmo indivíduo.

Todavia ninguém fica dependente/adicto de um dia para o outro. Através de um acto voluntário inócuo, por ex consumo de substâncias psicoactivas, actividades relacionadas com o jogo, sexo, comida, compras, associado ao lazer e/ou prazer, pode despoletar no individuo sensações de bem estar, cujas memorias futuras serão um reforço positivo e assim aprender os efeitos de agir no prazer e na gratificação imediato – sensação de boas vindas aquele estado de espiríto relaxante e/ou energético. A repetição dos comportamentos poderá despoletar hábitos, crenças e rituais, é um processo que é determinado e influenciado pelas caracteristicas do indivíduo e pela substância psicoactiva e/ou comportamento - factores bio-psico-sociais.
Sabia que todos nós estamos expostos a este fenómeno?

Algumas substâncias psicoactivas geradoras de dependência/adicção


Álcool – Estima-se que existam meio milhão de alcoólicos em Portugal.

Drogas ilícitas – Segundo dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência indicam que em 2006, 32 460 pessoas participaram em consultas (tratamento ambulatório), principalmente consumidores de heroina (substância opiacea altamente adictiva). Em 2001, 7.8% da população com mais de 15 anos já experimentou drogas.
Gostaria de referir que segundo um relatório anual da Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE) o consumo de substâncias psicotrópicas legais (por ex- benzodiazepinas - tranquilizantes, ansioliticos) é maior em Portugal do que em qualquer outro país europeu à excepção da Irlanda. O OICE é um organismo das Nações Unidas a quem cabe analisar o cumprimento das três convenções da ONU sobre droga, afirma que as razões por trás deste consumo exagerado de drogas legais não são conhecidas pelas autoridades portuguesas.

Tabaco – Existem no nosso país aproximadamente 2 milhões de fumadores. Deste universo, 70% afirma querer largar a dependência mas apenas 10% a 15 % consegue deixar de fumar, segundo números da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Cafeína – O consumo de café em Portugal per capita, em Portugal, ultrapassa os 10 gr diários, o equivalente a 2 cafés em cada 3 dias por pessoa. Entre 1990 e 2003 , o aumento foi de 18% de acordo com o Instituto de Nacional de Estatística.


Alimentação – A obesidade atingia, entre 2005 e 2006, 16,5% dos portugueses com mais de 18 anos, segundo o Instituto Nacional de Saúde. Algumas estatísticas revelam que os homens (20,8%) sofrem mais deste problema do que as mulheres (16,6%). A anorexia, bulímia nervosa, a ingestão compulsiva e a obesidade, são doenças graves com elevados custos psico-sociais. 

Dependência emocional - " O amor é cego"

  

A dependência emocional é um tipo de patologia emocional e de relacionamentos, recentemente descrita por estudiosos do comportamento humano nos EUA. È uma experiência comportamental patológica alteradora o estado de humor. Este designação faz parte do jargão profissional, que é incompreensível para as pessoas que se encontram fora desta actividade e incoerente para alguns que trabalham nesta área. Todavia, considero mais importante observarmos o significado desta patologia que afecta milhares de homens e mulheres.

Todos nós, seres humanos, precisamos de criar e desenvolver vários tipos de elos/ligações com os outros. Somos seres gregários. Precisamos de relações amorosas, criar vínculos, laços de pertença. Contudo, surge um serio problema quando esses vínculos e laços se tornam padrões disfuncionais repetitivos de insatisfação, insegurança, infelicidade e rejeição, de vergonha e culpa, baixa auto estima, isolamento, raiva e ressentimento e dependência.

Isto significa que o amor levado a um extremo pode conduzir ao sofrimento e desgoverno a que podemos designar de dependência emocional – “o amor é cego”. Por vezes, evocamos e abusamos da palavra/conceito Amor quando na realidade o comportamento é o oposto. A nossa cultura/sociedade reforça a crença disfuncional de que devemos procurar a felicidade “mágica” no amor-paixão e/ou no parceiro/a ideial (principe perfeito e/ou princesa perfeita).

Consideramos perfeitamente natural que a exaltação amorosa seja o tema principal na literatura, no espectáculo, na canção. Somos constantemente bombardeados, através dos media, através de promessas de uma relação apaixonada que nos traga satisfação e realização pessoal. Diariamente, assistimos a telenovelas, programas de televisão, revistas, romances, anúncios que apelam às nossas emoções (à imaginação, ao sonho, à sedução e à sensualidade) e às relações perfeitas e fáceis.

Quase que dependemos dos relacionamentos de “sucesso” para conseguimos um propósito e sentido na vida. O amor apaixonado é aquilo que alguém sente geralmente por um parceiro/a impossível. De facto, é exactamente, por ser impossível que existe tanta paixão. Para que exista a paixão, terá de existir uma luta continua, obstáculos a ultrapassar e um desejo de obter mais do aquilo que é oferecido. Literalmente, paixão significa sofrimento, e frequentemente, quanto maior é o sofrimento maior é a paixão. A prioridade e a razão da felicidade gira em torno da conquista, da sedução, do romance, do flirt, do sexo. A intensidade emocional, de um caso de amor apaixonado não é comparável ao conforto mais subtil, de um relacionamento estável, de confiança e empenhado. Assim se o parceiro/a, finalmente recebesse por parte do alvo da sua paixão, que tão ardentemente deseja, o sofrimento terminaria e a paixão em breve se esfumaria. Nessa altura, provavelmente iria deixar de gostar dessa pessoa, porque a magoa doce-amarga teria desaparecido.

 A sociedade prepara-nos para o desafio da vida; adquirir a liberdade, autonomia e espiritualidade, (não religioso, sem dogmas e divindades), sem ser a “custa” de outra pessoa/, parceiro/a ou coisas materiais? Como é que aprendemos a amar, sem que a nossa propria identidade se dilua na dependencia do amor?