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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

O cérebro adicto

 

 

 Este excerto faz parte de um artigo impresso pela primeira vez na Harvard Menthal Health Letter , edição de Julho de 2004.

http://www.health.harvard.edu/newsletters/Harvard_Mental_Health_Letter

 

As dependência de drogas têm sido um problema persistente ao longo de centenas de anos, mas somente na ultima década, os cientistas compreenderam claramente alguns fatores importantes sobre a adicção: sabemos que provoca mudanças duradouras nas funções cerebrais que são difíceis de reverter. Na prática, isso significa que existem muitos cérebros afetados, quase 2 milhões de indivíduos dependentes de heroína e em cocaína, talvez 15 milhões de alcoólicos, e dezenas de milhões de fumadores de cigarros nos Estados Unidos. Qualquer que seja a solução à vista, será sempre extremamente complexa, entretanto sabemos muito mais hoje, do que há 20 ou mesmo 5 anos atrás, sobre os efeitos das substâncias psicoativas, vulgo drogas, geradoras de dependência no cérebro, assim como também podemos utilizar este conhecimento no tratamento e na prevenção.

 

“Porque é que o cérebro prefere o ópio aos brócolos?” A dependência foi designada desta forma por Steven Hyman, um ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental. A resposta envolve o núcleo accumbens, um agrupamento de células nervosas que se encontram abaixo dos hemisférios cerebrais. Quando um ser humano ou outro animal executa uma ação que satisfaz uma necessidade ou cumpre um desejo, o neurotransmissor chamado dopamina é libertado no núcleo accumbens e produz prazer. Serve como um sinal de ação para com o mecanismo da sobrevivência ou a reprodução, seja direta ou indiretamente. Este sistema é designado de via de recompensa. Quando fazemos algo que oferece essa recompensa, o cérebro regista essa experiência e estamos propensos a repeti-la novamente. Todavia, quaisquer danos nesta zona do cérebro e o abuso de drogas, que liberta dopamina, acabam por comprometer o funcionamento normal desta estrutura cerebral.

 

Na natureza as recompensas surgem após algum esforço e o seu efeito não é imediato, todavia, com as drogas as pessoas descobrem um atalho, sentem gratificação e prazer sem esforço e o seu feito é imediato. Isto é, o cérebro produz quantidades anormais de dopamina. Neste âmbito, o prazer não está a ser usado para a sobrevivência nem para a reprodução, por isso, a evolução não forneceu ao cérebro uma forma de se proteger. Assim a capacidade natural para produzir dopamina (sistema de recompensa no cérebro) é reduzida e a única forma de o cérebro cumprir as suas funções de libertação de dopamina é somente através do consumo de mais droga. O cérebro vai perdendo as suas funções e recursos a fontes de prazer menos imediatas e mais poderosas de recompensa. O dependente vai necessitando de doses mais elevadas e frequentes para obter a mesma sensação de prazer e bem-estar. Por vezes, a motivação do dependente para consumir drogas pode ser reduzida e/ou as drogas consumidas já não proporcionarem o prazer desejado, no entanto, a estrutura do cérebro responsável pelo prazer exige que sejam elas consumidas.

 

Memórias convincentes

As mudanças no sistema de recompensa por si só não podem explicar o fenómeno da adicção. Tal como afirmou, Mark Twain sobre o seu hábito de fumar, “Parar de fumar é fácil.”. Ele tinha feito inúmeras tentativas para interromper o consumo de tabaco. Muitos dependentes passam longos períodos de tempo sem consumir a sua droga de escolha, mas correm o risco de recaída, mesmo após anos de abstinência, mesmo quando o circuito de recompensa de dopamina teve tempo de suficiente para recuperar. Estas pessoas são vítimas de estímulos, designadas de reflexo condicionado.

 

Alterações nas ligações entre as células cerebrais induzidas por drogas estabelecem associações entre a experiência com a droga e as circunstâncias em estas que ocorrem. Estas memórias implícitas podem ser vividas/recordadas intensamente quando os dependentes estão expostos a qualquer lembrança sobre essas situações, tais como; estado de humor, situações, pessoas, lugares ou a própria substância. Um dependente de heroína pode estar em perigo de recaída quando vê uma agulha hipodérmica, um alcoólico quando se cruza com o bar/café onde ele costumava beber ou quando encontra um individuo que foi seu companheiro de bebida. Qualquer adicto pode retomar o hábito ou o estado de humor que ele utilizou para voltar a consumir drogas, seja através de um deslize ou de uma recaída. Ele nunca irá desaprender este comportamento. Uma única dose pequena da droga, em si, pode despoletar uma das recordações mais intensas. Tal como se diz nos grupos de ajuda mútua dos Alcoólicos Anónimos - "É a primeira bebida que faz ficar bêbado".

 

Comentário: a adicção é uma doença do cérebro, progressiva e cronica, não é um sintoma de outra doença ou patologia, eis alguns sintomas:

  • Tolerância: necessidade de consumo de quantidades crescentes de substâncias para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.
  • Síndrome da abstinência, vulgo ressaca: a substância psicoativa, vulgo droga de escolha ou outra, é consumida para aliviar ou evitar os sintomas desagradáveis e dolorosos da ressaca.
  • Perda do controlo: substância é frequentemente consumida por períodos mais longos do aquele que se pretende. O consumo é continuado apesar da existência de um problema persistente ou recorrente, provavelmente causado ou exacerbado pelo abuso da substância.
  • Incapacidade, apesar do desejo ou esforços persistentes, para diminuir ou controlar o abuso da substância. Qualquer atividade é abandonada ou diminuída em importantes atividades sociais, ocupacionais ou educativas.
  • Preocupação (Atenção): São despendidas grandes quantidades de tempo em atividades necessárias à aquisição, utilização e os seus efeitos. A doença é o assunto nº 1 na vida do individuo, as suas prioridades são: como obter a substância, o consumir e manter o efeito da substancia, no organismo, o mais prolongado possível e a gestão do stock.

Apesar deste texto se referir às substâncias psicoativas, um numero considerável de indivíduos com comportamentos adictivos, tais como o jogo, o sexo, furto, as compras, distúrbio alimentar apresentam algumas semelhanças no sistema de recompensa cujos comportamentos também comprometem o funcionamento normal do cérebro. 

Por exemplo, ao longo da minha experiencia profissional, observei indivíduos com comportamentos adictivos, em tratamento regime de internamento, por exemplo ao jogo e ao sexo, ao interromperem a atividade adictiva desenvolverem um conjunto de sintomas, físicos e psicológicos, associados e idênticos ao síndrome da abstinência, vulgo ressaca, também observado em indivíduos adicto a substâncias psicoativas, vulgo drogas.

 

Algumas curiosidades sobre o Modelo Minnesota (MM)

 

Durante a minha formação profissional tive o privilégio de estar presente numa das instituições mais reputadas do mundo, sobre o tratamento das dependências de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool, refiro-me obviamente a Hazelden Foundation (http://www.hazelden.org/)

 

Nesse sentido, decidi escrever este post de forma a revelar algumas das características do Modelo Minnesota; a sua génese, a filosofia e a sua história. Para os menos informados este modelo de tratamento é aplicado num regime de internamento residencial tratamento cuja duração é de 90 dias, aproximadamente.

Aproveito para enaltecer a dedicação e o compromisso de algumas pessoas genais  e visionários, durante o final dos anos 40, nos EUA, que dedicaram uma parte considerável das suas vidas a ajudar indivíduos a recuperar a sua dignidade e a recuperação da adicção. Lutando contra o estigma, a negação e a vergonha associados a esta doença.

 

Com este post não pretendo fazer uma abordagem completa e exaustiva deste modelo de tratamento, apenar pretendo salientar e revelar alguns detalhes sobre a sua historia e pessoas.

Para pensarmos no tratamento do alcoolismo e a génese do modelo Minesota precisamos de recuar até ao final dos anos 40, marcado pelo período pós-guerra (II grande guerra mundial), a segregação social, o tratamento do alcoolismo com uma forte vertente religiosa (evangelização) os asilos para doentes mentais e cadeias. Nesta altura ainda não existia o DSM, Manual de Diagnostico de Doenças Mentais, que só surgiu em 1952, nos EUA.

 

Modelo Minnesota “Uma abordagem evolucionária e multidisciplinar na Recuperação da Adicção.”  Jerry Spicer, Presidente Hazelden Foundation, Minnesota, EUA (1949 a 2011)

 

Génese – Instituições envolvidas (Minnesota Model)

1948 - Pioneer House (filosofia do tratamento dos Alcoólicos Anónimos, AA - http://www.aa.org/?Media=PlayFlash) era designado, na altura, como um clube/associação, onde surge o primeiro membro de AA e a primeira figura do Addiction Counselor (1949) como profissão, em colaboração com o Serviço de Saúde Publica de Minneapolis, EUA

1949 - Hazelden (filosofia do tratamento do AA)

1950 Hospital State Wilmar – departamento de psiquiatria (equipa de profissionais cuja abordagem ao tratamento foi inovadora contando também com introdução da filosofia do AA)

 

 

 

 

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha IV

Pequenos excertos de pedidos de ajuda recebidos por email, posteriormente, foi uma enviada resposta para a cada situação em particular.

Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio.  

 

A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me, obviamente, aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é  interrompido.

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade dos intervenientes.

 

"Chamo-me T. e a minha relação com o meu pai está, neste momento, está estagnada, já praticamente não falamos um com o outro. Optei por não responder a determinadas conversas (mas não sei se é a melhor opção). O meu pai foi ao medico, há uns dias, e foi-lhe diagnosticado  uma cirrose hepática, também por excesso de álcool. Sei que a minha mãe sempre foi infeliz. Acha que há alguma coisa que eu possa dizer/fazer que o vá ajudar? Sei que se as coisas não mudarem, não serei capaz de manter esta relação, sinto que estou sozinha. Preciso de ajuda, Obrigado."

  •  

‎"Chamo-me C. e o meu pai é alcoólico. Após algumas tentativas de desintoxicação, está novamente a beber. A minha mãe não consegue ajudá-lo e decidiu-se pela separação. Ele não acredita que ela concretize. Ela só quer que ele reconheça a necessidade de ajuda para uma nova tentativa de desintoxicação e uma vida sem álcool. Ele não aceita que está doente e mente convictamente dizendo que não bebe. Como o posso levar a perceber a sua doença?Ajude-me."

  •  

‎" Chamo-me M. e venho por este meio pedir ajuda em relação ao vício das drogas leves. Gostaria de saber o que preciso de fazer para me tratar. Sinto me doente e perdi a energia para fazer seja o que for. Consumo drogas leves há vinte anos, e cada vez mais, sinto que o meu corpo e mente, estão cada vez pior e quero mudar de estilo de vida. Tenho muito para viver e está a mexer em todos os níveis da minha vida. Obrigado"

‎"Bom dia, chamo-me L. e nunca imaginaria que tal coisa pudesse tomar proporções tão devastadoras e incapacitantes. Era eu, uma adolescente de 14 doloridos anos, perdida num mundo de inseguranças, medos irracionais e rejeições quando perdi toda e qualquer vontade de viver a vida, pois havia sido identificado a bulimia, que me consume todo o meu ser. Atualmente, os meus dias baseiam-se exclusivamente em comida, vómitos, exercícios, peso, dietas, calorias, pensamentos, balanças, dor, culpa, compulsividade. Preciso de uma orientação. Obrigado"

  •  

‎"Chamo me A e venho pedir ajuda, estou deprimida e não sei o que fazer à minha vida. Descobri no computador, no telemóvel e na conta bancaria do meu marido que ele é adicto ao sexo (pornografia, prostituição e outras coisas que tenho vergonha em falar). Estou casada há 25 anos e temos dois filhos maravilhosos. Ele apesar das evidências continua a negar. Estou desesperada, ajude-me, por favor."

  •  

Comentário: O silêncio disfuncional não o/a protege da doença da adicção, nesse sentido, peça ajuda. Tal como fizeram centenas de indivíduos e famílias resilientes que conseguiram alcançar a Recuperação e um novo modo de vida. Se identifica um problema, você não é o/a unica/o e não está sozinho/a.

 

 

 

Quando o amor não é suficiente

Veja os bastidores do filme "When love is not enough"1 que aborda a relação entre Bill W (Co-fundador dos Alcoólicos Anónimos) e a sua mulher Lois Wilson (Co-fundadora dos Al-Anon 2), com a participação do actor Barry Pepper "Bill W." e da actriz Winona Ryder "Lois Wilson". 

O filme retrata a relação, entre marido e esposa, extremamente afectada pelos efeitos do alcoolismo, durante a "Grande depressão", no inicio dos anos 30, nos EUA. 

 

Em 1999, a prestigiada revista - Time Magazine afirmou que Bill W. era considerado uma das 100 personagens do século.

 

Notas:

1. Tradução: "Quando o amor não é suficiente"

2. Al-Anon é a designação americana dos grupos de Ajuda-mutua que reunem as mulheres e familiares, dos indivíduos alcoólicos

 


 

 

 

 

O que é que aconteceu à felicidade da mulher?

Recue uns 40 ou 50 anos e imagine-se, como mulher, a viver nos anos do Portugal do Estado Novo. Nesse passado não tão longínquo, as mulheres casadas não podiam ausentar-se do país sem autorização escrita do marido e as enfermeiras não podiam casar. A gestão dos bens do casal, incluindo da mulher, pertenciam ao marido e numerosas profissões estavam legalmente vedadas às mulheres.

 

 

Hoje os tempos são outros e, comparativamente, a situação da mulher melhorou muito, mesmo que ainda haja muito a fazer culturalmente. As mulheres são mais independentes, têm mais direitos e liberdades, formam-se em maior número nas universidades, distinguem-se em diversas profissões e ascendem a lugares de adminstração ou cargos politicos.

 

 

Com estas mudanças, teriamos, assim, muitos motivos para ter elevados índices de felicidade nas mulheres, mas paradoxalmente tal não acontece. Segundo alguns estudos* de referência, desde a década de 70 que o nível geral de felicidade da mulher nos EUA e na Europa, tende a cair e acentua-se à medida que a mulher avança na idade, contrariamente ao do homem. Em Portugal, as mulheres trabalham mais e dormem menos, as doenças associadas ao estilo de vida e ao stress, assim como o consumo de tabaco e anti-depressivos tendem a aumentar.

 

 

O que é que aconteceu?

 

Podemos associar vários factores que comprometem a saúde e o bem-estar da mulher, tais como factores biológicos mais propensos à depressão, a sobrecarga de trabalho resultante da desigualdade na distribuição das tarefas domésticas e responsabilidades familiares, o dilema carreira - família, as exigências da educação dos filhos na sociedade actual, a pressão cultural para corresponder a padrões de beleza e de desempenho irrealistas, entre outros.

 

 

 


O problema não é o álcool, são as pessoas.

No seguimento das recentes declarações do Secretario de Estado Adjunto e da Saúde, nos meios de comunicação social, sobre a prevenção, direcionada aos jovens, afirmou,  tem “falhado tudo” considero revelante abordar a questão do álcool e das pessoas.

 

Nunca é demais, relembrar que a nossa cultura promove e incentiva o consumo/abuso de bebidas alcoólicas, em jovens menores de idade. Vejamos os resultados do estudo do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). De acordo com a referida notícia, no Jornal de Noticias, o estudo do IDT sobre o consumo de álcool, tabaco e drogas em meio escolar refere que os jovens portugueses começam a consumir álcool cada vez mais cedo, beber em maiores quantidades e a embriagarem-se mais vezes. Estes fenómeno, sobre os jovens beberem maiores quantidades e embriagarem-se mais vezes já motivo de investigação e medidas excecionais de prevenção, quer seja nos Estados Unidos da América (EUA) ou no Reino Unido há pelo menos dez anos ou mais, é designado de Binge Drinking (beber álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez). Em Portugal, não existe Prevenção, por exemplo em relação ao binge drinking. Até há data da publicação deste post, ainda é permitido por lei, aos jovens menores de idade, consumirem/abusarem de bebidas alcoólicas com a conivência dos políticos, dos tribunais, da ordem dos médicos e dos advogados.

 

Segundo o mesmo estudo, efetuado pelo IDT, 37% dos alunos com 13 anos (menores de idade) já experimentou beber álcool, numero que sobe para 90,8% nos jovens com 18 anos. Depois destes dados, pergunto:

Na minha opinião pessoal, estes números são apenas a ponta do iceberg. Em algumas zonas remotas do país, tipo aldeias, não existe controlo sobre este fenómeno.

 

Perante esta realidade constrangedora, o que é que se tem feito, nos últimos 5 anos, para prevenir este problema?

Quais são os custos para o Estado?

 

Com a crise económica e social, quais as instituições e profissionais, que monitorizam o fenómeno do abuso do álcool (binge drinking)e do alcoolismo, em Portugal? Neste período conturbado, as previsões apontam para um aumento do consumo do álcool.

 

 

 

Um dilema silencioso

- Sabia que o alcoolismo afecta o sistema familiar, incluindo as crianças, ao longo de varias gerações? Todos são afectados (avós, pais e filhos).

 

- Alcoolismo na família, incluindo as crianças. Possíveis consequências: Abuso físico, sexual e emocional.

 

- Algumas famílias afectadas pelo alcoolismo são incongruentes derivado à negação dos sentimentos (membros da família) e à posse de um ou mais segredos entre membros da família?

 

- Um alcoólico/a pode ser um individuo que seja: esposo, padre, politico, medico, esposa, advogado, psicólogo, professor, investigador, conselheiro, estudante, irmão, irmã, engenheiro, filho, filha, soldado, policia, actor, actriz, psiquiatra? Não precisa de beber todos os dias, de beber grandes quantidades de álcool e de ser agressivo.

 

- A grande maioria dos indivíduos que abusam de álcool considera que não precisam de ajuda para o problema com a bebida. Quantos portugueses precisam de ajuda para o problema com o álcool? Uma parte considerável deste fenómeno preocupante permanece "escondido" e negado.

 

- A Industria milionária e poderosa do álcool e os seus parceiros. Sabia que existem no mercado, bebidas alcoólicas cujo preço está ajustado em função do consumidor. Vendem-se bebidas alcoólicas, para indivíduos com idade acima dos 16 anos, em garrafões, garrafas, em pacotes e copos. Os preços baixos proporcionam uma maior oferta, potenciando a procura, desde os mais jovens aos mais idosos.

 

- Sabia que as crianças, filhas/os de pais alcoólicos, "carregam" para o resto das suas vidas adultas as consequências do alcoolismo? São adultos que receiam a intimidade, que negligenciam as suas necessidades básicas (amar e ser amado), baixa auto estima, não existe limites nos relacionamentos, são adultos que desenvolvem relacionamentos de intimidade disfuncionais.

 

- Visto o álcool ser uma substância psicoactiva, depressora do sistema nervoso central, alguns alcoólicos apresentam sintomas depressivos.  

Para um indivíduo que abusa do álcool, ou doente alcoólico e está em negação, você sabia que quando ele afirma que não tem um problema com o álcool não está a mentir? Sim. Porque para ele beber e estar sob o efeito do álcool, é perfeitamente legitimo e é um acto social. Faz parte da sua vida, visto ter uma relação especial com o álcool.

 

1. Você bebe álcool quando está zangado/triste?

2. O seu consumo de álcool interfere na hora de chegar ao trabalho?

3. A sua família está preocupada com o seu consumo de álcool?

4. Bebe álcool mesmo quando afirma, para si mesmo, que não o vai fazer?

5. Esquece de coisas enquanto esta embriagado/a?

6. Sente dores de cabeça e ressaca (mau-estar) depois de beber?

Se respondeu Sim a uma ou mais destas questões, peça ajuda pela sua saúde.

Vitimas do estigma, da negação e da vergonha

O alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal. Na minha opinião, é uma epidemia (doença), que assume proporções graves e é negligenciada pelas autoridades competentes; políticos, tribunais, ordem dos médicos, ordem dos psicologos, ordem dos advogados e comunicação social.
Quais são os custos económicos e sociais do abuso do álcool e do alcoolismo em Portugal? Não creio que existam estudos que respondam a esta questão. Quais as consequências para a família, incluindo as crianças inocentes? Não creio que existam estudos que respondam a esta questão. Cada caso um caso, convém recordar que por detrás dos números/estatísticas existem pessoas, incluindo as crianças, que assistem, impotentes, diariamente ao drama do abuso do álcool e do alcoolismo. Sabia que o abuso do álcool e do alcoolismo é um fenómeno transversal na nossa sociedade?

Existem mais óbitos associados ao álcool do que com o vírus da gripe mais letal. Quantas vítimas mais são necessárias para que as autoridades competentes e a sociedade civil despertem para este pesadelo realista? Caso você conheça estudos que contemplem estas questões, envie para o email: joaoalexx@sapo.pt. Bem haja

 

Pertencemos a uma cultura que bebe. Os números/vítimas não param de aumentar perante a passividade e o consentimento das autoridades (in)competentes. Os numeros divulgados neste blogue são apenas a ponta do icebergue.

 

2018

 

56. Noticia JN (16 de Junho 2018) Amarante - "Detido por agredir a mãe e obrigado a sair de casa. Jovem (28 anos) exigia dinheiro para sustentar vícios do álcool e tabaco."

55. Noticia TVI24 (07/04/2018) Marvão, Portalegre - "Militares da GNR apanham homem a bater na mãe, de 82 anos. Agressor está proibido de contacto com a mãe e obrigado à realização de um tratamento devido ao problema do alcoolismo."

54. Noticia no JN (07/04/2018) Ponte de Lima - "Preso homem por matar mulher alcoolizada. O Tribunal de Viana de Castelo condenou a 13 anos de prisão um homem que matou a mulher asfixiando-a com uma almofada (...) no momento em que esta se encontrava alcoolizada, o que aconteceu frequentemente ao longo dos anos." 

  • 2017

53. Noticia no JN (14/10/17) - Espinho, Paramos. "Agressão entre irmãos. Uma discussão entre irmãos (...) terminou com um a desferir golpes sobre o outro. Os cortes foram superficiais, pelo que a vitima não corre perigo de vida. O agressor, de 41 anos, com dependencia do alcool, agrediu o irmão, de 43 anos, com uma faca de cozinha dentro da habitação."  

52. Noticia no Porto Canal (25/09/2017) Arcozelo. "Homicidio em barcelos ocorreu num quadro de droga e alcool. (...) Segundo a fonte o agressor e a vitima partilhavam um barraco numa quinta eter-se-ão desentendido na noite de domingo. No meio da discussão a vitima terá sido esfaqueada acabando por morrer."

  •  2016

51. Noticia no JN (07/12/16) Vila Verde. "Agressor da mãe aceitou tratar-se. Luís, 40 anos, sofre de alcoolismo, aceitou fazer um tratamento, incluindo ser internado, para não ser preso três anos e meio por agredir a mãe. O arguido, foi acusado de agredir a propria mãe, entretanto falecida, a quem furtava galinhas para vender e com o dinheiro consumir bebidas alcoolicas."

  •  2015

50. Segundo o Instituto Nacional de Estatística refere que, em 2014, foram registados 89 mortes devido ao abuso do álcool - 20,2% em Lisboa e 8,o% Porto. A idade media do óbito para esta causa de morte foi de 63,1 para os homens e 65,8 para as mulheres.

49. Noticia no JN (12/4/15) Linda-a-Velha - "João Pedro está indiciado pelo homicídio do filho Henrique de seis meses". De criança "adorável" a homem "violento". Segundo alguns testemunhos "O álcool constituía o maior problema. Era violento quando bebia. Quando bebia ele perdia-se completamente."

48. Noticia no JN (10/1/15) Guimarães - "Atropelado depois de beber 4 bagaços. Um homem com 64 anos morreu atropelado (...) na via rápida que liga as vilas de Brito e Pevidém. A dona do café, onde o homem almoçava e jantava todos os dias, recorda-o como boa pessoa, apesar do vicio do álcool"

  • 2014 ( 5 vitimas)

47. Noticia no JN (20/12/14) Ílhavo - "Mãe confessa ter bebido uma garrafa no carro. Foi ontem a tribunal a mulher que conduzia alcoolizada com os quatro filhos - de dezassete, oito e quatro anos e um de cinco meses."

 

46.  Noticia no JN (25/09/14) Guimarães - " Alerta foi dado pela empregada de limpeza do prédio no bairro social. Homem viva sozinho e tinha problemas de álcool. Um homem de 50 anos estava há 15 dias morto em casa. O corpo estava em decomposição avançada. Cirrose matou-o."

 

45. Noticia no JN (23/08/14) Aveiro - "Bêbado abusava da filha menor. Libertado por juiz de instrução criminal após ser ouvido no DIAP. Quando estava embriagado, um homem de 50 anos, abusava da filha, menor de idade. O caso aconteceu no seio do ambiente familiar, em casa,  e veio a ser descoberto por outros membros da família, que denunciaram o pedófilo às autoridades."

 

44. Noticia na TVI24 (19/06/14) - Aveiro - A Polícia Judiciaria de Aveiro anunciou esta quinta feira a detenção de um homem, de 47 anos, suspeito de ter ateado, na passada quarta feira, um incêndio na casa onde residia com a mãe, em Anadia. « O suspeito , a residir em casa da mãe, com um quadro de forte alcoolismo e outros problemas psiquiátricos, ao inicio da noite, presumivelmente utilizando um isqueiro, etrá iniciado um foco de incêndio no quart onde se encontrava (...)»

 

 

43. Noticia no JN (19/01/14) - Porto - "Corpo de António R. estava há três semanas por reclamar. Falecera no Hospital de Santo António, trazido de emergência da pensão onde fora instalado pela Segurança Social, e ali continuava à espera de quem o reclamasse. António R. tinha 61 anos e era dono de uma vida desregrada pelo álcool (...)"

  • 2013 (12 vitimas)

42. Noticia no JN (02/11/13) - Valongo - "Alcoólico doente morreu ao cair da ponte pedonal. Era um alcoólico conhecido em Valongo o homem de 40 anos que anteontem, às 18.45 horas morreu (...). David M. (...) foi muitas vezes recolhido pelos bombeiros na rua, derrotado pelo alcool."

 

41. Noticia no JN (27/09/13) - Monção - "Antiga locutora de rádio morta em casa devoluta. Mulher tinha problemas de alcoolismo e vivia há varios anos como sem-abrigo."

 

40. Noticia no JN (24/09/13) - Aveiro - "Perdi a cabeça e espanquei-a. Ela era alcóolica. (...) O casal vivia num quadro de violência, álcool e droga. (...) Com um pau Carlos desferiu-lhe varios golpes em todo o corpo, principalmente na cabeça e no pescoço."

 

39. Noticia no JN (18/09/13) - Alvaiázere (Leiria) - "Matou a tiro ex-mulher a o novo namorado. (...) Um autarca local ouvido pelo JN, que pediu para não ser identificado, diz que «para perceber o crime é preciso ter em atenção o facto de se tratar de uma família desestruturada, com alguns elementos a sofrerem de atraso cognitivo e/ou problemas de consumo excessivo de alcool.»

 

38. Noticia no JN (16/07/13) Loures - "Josefina foi morta pelo marido. O casal já se tinha separado uma vez, devido a zangas ligadas ao álcool, mas Josefina voltara." Segundo um amigo do casal afirmou "Ele tomava uns comprimidos, não sei porquê, mas sei que ele era bom homem."

 

37. Noticia no JN (07/07/13) Moita - "Ligue à GNR e diga que matei a minha mulher. A luta por uma garrafa terá levado A. de 60 anos, a matar a mulher, de 49 anos. Há muito que o casal viva em conflito. Nelita era vista com frequência completamente alcoolizada e a vaguear pelas ruas."

 

36. Noticia no JN (25/06/13) Estarreja - "Pai detido por álcool socorrido na GNR por filho bêbado. Detido por conduzir com uma taxa de álcool no sangue superior a 1,20 grama de álcool por litro no sangue (g/l) e depois de ameaçar e injuriar militares da GNR, um homem de 53 anos, telefonou ao filho a contar o sucedido (...) O filho de, de 32 anos, pôs-se de imediato ao volante do carro que conduziu até ao posto da GNR par auxiliar o pai. Mas esqueceu-se de um facto: também estava alcoolizado. Acabou igualmente detido, após acusar uma taxa de 2,43 g/l no teste de alcoolemia." 

 

35. Noticia no JN (16/05/13) Braga - "Matou  marido à facada e quis suicidar-se um dia depois. As discussões e agressões entre ambos eram constantes por causa de problemas de alcool." Este casal tem um filho de 10 anos que foi retirado  pela Segurança Social "O menino vive com a tia".

 

34. Noticia no JN (10/05/13) Amarante - "Pegou fogo à casa e foi beber vinho para o café. As autoridades reuniram 13 queixas de violência domestica que a vitima foi fazendo ao longo dos 24 anos que leva de casamento." "Ele não trabalha, quer que eu lhe dê o dinheiro. Nós vivemos do abono do meu filho e do dinheiro que vou ganhando a coser sapatos em casa. Na semana passada, recebi 150 euros do Rendimento Social de Inserção, gastou-o todo em vinho."

 

33. Noticia no JN (16/3/13) Cinfães - "Matou o pai por não o deixar beber vinho. Mãe assistiu ao crime e diz que teve de fugir para não ter o mesmo fim que o marido. O meu filho bebe muito e não ajudava em casa."

 

32. Noticia no JN (13/3/13) Barcelos - "Mulher levou a filha à escola com 2,85 de alcoolémia. PSP de Barcelos intercepta, condutora de 30 anos, com taxa crime de alcoolémia às 9 horas da manhã." Taxa máxima permitida por lei - 0,5. O risco de envolvimento em acidente mortal aumenta duas vezes a partir da taxa máxima permitida por lei e a partir da taxa considerada crime (1,2) o risco de acidente mortal aumenta 16 vezes mais.

 

31. Noticia no JN (30/01/13) Paços de Ferreira – “Dez anos para jovem que matou cliente” De acordo com a notícia este jovem matou uma pessoa “ao tentar socorrer a patroa da agressão de um cliente…” No dia do crime a vitima mortal tinha um valor elevado de alcoolemia no sangue (2,99). O jovem empregado estava proibido de servir bebidas alcoólicas à vítima, que não sendo atendido, “terá desatado a partir cadeiras.” Mais tarde a patroa do jovem e a vítima envolveram-se em confrontos, foi nesta altura que o jovem agarrou numa faca a espetou-a no ombro da vítima que faleceu no local.

 

Nota: Só para você ter uma ideia do elevado nível de alcoolemia da vítima (2,99) podemos comparar com o limite permitido por lei em relação aos condutores de viaturas 0, 50. 

 

 

30. Noticia no JN (06/01/13) S. Pedro do Sul "Amigos atropelados na estrada em que estavam deitados." Segundo um conhecido afirmou "Muito animados após beberem uns "copitos". Outra pessoa conhecida fez referencia a uma das vitimas "Era bom rapaz, mas coitado, gostava de pinguita"

 

  • 2012 (23 vitimas)

 

29. Noticia no JN (01/11/12)  Sertã “Assassinado por dizer mal de namorada de colega. Um individuo cabo verdiano, de 34 anos, não gostou nada das bocas que ouviu sobre a sua namorada e, após uma troca azeda de palavras, que terá sido agravada pelo álcool, esfaqueou mortalmente um português, de 47 anos.”

 

28. Noticia no JN (27/10/12) Mira Sintra “Discussão sobre um copo de vinho estará na origem de homicídio. Morto com um golpe de tesoura. Os moradores garantem que a casa não tinha agua nem luz e que os quatro moradores, em ocupação definida, eram conhecidos por estarem frequentemente alcoolizados.”

 

27. Noticia no JN (21/10/12) - Alvor - "Bêbada mata amante com um fio elétrico. A agressora telefonou para a GNR de Alvor,(....) para participar uma ocorrência de violência domestica, mas acabou por confessar aos guardas, no local, que tinha morto um homem. A agressora estava alcoolizada e os militares suspeitam que tivesse usado estupefacientes."

 

26. Noticia no JN (13/10/12) - Marco de Canavezes - "Matou o marido bêbado que a queria asfixiar. As discussões entre o casal eram diarias e não passavam dois ou três dias sem haver violência entre o casal. (...) António e a mulher envolveram-se num confronto físico  na presença dos dois filhos menores, com 13 e 14 anos." Este caso aconteceu a 3 de Fevereiro de 2011 e encontrava em fase de julgamento no tribunal.

 

 25Notícia no JN (09/09/12) Estarreja - "Pedreiro esfaqueou idoso que o criou e foi detido. (...) em Pardilhó, as ameças, roubos e danos de D. à família Silva não são novidade, ainda que causem alguma estranheza, já que o pedreiro foi acolhido e criado pelo casal desde os seis anos. Ele quando bebe fica agressivo e já fez muito mal. Há meses esfaqueou um GNR" contam A. L. e R. S."

 

24. Noticia no JN (30/06/12) Coimbra - "Guerra entre dois grupos rivais acaba com homicídio de um homem. Vitima: Jorge (nome fictício). desempregado, mais conhecido pelo O Garrafão, vivia com o irmão, também toxicodependente, em casas abandonadas. Pontualmente, trabalhava na construção civil." De acordo com pessoas conhecidos afirmavam "O Zé metia-se nos copos e a na droga, vivia em casas abandonadas, mas não fazia mal a um mosca"

  

23. Noticia no JN (06/06/12 Matosinhos - "Lésbica agredia companheira quando estava bêbada"De acordo com os relatos da vitima, na mesma noticia. Arguida volta diariamente a casa onde houve agressões para almoçar "Há dois anos que continuávamos a viver juntas, mas já não tínhamos uma relação amorosa. Quando ela bebia ficava descontrolada. Uma vez ameaçou-me com um taco de basebol e uma garrafa de cerveja."

 

22. Noticia no JN (25/04/12) Vieira do Minho - "Suspeito de matar irmão com quem dividia mulher. Um dos suspeitos do homicídio é o próprio irmão(...). Viviam com a mesma mulher, num cenário de miséria e violência agravado pelo álcool. Ambos com cadastro por atos violentos e com forte dependência do álcool que se exteriorizava em caracteres agressivos" Segundo os vizinhos, "Eram bons moços e até trabalhavam, mas o vinho dava cabo deles" Com a agravante e de acordo, com a referida a noticia "A mulher, P., com duas filhas que a Acção Social de Vieira do Minho lhe retirou(...)"

 

21Noticia no JN (28/02/12) Vagos - "Alcoolizado suspeito de incendiar a própria casa. As ameaças de C.Z., de 48 anos, conhecido por problemas de alcoolismo, agressividade e desavenças familiares, já eram antigas. Bate na família e ameaçou matar alguns com uma espingarda. Já disse à mulher "Vais ter um desgosto. Ainda hei de ver te a pedir esmolas pelas portas" contou ao JN um familiar."

 

20. Noticia no JN (18/02/12) Beja - "Bêbado era um terror. Segundo os vizinhos era brincalhão e educado, mas quando estava com os copos desviavam-se dele. Bêbado era um terror." As vitimas foram: a mulher, a filha e a neta. O individuo acabou por cometer o suicídio na cadeia.Noticia no JN (19/02/12) referente ao mesmo caso. "Relatório medico já apontava doença e álcool e aconselhava acompanhamento. Tratamento a homicida de Beja recusado há 20 anos.Violência e álcool começaram após guerra na Guiné"

 

19. Noticia no JN (08/02/12) Montemor-O-Velho - "Discussão por causa de boleia acaba em morte. Problemas com a bebida. O falecido era pessoa conhecida na zona por beber em excesso e, de acordo com um familiar directo, criar problemas e inimizades nos cafés por onde passava. "Era um infeliz.Levava porradinha que dava pena. Quando estava com os copos ninguém o aturava."

 

18.  Noticia no JN (23/01/12) Viseu - “Assassinado à facada pela companheira. O crime terá ocorrido num quadro de violência doméstica e alcoolismo. Segundo uma testemunha, as discussões entre casal eram habituais por causa do álcool”.

 

17.  Noticia no JN (19/01/12) Aveiro - “ Bateu na mulher, baleou cunhado e suicidou-se. Chegou a casa embriagado, causando cena de violência que terminou em tragédia.”

 

16. Noticia no JN (17/01/12). "Um terço dos mortos tinha álcool no sangue. Quase metade das vitimas mortais (41,2%) resultantes de acidentes de viação, em 2010, encontravam-se sob o efeito de álcool e 31,1% apresentavam níveis superiores a 0,5 - limite permitido - revelou o Instituto de Medicina Legal"

 

  • 2011 (15 vitimas)

 

15. Noticia no JN (16/12/11) "Famalicão - Fogo mata homem na cama. Foi encontrado sem vida, assim como dois cães que lhe faziam companhia. Ele fumava muito e, por vezes, abusava do álcool, garantiram alguns vizinhos."

 


14.
 Noticia no JN (12/12/11) "Santa Maria da Feira - Amigos lamentam morte de Carlinhos. Vitima de duplo atropelamento que ocorreu ao final da tarde. Há muito que amigos e família temiam um desfecho trágico para Carlos Manuel. Os copos deram cabo dele. Bebia e andava pelas ruas."

 

13. Noticia no JN (23/11/11) “Tarouca – Alcoolizado ateou fogo à própria casa. Mulher e filho de cinco anos estavam em casa de familiares”

 

12. Noticia no JN (14/11/11) “Tondela – Queimado e assassinado por amigo dos copos. Espancado e queimado na lareira de um barracão isolado, homem acabou por morrer na noite de anteontem, a caminho do hospital.”

 

11. Noticia no JN (31/10/11) “Acordou bêbado a pensar que tinha matado a mulher. O casal tinha ido jantar a casa de uma filha (…) mas o homem abusou do álcool. A mulher farta de o aturar acabou por deixar na rua e foi dormir a casa de uma vizinha. O homem adormeceu onde estava e ao acordar entrou em pânico por não ver a mulher e pensou que tivesse assassinado e resolveu avisar a filha”

 

10. Noticia no JN (30/10/11) “Amarante – Trolha esfaqueado pelo ex-cunhado numa emboscada. Questões antigas mal resolvidas à mistura com algum álcool pode ajudar a explicar o crime.”

 

9. Noticia no JN (29/10/11) “Povoa do Lanhoso – “Aterroriza restaurante por não poder fumar. Sacou de navalha, ameaçou clientes e insultou padre. Ele é bom rapaz e trabalhador, mas com um copito a mais não se controla.”

 

8. Noticia no JN (28/10/11) “Tarouca – Repudiado após 20 anos na cadeia. População tem receio de homem que em 1991 matou a mulher. Quanto ao consumo do álcool, que não nega, justifica prontamente: Se deixar de beber fico doente.”

 

7. Noticia no JN (23/10/11) “Guimarães – Feriu a tiro o filho que defendia a mãe. Um homem de 35 anos, foi baleado pelo próprio pai quando interveio numa discussão em defesa da mãe. Depois de disparar o pai alcoolizado fugiu e acabou por se entregar, ontem, na esquadra da PSP”

 

6. Noticia no JN (20/10/11) – “Aveiro – Medico detido pela PSP por agredir a mulher.” Segundo a noticia o medico fez quatro tratamentos de desintoxicação alcoólica e tentou três vezes o suicídio. Os seus crimes de violência domestica, muitos deles na presença da filha menor de 12 anos, ocorrem desde 2009.”

 

5. Notícia no JN (18/10/2011) “Tábua - Morto à facada por mulher a cair de bêbeda. Discussão por causa de lixo terá estado na origem do crime. Homicida não se lembra de nada. A filha e o seu companheiro assistiram à cena de violência. 

 

 

4. Notícia do JN (17/10/2011) "Abação – Guimarães. Pedida pena suspensa para jovem que matou o padrasto para defender a mãe. Na altura do incidente o homem, de 54 anos, tinha uma taxa de alcoolemia de 2,93"  Nota: Só para ter uma ideia a taxa de alcoolemia limite legal para condução de veículos é de 0,5.

 

3. Notícia do JN (5/10/2011) "Idoso matou a mulher a tiro na rua e suicidou-se". Testemunhas afirmaram "Era uma pessoa que levava um vida desafogada, sem qualquer tipo de problema económico, tido pelos vizinhos como pessoa simpática mas a quem reconheciam apenas um defeito: a bebida"

 

2. Noticia no DN (16/9/2011) "Matou o amigo que o esfaqueou". Segundo a notícia o conflito "...começou durante a tarde quando começaram a dizer que a família de um era melhor do que a do outro...", algumas testemunhas afirmaram que eles estavam "...com um copito a mais"

 

1. Notícia do DN (17/9/2011) "Imolou-se por não aceitar a separação" Segundo a noticia este indivíduo ateou fogo a si próprio, e à sua casa por não aceitar a separação da mulher." Segundo algumas testemunhas a origem deste comportamento terão estado problemas conjugais e "Ele é muito bom rapaz, mas o problema dele são os ciúmes e beber muito"

 

 

 

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte II

 

(continuação)

 

Redescobrir a Vida para além da negação e da culpa – Recuperação

 

Quando me refiro ao termo Recuperação (mudança de estilo de vida) aplica-se, não só ao alcoólico, mas a todos os membros da família, incluindo as crianças. Torna-se imperativo identificar e desmantelar a “regra do silêncio”. Enfrentar e lidar construtivamente com o sistema disfuncional dos sentimentos intensos ou reprimidos (a negação, o trauma, a culpa e vergonha, a rejeição e a inadequação, o isolamento, medo e o ressentimento, a ansiedade e a depressão) que comprometem seriamente a hierarquia familiar.

 

Abdicar de atitudes e comportamentos “extremistas”, disfuncionais (erros cognitivos, relacionamento de amor ou ódio) e aprender a viver nas “zonas cinzentas” – novas aptidões cognitivas e do comportamento ex. ser flexível, espontâneo/a, assertivo/a, sentido critico construtivo, honestidade, focado nas soluções em vez de nos problemas, auto estima, responsabilidade e entrega. Não existem relações nem pessoas perfeitas. Em recuperação a família aprende a confiar e a ser autónoma renunciando viver codependente dos outros.

 

Por vezes observo que a “ovelha negra” é aquele membro da família que consegue adoptar atitudes e comportamentos mais saudáveis e equilibrados. Parece reger-se por um diferente conjunto de regras – resiliência. É importante desenvolver novos relacionamentos que funcionem como um “espelho” ou uma referência. Reaprender novas rotinas e crenças (a falar, a confiar e a sentir) em conjunto com outras pessoas. Isto acontece principalmente em Grupos de Ajuda Mutua dos 12 Passos.

 

Mais uma vez, gostaria de reforçar a importância das emoções e dos afectos. Fazem parte do todo complexo (corpo, mente e espírito) é necessário identifica-las (Eu sinto…) monitoriza-las e cuidar delas com amor e respeito. Adquirir talentos cognitivos na gestão das emoções intensas e/ou evitar reprimir. Não se pode ser feliz abafando uma parte viva e criativa do nosso ser. É ok sentir raiva, medo, frustração e insegurança e cometer erros. Por vezes, é ok perder o controlo. Experimente passar o “volante do carro” para as mãos de outra pessoa de confiança e deixar-se levar, usufruindo e gozando a liberdade de escolha e entrega. Um dia de cada vez.


Segundo Tian Dayton, Ph.D é preciso ensinar os membros da família a desenvolverem competências que os ajudem a tolerar “emoções fortes e intensas” sem que necessitem agir nelas (acting out). É preferível falar sobre o que se está a sentir (emoções intensas) naquele momento, através de uma plataforma de entendimento, em vez de explodir ou implodir.


Proponho um desafio. Objectivo: “quebrar a regra do silêncio”. Se você se identifica com algo neste texto siga a minha sugestão: Fale com alguém de confiança sobre os seus sentimentos. Se desejar pode enviar para joaoalexx@sapo.pt relatos ou experiencias significativas escritas associadas a ambientes familiares disfuncionais associados ao alcoolismo. Atraves do seu exemplo em "quebrar a regra do silencio" outros seguiram o mesmo caminho. Recuperar É Que Esta a Dar