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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Tratar as famílias em primeiro lugar em vez dos dependentes

Nalguns casos, a família (membros de família) precisam de maior apoio profissional que o adicto a substãncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool, e/ou ilícitas, jogo, compras e sexo, que não quer receber ajuda, que a família dispõe, para se tratar.

Esta é uma das áreas do meu trabalho que mais me fascina por um lado e que mais tenho investido por outro.

 

Como é que a familia pode contribuir para a progressão da adicção?

As consequências negativas da adicção são na maioria dos casos minimizadas, negligenciadas e ignoradas por todos, incluindo os profissionais. Existe tratamento e apoio para os dependentes de substâncias psicoactivas e alcoólicos. E para as suas famílias, incluindo as crianças? Individuos desestruturados emocionalmente e abusados, em alguns apresentam sintoma de perturbação de stress pós-traumatico, vitimas da adicção activa.

Na mesma família, existem indiviudos diferentes e semelhantes na organização (papeis) e estrutura (valores), nas dinâmicas de poder construtivas e/ou negativas, em segredos e no abuso, nas crenças e tradições, sentimentos de amor incondicional e amor dependente e disfuncional.

Quando um e/ou vários membros da família desenvolvem um problema de adicção (ex. drogas e/ou álcool, jogo patológico, sexo, trabalho patológico, comida) todos os membros da família são afectados, negativamente (física e emocionalmente), sem excepção, incluindo claro, as crianças visto não possuírem recursos para se protegerem. Recordo um pai que exclamava, numa das minhas palestras/sessões de domingo do Programa de Família, em Castelo Branco, “João, o meu filho tem um problema sério e isso tem afectado toda a nossa família. Faz lembrar a fruteira da cozinha lá de casa, com meia dúzia de maçãs que quando uma fica podre, passados uns dias todas ficam intragáveis...Nesta família estamos assim ”

Atitudes positivas e motivadoras vs. pensamentos derrotistas irracionais

Por vezes, fruto do nosso passado (familia de origem) desenvolvemos, ao longo da vida, crenças familiares disfuncionais e/ou relacionamentos com pessoas significativas abusivas capazes de potenciar o fracasso e a rejeição, por ex, Não és merecedor..., Não és capaz..., Os outros são melhores que tu...., Não vais conseguir..., Se mostrares quem és os outros não vão gostar de ti.... O sofrimento e a frustação vão tornar-se insuportaveis e não irão passar, nunca "Estou doido/a, devo ser diferente ". Este padrão de crenças negativas podem bloquear o desenvolvimento do nosso potencial (competencias e habilidades), como seres humanos espirituais, não religioso sem dogmas e divindades. 


Pensamentos derrotistas irracionais reforçam o negativo, conduz ao perfecionismo (padrão rigido de pensamento) e ao impossivel, antecipando cenarios/situações catastroficas. Vivemos o medo/ansiedade, por antecipação, e acreditamos nesses mesmos medos irracionais. "

Algumas pessoas afirmam, resignadas e passivas, "Não vale sequer a pena tentar, porque não vou ser capaz. Isto não vai passar."

O que é que pode fazer hoje para mudar de atitudes e comportamentos derrotistas?

Só por hoje
:

Pode valorizar a gratidão, e fé e a esperança.

Pode sentir orgulho da honestidade e da autenticidade. Você é livre, nesse sentido possui a liberdade de escolha para arriscar e sonhar.

Pode sentir as emoções (positivas e/ou as dolorosas) e valorizar a capacidade de estar em sintonia/equilibrio com o Eu interior (sentimentos, ambições, valores e crenças positivas).

Você é um ser unico e excepcionalmente valioso. Ninguem pode enfrentar os seus "fantasmas" e fazer esse trabalho por si.

Pode sonhar "acordado" e acreditar que o impossivel não existe.

Pode definir metas/planos e objectivos de vida.

Pode ter um proposito e um sentido no dia-a-dia (familia, trabalho, amizades, comunidade, hobbies, etc).

Pode arriscar só por hoje... O não está garantido! O que pode acontecer é vencer o medo irracional que o bloqueia. 

Pode mudar...mudando pequenas coisas (palavras, rotinas, atitudes e comportamentos).

Até o ninho estar pronto o passaro tem imenso trabalho...todavia, dia-a-dia vai fazendo aquilo que lhe compete e sabe fazer. Sem ansiedade, sem medo de falhar, sem querer atingir a perfeição, sem competir cegamente. Se o ninho é destruido pela tempestade ele retomará o seu trabalho com mesma motivação. Um dia o ninho estara terminado

 

Compras / Gastar dinheiro compulsivamente

 

"Não são somente as pessoas com comportamentos adictivos à comida, jogo e/ou substâncias psicoactivas ilícitas que se confrontam com questões serias a nivel financeiro e económico, muitas pessoas encontram dificuldades quanto à forma como gerem e gastam (tomam decisões) os seus recursos financeiros. Gastam para além das suas possibilidades. Podem ter tendências para comprar/gastar de uma forma impulsiva, comparar preços e/ ou produtos de uma forma obsessiva e sentirem-se culpadas, por causa da sua baixa auto estima, por comprarem artigos para si próprias, ex. “Não mereço comprar aquilo para mim.” ou sentir pânico se encontrar um artigo/produto idêntico aquele que compraram no dia anterior numa loja. Este tipo de comportamentos podem não ser necessariamente adicção mas revela-se urgente, fazer alguma coisa construtiva e saudável, de forma interromper e inverter este tipo de atitudes e comportamentos disfuncionais.

A Adicção
Todavia, o limite pode ser ultrapassado, quando existe a tendência impulsiva para gastar/comprar ou a obsessão de gastar dinheiro, entra-se no domínio dos comportamentos adictivos. Tal como qualquer outra adicção existem sinais ou sintomas, tais como por ex. perda de controlo, desonestidade, sentimento de culpa ou um desejo intenso (luta/batalha interior) para manter os comportamentos e atitudes sob controlo.

 
Gastadores compulsivos (shopaholics) referem comportamentos e atitudes semelhantes a outro tipo de adicções: por ex. baixa auto estima, comprar coisas para se sentirem melhor consigo próprio, expectativas altas quanto à relação com os pais e/ou maridos/mulheres (procurar a atenção, ser o centro das atenções), dormência emocional (ex. reprimir emoções) ou falta de assertividade.
 

Addiction-nary” - Jan R. Wilson e Judith A. Wilson

http://www.debtorsanonymous.org/

Comentario: Em Portugal este fenomeno da adicção às compras ainda é desconhecido, apesar das evidências. Tem sido divulgado, quase diariamente, nos noticiários sobre o aumento do endividamento dos consumidores em Portugal acompanhando uma mudança de hábitos de consumo que reflectem uma alteração de comportamentos culturais e sociais. Todos queremos ter um apartamento, um carro ultimo modelo, um telemóvel topo de gama, as roupa de marca, um computador portátil “xpto2, uma TV, um Mp3 etc. e a lista continua. Qual é o preço desta “factura mensal alta” no nosso sistema de valores morais e na qualidade de vida?

Num relatório publicado recentemente sobre o consumo de ansioliticos e anti-depressivos, em Portugal, um dos motivos que justificam o nível elevado de consumo destes produtos, é o endividamento.

Sabemos que o endividamento excessivo, é um fenómeno transversal à sociedade portuguesa afectando quer os consumidores de fracos recursos quer os de recursos elevados. Todas classes sociais podem ser afectados por este fenómeno.

Sabemos que a publicidade ao crédito é extremamente agressiva, apelativa e desresponsabilizante. É fácil ter dinheiro. Basta ir a uma instituição de credito. Entramos com recursos precários e saímos uns “vencedores” com dinheiro na conta. O que mudou nas nossas atitudes e comportamentos perante o endividamento? Sabemos que hoje, também em virtude da utilização dos cartões de crédito, os consumidores não têm apenas dois empréstimos, o do carro e o da habitação, mas seis ou sete em simultâneo.

http://www.consumidor.pt/portal/page?_pageid=34,1&_dad=portal&_schema=PORTAL

http://www.iseg.utl.pt/

 
A adicção às compras é normalmente um tipo de adicção à excitação, as alterações bioquímicas, no cerebro (estrutura do cerebro responsavel pela recompensa), despoletadas pela antecipação, o medo e uma sensação de alivio temporário de outro tipo diferente de problemas, por ex. emoções dolorosas. Gastar dinheiro passa a ser considerado uma prioridade, que interfere com outras actividades profissionais, ludicas, familiares, e um preocupação diaria (fixação): perda do controlo

Roubar artigos nas lojas de comercio.
Numa fase agravada e avançada da adicção às compras os adictos roubam produtos em lojas. Pode-se começar por furtar algo que seja necessário, porque naquele momento não existe dinheiro disponível. Todavia o medo e a excitação (risco) são altamente estimulantes, adopta-se um “status” e um padrão adictivo (entra-se nos estabelecimentos já com o intuito de roubar algo). Os adictos a drogas e ou bulímicos após terem despendido somas significativas na sua adicção (drogas ou comida) esgotam os seus recursos financeiros e quando desejam algo roubam nas lojas. Se o roubo em lojas se torna mais do que um meio de obter as drogas ou comida será necessário tomar medidas especificas, visto despoletar comportamentos adictivos, isto se o objectivo desejado for a recuperação da adicção.

A Recuperação da adicção às compras
Para iniciar a recuperação é importante interromper o comportamento problema e a lógica adictiva. É urgente pedir ajuda profissional. Outro recurso, pode ser envolver-se em grupos de ajuda mutua e trabalhar o programa dos Doze Passos dos Alcoolicos Anónimos. É necessario enfrentar a ambivalência e “travar” o padrão repetitivo e compulsivo de gastar dinheiro.
Para recuperar é preciso optar. Será muito difícil, continuar a gastar dinheiro de uma forma compulsiva e ao mesmo tempo, não haver criterios instituidos para uma gestão correcta e responsavel dos recursos financeiros (por ex. orçamento mensal, despesas diarias, ordenado, cartão de credito). Podemos acrescentar que a adicção também afecta a relação de confiança com a família, incluindo as crianças (por ex. crises conjugais, separação e/ou divórcio, neglgênciar a educação das crianças). Se o adicto continuar a comprar coisas de forma a evitar as emoções dolorosas, será preciso identificar quais os mecanismos psiclogicos que interferem na sua autoestima, autonomia, relações de intimidade, isolamento, vergonha e sentimento de culpa. 

Drogas e Adicção Cruzada



 


Existem drogas para todos os gostos e preferências. Umas drogas servem para relaxar, outras para dormir, outras para ficar mais activo, mais produtivo e "fecundo" (ex. trabalhar), outras servem para se divertir (ex. dançar ou conviver com o grupo de pares), outras para não comer (inibidores do apetite), outras para melhorar a actividade e resistência física, etc. Umas naturais, outras sintéticas.
Na minha opinião, não existem drogas leves nem drogas duras. São todas drogas cujas especificidades não devem ser menosprezadas nem embelezadas com bonitos e apelativos rótulos como por exemplo se faz com as bebidas alcoólicas e/ou com as drogas leves ou pesadas. Na sua generalidade, todas fornecem altos níveis de bem-estar, alivio, recompensa, gratificação imediata e profunda no ser humano, umas mais outras menos quer seja físico, mental e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades. Afectam a maneira como nos sentimos, como pensamos e como agimos. Quem nunca se sentiu tentado, pelo prazer proibido ou através do “atalho” quando estamos desconfortaveis e inadequados em contextos sociais?!

Ao longo da minha experiência, não existem adictos que consumam substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas,  cujo efeito dessas mesmas drogas, após a sua ingestão o efeito surga passado 24 horas. Não! O individuo que consome drogas procura o efeito instantâneo, de preferencia intenso e forte. Esta experiencia para algumas pessoas é altamente gratificante e libertadora, de tal maneira, que o desejo de voltar a sentir a mesma experiência tende a repetir mais vezes. Todavia, ninguém fica adicto de drogas de um dia para o outro. Os comportamentos adictivos (adicção) são parte de um processo (comportamentos repetitivos) e de um complexo sistema de factores - cerebro-bio-psico-sociais. Em Dublin, na Irlanda, estudos revelam os filhos de pais alcoolicos apresentam uma pre-disposição para ficar adictos à heroina. De qualquer maneira, não é necessário ter uma predisposição genética para ficar adicto, sabemos que este factor só “ajuda” o processo da adicção.

O ciclo da adicção às substancias é basicamente o mesmo. Abrange três factores:
1) a dependência química,
2) comportamentos condicionados e hábitos (rituais) e
3) negação da necessidade e do habito.

O Medo na recuperação dos comportamentos adictivos


Todos sabemos que o medo tem uma perspectiva positiva e uma perspectiva negativa, ocupa ambos lados da mesma “moeda”, na recuperação dos comportamentos adictivos. Quem gosta de sentir o medo? Ninguém.

Também sabemos que o medo faz parte das nossas emoções; quer gostemos dele ou não. Não é evitar e/ou fugir dos nossos “demónios" e fantasmas que conseguiremos vence-los. Conforme vamos vencendo uns “fantasmas”... outros surgiram. Esta é uma verdade da qual não podemos descurar. Todavia é através da coragem, da esperança e da fé num Poder superior, não religioso sem dogmas e ou divindsades, que conseguimos reforçar a autoestima e auto conceito. È confrontando e enfrentando os medos que vamos descobrindo as virtudes e habilidades em recuperação da adicção (vitorias e sucesssos).

Através do exemplo positivo dos outros adictos em recuperação, o adicto pode colher “ferramentas” e experiencias úteis para o dia-a-dia. A recuperação é um processo de avanços e recuos, ao longo da vida, em muitos casos a adicção activa pode “mascarar” outro tipo de problema (comorbildiade, depressão, problemas de ansiedade, adicção cruzada, compulsividade, etc.). 

 

Pessoalmente, já passei por um processo profundamente doloroso onde fui confrontado pelos meus “fantasmas” em que senti que não iria conseguir encontrar “forças” suficientes para “sobreviver” ao longo de aproximadamente três anos. Pensamentos catastróficos e irracionais, choque/dor, pânico, desilusão e frustração, depressão e ansiedade extrema invadiram-me e abalaram toda a “estrutura”. Foram tempos muito difíceis.

Em recuperação da adicção, seja o que for, haverá para cada problema, uma solução. A solução pode exigir sacrifício, determinação, honestidade, entrega, tolerância, humildade, inspiração e motivação.

O medo é um sentimento em que permanecemos alerta, ansiosos e com medo (sofrimento) por antecipação (preocupaçãpo e pensamentos catastróficos) causado pela expectativa de perigo eminente, desastre e/ou dor. È também uma das emoções crónicas mais conhecidas e até chega a ser epidémico na nossa sociedade. Adicionando, o medo é um factor preponderante na adicção quer seja para o adicto ou para a sua família. È uma energia activa e dinâmica que afecta todos e cada um.

Alguns tipos de medo mais comuns


Medo do abandono

Medo do próprio medo

Medo da rejeição

Medo do falhanço/sucesso

Medo do desconhecido

O medo é uma emoção que se aprende ao longo da vida; a re-educação cognitiva é o factor chave para se lidar com o medo de uma forma construtiva e saudável.

Pensamento negativo (pessimismo) é o “terreno” perfeito para o ciclo catastrófico do medo.


O "Preço" de ser Agradador/a


 

“Porque digo sim, quando quero dizer que Não?”


 


Ser agradador/a tem um “preço”negativo, através da alienação, da hostilidade indirecta e do comportamento autodestrutivo, para o próprio agradador/a e para as outras pessoas, directa e ou indirecta:
 
1. O agradador/a tem a tendência para criar uma atmosfera tensa à sua volta, na comunicação, em que as outras pessoas evitam dar um feedback honesto e espontâneo, como consequência esta atitude bloqueia o crescimento emocional (confiança) de ambas as partes.

2. O agradador/a, nos relacionamentos com os outros é capaz de gerar desconfiança e duvida. A atitude de ser sempre simpático e estar sempre disponivel, é bom demais para ser verdade. Gera uma sensação de incerteza e de insegurança nos outros. Nunca sabem se podem confiar ou se vão ser apoiados numa situação de crise que exija uma confrontação directa.

3. O agradador/a evita que os outros à sua volta cresçam emocionalmente. O agradador/a evita dar feedback genuíno, impedindo assim, que os outros conheçam realmente as suas  verdadeiras caracteristicas. Nos conflitos na comunicação, o/a agradador/a tem a tendência para forçar os outros a virar a agressividade contra eles próprios e a gerar sentimentos de culpa, frustração, e dependência nas relações intimas.

4. Por causa do seu estado agradador/a permanente, os outros á sua volta nunca sabem se a relação vai sobreviver a um possível conflito, caso a discussão surja espontaneamente. O agradar compromete seriamente a intimidade, porque as outras pessoas estão constantemente à defesa.

5. O agradador/a não é de confiança, porque quando explode, inexplicavelmente em raiva, é de tal  maneira imprevisível e agressivo/a, que os outros ficam em choque e incapazes de lidar com estas situações de crise aguda.

6. O agradador/a , ao reprimir a sua agressividade, pode pagar um preço a nível fisiológico, somantizando[1] problemas e a nível psicológico desenvolve um tipo de alienação e isolamento.

7. O comportamento do agradador/a torna-se irreal. Coloca limitações severas e rígidas nas suas relações, em ultimo caso, é vitima do seu próprio comportamento disfuncional.


[1] "Somatizar é manifestar no corpo, na forma de uma doença ou um sintoma, algum conflito interno (psíquico). Por exemplo, uma pessoa ansiosa que sente dor de cabeça, de estômago, como resultado da sua ansiedade."

"Desapego Emocional com Amor" um novo significado por Rosemary Hartman


 


“Uma das grandes dádivas sobre a recuperação assenta no conceito de - Desapego Emocional com Amor”.

Originalmente, este conceito foi utilizado para descrever a forma como um membro de família se relacionava com o familiar alcoólico; actualmente o desapego emocional com amor é uma “ferramenta” útil para qualquer tipo de relacionamento intímo disfuncional.

Este conceito pioneiro foi desenvolvido nos grupos de ajuda-mutua, dos Al-Anon, familiares e ou pessoas significativas (ex. esposas ou mães) que tinham relações com alcoólicos na família. A ideia-chave, segundo o Al-anon, prende-se com a premissa de que o doente alcoólico não aprende com os seus erros e consequências se for protegido e encoberto pelos outros, não alcoólicos.

Dentro deste contexto o significado das palavras protecção e encobrimento podem ter imensos significados. Por ex. telefonar para o trabalho do marido inventando uma mentira, porque ele está na cama demasiado intoxicado (alcoolizado). Protecção significa, um familiar dizer à criança que a sua mãe (alcoolica) não foi à festa da escola, porque esteve a trabalhar até tarde, quando na verdade, ela esteve no bar à noite e não conseguiu levantar-se da cama para trabalhar e estar presente na festa da escola.

Costumamos classificar este tipo de comportamentos, como facilitador, porque permitem (facilitam) os doentes alcoólicos continuar a beber, sem a devida adptação às consequências do alcoolismo. Hoje aplicamos a palavra adaptar porque o sentido é menos depreciativo.


Viver Um Dia de Cada Vez


 

Para aqueles que estão em Recuperação da Adicção activa, quer seja de substancias psico activas (abstinentes de álcool e/outras drogas ilícitas) ou comportamentos  - jogo, sexo, trabalho “workaholics”, sexo, compras (shopaholics), shoplifting (furto), disturbio alimentar e codependência que procuram lidar com os seus sentimentos de uma forma construtiva, assim como, viver as dificuldades do dia-a-dia, viver no presente pode ainda ser extremamente frustrante e penoso se pensarmos que Recuperação significa mudança e em alguns casos recomeçar do zero. Esta realidade acarreta desafios e adversidade, por ex. reconquistar a dignidade, a confiança e a honestidade, adaptação ao sistema familiar, superar o estigma, quebrar as barreiras da negação e enfrentar a vergonha tóxica. Recuperação não significa cura e não é um acontecimento isolado, mas um processo de transformação de avanços e recuos.

A adicção é uma doença primaria, não é um sintoma de outra doença, é crónica e progressiva. A recaída também faz parte deste processo. Ninguém se torna adicto de um dia para o outro, não é uma escolha individual, como também ninguém recupera num determinado dia ou semana. Por isso, a recuperação da adicção activa é também gradual e progressiva sendo importante o tempo (processo). Este tempo, não pertence a ninguém, não é controlável, mas extremamente importante, muitas vezes sustentado em fracassos, na rejeição, na perda de controlo, nos erros mas também em pequenas "grandes" vitorias e desafios de crescimento emocional e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades.