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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

27ª Dica Arte Bem-Viver de 25/09/2011

 

Olá, 

 

Ao longo da vida vamos alargando e/ou reforçando o leque de pessoas com as quais vamos interagindo, cujo historial é completamente distinto uns dos outros (diversidade). É um processo dinâmico que também influencia o nosso próprio carácter e algumas das nossas competências individuais e sociais (ex. família e cultura). Todavia, alguns de nós são seres mais sociáveis do que outros.

 

Sabia que não podemos escolher a família. Não podemos escolher o patrão ou os colegas de trabalho. Mas podemos escolher o parceiro/a romântico e/ou amigos. Nesta diversidade de papéis e seleções, existe um certo equilíbrio nos afectos e nas vínculos entre uns e outros.

 

A dica de hoje refere-se à pressão social. Como é que cada um de nós gere a pressão social? As decisões que você toma, para gerir a pressão social, estão enquadradas com os seus valores, objectivos e ideias?

 

Dicas:

1. Acontece com frequência, alguém não aceitar o seu Não? Essa pessoa teima em não dar importância ao que você diz ou faz? Pense nesta questão e responda: "Serei daquelas pessoas que desiste daquilo que acredita, para fazer a vontade aos outros? Isto é, mais uma vez, vou ceder e retroceder quanto ao Não e continuar a sentir-me ignorado/a?”

2. Se identificar um problema serio na comunicação com o seu interlocutor, com tendência para se agravar (agressividade) opte por sair de cena. Faça uma interrupção e abandone o local onde se encontra. Inspire e expire. O problema na comunicação pode estar no conflito de posições (paradigmas e preconceitos diferentes), a fim de se centrar no que é realmente importante, invista nos interesses de ambas as partes para a solução. Aprenda com isso.

3. Arrisque e decida com base na verdade (ética ou moralidade) e na reciprocidade, abandone a posição do ego. Seja directo e utilize as suas competências da comunicação (contacto visual, tom de voz, linguagem corporal, ouvir sem interromper, postura).

4. Após identificar o problema procure as soluções possíveis. Saiba antecipar que os critérios, de ambas as partes, são legítimos. Será mais vantajoso, para o problema, se ambos encontrarem uma solução.

5. Coloque-se na posição do seu interlocutor. Irá compreender o outro ponto de vista. Evite agir nos preconceitos e clarifique a sua posição, isso não significa manter se intransigente. Separe as pessoas dos problemas.

6. Aprenda a expressar os seus sentimentos, comece as frases "Eu sinto..." em vez de "Tu és...". Respeite os sentimentos das outras pessoas. Não adopte a culpa, como argumento, só agrava os problemas já de si complexos e delicados, limita o dialogo.

7. Responsabilize-se pelos seus sentimentos e comportamentos, ficará mais ciente do seu auto conceito e das suas limitações. Saia da sua zona de conforto.

 

 

Votos de uma semana construtiva na gestão da pressão social e valorização das competências individuais e sociais

 

Cumprimentos

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 129ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

Léxico de recuperação - Comunicação

Comportamentos Adictivos

Abecedário da Recuperação faz parte do léxico que define um estilo de vida com qualidade. Recuperar é que está a dar.

 

 

  • Abstinência
  • Brincadeira
  • Confiança - perseverança e coragem apesar do medo.
  • Dia a dia.
  • Esperança - é o equilíbrio quando surge o medo do desconhecido.
  • Fé - é o sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem comunicamos.
  • Gratidão - fazer o bem e o melhor possível; reconhecimento e reciprocidade.
  • Hoje – O dia mais importante
  • Inventário pessoal - aspetos positivos e os aspetos negativos
  • Jubilo - conquista, felicidade e despertar espiritual, não religioso.
  • Liberdade de escolha e decisão
  • Mestria - competências individuais e sociais (talentos)
  • Não - dizer não é liberdade, é assertividade. Em recuperação aprende-se a dizer não.
  • Oração - contacto consciente com poder superior imaterial
  • Partilhar é receber
  • Querer - Fazer o melhor possível e entregar o resultado.
  • Relações significativas de intimidade e de confiança; limites saudáveis.
  • Sentir as emoções, seja elas quais forem, prazerosas ou as dolorosas. adoptar comportamentos geradores de qualidade de vida (Saúde, família, trabalho, amigos)
  • Trabalho; produzir, criar. Desenvolver a autonomia e a independência
  • Um dia de cada vez
  • Viver de acordo com valores morais universais e espirituais únicos e livres, sem dogmas ou divindades.
Comentário: Caso você esteja interessado/a em participar poderá acrescentar mais palavras ao léxico de recuperação comentando este post. Participe.

 

As referências, não se aplicam só a alguns, servem para todos

 

 

Tradução:

“ A melhor maneira para ter sucesso e crescer na minha própria sobriedade, é fazer exatamente aquilo que aconselho aos outros fazerem.”

 

 

Fonte: National Catholic Council on Addictions (NCCA)

 

Comentário: Contrariando assim a “velha” e desatualizada máxima: “Não olhes para aquilo que eu faço; mas faz aquilo que te digo”

Visto esta citação surgir de uma organização católica americana que apoia a recuperação da adicção, isso não representa qualquer afiliação ou crença religiosa, da parte do autor do blogue.  

A publicação desta citação, no blogue, é simplesmente uma dica que não se aplica somente à recuperação da adicção, como também podemos redireciona-la a uma dimensão existencial.

O segundo propósito desta citação, neste blogue, serve também para reforçar a necessidade de haver um entendimento e um compromisso, plataforma de entendimento, entre religiões, investigadores (ciência), profissionais e instituições, num objetivo comum: recuperar pessoas, famílias incluindo as crianças e a própria sociedade afetada pelas consequências negativas da adicção, contra o estigma, a negação e a vergonha - Recuperar É Que Está A Dar

Dica: Recuperação comportamentos adictivos

Recuperar da Adicção envolve sentimentos, nesse sentido, você precisa de reaprender novas competências e recursos de forma a identificar e a expressar os sentimentos (pensamentos-sentimentos-comportamentos). Ao contrário daquilo que possa sentir, não são os sentimentos que determinam que tipo de pessoa é; são as suas decisões, das quais você é o único responsável, para o bem ou para o mal. Não são os sentimentos de definem o caracter, mas o resultado das ações. Por exemplo, qual é o seu ídolo? Mestre? Mentor? Herói? O que é que você admira nessa pessoa? São os sentimentos privados dessa pessoa ou aquilo que ele/a é e faz? Na realidade, você não conhece essa pessoa na intimidade.  

 

 Durante a adicção ativa (circulo adictivo) recorre-se às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e os fármacos, e as ilícitas ou aos comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras, furto, codependência e distúrbio alimentar) para “fugir/adormecer” os sentimentos dolorosos – dor e a compulsão é direcionada para a obtenção do prazer/gratificação. Os fins justificam os meios. “Só mais uma, desta vez vai ser diferente…”

 

Sentimentos Vs. Resultados

Em recuperação faça uma monitorização, a mais honesto possível, dos seus sentimentos, em particular da raiva. Esteja atento/a aos seus impulsos (hábitos e rotinas) aos seus pensamentos irracionais (padrões antigos de julgar as situações e as pessoas). Por exemplo; se você está irritado/a encara um conflito de uma maneira; se está confiante encara o conflito de maneira diferente. Não existe absolutamente problema nenhum, caso você sinta raiva, é humano haver conflitos entre pessoas, principalmente quando se sente frustrado, magoado, desiludido, enganado e/ou injustiçado. Todavia, como você sabe, a raiva é uma energia muito poderosa, que precisa de ser monitorizada e direcionada para algo construtivo. Por exemplo, quando você estiver em raiva (energia poderosa) precisa de pensar no tipo de decisões que pretende fazer e os resultados que pretende atingir, de forma a não cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes. 

 

 

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha III

Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente foram enviadas respostas a cada situação em especial.

Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.

 

A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é  interrompido.  

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha.

 

1. “Chamo me J. e gostaria de saber como gerir/ conduzir uma situação de consumo excessivo de álcool. A pessoa em questão não reconhece o consumo abusivo. Bebe praticamente todos os dias sozinho e em contexto não-social. Quando o faz, num contexto social, o consumo de bebidas alcoólicas tende sempre para o excesso. Estou preocupada e não sei como conduzir esta situação.”

 

2.“Chamo me A. e sou filho de mãe alcoólica e isso reflete se na minha vida sentimental. Os meus pais separaram se quando eu era criança, vivi com a minha avó até ao início da adolescência, depois fui viver com a minha mãe e aí então, foi realmente muito difícil. Sinto me inadequado e desconfiado nos relacionamentos de intimidade. Sou demasiado exigente comigo e com as outras pessoas, inclusive tenho a necessidade de controlar tudo e todos. Descobri o seu blogue e por isso  procurei a sua ajuda. “

 

3. "Chamo me L. escrevo lhe este email pois estou preocupada com uma situação que está a ocorrer a uma amiga minha : ela quando come doces , pizzas , salgados ( comida pouco saudável , em geral) vomita tudo a seguir. Isto é , ela se comer comida saudável leva uma vida normal , só quando se excede, ingestão compulsiva, é que tem a necessidade de vomitar tudo. Será esta situação normal? Será um vicio ?

Obrigada”

 

4.. “Chamo me P e encontrei por acaso o seu blogue. A minha história é a de alguém que luta e sofre com a adição pelos doces. Tenho alternado entre períodos de ser muito cuidadosa e saudável e depois, algo se apodera de mim e perco a noção de tudo, faço muito mal a mim mesma, estrago a minha vida, isolo me e caio na compulsão. Depois é a paranoia dos dias perfeitos para mudar de vida. O tempo passa e ainda não fui mãe, mas a sensação que tenho é que hipotequei a minha vida, congelei  a vida com medo de sofrer. O açúcar tem sido o veneno que me anestesia da realidade, faz -me fugir de encarar a vida e de ter coragem para tomar decisões e para me amar como sou...a tal auto estima...Ajude-me!”

 

 

5.. "Chamo me M e estou numa relação com um toxicodependente. Apaixonei me por ele. E só soube da sua adicção com drogas duras há menos de dois meses. Sempre notei que receava intimidade e o compromisso. Oscilava entre o sarcástico, distante, desinteressado. Explodia sem razão aparente e criticava-me negativamente. Falei com ele, já não suportava esta rejeição da sua parte. Disse lhe que não queria mais esta relação para mim. Ele mudava ou nada fazia efeito. Ele mudou do dia para a noite, mais atento, carinhoso. Passado uma semana voltou outra vez à rejeição. Mais uma senti me muito insegura. Estou confusa e a ficar farta deste comportamento instável. Até quando aceitar a instabilidade? Será que ele não consegue ter uma relação amorosa estável? Eu também consumo ganzas e bebo álcool. Será que o João me pode ajudar?”

 

 

 

14ª Dica Arte Bem-Viver de 26/06/2011 - Adiar a gratificação imediata

 Olá

 Adiar a gratificação imediata. O que é que isso significa?

 

É humano procurar a gratificação, a satisfação e o reconhecimento através das pessoas, lugares e coisas, é uma forma de recompensa, de aprovação e ou de agradecimento.

 

Todavia, na nossa sociedade, desenvolvemos o culto/habito pela competitividade e pelo consumismo na procura do caminho mais curto (atalho) e menos doloroso, neste sentido a gratificação/prazer imediata assume uma necessidade impreterível e disfuncional na gestão das emoções, gestão das prioridade, no critério da recompensa e gratificação individual. Se conseguirmos parar, por uns breves momentos, e reflectir sobre os nossos comportamentos, concluímos "Queremos as coisas já... ou de preferência para ontem."  Evocamos os princípios ( as palavras), mas procuramos satisfazer o nosso Ego (atitudes e comportamento). Aquilo que dizemos que somos; não é coerente com aquilo que fazemos. A nossa vontade, através dos impulsos reactivos e irreflectidos, na busca da gratificação imediata é suprema, como se a própria sobrevivência dependesse disso.

 

Adiar a gratificação imediata compromete o prazer imediato. Como? Primeiro, executamos as tarefas mais complexas que exigem auto sacrifício, disciplina, reflexão, criatividade, responsabilidade e determinação. É um processo de maturidade na gestão das competências cognitivas e sociais, dos impulsos, da dor e do prazer (balança emocional) nas coisas simples do dia-a-dia. Aprende-se a privilegiar (prioridades) os valores morais/éticos acima do prazer imediato, por ex. através da abnegação e o altruísmo Vs. egoísmo frenético e egocêntrico.

  

Se conseguirmos fazer uma gestão construtiva do desconforto emocional e da dor acabamos por aceitar esta condição, as prioridades, em primeiro lugar, ao invés de gerir a dor com um único proposito - preencher o vazio emocional (isolamento, solidão) com pessoas, lugares e coisas. 

 

Muitas vezes o que queremos (ter) não é o que precisamos (ser).

 

Votos de uma semana recheada de momentos de disciplina, honestidade, abnegação, reflexão, responsabilidade e determinação.

 

 

Cumprimentos

  

Nota: Esta Dica é um excerto do Retiro Espiritual Online (Programa Desenvolvimento Individual).

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passado um ano é enviada para mais de 300 pessoas, para vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. Vai na sua 56ª publicação. Caso deseje receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis

 

 


 

Relação de Intimidade

 

“Não me interessa qual o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar os desejos do teu coração.

 

Não me interessa saber que idade tens. Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.

 

Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas ou nos relembrares as limitações do ser humano.

 

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues ser fiel e, por isso digno de confiança. Quero saber se consegues ver  beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, o teu e o meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, “Sim!”.

 

Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se, depois de uma  noite de dor e desespero, exausto , dorido até ao tutano, consegues levantar-te e cuidares das necessidades das crianças.

 

Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.

 

Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustem interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo, e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.”

 

O Convite” de Oriah Moutain Dreamer

 

Comentário:Este texto parece realçar aquilo que é realmente importante entre duas pessoas quando assumem o compromisso de iniciar um projecto, em conjunto - Relação. A autora reforça os laços de intimidade, como os valores que sustentam a relação, isto é, para além do ego dos "parceiros" o mais importante é a relação, um sistema frágil e complexo. Para mim, em particular, gostei deste texto porque serve de inspiração e reforça a importância dos valores morais numa relação a dois, em detrimento do ego frenético e egocêntrico e dos aspectos materiais.

 

Emoções associadas aos comportamentos adictivos (Doença de Sentimentos)

 

Uma imagem vale mais do que 1000 palavras...

Ufit! Mexa-se pela sua saude

 

 

 

Quando pensamos nos grandes desejos, comuns a todos nós, não será incorrecto afirmar que um deles é viver durante muito tempo, com qualidade de vida (saúde, alegria, vigor, motivação, etc)

 

Apesar de estarmos todos de acordo, porque é que para algumas pessoas os anos parecem não passar e outras carregam o peso dos anos de forma mais evidente?

 

De forma consciente ou inconsciente, vamos criando hábitos que nos podem aproximar ou afastar desse objectivo, desse estado de equilíbrio, que podemos designar de Wellness (em tradução livre; bem-estar físico, mental e emocional, que nos permite encontrar estabilidade e ser resilientes).

 

Ganhamos peso, começamos a fumar, paramos de fazer desporto, criamos maus hábitos alimentares, chega o dia em que estamos tão afastados deste estado de equilíbrio, que já não sabemos muito bem como fazer marcha atrás. Com a motivação errada, conseguimos mudar os hábitos que vamos desenvolvendo ao longo da vida e que nos fazem sentir seguros e confortáveis, nos mais variados aspectos, sejam eles físicos, emocionais, espirituais ou intelectuais, quando na realidade só nos afastam do Wellness. Aquilo de que precisamos é de um pequeno empurrão que deve vir de dentro de nós e se chama - Motivação.

 

Assim, o primeiro passo é tomar consciência dos aspectos da nossa vida que precisam de mais atenção e focarmo-nos neles. Se necessário, podemos recorrer a ajuda profissional e/ou técnicos qualificados, ex. personal trainer, health clubs, ginásios. Em seguida, devemos procurar quebrar esses hábitos que nos servem que nem uma luva, mas que não nos protegem verdadeiramente contra o que é negativo e nos afasta desse estado de alegria e vigor… a que aspiramos.

 

Urge então que assumamos a responsabilidade sobre as nossas escolhas, seja nos hábitos alimentares, nos pensamentos que deixamos que controlem a nossa vida, acreditando que o que pensamos (atitude) define o que alcançamos e iniciar a pratica da actividade física adequada a cada fase da nossa vida. Desta forma, ganhamos controlo sobre a forma como vivemos, a cada momento, e como iremos envelhecer, já que este é um processo dinâmico e irreversível, apoiado nas nossas escolhas desde que sejam as certas, podendo assim, direccionar numa existência de sucesso e nos sintamos realizados no caminho.

 

Todos nós concordamos que prevenir é melhor que remediar, se desejamos viver mais tempo e melhor, aqui vai uma dica para o ajudar. É possível praticar actividade física, adaptada ao momento que está a viver. Nem mais nem menos!

 

Ao exercitarmo-nos criamos novas sinapses cerebrais; ajudando a diminuir os efeitos negativos do stress, aumentar o nível das chamadas hormonas da felicidade (endorfina e dopamina), minimizamos os efeitos físicos das emoções negativas, ex. como problemas de sono, falta de apetite, ansiedade, entre outros, e melhoramos a nossa a acuidade mental (ex, discernimento, concentração e a memoria) e o nosso bem-estar emocional.

 

Assim, ao criar e manter hábitos de desporto durante toda a vida, conseguimos manter o nosso corpo e o nosso cérebro mais jovem e tornamo-nos mais resilientes perante as contrariedades da vida.

 

Por isso, pela sua saúde, mexa-se…e se precisar de dicas envie um email.

 

Carla Alexandra Santos

 

Personal Trainer (PT)

Instrutora das seguintes modalidades: Body Combat, Body Balance, Body Pump, Pilates e Localizada, em diversos ginásios e health club’s na zona do Porto.

Endereço electrónico: carlasantos702@gmail.com

 

Comentário: Os meus agradecimentos à Professora Carla Santos pela sua participação no Recuperar das Dependências. A actividade física assume uma relevância, muito significativa, nos hábitos e rotinas do dia-a-dia, assim como, são amplamente reconhecidos os seus benefícios para a saúde física, mental. 

Um dos benefícios que gostaria de destacar é a questão social. Conhecemos novas pessoas e estabelecemos relações de amizade e de intimidade, visto existir um propósito em comum; a actividade física. Conseguimos quebrar barreiras à comunicação e explorar o potencial  (características/competências) que cada um encerra. Aprendemos novas sinergias (ex. motivação) e a competir de uma forma saudável, ultrapassando os nossos próprios limites físicos (ex. resistência). Mexa-se, e saia da "caixa" do isolamento e a autopiedade. 

 

 

Registo Diário, uma ferramenta para Recuperar

 

 

 

 

Se pensar bem já escreveu sobre as suas experiências, relacionamentos e aventuras. Refiro-me ao “velhinho” diário que está guardado numa caixa esquecido. Aquele diário que foi oferecido quando éramos crianças e ou adolescentes onde, secretamente ou não, registávamos os eventos e as experiencias mais significativas e passado um tempo voltávamos a ler, vezes sem conta, tudo outra vez, como se não houvesse amanhã.

 

Hoje em dia algumas investigações revelam que escrever, sobre si próprio (registo diário), pode apresentar alguns benefícios, por ex. redução do nível de stress, melhora o estado de humor e a sensação de bem-estar, reduz sintomas de tristeza e depressão.

 

Ao longo da minha experiencia profissional, sempre apelei e incentivo ao registo diário. Para aqueles que têm o desejo sincero em recuperar da adicção activa, sejam substâncias psicoactivas (drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas) ou comportamentos (jogo, distúrbio alimentar, sexo, compras, shoplifting, codependência) o registo diário é um excelente recurso cujo intuito possibilita a auto-reflexão e a autocrítica construtiva (feedback). Como é do conhecimento geral, a mudança de atitudes e comportamentos exige auto monitorização, motivação, honestidade e compromisso, assim o registo diário pode revelar-se uma ferramenta útil para recapitular (gravar/histórico) os seus pensamentos, experiências e emoções num caderno, no pc, no notebook, tablet, etc.

 

O registo diário pode permitir a reflexão sobre o propósito das suas ambições e projectos pessoais, ajudar a desafiar os padrões/crenças negativas (erros cognitivos) e auxiliar na valorização das pequenas e simples coisas da sua vida. Escrever sobre as suas emoções pode beneficiar permitindo manter uma perspectiva construtiva, realista e objectiva durante situações adversas e dolorosas, identificar emoções mais profundas e reveladoras e ser um canal (plataforma) para a sua criatividade.

 

Alguns tipos de Registo Diário:

 

  •      Fluxo de Ideias e Sentimentos (Ouvir-se a si mesmo) - Escreva sobre tudo aquilo que vier à cabeça, sem fazer uma autocritica imediata. Deixe as ideias e os sentimentos fluírem.
  •      Impulsionar o Pensamento Construtivo – Escreva sobre temas específicos e reflicta elaborando uma compilação, a fim de estimular o interesse sobre algo (por ex. recuperação, relacionamentos, doença da adicção, a raiva, o medo)
  •      Registo Diário da Gratidão – Escreva sobre momentos de agradecimento, reconhecimento e desenvolva uma análise que permita apreciar as coisas simples do dia-a-dia. Ajuda a incrementar a atitude positiva em relação a pessoas, coisas e situações na sua vida (ex. auto-afirmação, resiliência e pode reduzir o stress).
  •      Registo Diário Meditativo – Reflectir sobre determinadas memórias anotando o significado na sua vida, Aqui-E-Agora (AEA). Por ex. pode escrever sobre algo que tenha lido (livro, blogue, internet, revista) que tenha suscitado interesse e que deseje aprofundar, com mais detalhe, o seu conhecimento sobre si mesmo. Também pode elaborar ideias que ainda não tenham a consistência desejada e necessária, por ex. teorias, sentimentos.

 

 

Caso deseje iniciar um registo diário pode solicitar algumas dicas enviando um email para joaoalexx@sapo.pt