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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha III

Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente foram enviadas respostas a cada situação em especial.

Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.

 

A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é  interrompido.  

 

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha.

 

1. “Chamo me J. e gostaria de saber como gerir/ conduzir uma situação de consumo excessivo de álcool. A pessoa em questão não reconhece o consumo abusivo. Bebe praticamente todos os dias sozinho e em contexto não-social. Quando o faz, num contexto social, o consumo de bebidas alcoólicas tende sempre para o excesso. Estou preocupada e não sei como conduzir esta situação.”

 

2.“Chamo me A. e sou filho de mãe alcoólica e isso reflete se na minha vida sentimental. Os meus pais separaram se quando eu era criança, vivi com a minha avó até ao início da adolescência, depois fui viver com a minha mãe e aí então, foi realmente muito difícil. Sinto me inadequado e desconfiado nos relacionamentos de intimidade. Sou demasiado exigente comigo e com as outras pessoas, inclusive tenho a necessidade de controlar tudo e todos. Descobri o seu blogue e por isso  procurei a sua ajuda. “

 

3. "Chamo me L. escrevo lhe este email pois estou preocupada com uma situação que está a ocorrer a uma amiga minha : ela quando come doces , pizzas , salgados ( comida pouco saudável , em geral) vomita tudo a seguir. Isto é , ela se comer comida saudável leva uma vida normal , só quando se excede, ingestão compulsiva, é que tem a necessidade de vomitar tudo. Será esta situação normal? Será um vicio ?

Obrigada”

 

4.. “Chamo me P e encontrei por acaso o seu blogue. A minha história é a de alguém que luta e sofre com a adição pelos doces. Tenho alternado entre períodos de ser muito cuidadosa e saudável e depois, algo se apodera de mim e perco a noção de tudo, faço muito mal a mim mesma, estrago a minha vida, isolo me e caio na compulsão. Depois é a paranoia dos dias perfeitos para mudar de vida. O tempo passa e ainda não fui mãe, mas a sensação que tenho é que hipotequei a minha vida, congelei  a vida com medo de sofrer. O açúcar tem sido o veneno que me anestesia da realidade, faz -me fugir de encarar a vida e de ter coragem para tomar decisões e para me amar como sou...a tal auto estima...Ajude-me!”

 

 

5.. "Chamo me M e estou numa relação com um toxicodependente. Apaixonei me por ele. E só soube da sua adicção com drogas duras há menos de dois meses. Sempre notei que receava intimidade e o compromisso. Oscilava entre o sarcástico, distante, desinteressado. Explodia sem razão aparente e criticava-me negativamente. Falei com ele, já não suportava esta rejeição da sua parte. Disse lhe que não queria mais esta relação para mim. Ele mudava ou nada fazia efeito. Ele mudou do dia para a noite, mais atento, carinhoso. Passado uma semana voltou outra vez à rejeição. Mais uma senti me muito insegura. Estou confusa e a ficar farta deste comportamento instável. Até quando aceitar a instabilidade? Será que ele não consegue ter uma relação amorosa estável? Eu também consumo ganzas e bebo álcool. Será que o João me pode ajudar?”

 

 

 

14ª Dica Arte Bem-Viver de 26/06/2011 - Adiar a gratificação imediata

 Olá

 Adiar a gratificação imediata. O que é que isso significa?

 

É humano procurar a gratificação, a satisfação e o reconhecimento através das pessoas, lugares e coisas, é uma forma de recompensa, de aprovação e ou de agradecimento.

 

Todavia, na nossa sociedade, desenvolvemos o culto/habito pela competitividade e pelo consumismo na procura do caminho mais curto (atalho) e menos doloroso, neste sentido a gratificação/prazer imediata assume uma necessidade impreterível e disfuncional na gestão das emoções, gestão das prioridade, no critério da recompensa e gratificação individual. Se conseguirmos parar, por uns breves momentos, e reflectir sobre os nossos comportamentos, concluímos "Queremos as coisas já... ou de preferência para ontem."  Evocamos os princípios ( as palavras), mas procuramos satisfazer o nosso Ego (atitudes e comportamento). Aquilo que dizemos que somos; não é coerente com aquilo que fazemos. A nossa vontade, através dos impulsos reactivos e irreflectidos, na busca da gratificação imediata é suprema, como se a própria sobrevivência dependesse disso.

 

Adiar a gratificação imediata compromete o prazer imediato. Como? Primeiro, executamos as tarefas mais complexas que exigem auto sacrifício, disciplina, reflexão, criatividade, responsabilidade e determinação. É um processo de maturidade na gestão das competências cognitivas e sociais, dos impulsos, da dor e do prazer (balança emocional) nas coisas simples do dia-a-dia. Aprende-se a privilegiar (prioridades) os valores morais/éticos acima do prazer imediato, por ex. através da abnegação e o altruísmo Vs. egoísmo frenético e egocêntrico.

  

Se conseguirmos fazer uma gestão construtiva do desconforto emocional e da dor acabamos por aceitar esta condição, as prioridades, em primeiro lugar, ao invés de gerir a dor com um único proposito - preencher o vazio emocional (isolamento, solidão) com pessoas, lugares e coisas. 

 

Muitas vezes o que queremos (ter) não é o que precisamos (ser).

 

Votos de uma semana recheada de momentos de disciplina, honestidade, abnegação, reflexão, responsabilidade e determinação.

 

 

Cumprimentos

  

Nota: Esta Dica é um excerto do Retiro Espiritual Online (Programa Desenvolvimento Individual).

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passado um ano é enviada para mais de 300 pessoas, para vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. Vai na sua 56ª publicação. Caso deseje receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis

 

 


 

Relação de Intimidade

 

“Não me interessa qual o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar os desejos do teu coração.

 

Não me interessa saber que idade tens. Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.

 

Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas ou nos relembrares as limitações do ser humano.

 

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues ser fiel e, por isso digno de confiança. Quero saber se consegues ver  beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, o teu e o meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, “Sim!”.

 

Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se, depois de uma  noite de dor e desespero, exausto , dorido até ao tutano, consegues levantar-te e cuidares das necessidades das crianças.

 

Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.

 

Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustem interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo, e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.”

 

O Convite” de Oriah Moutain Dreamer

 

Comentário:Este texto parece realçar aquilo que é realmente importante entre duas pessoas quando assumem o compromisso de iniciar um projecto, em conjunto - Relação. A autora reforça os laços de intimidade, como os valores que sustentam a relação, isto é, para além do ego dos "parceiros" o mais importante é a relação, um sistema frágil e complexo. Para mim, em particular, gostei deste texto porque serve de inspiração e reforça a importância dos valores morais numa relação a dois, em detrimento do ego frenético e egocêntrico e dos aspectos materiais.

 

Emoções associadas aos comportamentos adictivos (Doença de Sentimentos)

 

Uma imagem vale mais do que 1000 palavras...

Ufit! Mexa-se pela sua saude

 

 

 

Quando pensamos nos grandes desejos, comuns a todos nós, não será incorrecto afirmar que um deles é viver durante muito tempo, com qualidade de vida (saúde, alegria, vigor, motivação, etc)

 

Apesar de estarmos todos de acordo, porque é que para algumas pessoas os anos parecem não passar e outras carregam o peso dos anos de forma mais evidente?

 

De forma consciente ou inconsciente, vamos criando hábitos que nos podem aproximar ou afastar desse objectivo, desse estado de equilíbrio, que podemos designar de Wellness (em tradução livre; bem-estar físico, mental e emocional, que nos permite encontrar estabilidade e ser resilientes).

 

Ganhamos peso, começamos a fumar, paramos de fazer desporto, criamos maus hábitos alimentares, chega o dia em que estamos tão afastados deste estado de equilíbrio, que já não sabemos muito bem como fazer marcha atrás. Com a motivação errada, conseguimos mudar os hábitos que vamos desenvolvendo ao longo da vida e que nos fazem sentir seguros e confortáveis, nos mais variados aspectos, sejam eles físicos, emocionais, espirituais ou intelectuais, quando na realidade só nos afastam do Wellness. Aquilo de que precisamos é de um pequeno empurrão que deve vir de dentro de nós e se chama - Motivação.

 

Assim, o primeiro passo é tomar consciência dos aspectos da nossa vida que precisam de mais atenção e focarmo-nos neles. Se necessário, podemos recorrer a ajuda profissional e/ou técnicos qualificados, ex. personal trainer, health clubs, ginásios. Em seguida, devemos procurar quebrar esses hábitos que nos servem que nem uma luva, mas que não nos protegem verdadeiramente contra o que é negativo e nos afasta desse estado de alegria e vigor… a que aspiramos.

 

Urge então que assumamos a responsabilidade sobre as nossas escolhas, seja nos hábitos alimentares, nos pensamentos que deixamos que controlem a nossa vida, acreditando que o que pensamos (atitude) define o que alcançamos e iniciar a pratica da actividade física adequada a cada fase da nossa vida. Desta forma, ganhamos controlo sobre a forma como vivemos, a cada momento, e como iremos envelhecer, já que este é um processo dinâmico e irreversível, apoiado nas nossas escolhas desde que sejam as certas, podendo assim, direccionar numa existência de sucesso e nos sintamos realizados no caminho.

 

Todos nós concordamos que prevenir é melhor que remediar, se desejamos viver mais tempo e melhor, aqui vai uma dica para o ajudar. É possível praticar actividade física, adaptada ao momento que está a viver. Nem mais nem menos!

 

Ao exercitarmo-nos criamos novas sinapses cerebrais; ajudando a diminuir os efeitos negativos do stress, aumentar o nível das chamadas hormonas da felicidade (endorfina e dopamina), minimizamos os efeitos físicos das emoções negativas, ex. como problemas de sono, falta de apetite, ansiedade, entre outros, e melhoramos a nossa a acuidade mental (ex, discernimento, concentração e a memoria) e o nosso bem-estar emocional.

 

Assim, ao criar e manter hábitos de desporto durante toda a vida, conseguimos manter o nosso corpo e o nosso cérebro mais jovem e tornamo-nos mais resilientes perante as contrariedades da vida.

 

Por isso, pela sua saúde, mexa-se…e se precisar de dicas envie um email.

 

Carla Alexandra Santos

 

Personal Trainer (PT)

Instrutora das seguintes modalidades: Body Combat, Body Balance, Body Pump, Pilates e Localizada, em diversos ginásios e health club’s na zona do Porto.

Endereço electrónico: carlasantos702@gmail.com

 

Comentário: Os meus agradecimentos à Professora Carla Santos pela sua participação no Recuperar das Dependências. A actividade física assume uma relevância, muito significativa, nos hábitos e rotinas do dia-a-dia, assim como, são amplamente reconhecidos os seus benefícios para a saúde física, mental. 

Um dos benefícios que gostaria de destacar é a questão social. Conhecemos novas pessoas e estabelecemos relações de amizade e de intimidade, visto existir um propósito em comum; a actividade física. Conseguimos quebrar barreiras à comunicação e explorar o potencial  (características/competências) que cada um encerra. Aprendemos novas sinergias (ex. motivação) e a competir de uma forma saudável, ultrapassando os nossos próprios limites físicos (ex. resistência). Mexa-se, e saia da "caixa" do isolamento e a autopiedade. 

 

 

Registo Diário, uma ferramenta para Recuperar

 

 

 

 

Se pensar bem já escreveu sobre as suas experiências, relacionamentos e aventuras. Refiro-me ao “velhinho” diário que está guardado numa caixa esquecido. Aquele diário que foi oferecido quando éramos crianças e ou adolescentes onde, secretamente ou não, registávamos os eventos e as experiencias mais significativas e passado um tempo voltávamos a ler, vezes sem conta, tudo outra vez, como se não houvesse amanhã.

 

Hoje em dia algumas investigações revelam que escrever, sobre si próprio (registo diário), pode apresentar alguns benefícios, por ex. redução do nível de stress, melhora o estado de humor e a sensação de bem-estar, reduz sintomas de tristeza e depressão.

 

Ao longo da minha experiencia profissional, sempre apelei e incentivo ao registo diário. Para aqueles que têm o desejo sincero em recuperar da adicção activa, sejam substâncias psicoactivas (drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas) ou comportamentos (jogo, distúrbio alimentar, sexo, compras, shoplifting, codependência) o registo diário é um excelente recurso cujo intuito possibilita a auto-reflexão e a autocrítica construtiva (feedback). Como é do conhecimento geral, a mudança de atitudes e comportamentos exige auto monitorização, motivação, honestidade e compromisso, assim o registo diário pode revelar-se uma ferramenta útil para recapitular (gravar/histórico) os seus pensamentos, experiências e emoções num caderno, no pc, no notebook, tablet, etc.

 

O registo diário pode permitir a reflexão sobre o propósito das suas ambições e projectos pessoais, ajudar a desafiar os padrões/crenças negativas (erros cognitivos) e auxiliar na valorização das pequenas e simples coisas da sua vida. Escrever sobre as suas emoções pode beneficiar permitindo manter uma perspectiva construtiva, realista e objectiva durante situações adversas e dolorosas, identificar emoções mais profundas e reveladoras e ser um canal (plataforma) para a sua criatividade.

 

Alguns tipos de Registo Diário:

 

  •      Fluxo de Ideias e Sentimentos (Ouvir-se a si mesmo) - Escreva sobre tudo aquilo que vier à cabeça, sem fazer uma autocritica imediata. Deixe as ideias e os sentimentos fluírem.
  •      Impulsionar o Pensamento Construtivo – Escreva sobre temas específicos e reflicta elaborando uma compilação, a fim de estimular o interesse sobre algo (por ex. recuperação, relacionamentos, doença da adicção, a raiva, o medo)
  •      Registo Diário da Gratidão – Escreva sobre momentos de agradecimento, reconhecimento e desenvolva uma análise que permita apreciar as coisas simples do dia-a-dia. Ajuda a incrementar a atitude positiva em relação a pessoas, coisas e situações na sua vida (ex. auto-afirmação, resiliência e pode reduzir o stress).
  •      Registo Diário Meditativo – Reflectir sobre determinadas memórias anotando o significado na sua vida, Aqui-E-Agora (AEA). Por ex. pode escrever sobre algo que tenha lido (livro, blogue, internet, revista) que tenha suscitado interesse e que deseje aprofundar, com mais detalhe, o seu conhecimento sobre si mesmo. Também pode elaborar ideias que ainda não tenham a consistência desejada e necessária, por ex. teorias, sentimentos.

 

 

Caso deseje iniciar um registo diário pode solicitar algumas dicas enviando um email para joaoalexx@sapo.pt

 

Regra do silêncio na adicção (Não fala, Não sente e Não confia)

A Regra do Silêncio aplica-se quando o assunto da Adicção e as suas consequências adversas não é tido em conta, valorizado e/ou negado, num relacionamento entre duas pessoas (por ex. marido adicto e a esposa) e também perante as dinâmicas da família. Todos são afectados, directa e indirectamente, mas acaba-se por conformar e resignar, como sendo algo normal, que faz parte do destino e infortúnio. Algumas pessoas afirmam “Não vale a pena tocar no assunto…”

 


Ao longo da minha experiencia em trabalhar com famílias de adictos/as e indivíduos (ex. esposas) com relações de intimidade com adictos no activo (dependências de drogas licitas, incluindo o álcool, e ou ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar) constato, em alguns casos, que a progressão da doença da Adicção, associado a determinados comportamentos disfuncionais e insanos caracteristicos, advêm da complacência, da passividade, do conformismo determinado pela Regra do Silêncio. Em muitos casos, esta Regra do Silencio é adoptada, pelas pessoas, não adictas, derivado ao estigma, à negação e/ou à vergonha.

 

Regras nos Relacionamentos

Existem regras para a comunicação e para o bom entendimento entre duas (ex. marido e esposa) ou mais pessoas, uma família (pai, mãe e filhos – ex. hierarquia), moralmente institucionalizadas, implícitas e/ou explícitas. Em muitos casos, estas regras são adoptadas ao longo de gerações, de uma maneira muito imperceptível, mas conscientes dos seus efeitos. Por ex. imagine uma família de cinco indivíduos; pai, mãe, um filho de 13 anos, uma filha de 9 anos e o filho mais novo de 5 anos. Nesta família, através da mãe ou do pai, de uma forma subtil, vão passando a mensagem, aos filhos, de que aquilo que se passa em casa não é para ser falado fora de casa, com a família (tios, primos, avós), amigos e ou na escola, por ex. quando o pai, se torna violento verbalmente com a mãe (esposa) durante uma discussão ao jantar; quando se discute questões relacionadas com o dinheiro, por ex. o pai discute com a mãe porque ela gastou (esbanjou) mais dinheiro do que devia numa ida ao shopping, a mãe confronta o pai porque foi ao casino com os amigos e gastou o dinheiro que não devia, o pai acusa a mãe de ser uma protectora dos filhos ao fazer todas as vontades, sendo estes assuntos tema constante e gerador de conflitos e “guerras” em casa. Os pais, em conjunto ou individualmente, certificam-se de que as crianças não falam com absolutamente ninguém, fora de casa, sobre estes assuntos. Todavia, e quando essas regras impostas, pelos adultos, são disfuncionais e comprometem, negativamente, os relacionamentos, os limites e os afectos? Que ocultam o abuso, a desonestidade, a negligência, a insanidade.

 

 

 

Retiro Espiritual Online - PDI@

 

 

Plano Desenvolvimento Individual Online (PDI@) - Retiro Espiritual um Programa de Meditação pioneiro e inovador – “Alimento pró Pensamento.”

O conceito espiritual referido neste blogue não é religioso sem dogmas e divindades. É um conceito imaterial individual que permite a conexão com as pessoas e o mundo à sua volta, principalmente, atravês das fases complexas do devir.

 

Deseja participar no Retiro Espiritual Online? Surpresa!
Transforme a sua caixa de correio electrónico numa uma “fonte” de energia espiritual e inspiradora. Onde quer que esteja em casa, no trabalho, em viagem, em ferias, doença prolongada, padrinho/ madrinha, reunião de grupo de ajuda mútua, etc. Tudo aquilo que precisa é de um computador e acesso a internet. Pode enriquecer as suas competências individuais e sociais. 
  
Se estiver interessado em participar basta enviar um email (joaoalexx@sapo.pt) a solicitar toda a informação. Obviamente, que a sua participação tem custos, mas é um investimento valido e acessível a todas as bolsas. É Confidencial e profissional. Toda a informação é “fruto” da minha experiência em trabalhar com pessoas. Também pode solicitar mais informação.
Estou disponível para ajudar.

Alguns temas do PDI@

 
Defeitos de carácter, Medo e aceitação, Vocação, Vergonha, Desapego Emocional com Amor, Lições da Arte de Bem-Viver, Perdoar e muito mais surpresas, participe já. Envie já o seu email.

 

Percuso de vida; Continuidade do gene e o altruísmo

 

 

 

 
 nascimento/segurança e protecção/despertar
 
 
 
 
 carácter/aprendizagem/curiosidade
 


transformação/pertencer/autonomia

 
família/valores/compromisso/intimidade
 
 
transformação/experiência/mudança
 
morte/natureza/mistério
 
 
Os comportamentos adictivos (adicção) fazem parte da nossa condição humana. Somos influenciados por um conjunto de factores (bio-psico-social e ambiente) que determinam as nossas escolhas e decisões. Assim aconteceu e irá acontecer sucessivamente com os nossos familiares ao longo das gerações. Por. ex. adicção ao álcool (hereditário). 
Da mesma forma que através da reprodução proporcionamos a continuidade da espécie o mesmo também sucede com a adicção, cancro, diabetes (genes). "Uma mão lava a outra... e outra volta a sujar".
 
Todavia, aparentam surgir novas pessoas "iluminadas", ideias e abordagens que reforçam a importância da recuperação dos comportamentos adictivos e cujo potencial transforma a nossa cultura disfuncional/paradoxo. Graças ao avanço das novas tecnologias, da ciência e da experiência empírica, destaco as pessoas especiais (profissionais e individuos em recuperação).  Por ex. apesar de a nossa cultura (ainda) reforçar o consumo de bebidas alcoólicas e determinadas drogas lícitas e ou ilícitas, a pornografia, o jogo, a dependência emocional nas relações, a perfeição "imperfeita", o estigma, a negação,a vergonha tóxica e o preconceito existem pessoas especiais que reúnem a motivação, a determinação, a humanidade (Esperança) e o compromisso para a causa/missão da recuperação dos comportamentos adictivos, cultura diferente e inovadora baseado em valores e pessoas. Por.ex. pessoas especiais (anónimas e publicas) que são associadas a determinadas causas de cariz social e do ambiente.
 
Se pensar na vida como um percurso de (nascimento) a (morte - permanece uma incógnita) o que podemos aprender com a natureza da adicção? A adicção aparenta ser um mecanismo humano que é despoletado e adoptado em defesa do "ego" (arma/amortecedor) e de sobrevivência quanto a evitar/enganar o sofrimento,a dor, a perda, a rejeição e o abandono, perda do controlo, a vergonha, o medo. 
 
Apresentamos imensas semelhanças com ao animais ao longo do percurso da vida. O que podemos aprender com eles? Aparentam não desenvolver comportamentos adictivos, pelo contrario, desenvolveram as competências necessárias para se adaptarem e assim salvaguardar a sua espécie e tendo como "inimigo" o apelidado "desenvolvimento da civilização". Para os animais, o todo (sobrevivencia do individuo) é mais importante que a soma das partes. 
 
Os comportamentos adictivos podem ser uma defesa do "ego" (egoismo) e uma consequência da ausência de valores morais, sociais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, onde a nossa cultura promove o consumismo, elitismo retrogado, o individualismo (poder, sucesso e prestigio a qualquer preço), o fundamentalismo, discriminar com base em preconceitos, a negação e o estigma, as aparências, etc.
 
Precisamos de pessoas especiais que valorizem a liberdade, a criatividade (novas ideias e conceitos), a esperança, a honestidade, a universalidade, o altruísmo, a coesão do grupo, viver no presente.
Afinal, Recuperar É Que Está a Dar.
 

 

A adicção activa e a preparação para a mudança

  

 

 Sou um “deslumbrado” pelo comportamento humano e os comportamentos adictivos, em particular. Como profissional, obviamente aprendo com aqueles que procuram ajuda…a verdadeira (a mudança) – “escola da vida”. Refiro-me às competências individuais, sociais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, em lidar com a adversidade, a imprevisibilidade e a impotência (doença da adicção). Apesar das diferenças da personalidade, existem valores morais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, que nos unem e nos tornam flexíveis e mais corajosos nos momentos mais criticos do devir. Somos seres gregários, precisamos uns dos outros e o que aprendemos hoje pode não se aplicar amanhã. Estamos em mudança permanente.

Para um indivíduo com comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e as ilícitas, jogo, distúrbio alimentar, relações de dependência emocional, codependência, sexo, compras compulsivas - shopaholics, shoplifting - furto) aceitar ajuda profissional é o resultado de um estado de sofrimento, desgaste físico , emocional e espiritual progressivo e profundo – sente-se um falhado/a, desconfiado, angustiado, isolado e sofre de níveis altíssimos de desilusão. Sofreu um processo degradante transformador, como costumo afirmar, a escala de valores foi invertida, em vez de o individuo se valorizar; auto destroi-se. Em muitos casos, o adicto/a nem se apercebe dessa mudança disfuncional. Aquilo que criticou e julgou nos outros; acabou por fazer o mesmo ou pior. o adicto perdeu o controlo dos seus sentimentos e comportamentos, perante si próprio, as outras pessoas significativas (ex. filhos/as, amigos, colegas de trabalho, família) e necessita de ser salvo e removido à sanidade. Imagine-se num barco em alto mar, de repente começa a afundar, e você está sozinho, mesmo sendo um marinheiro experiente e orgulhoso (muitos adictos/as no activo[i] são indivíduos com imensa experiência e orgulho) precisa de ser ajudado e salvo, o mais rapidamente possível de forma a conseguir sobreviver.
 
Somos os nossos próprios “espectadores” no palco da vida
 
Nesta experiencia dolorosa o ego que “abandona o barco”, assim como a grande maioria das nossas habilidades o adicto no activo sente-se angustiado, assustado, frustrado, desiludido e impotente - HELP – SOSA ajuda surge e o adicto/a desesperado “agradece a oportunidade” com uma sensação de alívio enorme – exclama “Afinal, sobrevivi a este inferno....”  Após iniciar o processo da ajuda e de recuperação aprende com o tempo, e mais uma vez com frustração, que o problema reside dentro de si, não nas pessoas, lugares ou coisas à sua volta. Questiona-se:“Mas afinal…que fiz de errado para merecer isto? Porquê eu…?” Nesta fase questiona-se e procura culpados para a causa do problema. Sim, aprendeu que, como se sente uma vítima devem existir culpados. Quem são eles? O pai? A mãe? Ambos? A mulher/marido? A namorada/o? A doença? A pressão no trabalho? A localização geográfica? O patrão? Os amigos/as?

Gostaria de salientar um episódio recente de uma pessoa que procurou a "verdadeira" ajuda. Durante a quarta sessão/consulta reconheceu com surpresa que a raiz dos seus problemas (adicção), não era uma consequência e ou culpa dos outros (pessoas, lugares e coisas), mas do seu comportamental disfuncional e de algumas “velhas e poderosas e de crenças/mitos/ fantasias e factores fisícos/neurológicos que reforçavam o consumo de substâncias psicoactivas.
 
Após a constatação desta realidade, surge a motivação para a mudança. A experiência empírica assume um papel preponderante na contemplação e na selecção de novas medidas cognitivas, comportamentais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades. A “velha” e familiar desilusão e negação transforma-se em motivação. Renasce a esperança para enfrentar o desconhecido. Graças à transformação inicia-se o processo criativo, intuitivo e contempla-se a mudança. “E se conseguir provar a mim e aos outros que até consigo mudar?!” 

Todavia, neste processo complexo de avanções e recuos existe a ambivalência para a mudança que é perfeitamente normal e humano. A ambivalência é “Será que sou capaz de mudar?...E se falhar mais uma vez? Vou sentir-me deprimido e desiludido. Acho que não consigo suportar a dor…assim é melhor voltar ao prazer imediato e à zona de conforto.”
Para o adicto/a no activo é um desafio gigantesco abdicar do sistema de recompensas disfuncional e adictivo, mesmo negativo e doloroso é familiar (estilo de vida centrado na adicção). Mesmo disfuncional satisfaz (prazer imediato). Como o fumador que deixou de fumar há 6 meses, um dia vai jantar com os amigos e decide voltar a fumar, só um “cigarrinho”. Afirma “Só mais um…”. Mesmo que os seus amigos critiquem a sua decisão, nada o demove. É humano, mais uma vez, você acredita naquilo que é familiar e conhecido. Salvo excepções, qualquer pessoa não muda de um dia para o outro.
 
A motivação é como uma parede que se constrói - Tijolo a tijolo.
 
Após uma fase de “negociação” e “confecção do menu” rico em ideias, escolhas, valores morais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, o adicto decide arriscar e “dar um salto” no desconhecido fora da zona de conforto (trabalho interior). Não procura os culpados, procura identificar as barreiras, que o manteve doente, os recursos e as competências individuais, sociais e espirituais.
Descobre um aliado espiritual (neutro e imaterial, uma crença individual espiritual, não religioso sem dogmas e divindades) que não “exige” obediência cega, não castiga, não humilha, assim como não exige a perfeição/redenção (cura imediata como se tratasse da eliminação de um vírus através de uma vacina). O aliado/a tolera, ouve (activo) e é genuíno e manifesta-se nas conexões com as outras pessoas significativas. Afinal, e apesar de toda a negação e descrença/angustia pessoal, vale a pena acreditar e voltar a sonhar. O Adicto estabelece um vínculo (dinâmica na relação entre duas pessoas, onde uma delas aparenta ser genuína e estar comprometida – empatia) capaz de gerar motivação, “veículo” essencial para a mudança.
Gostaria de realçar que a preparação para a mudança é um processo de avanços e recuos. Antes da mudança, é necessário ser o espectador do processeo da mudança e visualizar os prós e os contra. Preparar o "terreno" e criar perspectivas realistas de forma a consolidar e a manter o “espírito aberto e flexível” aos novos desafios e à adversidade da vida, assim como a capacidade em sonhar/ambição.

 O pescador naufragado, apesar da experiência traumática e dolorosa que passou durante os meses “abandonado e impotente”, vulnerável aos elementos, sabe que a segurança encontra-se no porto, todavia para pescar precisa de arriscar, confiar e dirigir-se novamente ao alto-mar. Melhor equipado e mais preparado. Para mudar, é necessário ter o desejo sincero.
 
Tijolo a tijolo a motivação pode ser o cimento que sustenta a parede. Afinal, recuperar da adicção é um novo e duradouro estilo de vida. Os meus agradecimentos aqueles que conheci nos dias mais atribulados das suas vidas que me ensinam a humildade, a resiliência e a confiança.
 
 
 
 
 

[i]  Adicto no activo – Significa que o individuo é afectado pelos sintomas da doença (perda de controlo, a adicção é o problema e a preocupação nº 1 na sua vida, obsessão e compulsividade).