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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

O problema por Dan Keding

O problema

"Era uma vez um lavrador. Embora trabalhasse noite e dia, nunca conseguia deixar de ser pobre. De cada vez que começava a sentir que estava a tirar o melhor partido de uma situação, tudo acabava sempre por falhar. Se num ano havia seca, no outro havia cheia. Se num ano os rebanhos adoeciam, no ano seguinte os lobos dizimavam-nos. Se num ano o preço do cereal descia, no ano seguinte o rei subia os impostos.

Certo dia, o lavrador estava sentado num tronco, cabisbaixo e desesperado. De repente, apareceu uma estranha e grotesca criatura a dançar, a cantar e a rir à volta do lavrador. Os pelos que lhe cobriam o corpo estavam emaranhados, os olhos selvagens faiscavam e tinha os dentes pretos. O cheiro que exalava quase fez o lavrador chorar.

— Quem és tu?

— Eu, bom homem, sou o teu problema. Só passei por aqui para ter a certeza de que eras o mais infeliz possível!

— Monstro! Então é por tua causa que nunca coisa alguma me corre bem?

— Pois é! Eu sou o teu azar, a tua desgraça. Sem mim, serias um homem com sorte.

Rápido como o vento, o pobre homem agarrou o seu problema pelo pescoço e amarrou-o com cordas fortes. Em seguida, abriu uma cova bem funda e atirou a sua desgraça lá para dentro. Tapou-a com pedras e regressou a casa.

No dia seguinte, a sorte começou a mudar. As ovelhas deram à luz gémeos, as vacas começaram a dar duas vezes mais leite, as culturas cresciam mais depressa e mais alto do que nunca, e as árvores estavam carregadas de frutos. Todos os comerciantes queriam comprar os seus produtos e toda a gente vinha adquirir os seus legumes, frutos e animais. Em poucas semanas, o homem, que fora tão pobre, estava rico.

O lavrador tinha um vizinho que habitualmente era bem-sucedido. Este homem rico sempre olhara com desdém para o lavrador e ridicularizara o seu trabalho. Agora via que o lavrador estava quase tão rico como ele e, ainda por cima, em tão pouco tempo. Um dia, não conseguiu aguentar mais a curiosidade e foi visitá-lo.

— Parabéns, vizinho, pela sua recente boa sorte. Devo dizer que estou admirado com a rapidez com que conseguiu fazer prosperar esta quinta. Qual é o segredo?

— É simples. Encontrei a raiz do meu infortúnio. O meu problema veio vangloriar-se da minha má-sorte e eu apanhei-o. Enfiei-o num buraco fundo, que cobri com pedras, um buraco que fica na minha pastagem. Essa é, sem dúvida, a razão pela qual finalmente tive sorte, depois destes anos todos de trabalho e fracasso.

O lavrador rico não gostou que o vizinho tivesse finalmente triunfado na vida. Naquela mesma noite, rastejou até ao buraco onde o problema do vizinho estava enterrado. Durante toda a noite levantou as pesadas pedras e cavou a terra até encontrar o problema. Desamarrou-o e pô-lo em liberdade.

— Muitíssimo obrigado — gritou o problema. — O senhor é um verdadeiro amigo.

— Agora — disse o homem rico — podes voltar a atormentar o teu antigo dono outra vez.

— Não, não, não! — Gritou o problema. — Aquele homem tratou-me muito mal e atirou-me para dentro deste buraco. Mas o senhor foi tão amável em libertar-me! Vai ser um amo muito melhor. Vou ficar consigo para sempre. Assim foi e assim devia ser."

 

  • Dan Keding, Stories of Hope and Spirit
  • Little Rock, August House Publishers, 2004, (Tradução e adaptação)

 

Pessoas Especiais (Mentores) Lewis Melvin Schulstad

Recentemente faleceu o Coronel Lewis Melvin (Mel) Schulstad ex piloto da United States Air Force (USAF). Pessoa ilustre, visionário e um pioneiro, e sem sombra de duvidas, um individuo determinado e dedicado à causa do tratamento e da recuperação da adicção às substâncias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas. Dedicou uma parte significativa da sua vida a promover o reconhecimento da carreira/profissão do Addiction Counselor. Inclusivamente, em 1974, foi o co-fundador e antigo presidente National Association of Alcoholism Counselors and Trainers, que uns anos mais tarde, em 1976, se viria a tornar National Association of Alcoholismo Counselor, e finalmente em 1982, na actual National Association of Alcoholism and Drug Abuse Counselors (NAADAC), congénere da portuguesa Associação Nacional de Conselheiros em Abuso de Drogas e Alcoolismo (ANCADA).

 

Schulstad (Mel) permaneceu 46 anos em recuperação da adicção. Com frequência partilhava a sua história na recuperação e de esperança. Apos a sua reforma, manteve-se disponível para ajudar e apoiar os outros.

Foi também o c-autor do livro, com James Millan,  “Under the Influence”, 1984 e autor do livro “Beyond the Influence”, 2000. Ambos os livros marcaram uma era no tratamento (biologia da adicção) e na recuperação da adicção.

 

Data do nascimento: 09 de Março de 1918

Data da morte: 06 de Janeiro de 2012

Uma singela e profunda homenagem a este ser humano “especial”, um ícone, cujo contributo e participação abnegada irá permanecer presente na memória de muitas pessoas, incluindo aqueles que estão em recuperação. Os meus pêsames à sua família.

 

Comentario: È urgente, novos recursos e competências, pessoas dedicadas e especializadas e instituições dedicadas, tanto a nível cientifico como empírico, no tratamento da doença da adicção às substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas. É imperativo aproximar a ciência (investigação) da prática (experiencia) e formar equipas multidisciplinares, de pessoas competentes, dedicadas e abnegadas com a causa. São necessárias reformas (quanto à metodologia, epidemiologia e etiologia) direcionadas à prevenção, ao tratamento e à recuperação, assim como um maior envolvimento da sociedade, cujo principal intuito é derrubar o estigma, a negação e a vergonha associado a esta doença. Aos indivíduos doentes, assim como às suas famílias, incluindo as crianças, é urgente devolver a dignidade que eles têm direito. Recuperar É Que Está A Dar

 

Seis dígitos - 100.000: Recuperar É Que Está A Dar

 

 

 

 

Noticia: Esta sexta feira passada atingimos os seus digitos - 100.000 visitas e 176.236 page views. Bem haja ao Sapo Mulher e a todos aqueles seguidores do blogue; que enviam comentarios, que visitam paginas, que partilham o blogue pelos seus contactos.

  • O Recuperar das Dependências é o blogue pioneiro em Portugal que aborda a temática da intervenção, prevenção, tratamento e recuperação dos comportamentos adictivos, numa abordagem espiritual, não religioso, sem dogmas e divindades, da qual inclui as substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool, e as ilícitas, o jogo, as compras - shopaholics, o sexo, o furto - shoplifting, a codependencia.

 Sabia que o blogue Recuperar das Dependências está presente, no Sapo Mulher - Consultórios Online,  desde 2008? São enviadas respostas a todos aqueles que enviam as suas questões e ou dúvidas. 

  • Existem seguidores do Recuperar das Dependencias em varios países de expressão portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde).

Alguns comentarios dos seguidores deste blogue

 

“Os meus parabéns pelo blogue. Por um lado, apresenta informação pertinente e estruturada de forma interessante, por outro disponibiliza os conhecimentos, partilhando-os com as outras pessoas. Agradeço-lhe por isso. Vou levar o seu texto para debate dentro de um conhecido hospital psiquiátrico português, para debater em conjunto com algumas pessoas internadas. Bem-haja, Manuel (Nome fictício)”

 

“Meu Deus, como é que pode nos entender assim tão bem?! Fiquei mais animada quando, li os seus artigos. Peço a Deus que continue a ajudar na tua caminhada. Estou em recaída, assim espero melhorar, e seguir em frente pois ninguém é perfeito, mas podemos melhorar, no que queremos! UM FORTE ABRAÇO, Xavier (Nome fictício)”

 

“Ola. Infelizmente sofro de dependência emocional desde que me separei a 4 anos. Não é nada fácil viver com esta doença, pois foram muitas as vezes que caí em depressão, e para fugir dela comprei sempre roupas novas e resultou porque aumentou minha autoestima. Foi muito bom ter encontrado a sua ajuda. Espero que mais pessoas possam ler e mudar de atitude para que todo mundo viva em paz. Álvaro(Nome fictício)  ”

 

“Apesar de seu texto ser para doentes crónicos, eu consegui tirar muito proveito, viver um dia de cada vez é difícil, principalmente que a doença causa ansiedade. Obrigada pelo texto e parabéns, Lídia (Nome fictício)”


“Olá, gostei muito do material (post`s) do blogue. É um assunto que muito me interessa.
Vou iniciar um blogue sobre dependência química e gostaria do seu parecer. Um grande abraço. Vasco (Nome fictício)”

 

“O seu blogue é extremamente inspirador. Ao que parece, muitas pessoas que confrontam a eminência da sua morte redescobrem o poder de canalizarmos toda a nossa energia e paixão a Cada Momento Presente. Como que vendo nele a própria eternidade. Muito Obrigado, Maria (Nome fictício)”

 

“Adorei os artigos. Adicionei aos favoritos para mais tarde voltar a ler e re-ler. Procurei ajuda neste sentido Relações de dependência, mas não encontrei nada que de facto me ajudasse, devo dizer que este artigo me tocou. Muito Obrigada por existir pessoas tão boas que partilham dos seus saberes assim tão desprendidamente.

Obrigado, Abílio(Nome fictício)  ”


“Boas, gostei de ler este artigo, é enriquecedor. Vou passar a ser seguidor frequente. Cumprimentos, Manuel (nome fictício)

 

“Muito obrigado por este belissimo post relativo a recuperar das dependências!

Interessante, obrigado por partilhar. Cumprimentos, António (nome fictício)

 

"Viva João, 
Já li alguns textos sobre codependência e este é sem dúvida o melhor para codependentes! Aproveito para dizer que faço parte dessa grande "família". Obrigada, Ana (Nome fictício)

 

“ Muuuuuito bom o artigo! Excelente! Parabéns e continue publicando! Está ajudando milhões de pessoas.  Carla (Nome fictício)

 

“Muito bom o artigo... Vou seguir as dicas para ver se funciona. “

Cumprimentos, Sónia (Nome fictício)

 

Partilhe o Recuperar das Dependências pelos seus contactos. Queremos atingir as 200.000 visitas

 

 

 

 

 

Vitimas do estigma, da negação e da vergonha

O alcoolismo é um problema de saúde pública em Portugal. Na minha opinião, é uma epidemia (doença), que assume proporções graves e é negligenciada pelas autoridades competentes; políticos, tribunais, ordem dos médicos, ordem dos psicologos, ordem dos advogados e comunicação social.
Quais são os custos económicos e sociais do abuso do álcool e do alcoolismo em Portugal? Não creio que existam estudos que respondam a esta questão. Quais as consequências para a família, incluindo as crianças inocentes? Não creio que existam estudos que respondam a esta questão. Cada caso um caso, convém recordar que por detrás dos números/estatísticas existem pessoas, incluindo as crianças, que assistem, impotentes, diariamente ao drama do abuso do álcool e do alcoolismo. Sabia que o abuso do álcool e do alcoolismo é um fenómeno transversal na nossa sociedade?

Existem mais óbitos associados ao álcool do que com o vírus da gripe mais letal. Quantas vítimas mais são necessárias para que as autoridades competentes e a sociedade civil despertem para este pesadelo realista? Caso você conheça estudos que contemplem estas questões, envie para o email: joaoalexx@sapo.pt. Bem haja

 

Pertencemos a uma cultura que bebe. Os números/vítimas não param de aumentar perante a passividade e o consentimento das autoridades (in)competentes. Os numeros divulgados neste blogue são apenas a ponta do icebergue.

 

2018

 

56. Noticia JN (16 de Junho 2018) Amarante - "Detido por agredir a mãe e obrigado a sair de casa. Jovem (28 anos) exigia dinheiro para sustentar vícios do álcool e tabaco."

55. Noticia TVI24 (07/04/2018) Marvão, Portalegre - "Militares da GNR apanham homem a bater na mãe, de 82 anos. Agressor está proibido de contacto com a mãe e obrigado à realização de um tratamento devido ao problema do alcoolismo."

54. Noticia no JN (07/04/2018) Ponte de Lima - "Preso homem por matar mulher alcoolizada. O Tribunal de Viana de Castelo condenou a 13 anos de prisão um homem que matou a mulher asfixiando-a com uma almofada (...) no momento em que esta se encontrava alcoolizada, o que aconteceu frequentemente ao longo dos anos." 

  • 2017

53. Noticia no JN (14/10/17) - Espinho, Paramos. "Agressão entre irmãos. Uma discussão entre irmãos (...) terminou com um a desferir golpes sobre o outro. Os cortes foram superficiais, pelo que a vitima não corre perigo de vida. O agressor, de 41 anos, com dependencia do alcool, agrediu o irmão, de 43 anos, com uma faca de cozinha dentro da habitação."  

52. Noticia no Porto Canal (25/09/2017) Arcozelo. "Homicidio em barcelos ocorreu num quadro de droga e alcool. (...) Segundo a fonte o agressor e a vitima partilhavam um barraco numa quinta eter-se-ão desentendido na noite de domingo. No meio da discussão a vitima terá sido esfaqueada acabando por morrer."

  •  2016

51. Noticia no JN (07/12/16) Vila Verde. "Agressor da mãe aceitou tratar-se. Luís, 40 anos, sofre de alcoolismo, aceitou fazer um tratamento, incluindo ser internado, para não ser preso três anos e meio por agredir a mãe. O arguido, foi acusado de agredir a propria mãe, entretanto falecida, a quem furtava galinhas para vender e com o dinheiro consumir bebidas alcoolicas."

  •  2015

50. Segundo o Instituto Nacional de Estatística refere que, em 2014, foram registados 89 mortes devido ao abuso do álcool - 20,2% em Lisboa e 8,o% Porto. A idade media do óbito para esta causa de morte foi de 63,1 para os homens e 65,8 para as mulheres.

49. Noticia no JN (12/4/15) Linda-a-Velha - "João Pedro está indiciado pelo homicídio do filho Henrique de seis meses". De criança "adorável" a homem "violento". Segundo alguns testemunhos "O álcool constituía o maior problema. Era violento quando bebia. Quando bebia ele perdia-se completamente."

48. Noticia no JN (10/1/15) Guimarães - "Atropelado depois de beber 4 bagaços. Um homem com 64 anos morreu atropelado (...) na via rápida que liga as vilas de Brito e Pevidém. A dona do café, onde o homem almoçava e jantava todos os dias, recorda-o como boa pessoa, apesar do vicio do álcool"

  • 2014 ( 5 vitimas)

47. Noticia no JN (20/12/14) Ílhavo - "Mãe confessa ter bebido uma garrafa no carro. Foi ontem a tribunal a mulher que conduzia alcoolizada com os quatro filhos - de dezassete, oito e quatro anos e um de cinco meses."

 

46.  Noticia no JN (25/09/14) Guimarães - " Alerta foi dado pela empregada de limpeza do prédio no bairro social. Homem viva sozinho e tinha problemas de álcool. Um homem de 50 anos estava há 15 dias morto em casa. O corpo estava em decomposição avançada. Cirrose matou-o."

 

45. Noticia no JN (23/08/14) Aveiro - "Bêbado abusava da filha menor. Libertado por juiz de instrução criminal após ser ouvido no DIAP. Quando estava embriagado, um homem de 50 anos, abusava da filha, menor de idade. O caso aconteceu no seio do ambiente familiar, em casa,  e veio a ser descoberto por outros membros da família, que denunciaram o pedófilo às autoridades."

 

44. Noticia na TVI24 (19/06/14) - Aveiro - A Polícia Judiciaria de Aveiro anunciou esta quinta feira a detenção de um homem, de 47 anos, suspeito de ter ateado, na passada quarta feira, um incêndio na casa onde residia com a mãe, em Anadia. « O suspeito , a residir em casa da mãe, com um quadro de forte alcoolismo e outros problemas psiquiátricos, ao inicio da noite, presumivelmente utilizando um isqueiro, etrá iniciado um foco de incêndio no quart onde se encontrava (...)»

 

 

43. Noticia no JN (19/01/14) - Porto - "Corpo de António R. estava há três semanas por reclamar. Falecera no Hospital de Santo António, trazido de emergência da pensão onde fora instalado pela Segurança Social, e ali continuava à espera de quem o reclamasse. António R. tinha 61 anos e era dono de uma vida desregrada pelo álcool (...)"

  • 2013 (12 vitimas)

42. Noticia no JN (02/11/13) - Valongo - "Alcoólico doente morreu ao cair da ponte pedonal. Era um alcoólico conhecido em Valongo o homem de 40 anos que anteontem, às 18.45 horas morreu (...). David M. (...) foi muitas vezes recolhido pelos bombeiros na rua, derrotado pelo alcool."

 

41. Noticia no JN (27/09/13) - Monção - "Antiga locutora de rádio morta em casa devoluta. Mulher tinha problemas de alcoolismo e vivia há varios anos como sem-abrigo."

 

40. Noticia no JN (24/09/13) - Aveiro - "Perdi a cabeça e espanquei-a. Ela era alcóolica. (...) O casal vivia num quadro de violência, álcool e droga. (...) Com um pau Carlos desferiu-lhe varios golpes em todo o corpo, principalmente na cabeça e no pescoço."

 

39. Noticia no JN (18/09/13) - Alvaiázere (Leiria) - "Matou a tiro ex-mulher a o novo namorado. (...) Um autarca local ouvido pelo JN, que pediu para não ser identificado, diz que «para perceber o crime é preciso ter em atenção o facto de se tratar de uma família desestruturada, com alguns elementos a sofrerem de atraso cognitivo e/ou problemas de consumo excessivo de alcool.»

 

38. Noticia no JN (16/07/13) Loures - "Josefina foi morta pelo marido. O casal já se tinha separado uma vez, devido a zangas ligadas ao álcool, mas Josefina voltara." Segundo um amigo do casal afirmou "Ele tomava uns comprimidos, não sei porquê, mas sei que ele era bom homem."

 

37. Noticia no JN (07/07/13) Moita - "Ligue à GNR e diga que matei a minha mulher. A luta por uma garrafa terá levado A. de 60 anos, a matar a mulher, de 49 anos. Há muito que o casal viva em conflito. Nelita era vista com frequência completamente alcoolizada e a vaguear pelas ruas."

 

36. Noticia no JN (25/06/13) Estarreja - "Pai detido por álcool socorrido na GNR por filho bêbado. Detido por conduzir com uma taxa de álcool no sangue superior a 1,20 grama de álcool por litro no sangue (g/l) e depois de ameaçar e injuriar militares da GNR, um homem de 53 anos, telefonou ao filho a contar o sucedido (...) O filho de, de 32 anos, pôs-se de imediato ao volante do carro que conduziu até ao posto da GNR par auxiliar o pai. Mas esqueceu-se de um facto: também estava alcoolizado. Acabou igualmente detido, após acusar uma taxa de 2,43 g/l no teste de alcoolemia." 

 

35. Noticia no JN (16/05/13) Braga - "Matou  marido à facada e quis suicidar-se um dia depois. As discussões e agressões entre ambos eram constantes por causa de problemas de alcool." Este casal tem um filho de 10 anos que foi retirado  pela Segurança Social "O menino vive com a tia".

 

34. Noticia no JN (10/05/13) Amarante - "Pegou fogo à casa e foi beber vinho para o café. As autoridades reuniram 13 queixas de violência domestica que a vitima foi fazendo ao longo dos 24 anos que leva de casamento." "Ele não trabalha, quer que eu lhe dê o dinheiro. Nós vivemos do abono do meu filho e do dinheiro que vou ganhando a coser sapatos em casa. Na semana passada, recebi 150 euros do Rendimento Social de Inserção, gastou-o todo em vinho."

 

33. Noticia no JN (16/3/13) Cinfães - "Matou o pai por não o deixar beber vinho. Mãe assistiu ao crime e diz que teve de fugir para não ter o mesmo fim que o marido. O meu filho bebe muito e não ajudava em casa."

 

32. Noticia no JN (13/3/13) Barcelos - "Mulher levou a filha à escola com 2,85 de alcoolémia. PSP de Barcelos intercepta, condutora de 30 anos, com taxa crime de alcoolémia às 9 horas da manhã." Taxa máxima permitida por lei - 0,5. O risco de envolvimento em acidente mortal aumenta duas vezes a partir da taxa máxima permitida por lei e a partir da taxa considerada crime (1,2) o risco de acidente mortal aumenta 16 vezes mais.

 

31. Noticia no JN (30/01/13) Paços de Ferreira – “Dez anos para jovem que matou cliente” De acordo com a notícia este jovem matou uma pessoa “ao tentar socorrer a patroa da agressão de um cliente…” No dia do crime a vitima mortal tinha um valor elevado de alcoolemia no sangue (2,99). O jovem empregado estava proibido de servir bebidas alcoólicas à vítima, que não sendo atendido, “terá desatado a partir cadeiras.” Mais tarde a patroa do jovem e a vítima envolveram-se em confrontos, foi nesta altura que o jovem agarrou numa faca a espetou-a no ombro da vítima que faleceu no local.

 

Nota: Só para você ter uma ideia do elevado nível de alcoolemia da vítima (2,99) podemos comparar com o limite permitido por lei em relação aos condutores de viaturas 0, 50. 

 

 

30. Noticia no JN (06/01/13) S. Pedro do Sul "Amigos atropelados na estrada em que estavam deitados." Segundo um conhecido afirmou "Muito animados após beberem uns "copitos". Outra pessoa conhecida fez referencia a uma das vitimas "Era bom rapaz, mas coitado, gostava de pinguita"

 

  • 2012 (23 vitimas)

 

29. Noticia no JN (01/11/12)  Sertã “Assassinado por dizer mal de namorada de colega. Um individuo cabo verdiano, de 34 anos, não gostou nada das bocas que ouviu sobre a sua namorada e, após uma troca azeda de palavras, que terá sido agravada pelo álcool, esfaqueou mortalmente um português, de 47 anos.”

 

28. Noticia no JN (27/10/12) Mira Sintra “Discussão sobre um copo de vinho estará na origem de homicídio. Morto com um golpe de tesoura. Os moradores garantem que a casa não tinha agua nem luz e que os quatro moradores, em ocupação definida, eram conhecidos por estarem frequentemente alcoolizados.”

 

27. Noticia no JN (21/10/12) - Alvor - "Bêbada mata amante com um fio elétrico. A agressora telefonou para a GNR de Alvor,(....) para participar uma ocorrência de violência domestica, mas acabou por confessar aos guardas, no local, que tinha morto um homem. A agressora estava alcoolizada e os militares suspeitam que tivesse usado estupefacientes."

 

26. Noticia no JN (13/10/12) - Marco de Canavezes - "Matou o marido bêbado que a queria asfixiar. As discussões entre o casal eram diarias e não passavam dois ou três dias sem haver violência entre o casal. (...) António e a mulher envolveram-se num confronto físico  na presença dos dois filhos menores, com 13 e 14 anos." Este caso aconteceu a 3 de Fevereiro de 2011 e encontrava em fase de julgamento no tribunal.

 

 25Notícia no JN (09/09/12) Estarreja - "Pedreiro esfaqueou idoso que o criou e foi detido. (...) em Pardilhó, as ameças, roubos e danos de D. à família Silva não são novidade, ainda que causem alguma estranheza, já que o pedreiro foi acolhido e criado pelo casal desde os seis anos. Ele quando bebe fica agressivo e já fez muito mal. Há meses esfaqueou um GNR" contam A. L. e R. S."

 

24. Noticia no JN (30/06/12) Coimbra - "Guerra entre dois grupos rivais acaba com homicídio de um homem. Vitima: Jorge (nome fictício). desempregado, mais conhecido pelo O Garrafão, vivia com o irmão, também toxicodependente, em casas abandonadas. Pontualmente, trabalhava na construção civil." De acordo com pessoas conhecidos afirmavam "O Zé metia-se nos copos e a na droga, vivia em casas abandonadas, mas não fazia mal a um mosca"

  

23. Noticia no JN (06/06/12 Matosinhos - "Lésbica agredia companheira quando estava bêbada"De acordo com os relatos da vitima, na mesma noticia. Arguida volta diariamente a casa onde houve agressões para almoçar "Há dois anos que continuávamos a viver juntas, mas já não tínhamos uma relação amorosa. Quando ela bebia ficava descontrolada. Uma vez ameaçou-me com um taco de basebol e uma garrafa de cerveja."

 

22. Noticia no JN (25/04/12) Vieira do Minho - "Suspeito de matar irmão com quem dividia mulher. Um dos suspeitos do homicídio é o próprio irmão(...). Viviam com a mesma mulher, num cenário de miséria e violência agravado pelo álcool. Ambos com cadastro por atos violentos e com forte dependência do álcool que se exteriorizava em caracteres agressivos" Segundo os vizinhos, "Eram bons moços e até trabalhavam, mas o vinho dava cabo deles" Com a agravante e de acordo, com a referida a noticia "A mulher, P., com duas filhas que a Acção Social de Vieira do Minho lhe retirou(...)"

 

21Noticia no JN (28/02/12) Vagos - "Alcoolizado suspeito de incendiar a própria casa. As ameaças de C.Z., de 48 anos, conhecido por problemas de alcoolismo, agressividade e desavenças familiares, já eram antigas. Bate na família e ameaçou matar alguns com uma espingarda. Já disse à mulher "Vais ter um desgosto. Ainda hei de ver te a pedir esmolas pelas portas" contou ao JN um familiar."

 

20. Noticia no JN (18/02/12) Beja - "Bêbado era um terror. Segundo os vizinhos era brincalhão e educado, mas quando estava com os copos desviavam-se dele. Bêbado era um terror." As vitimas foram: a mulher, a filha e a neta. O individuo acabou por cometer o suicídio na cadeia.Noticia no JN (19/02/12) referente ao mesmo caso. "Relatório medico já apontava doença e álcool e aconselhava acompanhamento. Tratamento a homicida de Beja recusado há 20 anos.Violência e álcool começaram após guerra na Guiné"

 

19. Noticia no JN (08/02/12) Montemor-O-Velho - "Discussão por causa de boleia acaba em morte. Problemas com a bebida. O falecido era pessoa conhecida na zona por beber em excesso e, de acordo com um familiar directo, criar problemas e inimizades nos cafés por onde passava. "Era um infeliz.Levava porradinha que dava pena. Quando estava com os copos ninguém o aturava."

 

18.  Noticia no JN (23/01/12) Viseu - “Assassinado à facada pela companheira. O crime terá ocorrido num quadro de violência doméstica e alcoolismo. Segundo uma testemunha, as discussões entre casal eram habituais por causa do álcool”.

 

17.  Noticia no JN (19/01/12) Aveiro - “ Bateu na mulher, baleou cunhado e suicidou-se. Chegou a casa embriagado, causando cena de violência que terminou em tragédia.”

 

16. Noticia no JN (17/01/12). "Um terço dos mortos tinha álcool no sangue. Quase metade das vitimas mortais (41,2%) resultantes de acidentes de viação, em 2010, encontravam-se sob o efeito de álcool e 31,1% apresentavam níveis superiores a 0,5 - limite permitido - revelou o Instituto de Medicina Legal"

 

  • 2011 (15 vitimas)

 

15. Noticia no JN (16/12/11) "Famalicão - Fogo mata homem na cama. Foi encontrado sem vida, assim como dois cães que lhe faziam companhia. Ele fumava muito e, por vezes, abusava do álcool, garantiram alguns vizinhos."

 


14.
 Noticia no JN (12/12/11) "Santa Maria da Feira - Amigos lamentam morte de Carlinhos. Vitima de duplo atropelamento que ocorreu ao final da tarde. Há muito que amigos e família temiam um desfecho trágico para Carlos Manuel. Os copos deram cabo dele. Bebia e andava pelas ruas."

 

13. Noticia no JN (23/11/11) “Tarouca – Alcoolizado ateou fogo à própria casa. Mulher e filho de cinco anos estavam em casa de familiares”

 

12. Noticia no JN (14/11/11) “Tondela – Queimado e assassinado por amigo dos copos. Espancado e queimado na lareira de um barracão isolado, homem acabou por morrer na noite de anteontem, a caminho do hospital.”

 

11. Noticia no JN (31/10/11) “Acordou bêbado a pensar que tinha matado a mulher. O casal tinha ido jantar a casa de uma filha (…) mas o homem abusou do álcool. A mulher farta de o aturar acabou por deixar na rua e foi dormir a casa de uma vizinha. O homem adormeceu onde estava e ao acordar entrou em pânico por não ver a mulher e pensou que tivesse assassinado e resolveu avisar a filha”

 

10. Noticia no JN (30/10/11) “Amarante – Trolha esfaqueado pelo ex-cunhado numa emboscada. Questões antigas mal resolvidas à mistura com algum álcool pode ajudar a explicar o crime.”

 

9. Noticia no JN (29/10/11) “Povoa do Lanhoso – “Aterroriza restaurante por não poder fumar. Sacou de navalha, ameaçou clientes e insultou padre. Ele é bom rapaz e trabalhador, mas com um copito a mais não se controla.”

 

8. Noticia no JN (28/10/11) “Tarouca – Repudiado após 20 anos na cadeia. População tem receio de homem que em 1991 matou a mulher. Quanto ao consumo do álcool, que não nega, justifica prontamente: Se deixar de beber fico doente.”

 

7. Noticia no JN (23/10/11) “Guimarães – Feriu a tiro o filho que defendia a mãe. Um homem de 35 anos, foi baleado pelo próprio pai quando interveio numa discussão em defesa da mãe. Depois de disparar o pai alcoolizado fugiu e acabou por se entregar, ontem, na esquadra da PSP”

 

6. Noticia no JN (20/10/11) – “Aveiro – Medico detido pela PSP por agredir a mulher.” Segundo a noticia o medico fez quatro tratamentos de desintoxicação alcoólica e tentou três vezes o suicídio. Os seus crimes de violência domestica, muitos deles na presença da filha menor de 12 anos, ocorrem desde 2009.”

 

5. Notícia no JN (18/10/2011) “Tábua - Morto à facada por mulher a cair de bêbeda. Discussão por causa de lixo terá estado na origem do crime. Homicida não se lembra de nada. A filha e o seu companheiro assistiram à cena de violência. 

 

 

4. Notícia do JN (17/10/2011) "Abação – Guimarães. Pedida pena suspensa para jovem que matou o padrasto para defender a mãe. Na altura do incidente o homem, de 54 anos, tinha uma taxa de alcoolemia de 2,93"  Nota: Só para ter uma ideia a taxa de alcoolemia limite legal para condução de veículos é de 0,5.

 

3. Notícia do JN (5/10/2011) "Idoso matou a mulher a tiro na rua e suicidou-se". Testemunhas afirmaram "Era uma pessoa que levava um vida desafogada, sem qualquer tipo de problema económico, tido pelos vizinhos como pessoa simpática mas a quem reconheciam apenas um defeito: a bebida"

 

2. Noticia no DN (16/9/2011) "Matou o amigo que o esfaqueou". Segundo a notícia o conflito "...começou durante a tarde quando começaram a dizer que a família de um era melhor do que a do outro...", algumas testemunhas afirmaram que eles estavam "...com um copito a mais"

 

1. Notícia do DN (17/9/2011) "Imolou-se por não aceitar a separação" Segundo a noticia este indivíduo ateou fogo a si próprio, e à sua casa por não aceitar a separação da mulher." Segundo algumas testemunhas a origem deste comportamento terão estado problemas conjugais e "Ele é muito bom rapaz, mas o problema dele são os ciúmes e beber muito"

 

 

 

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte I

O alcoolismo pode igualar-se a um conjunto de doenças (ex. doenças cancerígenas, diabetes) que são herdadas na família. Ao contrário destas doenças que referi, o alcoolismo, infelizmente não é sobejamente conhecido e investigado (prevenção, tratamento e recuperação) em Portugal pelas entidades competentes e profissionais.

 

Há muitas gerações, que se perdem no tempo, que pertencemos a uma “cultura que bebe”, que reforça e promove o consumo de bebidas alcoólicas, em alguns casos, até o abuso do álcool é considerado normal, corajoso, destemido, engraçado e divertido.

 

Não é novidade que o álcool é um óptimo “lubrificante” nas relações entre pessoas e também associado a uma “fonte” de lazer e bem-estar. Se no inicio de um acto social, nos sentimos desconfortáveis ou constrangidos, após ingerirmos uns “copos” passados uns minutos já nos sentimos aliviados, desinibidos e “confiantes.”- Muleta extra utilizada para quebrar o gelo. Por isso, muito cedo (em alguns casos durante a adolescência) aprendemos estes comportamentos mas raramente os desaprendemos. Podemos recorrer á “muleta” sempre que quisermos porque sabemos perfeitamente que “Não nos vai deixar mal.”

 

 

Reconheço vários aspectos benéficos no consumo de bebidas alcoólicas na nossa sociedade. É obvio que o álcool consumido de forma consciente e saudável não representa perigo. Várias vezes refiro que o álcool não é o problema nº 1, mas as pessoas (aquelas que não estão informadas, aquelas que o consomem abusivamente e aquelas que o vendem abusivamente). Não sou “fundamentalista”, mas um cidadão (e pai) e um profissional atento aos problemas relacionados entre as pessoas (sociedade) e o álcool.

 

Todavia gostaria de “debruçar” sobre os efeitos do alcoolismo na família, ao longo de gerações, e expor questões que na minha opinião, continuam ignoradas e negligenciadas, o que é grave (CRISE negligenciada). Não é nada que não se saiba, mas raramente se investiga e discute até ao surgimento de notícias trágicas e comoventes – ex. casos extremos violência doméstica associados ao alcoolismo e casos de negligência e/ou abuso (físico, sexual e emocional) de crianças associados ao alcoolismo.

 

 

 

"Tal pai, tal filho" mas com rumos diferentes

Um garoto, a que vamos chamar Júlio, de 15 anos, quando conversava evitava o olhar e falava muito baixo, todavia, era muito doce e muito forte. Morava num bairro social, num T1, no mesmo prédio  mas em dois andares diferentes. No primeiro andar morava a avó que padecia de cancro, em fase terminal, no rés-do-chão morava o pai alcoólico com um cão. Todos os dias, o rapaz levantava-se muito cedo, tratava da casa, preparava o almoço, depois corria para a escola onde era um óptimo aluno, mas muito solitário. Ao final da tarde e de regresso a casa, fazia compras, não esquecia de levar o vinho, lavava o T1 onde o pai e o cão tinham feito porcarias, vigiava os medicamentos, dava comer à pequena família, depois à noite, quando a tranquilidade regressava, oferecia a si mesmo um instante de felicidade, estudava.

 

Um dia, o Julio foi convidado para participar num projecto entre turmas na escola. Ele, dois colegas e o professor estiveram a falar sobre o assunto. Após a reunião, voltou para casa, para as suas duas divisões caóticas, deslumbrado e aturdido de felicidade. Era a primeira vez na vida que lhe falavam amigavelmente, que o convidavam para tratar de um assunto insignificante e abstracto, tão diferente das provações incessantes que enchiam a sua vida quotidiana. Esta conversa (reunião) insignificante, para um jovem de um ambiente familiar normal, adquirira para o Júlio um deslumbramento muito especial e distinto. Afinal, era possível conviver e fazer parte das coisas normais e abstractas. Passados uns anos, antes do exame final do 12º ano, o Júlio, exclamou “Se por desgraça, passar no exame, não poderei abandonar o meu pai, a minha avó e o meu cão.

 

Recordo outro indivíduo a que vamos chamar de Mário, 40 anos, alcoólico e dependente de drogas desde longa data, pai solteiro de duas filhas jovens, que não conhece, vive com a sua mãe de 80 anos, num bairro social, num T1, mais dois irmãos, um de 35 e o outro de 38 também dependentes de drogas e álcool, não sabe ler e escrever e apresenta sérios problemas de saúde consequência da dependência (no fígado). O seu pai morreu, com uma cirrose no fígado, vítima do alcoolismo. O Mário, não completou a primeira classe, como não tinha “jeito” para estudar, foi trabalhar na construção civil, com o seu pai. È um individuo de tracto dócil, simpático e sempre esteve disponível para ajudar os outros.

 

 

 

Visitantes do Recuperar das Dependências (Cidades)

Durante mês de Junho os visitantes do Recuperar das Dependencias (Top 10 Cidades portuguesas).

 

Lisboa (mais visitantes)

 

Porto

 

Santarém

 

Aveiro

 

Setubal 

 

Viseu

 

Coimbra 

 

Faro 

 

Braga 

 

10º Açores (menos visitantes)

 

Ao analisar estes dados constato, com agrado, que o Recuperar das Dependencias está presente de Norte (Braga) ao Sul (Faro) do país, pelo interior (Viseu) e ilhas (Açores). Continuem a visitar e a participar com comentarios e mensagens. Caso esteja interessado/a adira, ao Recuperar das Dependencias também presente no Facebook.com/joaoalexx. Bem haja

 

 

Grupos de Ajuda-Mutua Sem Fronteiras, em Portugês

Constato com imenso agrado que desde o inicio, em 2008, este projecto Online, uma parte significativa dos seguidores (visitas) são indivíduos do Brasil.
Através da Internet a Recuperarão dos Comportamentos Adictivos não está restringida às fronteiras, pelo contrario, a informação está disponível num espaço virtual muito vasto e acessível a todos os interessados.

 

 

Neste sentido, após receber vários emails de indivíduos oriundos de varias cidades brasileiras a felicitar o Recuperar das Dependencias (Adicção) solicitei a alguns membros dos Grupos de Ajuda-Mutua, a possibilidade de publicar um post com endereços Online para que a mensagem de recuperação da adicção activa chegue ao maior numero possível de indivíduos. Na realidade, considero um recurso extremamente valioso, os Grupos de Ajuda-Mutua, na nossa comunidade e sociedade, cada vez mais exposta e vulnerável a este fenómeno trágico e global das dependências de substancias psicoactivas (drogas licitas e/ou ilícitas).

Grupos de Alcoólicos Anónimos (AA) na Internet, no Brasil.

 

 

Grupo 5 de Abril de AA – http://www.grupo5deabril.org/

 

Grupo Vivencia de AA -  www.aagrupovivencia.org/

 

Grupo Jatiuca de AA – Alagoas - grupo-jatiuca-aa-owner@yahoogrupos.com.br

 

Grupo Gomes Cardim de AA Online www.alcoolicos.gvgcaa.nom.br/

 

Grupo Recomeçar de AA Online - www.gruporecomecar.org

 

Grupo Recuperar de AA Online - www.recuperaronline.com/

 

Grupo Renascer de AA Online - www.gruporenascer.org/

 

Grupo de A.A. terra da luz – www.aaceara.org.br/grupo_terra_da_luz.htm

 

Grupo Doze Passos - grupoaadozepassoscanoas@gmail.com

 

GRUPO LIBERTAÇÃOhttp://www.gvolive.com/conference,grupolibertacaodeaa

 

AA BR-Online - www.aabr-online.com.br

 

AA Sobriedade - http://www.aasobriedade.org

 

AA Brasil Portugal - www.aabrasilportugal.org

 

AA Grupo 3 legados - grupo-tres-legados@oso-aa.org

 

Nota:  Recuperar É Que Está A Dar

 

 


 

 

 

 

 

 

Não é o nosso corpo que precisa de mudar: são as nossas atitudes

 

 

 

 

 

O convite à Margarida Araújo para participar no Recuperar das Dependencias tem dois motivos. O primeiro surgiu há vários meses atrás quando a vi, acompanhada pelo seu Personnal Trainer, no mesmo que Health Club que frequentamos e onde apeteceu-me chegar junto a ela dizer: “Desculpe, mas só queria dizer-lhe que admiro imenso” só não o fiz por receio de ser mal interpretado e porque na altura pesava 179 kg. Hoje pesa 112 quilos e perdeu 67 em oito meses. O outro, mais recentemente, foi através de uma reportagem de um jornal onde a Margarida, em conjunto com mais três indivíduos, revelam a sua aventura e resiliência na mudança das suas atitudes.

Nesse sentido, decidi propor à Margarida um simples questionário com 8 perguntas e às quais ela respondeu, com honestidade, na totalidade.

 

 

Identifica alguém na sua família com problemas de obesidade ou outro distúrbio alimentar?
Margarida Araújo: Sim. No que respeita à família nuclear, a mãe e a irmã mais velha. Não no grau de obesidade que alcancei, mas com distúrbios alimentares dessa ordem. No sentido mais lato de família, é possível identificar, entre os meus, tios, primos que sempre tiveram excesso de peso e tendência para engordar, mas sem chegar à obesidade.

Qual ou quais os factores que tenham contribuído para o agravamento do problema (obesidade)?
M.A.: Entre os meus familiares sempre houve o hábito de celebrar à mesa. Mesa farta, almoços que se prolongam pela tarde dentro. E, assim, se criaram maus hábitos alimentares e estilos de vida menos saudáveis.
Ansiedade. Acaba por ser um ciclo, comia porque estava nervosa…depois enervava-me porque tinha comido…e voltava a comer ainda mais.
“Perdido por 100, perdido por 1000…”. E deixamo-nos ir…e pensamos: mais quilo, menos quilos…
Nunca tive problemas de mobilidade e não se pode dizer que era uma pessoa totalmente sedentária, porque sempre andei muito a pé. Por isso, sempre me mexi bem e isso não era, para mim um problema ou algo que me levasse a fazer dieta.
Depois, também nunca tive problemas de saúde ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Lá no fundo, sabia, que mais cedo ou mais tarde, esses problemas acabariam por surgir...mas quando surgissem, tomaria uma decisão.
Até que me apercebi, que o pensamento não devia, nem podia ser esse. E consciencializei-me que devia agir, antes de essas complicações surgirem.

Afinal, nenhum gordo é saudável, porque a própria obesidade já é uma doença grave.

Quais as dificuldades relacionadas com a obesidade? Problemas físicos, psicológicos e sociais. Ao identificar os problemas acima referidos como se sentiu na altura?
M.A: Ao nível físico, apesar de nunca ter tido problemas de mobilidade e de nunca ter sido uma pessoa sedentária, porque sempre andei muito a pé, o mínimo esforço físico, cansava-me imenso. Caminhar, subir escadas, o simples levantar de uma cadeira, gestos e comportamentos simples que se tornaram, para mim, penosos.
No nível psicológico e no social, sempre me senti deslocada.  
Nunca me sentia bem em parte alguma, mesmo entre amigos, ou em casa, nunca estava suficientemente à vontade.
Nos cafés, nas salas de aula, procurava sempre o lugar mais escondido, longe dos olhares das pessoas.
Quando ia a uma esplanada, tinha que escolher uma que não tivesse cadeiras de plástico…
No cinema, tinha que levantar um braço à cadeira, para me pode sentar…Nos transportes públicos, ocupava 2 lugares.
Ao longo da vida, já fiz muitas dietas, e todas elas com excelentes resultados, mas acabei sempre por recuperar os quilos perdidos.

Isso, foi-me tornando uma pessoa frustrada, derrotista e sem vontade de ir à luta. Este sentimento de “não ser capaz” reflectiu-se em todos os aspectos da minha vida, desde o relacionamento com as pessoas até à minha vida profissional. Cheguei a estar 4 anos desempregada, por vergonha de ir às entrevistas de emprego.
Aparentemente, era uma pessoa feliz, bem-disposta, divertida…e brincava com as situações, muitas vezes para que as pessoas que me rodeavam não se sentissem desconfortáveis, com algum comentário menos simpático.  
E sentia-me feia, incapaz, triste, revoltada, incompreendida…

Quais os factores motivacionais que contribuíram para a mudança?
M.A: Nunca tive problemas de saúde ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Em Setembro do ano passado, comecei a acompanhar o “Biggest Loser” americano, na Sic Mulher, e deu-se o “clic”.
Comecei a comentar, em casa, que queria inscrever-me num ginásio, mas não tinha coragem…ou melhor, tinha muita vergonha!
No dia 12 de Outubro de 2010, a minha irmã mais nova, a Sílvia, praticamente me arrastou até à recepção do ginásio.  
Ela disse: “Tens vergonha? Vergonha devias ter de estar nesse estado e não fazeres nada!”. E assim foi, inscrição feita, avaliação física marcada para dia 18 de Outubro, a segunda-feira seguinte.
Chegado o dia, dirigi-me ao ginásio para ter avaliação física com o Personal Trainer Gonçalo Fonseca, que tem formação em Reabilitação no Desporto e experiencia em controlo do peso.
Ia motivada, mas cheia de vergonha e com muito medo de fracassar, mais uma vez.
O Gonçalo fez-me subir à balança e deparar-me com o número 179,1! Arregalei os olhos e não consegui dizer nada… Ele disse: “Vieste no momento certo! É agora! Tiveste a coragem de dar o primeiro passo e o mais difícil já está feito!”


A partir desse dia, treino sob a sua orientação, 6 dias por semana.  
Estar-lhe-ei eternamente grata por tudo o que me ajudou a alcançar. O Gonçalo é um grande profissional e um dos pilares do meu sucesso.  
Faz-me exigir sempre mais de mim. Faz-me ir ao limite e superar-me a cada treino. E isso tem sido fundamental neste processo. Porque hoje, me sinto capaz de vencer qualquer obstáculo ou contrariedade que possa surgir.

Visto os seus planos terem tido êxito, qual ou quais os factores que contribuíram para o sucesso?
M.A: Perseverança, perfeccionismo (no sentido de querer fazer sempre mais e melhor, por muito que isso me custe), disciplina, motivação, concentração, espírito de sacrifício e, principalmente, muita força de vontade.

Quais as características da sua personalidade que considera relevante neste processo de mudança, na gestão da adversidade ao longo do plano?  
M.A: Empenhada e cada vez mais cheia de vontade de prosseguir esta saga contra os quilos a mais.

Como se sente agora?
M.A: Sinto-me mais bonita, mais segura de mim, mais capaz. Sinto-me uma vencedora e orgulho-me de cada conquista.
Sinto-me uma atleta, saudável e cheia de energia. Sinto que, desta vez, ao contrário do que aconteceu nas dietas anteriores, não haverá recuos, porque consegui adquirir hábitos de vida saudáveis.
A sensação de frustração já não existe. Hoje sou uma mulher confiante. Sinto-me uma guerreira…vitoriosa.
Sinto-me muito feliz!


Considera que a sua experiencia de vida pode motivar outras pessoas com o mesmo problema a procurarem alternativas e/ou soluções? Explique como.
M.A: Sim. Aconteceu o mesmo comigo. Inspirei-me em casos de sucesso, dei o primeiro passo e fui em frente.  
O facto de ver pessoas como nós, com as mesmas dificuldades e com os mesmos problemas irem à luta pelos seus sonhos e objectivos, apesar dos seus medos e das suas limitações, motiva-nos e encoraja-nos.  
Acomodarmo-nos não é solução. Pior que fracassar é a sensação de não ter tentado.
Por mais árduo que seja o percurso, por muitas quedas que dêmos, não podemos, nunca, desistir de nós. E ver os outros a “arregaçar as mangas” e a vencer pode fazer toda a diferença.

Obrigada, Margarida Araújo.

Contacto: guida.araujo@gmail.com

                                                                                                              »«

 

Comentário: Os meus sinceros agradecimentos à Margarida Araújo pela sua participação no Recuperar das Dependnecias. O seu exemplo, através da progressão do distúrbio alimentar (obesidade) ilustra o papel disfuncional sobre os hábitos alimentares no dia-a-dia, na nossa sociedade, assim como as consequências negativas a nível psicológico, físico e social.

 

O nosso organismo não está preparado para processar aquilo que comemos e como comemos, como queremos. Está "formatado" para armazenar, sempre que comermos algo que não consigamos processar (metabolismo).

 

Sabia que por vezes comemos de forma a satisfazer as nossas necessidades emocionais? Uma grande parte de nós aprendeu a socializar-se, com comida, para nos sentirmos bem. Recebemos comida por imensas razões, por ex. exprimir amor ou reconhecimento, hospitalidade e ajuda-nos a lidar com a desilusão e experiências negativas (Craighead, 2006).

 

Mais uma vez os parabéns à Margarida pelo seu exemplo de motivação em quebrar a ambivalência, de coragem em enfrentar a negação, o estigma e a vergonha, a resiliência e no seu testemunho/partilha de experiencia. Este tipo de experiencias será recordado, ao longo da vida, como uma vitória perante a adversidade. Mais uma vez reforço que não é o nosso corpo que precisa de mudar, são as nossas atitudes.

Recuperar É Que Está A Dar. Seja da adicção activa (substâncias psicoactivas licitas, incluindo o álcool e a nicotina, e/ou as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, o shoplifting - -furto, as compras - shopaholics, relacionamento de dependência – codependência), da recaída, da doença crónica, do divórcio, da obesidade, da perda e do luto, da crise, da separação, da saudade, da dor crónica, do insulto e da violência, da depressão, da ansiedade, da auto estima e da dignidade.