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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

O «Vicio» de drogas, incluindo o álcool, é uma doença; não é uma escolha individual

10 Questões importantes para reflectir sobre as dependências de drogas, incluindo o álcool, e o jogo patológico.

 

1. De acordo com estimativas das Nações Unidas (United Nations Office on Drugs and Crime - UNODC) existem mais de 10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000 consumidores de heroína, 2,6 morrem, por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente adictiva.

 

2. Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool, distorce a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais, excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se violentas.

 

3. Associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o álcool, o individuo é sujeito à oscilação acentuada das suas emoções que podem variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por exemplo, é frequente o individuo dependente, estar triste e apático, e ao consumir drogas, incluindo o alcool, proporciona a si mesmo uma sensação de felicidade, apesar de ser efémera.

 

4. Para um individuo dependente de drogas, incluindo o alcool, e o jogo patológico revela-se extremamente difícil ter a percepção sobre os efeitos e as consequências negativas dos seus comportamentos. A dependência é a causadora da maioria dos fracassos e da frustração tornando assim a vida insuportável e em alguns casos mais extremos pode revelar-se caótica. Quanto mais dificuldades, maior será a necessidade de recorrer ao comportamento problemático associado às dependências – abusar de drogas, incluindo o álcool, e/ou jogo patológico.

 

5. No início do consumo de drogas ilícitas, estas intensificam a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e alívio. Gradualmente, na dependência as drogas suprimem a actividade; menos concentração e perda de memória, mais desadequação e constrangimento, desconforto físico e psicológico.

 

6. Dependência de drogas incluindo o alcool.

Você sofre da síndrome de abstinência, vulgo ressaca?

Os sintomas de ressaca surgem quando o individuo abusa das substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central até à intoxicação. Os sintomas da ressaca estão associados à frequência, à intensidade e à duração do abuso das drogas, incluindo o álcool.

 

7. Benzodiazepinas: medicamentos tranquilizantes e/ou ansiolíticos sujeitos a receita medica. São substâncias que geram dependência física e psíquica. Caso o abuso seja continuado, a interrupção abrupta representa um risco grave para a saúde. Algumas pessoas dependentes de benzodiazepinas são também dependentes de álcool e/ou outras drogas ilícitas (adicção cruzada) - uso concomitante de substâncias.

 

8. Sabe o que são os analgésicos? São drogas poderosas que interferem com a transmissão de sinais eléctricos do sistema nervoso central pela qual entendemos e percebemos a dor. A maioria dos analgésicos estimula as partes do cérebro associadas ao prazer. Se toma medicação siga a prescrição do seu médico. Não faça auto medicação.

 

9. Alguns efeitos do abuso do álcool e/ou dependência: descoordenação motora, perda da concentração e da memória, danos cerebrais, depressão e doenças do fígado (cancro). O abuso do álcool e a dependência afectam seriamente as relações pessoais; família, trabalho, sociais.

 

10. A dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo afectam seriamente o desempenho e os relacionamentos profissionais; abstenção laboral, perda de memória e concentração, negligencia, falta de ética profissional, conflitos com colegas e entidade patronal.

Paradoxo

 

 

"Paradoxo em recuperação.

Rendemo-nos para vencer.

Perdoamos para ser perdoados.

Para manter o que temos, entregamos, em vez de controlar.

A força advém da fraqueza.

Enfrentamos a dor para ficar mais resilientes.

A luz advém da escuridão.

A independência advém da dependência.

Vivemos, o mais intensamente possível, um dia de cada vez, sabendo que um dia iremos morrer.” (tradução - autor anonimo)

 

 

Comentário: Apesar da complexidade da adicção (e do ser humano), hoje sabemos que a adicção é uma doença e podemos afirmar que existe esperança no tratamento e na recuperação.

 

 

O que é que significa a palavra Paradoxo? Segundo o dicionário da língua portuguesa é:

“Opinião contrária à comum.” 

 

 

Na vida, aprendemos através da dor, que aquilo que pensamos estar certo, pode mais tarde estar errado. Perante o perigo e o risco, associado aos comportamentos adictivos, desenvolvemos um sentimento de impunidade e invencibilidade que nos embebeda, extremamente apelativo, arriscado, intenso e sedutor; “É perigoso…mas vou controlar a situação. A vida são dois dias e um é para acordar.” Na adicção activa, quando julgamos que estamos a controlar, depois em retrospectiva, aprendemos com os erros, e impotentes, concluímos que afinal a realidade é bem diferente.    

 

Segundo o dicionário de Psicologia, de Roland Doron e Françoise Parot, o paradoxo “é uma proposição ao mesmo tempo verdadeira e falsa, que acarreta deduções contraditórias, entre as quais a razão oscila interminavelmente; dilema, círculo vicioso. “

 

Mais uma vez, tal como acontece na vida, vivemos entre duas linhas distintas mas que estão interligadas entre si, a ilusão e a realidade. A ilusão permite-nos fantasiar, criar e sonhar, a realidade permite-nos ser honestos, disciplinados e responsáveis. O mesmo fenómeno sucede na recuperação da adicção. A pessoa impotente, de acordo com o léxico comum, significa uma pessoa vulnerável, fraca e condenada ao fracasso. Todavia, algumas pessoas identificam a vulnerabilidade (impotência) em relação à adicção, todavia isso não é impeditivo de terem o controlo sobre as suas atitudes, comportamentos e adoptar estilos de vida saudáveis e construtivos. Por exemplo, o individuo que está abstinente de drogas, incluindo o álcool, em recuperação, é impotente perante as substâncias psicoactivas alteradoras do humor (sistema nervoso central), porém consegue ter o controlo necessário para fazer a sua vida. O individuo que é adicto ao jogo, ao sexo, distúrbio alimentar que está em recuperação é impotente perante determinados atitudes e comportamentos de risco, que reforçam a logica adictiva (compulsiva), porém consegue ter o controlo necessário para executar as mais diversas tarefas e actividades do seu dia-a-dia.

 

Um dos paradoxos muito comuns. Não somos a pessoa que dizemos ser ao nosso parceiro/a, ao familiar, nosso amigo/a, colega de trabalho; na realidade, somos aquilo que concretizamos; aquilo que fazemos que está certo e/ou errado. Por exemplo, empregamos palavras elaboradas e evocamos princípios, para justificar um exercício de retórica, mas aquilo que fazemos, na realidade não é coerente e íntegro.

 

Para si que está em recuperação da adicção integre os paradoxos da vida de acordo com o alinhamento das suas próprias convicções e princípios. Outro dos paradoxos que a maioria dos adictos, em recuperação encontra é; a recuperação da adicção é um projecto individual, todavia porém, é reforçado pela qualidade dos relacionamentos das outras pessoas. Da adicção ninguém recupera sozinho. Todos nós possuímos uma história para contar, todos nós temos problemas e a dada altura das nossas vidas precisamos de ajuda.

 

 

 

 

 

 

Manual sobre os princípios de Recuperação da Adicção

  • Existem preferências individuais sobre os vários estilos de recuperação.
  • Recuperação é direccionada para o individuo com vista a incutir-lhe competências individuais e sociais.
  • Recuperação é um compromisso pessoal que exige mudança a longo prazo.
  • Recuperação é holística.
  • Recuperação integra questões culturais.
  • Recuperação é um processo e um compromisso contínuo gerador de bem-estar e de um estilo de vida saudável.
  • A recuperação é apoiada pelos pares e aliados/parceiros.
  • Os fundamentos da recuperação estão enraizados na esperança e na gratidão.
  • A recuperação é um processo de transformação (resiliências) e orientado para o desenvolvimento pessoal do individuo.
  • A recuperação contempla uma abordagem construtiva contra a discriminação e rejeita a vergonha e o estigma.
  • A recuperação consiste em fazer parte ativa na comunidade.
  • Recuperar é uma realidade, significa que é possível recuperar. É um fenómeno diário; acontece todos os dias

Fonte: Center for Substance Abuse Treatment (CSAT)  White Paper: Guiding Principles and Elements of Recovery-Oriented Systems Care

 

Comentário: É possivel recuperar do estigma, da vergonha e da negação.

 O termo recuperação surge com o propósito de contrariar o estigma associado às dependências e a toda a carga simbólica e moralista negativa, onde a sociedade cataloga os indivíduos adictos como pessoas marginais e fracas associado aos mitos, preconceitos e também visa reforçar uma identidade social proactiva (cultura). Porque recuperar a dignidade e a confiança outrora danificada é um longo processo.

 

O termo recuperação é abrangente, apesar de ainda não ser devidamente difundido em Portugal, todavia, não é sinónimo de cura ou controlo sobre o consumo das substâncias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos. No tratamento e na recuperação da adicção não se aplica o termo cura, porque não se trata de um vírus que se remove do organismo do individuo. A adicção é uma doença. O conceito de recuperação da adicção é oriundo dos grupos de ajuda dos Doze Passos (Alcoólicos Anónimos), nos EUA, desde os anos 30. Em Portugal, os  termos adicção e recuperação também surgiram associados aos grupos de ajuda-mutua (Alcoólicos Anónimos, no final dos anos 70, e mais tarde, com os Narcóticos Anónimos nos anos 80).

 

Sabia que o termo recuperação da adicção é objecto de investigação nos Estados Unidos da América e em Inglaterra?

 

Provavelmente, devem existir dezenas, senão centenas de instituições, profissionais e individuos que actualmente, também adoptaram o conceito de recuperação da adicção em vez de cura.

 

Recuperação está intrinsecamente relacionado:

  • Esperança,
  • Decisões,
  •  Propósito,
  • Pertencer a algo e
  • Felicidade.

As probabilidades de recuperar da adicção, refiro-me a uma recuperação duradoura, são reduzidas se um/a adicto/a não for feliz. Se você está em recuperação, pertence a uma classe de indivíduos especiais que escapam às estatísticas daquelas pessoas que sofrem desta doença através da negação, estigma e vergonha. Recuperar é que está a dar; isso significa que você está a explorar outras opções mais viáveis, espirituais e criativas para ser feliz.

 

Caso pretenda saber mais sobre o conceito e o plano de Recuperação envie um email para joaoalexx@sapo.pt

Saiba mais sobre recuperação e a investigação no EUA.

 

 

 

Compreender o distúrbio alimentar

Perturbação do Comportamento Alimentar Sem Outra Especificação

 

Para além da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa segundo o Manual de Diagnostico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV)  refere a Perturbação do Comportamento Alimentar Sem Outra Especificação, do Inglês EDNOS, é uma categoria para perturbações que não preencham os critérios completos para uma Perturbação do Comportamento Alimentar específica. Os exemplos incluem:

1. Para mulheres, todos os critérios de Anorexia Nervosa estão presentes excepto a amenorreia (ausência da menstruação)

2.Todos os critérios de Anorexia Nervosa, estão presentes excepto que, apesar de uma perda de peso significativa, este encontra-se dentro dos valores normais.

3. Todos os critérios de Bulimia Nervosa estão presentes excepto que os episódios de ingestão compulsiva e os mecanismos compensatórios inapropriados ocorrem numa frequência inferior a 2 vezes por semana, ou têm uma duração inferior a 3 meses.

4. Uso regular de comportamentos compensatórios inapropriados por uma pessoa de peso normal após ingestão de pequenas quantidades de alimentos (por exemplo, indução de vómito após comer 2 bolachas).

5. Mastigar ou cuspir repetidamente, mas não engolir, grandes quantidades de alimentos.

6. Perturbação de ingestão alimentar maciça: episódios recorrentes de ingestão alimentar maciça na ausência dos comportamentos compensatórios inapropriados característicos de Bulimia Nervosa.

 

Critério de investigação para a Perturbação de Ingestão Compulsiva:

A. Episódios recorrentes de ingestão compulsiva.

1. Um episódio de ingestão compulsiva é caracterizado pelas seguintes condições: Ingestão, num período de tempo isolado (por exemplo, qualquer período de 2 horas), de uma quantidade de comida francamente superior à que a maioria das pessoas poderia consumir no mesmo espaço de tempo e sob circunstâncias singulares;

2. Sensação de perda de controlo sobre a ingestão de durante o episodio (por exemplo, sensação de que não pode parar de comer ou controlar o quê ou quanto se está a comer).

B. Os episódios de ingestão compulsiva associam-se a 3 (ou mais) dos seguintes sintomas

1. Ingestão muito mais rápida do que habitual;

2. Comer até se sentir desagradavelmente cheio;

3. Ingestão de grandes quantidades de comida apesar de não sentir fome;

4. Comer sozinho para esconder o embaraço pela sua voracidade;

5. Sentir-se desgostoso consigo próprio, depressão ou grande culpabilidade depois de ingestão compulsiva.      

C. Profundo mal-estar ao recordar as ingestões compulsivas.

D.As ingestões compulsivas têm lugar, em media, pelo menos 2 dias por semana durante 6 meses.

E. A ingestão compulsiva não se associa ao uso regular de estratégias compensatórias inadequadas (purgantes, jejum, exercício físico excessivo) e não aparecem no decurso de uma Anorexia Nervosa ou uma Bulimia Nervosa.

* Se identifica um problema de comportamento na relação com a comida, você não é a único/a,  fale com o seu medico.

 

 

Será o amor uma adicção saudável? Artigo do Dr. Robert Weiss

 

O Amor romântico e para onde vamos, depois de morrer, sempre se destacaram como os grandes mistérios da humanidade. É difícil definir o conceito do amor, apesar de ser diferente de pessoa para pessoa, mas é fácil, para todos nós o reconhecerem. Você com certeza sabe quando é atingido pelo amor; não é muito diferente quando é atingido pela gripe. Ao longo dos anos, milhares de homens e mulheres, têm sido desenvolvidas várias filosofias sobre o conceito do amor e/ou quando um individuo está sob o efeito do amor e as razões pelas quais é necessário para a vida, todavia, as conclusões a que se chega não acrescentam nada mais do “ Amor é a amizade em chamas”. Tais sentimentos são utilizados para a composição de excelentes letras para musicas e/ou poesia, na realidade, não se ajustam à perspectiva da psicoterapia. Ao longo dos séculos, e apesar de inúmeras tentativas quanto a uma definição concreta de um conceito sobre o amor, estas têm-se revelado infrutíferas, todavia, não há como negar; na realidade, o amor existe e é essencial para a maioria dos seres humano, tal como respirar, comer e/ou dormir.

 

Tradicionalmente, o amor é um estado de espirito associado ao coração, inclusivamente, muitas pessoas afirmam sentir o amor no seu peito, o que é compreensível visto o coração bater mais depressa quando estamos completamente imersos nas fantasias do amor e/ou na descoberta/procura de um parceiro/a romântico. Na realidade porém, o termo utlizado nestas circunstâncias atribuído ao “coração” não é mais do que uma metáfora de algo que representa uma parte essencial da natureza humana. O amor está dentro de nós. Nós sentimos, gostamos e sofremos por ele e com ele. Algumas vezes, pensamos que não conseguimos viver sem o amor. É capaz de fazer com que os adultos se comportem como adolescentes, e aos adolescentes sentirem que agem como uns idiotas. Perseguimos o amor, imploramos, mentimos, enganamos e roubamos por ele. Idolatramos e somos capazes, sob o efeito do amor, compor poemas épicos. Mas depois, no fundo, parece que pouco sabemos sobre o amor, ou não é?

 

 

 

Vale a pena recuperar das dependências (Adicção)?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

50 Razões pela qual você deve interromper a progressão dos comportamentos adictivos:

  • Drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas,
  • Dependência emocional,
  • Distúrbio alimentar,
  • Sexo,
  • Jogo,
  • Compras,
  • Furto.
  1. Quebra o silêncio e o isolamento. Deixa de ter vida dupla, sem segredos e mentiras relacionados com a adicção.
  2. Assume o controlo da sua vida quebrando a negação, o estigma e a vergonha associados aos comportamentos adictivos.
  3. Aprende que a adicção é uma doença; não é uma fraqueza e não é um ato voluntario.
  4. Você participa na solução do problema, em vez de contribuir para o agravamento dos sintomas da adicção.
  5. Deixa de ser a “ovelha negra” da família e o centro dos problemas – “bode expiatório.”
  6. Interrompe a compulsão, da dependência de substâncias psicoativas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, através da abstinência.
  7. Programa de recuperação; plano e objetivos específicos de vida.
  8. Ao pedir ajuda profissional não está sozinho/a; quebra a solidão e a vergonha.
  9. Aprende a lidar, de uma forma construtiva, com os sentimentos dolorosos; raiva, dor, medo, ressentimento, vergonha e culpa.
  10. Adquire autonomia, mestria e propósito no rumo da vida.
  11. Relação saudável com colegas e empresa: faz parte da equipa; em vez de fazer parte dos problemas.
  12. Melhora a saúde física e mental.
  13. Faz mudanças significativas na sua vida: atitudes e comportamentos – você é o agente da mudança.
  14. Gestão construtiva dos recursos financeiros; poupanças, investimentos, etc.
  15. Melhora a performance e produtividade no trabalho ou faz mudanças na área profissional.
  16. Melhora a qualidade da relação com os colegas de trabalho e/ou patrão.
  17. “Deixa de cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes”.
  18. Estabelece relacionamentos saudáveis e positivos com as outras pessoas.
  19. Reconquista a dignidade e a auto estima afetada pelos comportamentos adictivos.
  20. Liberdade de escolha e decisão no rumo da sua vida (sair da zona de conforto).
  21. Faz planos realistas, cumpre e recompensa-se, em vez de fazer promessas infindáveis que não cumpre, que servem somente como álibi, desculpas e justificações.
  22. Liberta-se da auto piedade e pára de culpar os outros e o mundo à sua volta; responsabilização e respeito.
  23. Faz um serio investimento na sua vocação.
  24. Desenvolve relacionamento de intimidade, honestidade e compromisso com o seu parceiro/a.
  25. Desenvolve competências individuais e sociais; assertividade, gestão de emoções, estabelece limites, gere a impulsividade, gestão do stress, organiza atividades saudáveis (hobbies).
  26. É devolvido/a  à sanidade. Interrompe a logica adictiva (circulo de pensamentos que reforçam as crenças e padrões de comportamentos disfuncionais).
  27. Melhora o relacionamento com a família, incluindo as crianças.
  28. Vive um dia de cada vez.
  29. Adia o prazer imediato. Define critérios saudaveis e prioridades, no dia-a-dia.
  30. Aprende a sorrir, a divertir-se e a não se levar demasiado a sério.
  31. Trabalha as competências da comunicação na gestão dos conflitos; é assertivo. Não é passivo/a ou agressivo/a ou manipulador/a.
  32. Aprende que os ressentimentos do passado são fonte de aprendizagem em vez de serem fonte de descontentamento, remorso, ódio – ressentimentos de “estimação”.
  33. Identifica os efeitos negativos do perfecionismo e cria uma lógica construtiva e mais realista de acordo com as suas limitações e talentos.
  34. Desenvolve hábitos alimentares saudáveis e diversificados.
  35. Integra os paradoxos no seu devir, alterando paradigmas disfuncionais; as pessoas não são perfeitas, sofremos desilusões, mas também desiludimos os outros.
  36. Identifica as suas emoções e é honesto/a. Sentir é OK, não existem sentimentos certos e errados.
  37. Identifica as áreas de risco de deslize/recaída e os fatores de proteção – abstinência/recuperação. A recuperação é uma prioridade na sua vida.
  38.  Desenvolve e promove uma relação espiritual com uma entidade/algo superior, sem dogmas e ou divindades: conceito individual e livre (espiritualidade).
  39. Realiza alguns dos seus sonhos, todavia aprende a importância da persistência e da esperança; basta acreditar.
  40. Adota comportamentos saudáveis que reforçam e promovem a sua sexualidade e o sexo, sem mitos, preconceitos ou tabus.
  41. Desenvolve hábitos e comportamentos saudáveis com a alimentação, com o seu corpo e o seu peso.
  42. Aprende a definir limites nos relacionamentos de intimidade: existe o amor saudável e/ou a dependência emocional, que não é amor.
  43. Aprende a importância da genuinidade, da coerência, da integridade e da liberdade.
  44. Desenvolve objetivos de vida auto motivacionais. Busca a motivação intrínseca.
  45. Aprende que para se ser feliz é preciso sair da zona de conforto.
  46. Elabora com regularidade o diário da Gratidão. Do que é que se sente grato/a?
  47. Identifica padrões de comportamentos disfuncionais na gestão do stress crónico.
  48. Identifica a diferença entre a vergonha saudável e a vergonha tóxica.
  49. Desenvolve exercício físico e hábitos saudáveis de alimentação.
  50. Você não é o único e não está sozinho/a.

Esta lista não tem fim… Recuperar é que está a dar

 

O cérebro adicto

 

 

 Este excerto faz parte de um artigo impresso pela primeira vez na Harvard Menthal Health Letter , edição de Julho de 2004.

http://www.health.harvard.edu/newsletters/Harvard_Mental_Health_Letter

 

As dependência de drogas têm sido um problema persistente ao longo de centenas de anos, mas somente na ultima década, os cientistas compreenderam claramente alguns fatores importantes sobre a adicção: sabemos que provoca mudanças duradouras nas funções cerebrais que são difíceis de reverter. Na prática, isso significa que existem muitos cérebros afetados, quase 2 milhões de indivíduos dependentes de heroína e em cocaína, talvez 15 milhões de alcoólicos, e dezenas de milhões de fumadores de cigarros nos Estados Unidos. Qualquer que seja a solução à vista, será sempre extremamente complexa, entretanto sabemos muito mais hoje, do que há 20 ou mesmo 5 anos atrás, sobre os efeitos das substâncias psicoativas, vulgo drogas, geradoras de dependência no cérebro, assim como também podemos utilizar este conhecimento no tratamento e na prevenção.

 

“Porque é que o cérebro prefere o ópio aos brócolos?” A dependência foi designada desta forma por Steven Hyman, um ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental. A resposta envolve o núcleo accumbens, um agrupamento de células nervosas que se encontram abaixo dos hemisférios cerebrais. Quando um ser humano ou outro animal executa uma ação que satisfaz uma necessidade ou cumpre um desejo, o neurotransmissor chamado dopamina é libertado no núcleo accumbens e produz prazer. Serve como um sinal de ação para com o mecanismo da sobrevivência ou a reprodução, seja direta ou indiretamente. Este sistema é designado de via de recompensa. Quando fazemos algo que oferece essa recompensa, o cérebro regista essa experiência e estamos propensos a repeti-la novamente. Todavia, quaisquer danos nesta zona do cérebro e o abuso de drogas, que liberta dopamina, acabam por comprometer o funcionamento normal desta estrutura cerebral.

 

Na natureza as recompensas surgem após algum esforço e o seu efeito não é imediato, todavia, com as drogas as pessoas descobrem um atalho, sentem gratificação e prazer sem esforço e o seu feito é imediato. Isto é, o cérebro produz quantidades anormais de dopamina. Neste âmbito, o prazer não está a ser usado para a sobrevivência nem para a reprodução, por isso, a evolução não forneceu ao cérebro uma forma de se proteger. Assim a capacidade natural para produzir dopamina (sistema de recompensa no cérebro) é reduzida e a única forma de o cérebro cumprir as suas funções de libertação de dopamina é somente através do consumo de mais droga. O cérebro vai perdendo as suas funções e recursos a fontes de prazer menos imediatas e mais poderosas de recompensa. O dependente vai necessitando de doses mais elevadas e frequentes para obter a mesma sensação de prazer e bem-estar. Por vezes, a motivação do dependente para consumir drogas pode ser reduzida e/ou as drogas consumidas já não proporcionarem o prazer desejado, no entanto, a estrutura do cérebro responsável pelo prazer exige que sejam elas consumidas.

 

Memórias convincentes

As mudanças no sistema de recompensa por si só não podem explicar o fenómeno da adicção. Tal como afirmou, Mark Twain sobre o seu hábito de fumar, “Parar de fumar é fácil.”. Ele tinha feito inúmeras tentativas para interromper o consumo de tabaco. Muitos dependentes passam longos períodos de tempo sem consumir a sua droga de escolha, mas correm o risco de recaída, mesmo após anos de abstinência, mesmo quando o circuito de recompensa de dopamina teve tempo de suficiente para recuperar. Estas pessoas são vítimas de estímulos, designadas de reflexo condicionado.

 

Alterações nas ligações entre as células cerebrais induzidas por drogas estabelecem associações entre a experiência com a droga e as circunstâncias em estas que ocorrem. Estas memórias implícitas podem ser vividas/recordadas intensamente quando os dependentes estão expostos a qualquer lembrança sobre essas situações, tais como; estado de humor, situações, pessoas, lugares ou a própria substância. Um dependente de heroína pode estar em perigo de recaída quando vê uma agulha hipodérmica, um alcoólico quando se cruza com o bar/café onde ele costumava beber ou quando encontra um individuo que foi seu companheiro de bebida. Qualquer adicto pode retomar o hábito ou o estado de humor que ele utilizou para voltar a consumir drogas, seja através de um deslize ou de uma recaída. Ele nunca irá desaprender este comportamento. Uma única dose pequena da droga, em si, pode despoletar uma das recordações mais intensas. Tal como se diz nos grupos de ajuda mútua dos Alcoólicos Anónimos - "É a primeira bebida que faz ficar bêbado".

 

Comentário: a adicção é uma doença do cérebro, progressiva e cronica, não é um sintoma de outra doença ou patologia, eis alguns sintomas:

  • Tolerância: necessidade de consumo de quantidades crescentes de substâncias para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.
  • Síndrome da abstinência, vulgo ressaca: a substância psicoativa, vulgo droga de escolha ou outra, é consumida para aliviar ou evitar os sintomas desagradáveis e dolorosos da ressaca.
  • Perda do controlo: substância é frequentemente consumida por períodos mais longos do aquele que se pretende. O consumo é continuado apesar da existência de um problema persistente ou recorrente, provavelmente causado ou exacerbado pelo abuso da substância.
  • Incapacidade, apesar do desejo ou esforços persistentes, para diminuir ou controlar o abuso da substância. Qualquer atividade é abandonada ou diminuída em importantes atividades sociais, ocupacionais ou educativas.
  • Preocupação (Atenção): São despendidas grandes quantidades de tempo em atividades necessárias à aquisição, utilização e os seus efeitos. A doença é o assunto nº 1 na vida do individuo, as suas prioridades são: como obter a substância, o consumir e manter o efeito da substancia, no organismo, o mais prolongado possível e a gestão do stock.

Apesar deste texto se referir às substâncias psicoativas, um numero considerável de indivíduos com comportamentos adictivos, tais como o jogo, o sexo, furto, as compras, distúrbio alimentar apresentam algumas semelhanças no sistema de recompensa cujos comportamentos também comprometem o funcionamento normal do cérebro. 

Por exemplo, ao longo da minha experiencia profissional, observei indivíduos com comportamentos adictivos, em tratamento regime de internamento, por exemplo ao jogo e ao sexo, ao interromperem a atividade adictiva desenvolverem um conjunto de sintomas, físicos e psicológicos, associados e idênticos ao síndrome da abstinência, vulgo ressaca, também observado em indivíduos adicto a substâncias psicoativas, vulgo drogas.

 

Algumas curiosidades sobre o Modelo Minnesota (MM)

 

Durante a minha formação profissional tive o privilégio de estar presente numa das instituições mais reputadas do mundo, sobre o tratamento das dependências de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool, refiro-me obviamente a Hazelden Foundation (http://www.hazelden.org/)

 

Nesse sentido, decidi escrever este post de forma a revelar algumas das características do Modelo Minnesota; a sua génese, a filosofia e a sua história. Para os menos informados este modelo de tratamento é aplicado num regime de internamento residencial tratamento cuja duração é de 90 dias, aproximadamente.

Aproveito para enaltecer a dedicação e o compromisso de algumas pessoas genais  e visionários, durante o final dos anos 40, nos EUA, que dedicaram uma parte considerável das suas vidas a ajudar indivíduos a recuperar a sua dignidade e a recuperação da adicção. Lutando contra o estigma, a negação e a vergonha associados a esta doença.

 

Com este post não pretendo fazer uma abordagem completa e exaustiva deste modelo de tratamento, apenar pretendo salientar e revelar alguns detalhes sobre a sua historia e pessoas.

Para pensarmos no tratamento do alcoolismo e a génese do modelo Minesota precisamos de recuar até ao final dos anos 40, marcado pelo período pós-guerra (II grande guerra mundial), a segregação social, o tratamento do alcoolismo com uma forte vertente religiosa (evangelização) os asilos para doentes mentais e cadeias. Nesta altura ainda não existia o DSM, Manual de Diagnostico de Doenças Mentais, que só surgiu em 1952, nos EUA.

 

Modelo Minnesota “Uma abordagem evolucionária e multidisciplinar na Recuperação da Adicção.”  Jerry Spicer, Presidente Hazelden Foundation, Minnesota, EUA (1949 a 2011)

 

Génese – Instituições envolvidas (Minnesota Model)

1948 - Pioneer House (filosofia do tratamento dos Alcoólicos Anónimos, AA - http://www.aa.org/?Media=PlayFlash) era designado, na altura, como um clube/associação, onde surge o primeiro membro de AA e a primeira figura do Addiction Counselor (1949) como profissão, em colaboração com o Serviço de Saúde Publica de Minneapolis, EUA

1949 - Hazelden (filosofia do tratamento do AA)

1950 Hospital State Wilmar – departamento de psiquiatria (equipa de profissionais cuja abordagem ao tratamento foi inovadora contando também com introdução da filosofia do AA)

 

 

 

 

 

Reflexão construtiva sobre a mudança

Encontrei esta fotografia e fiquei pensativo sobre as consequencias dramaticas da adicção na vida de ambos artistas e das suas familias, incluindo as crianças. De que forma a morte destas duas pessoas, ambos pais, vão marcar a vida dos seus filhos?

 

Pessoas talentosas que inflenciaram toda uma geração acabam por ser vitimas de um problema que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Este tipo de tragedia não acontece só aos "marginais", aos desfavorecidos pode acontecer qualquer pessoa que esteja vulneravel.

O que é que ambos artistas podiam fazer a fim de evitar este desfecho prematuro e trágico nas suas vidas?

 

Este foto serve para refletir sobre o Rumo da vida. Podemos mudar de atitudes e comportamentos, o processo de desenvolvimento e transformação não é estatico, pelo contrario, altamente dinâmico. A vida não cristaliza, mas nós humanos podemos cristalizar

 

Withney Houston (1963 - 2012)

Michael Jackson ( 1958 - 2009)

 

Um caso sobre a progressão na adicção ao jogo

Uma noticia no Jornal de Noticias, de Dezembro 2011, referia o seguinte “Derretia no casino 50 mil euros por noite.” De acordo com a referida noticia este individuo a que vamos chamar Marques (nome fictício), porque na realidade a verdadeira identidade não é relevante, era um indivíduo que nas suas incursões noctívagas fazia-se sempre acompanhar por futebolistas que mais tarde veio a burlar, e muitas vezes fazia questão de ser ele a pagar as despesas nos bares e discotecas. Era visita assídua num Casino da zona norte do país. Segundo o responsável das Relações Publicas do referido Casino, era muito bom cliente, viciado em jogo, que com facilidade perdia milhares de euros. Algumas pessoas que se sentem lesadas e vitimas no processo reclamam 4.022 milhões de euros, todavia os seus rendimentos não permitiam tais gastos faustosos. Na altura em que este post é escrito, Marques encontra-se em prisão preventiva e está falido.

 

O problema relacionado com o jogo não se prende somente em perder dinheiro, as consequências afectam todas as áreas da vida do indivíduo. O jogo revela-se um problema quando interfere na relação com a família, incluindo as crianças, com o trabalho, escola, afecta a reputação, afecta a saúde mental e física, afecta os recursos financeiros,

 

Neste caso especifico, do Marques creio estarem reunidas algumas das principais características adicção ao jogo.

 

Empréstimos e dívidas,

Incapacidade de interromper a actividade associada ao jogo,

Vangloriar-se sobre os seus recursos e competências sobre o jogo (excitação e absorção),

Alienação da família e amigos,

Incapacidade de proceder ao pagamento das dívidas,

Mentira,

A sua reputação é seriamente afectada,

Actividades ilícitas,

Perda do controlo,

As suas investidas para jogar no casino aumentam a frequência e tempo,

Falência,

Desespero,

e finalmente a prisão.

 

Se você identifica um problema associado ao jogo, peça ajuda. No caso do Marques poderá identificar a progressão, a sua (dele) incapacidade de interromper a actividade associado ao jogo e as consequências negativas, isto é, o problema do jogo do Marques foi piorando, cada vez mais, só ter sido possível interromper o seu comportamento problemático na prisão. Se você identifica um problema precisa:

Readquirir o controlo da sua vida,

Precisa de reestruturar os seus recursos financeiros,

Identificar e tratar (reparar) das consequências negativas na sua família, incluindo as crianças,

Prevenir a recaída antes que o seu problema com o jogo complique cada vez mais. Qual é o seu limite para parar de jogar? Se você continuar a jogar, pensando que o faz para recuperar aquilo que perdeu, isso pode significar que não há limite.

Faço votos de que o Marques consiga refazer a sua vida, com dignidade e humildade. Recuperar é que está a dar.