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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

«Uma vez não chega e mil não são suficientes»

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Olá sou o Raul (nome fictício). Reconheci que tenho um problema com o sexo quando senti que não conseguia parar. Coloquei o meu emprego em risco ao desaparecer do trabalho para ir à prostituição ou engate e de estar dias inteiros no trabalho a obcecar com quem seria o próximo parceiro, através dos encontros prévios que tinha tido em chats, para fazer sexo. Não haver limite nas relações que desenvolvia com colegas de trabalho que podiam levar ao despedimento. Era viciado no flirt, nos orgasmos sucessivos, na adrenalina de fazer sexo em locais públicos e em forçar a minha mulher a fazer sexo comigo. Parecia que tinha mais prazer quando ela não queria. De ter relações sexuais (para não falar nas milhares de vezes que pratiquei sexo oral) sem preservativo. Actualmente tenho a certeza que o meu vício me colocou na prateleira na empresa em que trabalho e impediu de constituir uma família. Entretanto tenho três filhos fruto de uma relação de codependência com uma mulher. O meu futuro não sei qual vai ser, só sei que não quero voltar para o inferno em que vivia.

 

Tenho um problema em criar intimidade nas minhas relações. Teve a ver com a ausência de afecto na infância que me levou a buscar sexo para me alienar da minha infelicidade e a usar pessoas na cama como uma droga. E tal como dizem nas reuniões de Narcóticos Anónimos1 " UMA VEZ NÃO CHEGA E MIL NÃO SÃO SUFICIENTES ". Sou bissexual, todas as semanas dizia para mim mesmo que ia parar de agir nos comportamentos compulsivos, mas acabava por ter inúmeros parceiros sexuais. Apanhei algumas doenças venéreas, de fácil tratamento, mas foi mera sorte não ter apanhado VIH, SIDA ou Hepatite C.

 

A pornografia é também um vício que serve de "trampolim" para a compulsão. Através da pornografia é possível uma ligação a um mundo virtual, sem medo de doenças, fantasiando com todos os corpos que a minha cabeça pede. Ao longo dos anos tirou-me a capacidade de desfrutar dos engates, passei a comparar os corpos dos actores no ecrã/monitor com os que encontrava na vida real. Desenvolvi um mecanismo, idêntico ao caçador durante a caça, onde busco uma “presa” entre as pessoas que se cruzam na rua comigo para um possível engate. Essa caça, mais do que o sexo em si, constituía um factor principal do vício.

 

Quando cheguei ao programa do Adictos ao Amor e Sexo  Anónimos (AASA)2 achava que era somente viciado em sexo, mas descobri que muitas das relações heterossexuais mais estáveis que tinha tido eram típicas de um viciado em amor. Começo por fantasiar, achando que essa pessoa me vai curar, para depois, rapidamente a perseguir pelos defeitos que encontro nela. Ao longo destes cinco anos que estou em AASA apercebo-me que tenho medo de desenvolver relacionamentos de intimidade por falta de auto estima .  As pessoas, com as quais mantenho uma relação, coloco-as num pedestal ou são lixo. Quando os meus relacionamentos hetero fraquejam rapidamente recorro as fugas sexuais para apagar a dor. Foi falando com os meus companheiros de luta nas reuniões de 12 passos que fui entrando no espirito da «HONESTIDADE, BOA VONTADE E MENTE ABERTA» meditando sobre situações da minha vida que me causavam dor. Muitas situações ficaram aliviadas, pois dei-me conta que não estava a ter honestidade, nem boa vontade , nem mente aberta. Detestei o meu “padrinho” quando me dizia isso, mas pouco a pouco fui-me libertando das camadas de desonestidade. É como descascar uma cebola (com muitas camadas).

 

 

Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança

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O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam, o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua, mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos, desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que poderia acontecer.

Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte encontrei Famílias Anónimas (FA)[i]. Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões, foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga para falar.

Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi através deste progama de 12 passos[ii], que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais voltar a ter.

Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA

Um abraço

Suzete  

 

[i] As Famílias Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro grupo fundado no final dos anos 50), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes grupos, de homens e mulheres, são considerados uma referência internacional na recuperação (novos estilos de vida) da adicção.

[ii] 12 Passos são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Família Anónimos, etc.).

 

Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.

 

" O meu nome é..."

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Amavelmente, a Editorial Bizâncio enviou-me o livro "O meu nome é..." de Alastair Campbell (alcoólico em recuperação). Aproveito para sugerir a sua leitura às pessoas interessadas sobre o tema do alcoolismo. 

 

De acordo com a minha experiência profissional de duas décadas, o álcool é a droga mais perigosa: afecta o individuo, a sua família, incluindo as crianças, e a sociedade. Algumas tradições culturais disfuncionais promovem e reforçam o consumo e o abuso do álcool. Paradoxalmente, as mesmas tradições disfuncionais que reforçam o estigma, a negação e a vergonha associado ao alcoolismo.

Saiba mais em Editoria Bizâncio

Sou mãe de um adicto

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“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins

 

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho com cancro, diabetes ou VIH.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes queridos

 

Sou a mãe de um adicto

Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos desta doença

Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho

Só existem lagrimas, gritos silenciosos e angustia quando alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica de algo que possa ter acontecido ao meu filho

 

Sou a mãe de um adicto

Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache, com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda com as consequências das suas decisões

Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança

Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se irei voltar a vê-lo outra vez

 

 

 

O poder da palavra

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Bom dia Caro João Alexandre.

Regra do silêncio.

Chamo-me Maria José, tenho 40 anos, sou alcoólica (adicta) e estou em recuperação há 13 meses após internamento de 5 semanas e frequento as salas de Alcoólicos Anónimos (1) (AA).

 

A regra do silêncio reinou entre o meu ex. marido e eu durante todos os anos do meu consumo - quase 20 - e estendeu-se ao início da minha recuperação.

 

Foi sempre um acordo mútuo entre os dois. Eu acreditava que era uma componente do amor e um factor de protecção. Portanto, acreditava que era algo de positivo entre nós. Sentia muita gratidão pelo meu marido manter este segredo.

 

Conseguíamos, mais ou menos, esconder os meus consumos. Nos últimos anos, passei a beber de forma solitária, nunca ficava bêbeda, era discreta nas compras. O meu marido jurava que ninguém sabia, a preocupação era a família dele que desde a nossa falência nos ajudava financeiramente, assim como também se ocupava da nossa filha, de tenra idade, nenhum de nós trabalhava.

 

Oficialmente, eu estava doente e dependente das benzodiazepinas (2), que também era verdade. Por dia, tomava duas boas dezenas de comprimidos juntamente com o álcool. Não para me "drogar" ou me sentir "bem", nunca senti esse efeito. Fazia-o para me acalmar, buscava o efeito terapêutico, que não sentia, tal era a tolerância que já lhes tinha ganho. Na realidade, não podia passar sem elas.

 

 

Recuperar faz parte da herança familiar

Provavelmente a maioria dos portugueses, conhece o ilustre actor norte-americano de Hollywood, Robert Downey Jr. (49 anos), vulgarmente conhecido, na sociedade americana, como o “Homem de Ferro” pela sua participação no filme da Marvel Comics, com o mesmo nome. Segundo a revista americana Vanity Fair é o actor mais bem pago do mundo. Começou a sua carreira muito cedo no cinema, aos seis anos de idade já participava nos filmes do seu pai, Robert Downey Sr. Desde essa altura a sua carreira tem sido recheada de prémios (Globos de Ouro entre outros) e sucessos, inclusivamente, creio ter sido nomeado, por duas vezes, para os Óscares pela sua interpretação nos filmes “Chaplin” e “Tempestade Tropical”.

Paralelamente, aos seus sucessos, uma parte da sua vida tem sido afectada pela dependência de drogas e as inevitáveis consequências negativas, tais como, problemas com a família, incluindo as crianças, problemas com a justiça e profissionais. Ao longo da sua vida o actor, desde os 18 anos, fez varias tentativas para se tratar, contudo sem sucesso, finalmente desde 2002 encontra-se em recuperação da adicção às drogas.

 

 

 

Filhos de pais alcoolicos

Este texto, enviado pela Renata, veio no seguimento de uma publicação no Facebook onde solicitei o envio de experiências de adultos, que tenham tido pais com problemas de álcool e/ou drogas ilícitas. Eis o relato da Renata.

 

“Tenho um pai e uma irmã que bebem todos os fins de semana, e às vezes, no meio da semana. Vivem dizendo que é normal, e que, como todos fazem , que mal tem ? Mas percebo a incoerência nas atitudes, no modo de vida maquiado como normal, porém completamente fora do contexto. Percebo atitudes completamente diferentes do "viver em conjunto" o álcool ou a adicção retirou deles o pé do chão, como se estivessem literalmente voando ou como se vivessem em outro mundo sendo o convívio muito difícil dado ao fato que podemos ser diferentes mas precisamos concordar em conectar.

Não há dessas pessoas o menor interesse em saber sobre isso ou parar esse processo...sou adicta e “limpa” e esses familiares precisam de ajuda mas talvez a única maneira de ajudá-los seja ficando bem longe!

João, acabo de expor-lhe minha realidade e tem a ver com o post sobre familiares adictos!

Obrigada”

Renata Ramos

 

Nota: Todos os dados foram preservados com a devida autorização da autora. Contra a contra o estigma, a negação e a vergonha. Bem-haja Renata

 

Comentário: Tal como a Renata refere, a estrutura familiar aparenta estar afectada pelo álcool. Segundo alguns estudos, nos EUA, referem:

  • Os filhos de pais alcoólicos estão mais vulneráveis ao risco de desenvolverem problemas com substâncias psicoactivas – abuso e dependência.
  • Os pais que apresentam problemas com álcool e/ou outras drogas podem influenciar os comportamentos dos seus filhos. O consumo e o abuso de drogas, incluindo o álcool, podem ser considerados permissivos entre a família, incluindo as crianças.
  • As famílias afectadas pelo álcool e/ou outras drogas estão mais propensas ao conflito, comparativamente, aquelas famílias que não estão expostas ao problema do álcool e/ou drogas. Os problemas na família giram em torno do consumo e do abuso de substâncias psicoactivas.
  • O ambiente familiar disfuncional, relacionado com o álcool e/ou outras drogas, propicia a negligencia das crianças e a falta de comunicação entre os seus membros; referências parentais, os papéis na estrutura e dinâmica da família e a gestão de conflitos.   
  • Alguns problemas identificados nas famílias com problemas de álcool e/ou outras drogas: Tendência para o incremento do conflito familiar, violência física e emocional, redução da coesão e da organização familiar, stress e isolamento, problemas de saúde e no trabalho, problemas/ conflitos conjugais e financeiros, mudanças drásticas na estrutura familiar, incluindo as crianças.

 

O seu pai e/ou mãe tem um problema com álcool? Ou drogas? Caso você seja filho/a  de pais alcoólicos ou dependentes de drogas ilícitas escreva um pequeno texto sobre a sua experiência a fim de ser publicada no meu blogue. Pela minha experiência profissional de duas décadas e apesar de não existir estudos sobre este tema, existem em Portugal centenas, de filhos de pais alcoólicos ou dependentes de drogas, hoje adultos, que ainda sofrem em silêncio o trauma, o estigma e a vergonha. Recuperar É Que Está A Dar

Importante: Todos os dados são confidenciais. Sigilo total

Consumo, abuso e dependência. Sabia que ...

 

- De acordo com estimativas das Nações Unidas existem mais de 10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000 consumidores de heroína, 2,6 irão morrer. Por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente adictiva.

 

- Sabia que o consumo de crack é considerado das drogas ilícitas a mais adictiva. O consumo do crack está associado ao crime.

 

- Sabia que o álcool é um depressor do sistema nervoso central. Alguns indivíduos com problemas associados ao álcool apresentam sinais e sintomas de depressão major; ideação suicida, tristeza, desânimo, insónia, ansiedade, perda de apetite, fadiga.

 

- Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição médica, pode distorcer a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais, excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se violentas.

 

 - A dependência de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, afecta todo o tipo de pessoas, independentemente do seu estatuto social; por exemplo; estudante universitário, medico, mecânico, engenheiro, canalizador, policia, advogado, economista, advogado, senhora idosa, contabilista, bancário etc.

 

- Sabia que associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o alcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, o individuo é sujeito a uma oscilação acentuada das suas emoções que podem variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por exemplo, é frequente o individuo dependente estar triste e consumir drogas proporcionando a si mesmo uma falsa sensação de felicidade.

 

- Sabia que no inicio do consumo de drogas ilícitas, estas intensificam a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e alivio. Na dependência as drogas suprimem a actividade; menos concentração e perda de memória, mais desadequação e constrangimento, desconforto físico e psicológico.

 

- Os custos humanos e económicos associados à dependência de drogas, incluindo o álcool, são elevadíssimos e dramáticos. O tratamento é um investimento cujo retorno pode revelar-se recompensador.

 

Existe o mito que se deve desresponsabilizar o individuo dependente de certos comportamentos disfuncionais, associados à adicção de drogas e/ou álcool. Na realidade, apesar de a adicção ser uma doença, o individuo deve ser responsabilizado por comportamentos que possam por em causa a sua saúde e a vida das outras pessoas.

 

Como é que posso mudar o meu parceiro?

 

 

Relacionamentos de intimidade e a adicção: Como é que posso mudar o meu parceiro que está doente? Não pode, mas pode mudar o seu comportamento e as dinâmicas da relação.

 

Ao contrário daquilo que se pode pensar, a maior grande parte dos indivíduos dependentes de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, ou comportamentos adictivos, por exemplo, jogadores compulsivos e adictos ao sexo não são pessoas que vivem isolados da sociedade, não são sem-abrigo, não estão todos hospitalizados ou internados em centros de tratamento, pelo contrário, têm as suas esposas/maridos, famílias e filhos, carreiras profissionais, e apesar do estigma e da negação, são indivíduos activos no trabalho e mais ou menos integrados na sociedade. Por falta de informação sobre a adicção e o impacto na família e na comunidade (sociedade) temos a tendência para negar as evidências; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.

 

São homens e mulheres adictos que têm os seus parceiros; namorados/as ou esposas/maridos. Na maioria dos casos, as esposas/maridos e/ou namorados/as sabem da existência do problema no parceiro/a, ou pelo menos, apesar de falta de conhecimento ou informação, têm a consciência de que algo não está bem e que é preciso mudar. Infelizmente, devido à complexidade dos relacionamentos e da adicção não sabem como faze-lo, por causa de vários factores. Um deles é gerarem vínculos que reforçam os seus papéis de zeladores e cuidadores. Isto é, assumem o poder e a responsabilidade de zelar pelo parceiro/a. Eles e elas adaptam as suas rotinas do dia-a-dia às vicissitudes e à adversidade (comportamento problema) relacionada com o impacto da adicção na relação, vivendo num estado eminente de ambivalência, alerta e preocupação. Afinal, no universo das relações, quem é que não tem problemas sobre o comportamento do marido? Da esposa? Do namorado? Da namorada? Todos nós. Contudo, nesta situação especifica da adicção, o problema, para além de se agravar e afectar gravemente os afectos, paradoxalmente, também pode ser atenuado, compreendido e/ou resolvido. A questão é: Como.

 

Leia com atenção e responda a estas três questões:

1. Você tem um relacionamento com uma pessoa dependente de drogas? Ou álcool? Ou Jogo compulsivo? Ou adicção ao sexo? Se a resposta é sim, reflicta sobre estas questões:

 Você castiga a pessoa dependente? Por exemplo, você grita (explosões irracionais de raiva e ressentimento), ridiculariza, ameaça, humilha em frente aos filhos, à família e às outras pessoas. 

Faz questão de dizer às outras pessoas que o seu familiar/parceiro/a dependente é um/a falhado/a.

Ignora (longos períodos de silêncio e indiferença) a pessoa dependente. Faz frequentemente ameaças que o/a vai deixar de uma vez por todas.