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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Sou mãe de um adicto

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“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins

 

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho com cancro, diabetes ou VIH.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes queridos

 

Sou a mãe de um adicto

Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos desta doença

Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho

Só existem lagrimas, gritos silenciosos e angustia quando alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica de algo que possa ter acontecido ao meu filho

 

Sou a mãe de um adicto

Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache, com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda com as consequências das suas decisões

Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança

Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se irei voltar a vê-lo outra vez

 

 

 

Desligue o complicómetro

 

Meditação do dia: Oportunidades e pessoas significativas. Não dê ouvidos às crenças e pensamentos negativos que o/a puxam para baixo, que o/a desvalorizam, que o/a distanciam de pessoas importantes, que antecipam cenários catastróficos. Esses pensamentos negativos são o ego orgulhoso dorido e a vergonha tóxica, que o impedem de ser vulnerável e honesto/a com os sentimentos e que visam reforçam o isolamento e a rejeição. Renove a coragem nos critérios necessários a fim de ser honesto/a, explore novas oportunidades para viver uma vida plena, reforce os vínculos de intimidade e de confiança com as pessoas significativas.

Desligue o complicometro! Seja autentico/a, o mais possível, em vez de uma miragem! As pessoas mais felizes gostam de pessoas!

 

Nota: Esta publicação é publicada semanalmente no Facebook, designada de meditação e não serve para fornecer respostas, mas para proporcionar discernimento, motivação e resiliência na selecção das opções e no rumo do devir. É exclusiva e fruto da minha experiencia profissional de duas décadas.

Independentemente das crenças de cada um, somos seres espirituais

 

"Não somos seres humanos que almejamos um rumo espiritual. Somos seres espirituais que nos transformamos ao longo da vida." Pierre Teilhard de Chardin

 

27ª Dica Arte Bem-Viver de 25/09/2011

 

Olá, 

 

Ao longo da vida vamos alargando e/ou reforçando o leque de pessoas com as quais vamos interagindo, cujo historial é completamente distinto uns dos outros (diversidade). É um processo dinâmico que também influencia o nosso próprio carácter e algumas das nossas competências individuais e sociais (ex. família e cultura). Todavia, alguns de nós são seres mais sociáveis do que outros.

 

Sabia que não podemos escolher a família. Não podemos escolher o patrão ou os colegas de trabalho. Mas podemos escolher o parceiro/a romântico e/ou amigos. Nesta diversidade de papéis e seleções, existe um certo equilíbrio nos afectos e nas vínculos entre uns e outros.

 

A dica de hoje refere-se à pressão social. Como é que cada um de nós gere a pressão social? As decisões que você toma, para gerir a pressão social, estão enquadradas com os seus valores, objectivos e ideias?

 

Dicas:

1. Acontece com frequência, alguém não aceitar o seu Não? Essa pessoa teima em não dar importância ao que você diz ou faz? Pense nesta questão e responda: "Serei daquelas pessoas que desiste daquilo que acredita, para fazer a vontade aos outros? Isto é, mais uma vez, vou ceder e retroceder quanto ao Não e continuar a sentir-me ignorado/a?”

2. Se identificar um problema serio na comunicação com o seu interlocutor, com tendência para se agravar (agressividade) opte por sair de cena. Faça uma interrupção e abandone o local onde se encontra. Inspire e expire. O problema na comunicação pode estar no conflito de posições (paradigmas e preconceitos diferentes), a fim de se centrar no que é realmente importante, invista nos interesses de ambas as partes para a solução. Aprenda com isso.

3. Arrisque e decida com base na verdade (ética ou moralidade) e na reciprocidade, abandone a posição do ego. Seja directo e utilize as suas competências da comunicação (contacto visual, tom de voz, linguagem corporal, ouvir sem interromper, postura).

4. Após identificar o problema procure as soluções possíveis. Saiba antecipar que os critérios, de ambas as partes, são legítimos. Será mais vantajoso, para o problema, se ambos encontrarem uma solução.

5. Coloque-se na posição do seu interlocutor. Irá compreender o outro ponto de vista. Evite agir nos preconceitos e clarifique a sua posição, isso não significa manter se intransigente. Separe as pessoas dos problemas.

6. Aprenda a expressar os seus sentimentos, comece as frases "Eu sinto..." em vez de "Tu és...". Respeite os sentimentos das outras pessoas. Não adopte a culpa, como argumento, só agrava os problemas já de si complexos e delicados, limita o dialogo.

7. Responsabilize-se pelos seus sentimentos e comportamentos, ficará mais ciente do seu auto conceito e das suas limitações. Saia da sua zona de conforto.

 

 

Votos de uma semana construtiva na gestão da pressão social e valorização das competências individuais e sociais

 

Cumprimentos

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 129ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

24ª Dica Arte Bem-Viver de 04/09/2011


Olá, 

a Dica da Arte de Bem-Viver desta semana é dedicada ao Medo. Como bem sabe o medo faz parte das nossas vidas. Sem ele (medo) não estaríamos vivos, mas se levado a extremos pode contribuir para níveis elevados de ansiedade, preocupação, pânico, ódio, agressividade. É uma questão de saber e conseguir interpretar os pensamentos que originam o medo (equilíbrio). Infelizmente aprendemos, na nossa cultura e agravado pelo estilo de vida consumista e hedonista, a fugir e a negar as emoções, acreditando que assim iremos livrar-nos do Medo. Na realidade, esta atitude não funciona em abono da verdade, bem pelo contrario, é necessário enfrenta-lo e conhece-lo. Sabia que uma das manifestações mais comuns sobre o medo, no dia-a-dia, é a projeção de cenários catastroficos geradores de preocupação excessiva e controlo?

 

Pergunte a si mesmo: Qual o motivo pela qual esta situação me está a causar medo? Qual é o sentido em sentir este medo?

 

  • Alguns medos mais comuns:

Medo do abandono, medo da rejeição, medo da intimidade, medo do medo, medo falhanço/sucesso, medo do desconhecido.

 

Da mesma maneira que valoriza a gratidão e a felicidade, sugeria que abençoe o Medo, como uma dádiva da Vida. É através do medo que desafiamos as nossas questões existenciais mais complexas do nosso devir (intuição, motivação, curiosidade, introspecção, reflexão) e desenvolvemos as competências cognitivas e emocionais. Quando procuramos identificar competências e recursos para enfrentar o Medo (paralisa, incapacitante), isso significa que ao mudar de padrões/rotinas/status (atitudes e comportamentos), por vezes as coisas pioram antes de ficar melhor. Isto não é sinónimo de falhanço, mas avanço. Identificou-se o medo, fomos apresentados a ele.

Factos sobre o medo. Conforme vamos crescendo e desafiando os nossos limites (status) o medo não irá desaparecer. Paradoxalmente, enfrenta-lo melhora os niveis de auto estima, o auto conceito e é mais recompensador do que adotar condutas de evitamento (medo do medo). Todos nós sentimentos medo em contextos desconhecidos.

 

A coragem não é ausência do medo; mas o compromisso em transformar o mito e/ou o status em realidade. Siga o seu proposito (objetivos) e proporcione ao medo um sentido construtivo na sua vida - Liberdade de escolha e expressão.


Votos de uma semana com coragem

 


Comentário
: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 100ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.

 

Despertar espiritual; um passo para a recuperação dos comportamentos adictivos

Doze Sintomas sobre o Despertar Espiritual. (tradução)

1. Aptidão para deixar que as coisas aconteçam, em vez de fazer com que elas aconteçam; largar o controlo.

2. Ataques de riso frequentes.

3. Sentimentos de ligação (conexão) com as outras pessoas e a com a natureza.

4. Episódios frequentes e necessários de estima.

5. Propensão para pensar e agir da uma forma espontânea em vez de agir com base no medo das experiencias do passado.

6. Aptidão inequívoca de usufruir cada momento.

7. Desprendimento na tendência para ficar preocupado.

8. Desprendimento no interesse de entrar em conflito.

9. Perda de interesse em interpretar o comportamento dos outros.

10. Perda de interesse em julgar ou criticar os outros.

11. Perda de interesse na auto critica negativa.

12. Extrair proveito da aptidão para amar sem esperar nada em troca.

 

Fonte: http://recoverytradepublications.com 

 

Comentário: O que é que significa despertar?

De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, é

“Tirar do sono; acordar; estimular; ativar; dar origem a; avivar o espirito”

 

Na minha opinião o despertar espiritual, está intrinsecamente relacionado com a recuperação dos comportamentos aditivos. Isto não quer dizer que o despertar espiritual seja uma experiencia que ocorra em todos os aditos/aditas e/ou que seja uma condição para o individuo iniciar a sua recuperação. Não, todavia, algumas pessoas afirmam passar por esta experiencia poderosa e profunda quando fazem a transição entre a adicção ativa e a abstinência/recuperação – Mudança. A mudança de atitudes e comportamentos proporciona uma determinada experiencia, ao individuo, referida como despertar, que o afeta nível espiritual.

 

Um numero considerável de pessoas que experimentam a perda total do controlo da sua vida, como consequência da adicção activa, isto é, perdem a capacidade de antecipar e prever o resultado final dos seus comportamentos e/ou objetivos é uma experiencia aterrorizadora e traumática, agravada pela consciência plena do desastre e do caos eminente. Durante a adicção ativa, estas pessoas perdem a capacidade de sonhar, perdem a capacidade de comunicar com as pessoas que amam, perdem a capacidade de desempenhar as suas competências no trabalho, vivem vidas duplas de ilusão, negação e sofrimento, da qual a busca sistemática do alívio está confinado ao prazer imediato, refiro-me às substancias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos (jogo, sexo, distúrbio alimentar, dependência emocional, compras e furto). Quando surge a oportunidade de interromper a progressão da doença (adicção) e do sofrimento, através da consciência das coisas que foram vivenciadas durante a experiencia passada e dolorosa, o despertar espiritual, eleva o potencial humano, numa situação idêntica á sobrevivência, a atingir objetivos que o individuo julgava não ser possível concretizar; desperta, acorda, reconhecendo que a verdadeira mudança está em si mesmo, clarividente do renascer, e voltar a viver, através dos paradoxos e da mudança de paradigmas disfuncionais, a fim de ser tornar uma pessoa melhor.

 

Gostaria de referir que a palavra espiritual, não expressa uma conotação religiosa pré determinada, não possui dogmas e/ou divindades. Espiritualidade é um conceito único e livre, dependendo das crenças e experiencias de cada individuo, é um sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem o individuo comunica potenciado através da qualidade dos relacionamentos com as outras pessoas (conexão – valores).

 

Você está em recuperação dos comportamentos adictivos e passou por um despertar espiritual? Envie a sua experiencia para joaoalexx@sapo.pt Partilhe a sua história connosco. Bem-haja.

 

14ª Dica Arte Bem-Viver de 26/06/2011 - Adiar a gratificação imediata

 Olá

 Adiar a gratificação imediata. O que é que isso significa?

 

É humano procurar a gratificação, a satisfação e o reconhecimento através das pessoas, lugares e coisas, é uma forma de recompensa, de aprovação e ou de agradecimento.

 

Todavia, na nossa sociedade, desenvolvemos o culto/habito pela competitividade e pelo consumismo na procura do caminho mais curto (atalho) e menos doloroso, neste sentido a gratificação/prazer imediata assume uma necessidade impreterível e disfuncional na gestão das emoções, gestão das prioridade, no critério da recompensa e gratificação individual. Se conseguirmos parar, por uns breves momentos, e reflectir sobre os nossos comportamentos, concluímos "Queremos as coisas já... ou de preferência para ontem."  Evocamos os princípios ( as palavras), mas procuramos satisfazer o nosso Ego (atitudes e comportamento). Aquilo que dizemos que somos; não é coerente com aquilo que fazemos. A nossa vontade, através dos impulsos reactivos e irreflectidos, na busca da gratificação imediata é suprema, como se a própria sobrevivência dependesse disso.

 

Adiar a gratificação imediata compromete o prazer imediato. Como? Primeiro, executamos as tarefas mais complexas que exigem auto sacrifício, disciplina, reflexão, criatividade, responsabilidade e determinação. É um processo de maturidade na gestão das competências cognitivas e sociais, dos impulsos, da dor e do prazer (balança emocional) nas coisas simples do dia-a-dia. Aprende-se a privilegiar (prioridades) os valores morais/éticos acima do prazer imediato, por ex. através da abnegação e o altruísmo Vs. egoísmo frenético e egocêntrico.

  

Se conseguirmos fazer uma gestão construtiva do desconforto emocional e da dor acabamos por aceitar esta condição, as prioridades, em primeiro lugar, ao invés de gerir a dor com um único proposito - preencher o vazio emocional (isolamento, solidão) com pessoas, lugares e coisas. 

 

Muitas vezes o que queremos (ter) não é o que precisamos (ser).

 

Votos de uma semana recheada de momentos de disciplina, honestidade, abnegação, reflexão, responsabilidade e determinação.

 

 

Cumprimentos

  

Nota: Esta Dica é um excerto do Retiro Espiritual Online (Programa Desenvolvimento Individual).

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passado um ano é enviada para mais de 300 pessoas, para vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. Vai na sua 56ª publicação. Caso deseje receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis

 

 


 

Dica: Recuperação dos Comportamentos Adictivos

Dica: Recuperar da Adicção activa é um processo complexo e pode ser altamente dinâmico. Nesse sentido, se você é do sexo masculino sugiro o seguinte. 

Invista na monitorização e comunicação das suas emoções com indivíduos do mesmo género. Estabeleça laços de intimidade, de honestidade, de empatia, de respeito com homens. Fale dos aspectos vulneráveis do seu carácter (as suas inseguranças, os seus receios).  Contrarie o preconceito e a tradição imposta na nossa sociedade de que o "Homem não chora." ou "Homem não revela as suas fraquezas e ou sentimentos" ou "Homem é duro"

Responda a esta simples questão:

Na sua opinião como é que define a sua masculinidade?

Não é o nosso corpo que precisa de mudar: são as nossas atitudes

 

 

 

 

 

O convite à Margarida Araújo para participar no Recuperar das Dependencias tem dois motivos. O primeiro surgiu há vários meses atrás quando a vi, acompanhada pelo seu Personnal Trainer, no mesmo que Health Club que frequentamos e onde apeteceu-me chegar junto a ela dizer: “Desculpe, mas só queria dizer-lhe que admiro imenso” só não o fiz por receio de ser mal interpretado e porque na altura pesava 179 kg. Hoje pesa 112 quilos e perdeu 67 em oito meses. O outro, mais recentemente, foi através de uma reportagem de um jornal onde a Margarida, em conjunto com mais três indivíduos, revelam a sua aventura e resiliência na mudança das suas atitudes.

Nesse sentido, decidi propor à Margarida um simples questionário com 8 perguntas e às quais ela respondeu, com honestidade, na totalidade.

 

 

Identifica alguém na sua família com problemas de obesidade ou outro distúrbio alimentar?
Margarida Araújo: Sim. No que respeita à família nuclear, a mãe e a irmã mais velha. Não no grau de obesidade que alcancei, mas com distúrbios alimentares dessa ordem. No sentido mais lato de família, é possível identificar, entre os meus, tios, primos que sempre tiveram excesso de peso e tendência para engordar, mas sem chegar à obesidade.

Qual ou quais os factores que tenham contribuído para o agravamento do problema (obesidade)?
M.A.: Entre os meus familiares sempre houve o hábito de celebrar à mesa. Mesa farta, almoços que se prolongam pela tarde dentro. E, assim, se criaram maus hábitos alimentares e estilos de vida menos saudáveis.
Ansiedade. Acaba por ser um ciclo, comia porque estava nervosa…depois enervava-me porque tinha comido…e voltava a comer ainda mais.
“Perdido por 100, perdido por 1000…”. E deixamo-nos ir…e pensamos: mais quilo, menos quilos…
Nunca tive problemas de mobilidade e não se pode dizer que era uma pessoa totalmente sedentária, porque sempre andei muito a pé. Por isso, sempre me mexi bem e isso não era, para mim um problema ou algo que me levasse a fazer dieta.
Depois, também nunca tive problemas de saúde ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Lá no fundo, sabia, que mais cedo ou mais tarde, esses problemas acabariam por surgir...mas quando surgissem, tomaria uma decisão.
Até que me apercebi, que o pensamento não devia, nem podia ser esse. E consciencializei-me que devia agir, antes de essas complicações surgirem.

Afinal, nenhum gordo é saudável, porque a própria obesidade já é uma doença grave.

Quais as dificuldades relacionadas com a obesidade? Problemas físicos, psicológicos e sociais. Ao identificar os problemas acima referidos como se sentiu na altura?
M.A: Ao nível físico, apesar de nunca ter tido problemas de mobilidade e de nunca ter sido uma pessoa sedentária, porque sempre andei muito a pé, o mínimo esforço físico, cansava-me imenso. Caminhar, subir escadas, o simples levantar de uma cadeira, gestos e comportamentos simples que se tornaram, para mim, penosos.
No nível psicológico e no social, sempre me senti deslocada.  
Nunca me sentia bem em parte alguma, mesmo entre amigos, ou em casa, nunca estava suficientemente à vontade.
Nos cafés, nas salas de aula, procurava sempre o lugar mais escondido, longe dos olhares das pessoas.
Quando ia a uma esplanada, tinha que escolher uma que não tivesse cadeiras de plástico…
No cinema, tinha que levantar um braço à cadeira, para me pode sentar…Nos transportes públicos, ocupava 2 lugares.
Ao longo da vida, já fiz muitas dietas, e todas elas com excelentes resultados, mas acabei sempre por recuperar os quilos perdidos.

Isso, foi-me tornando uma pessoa frustrada, derrotista e sem vontade de ir à luta. Este sentimento de “não ser capaz” reflectiu-se em todos os aspectos da minha vida, desde o relacionamento com as pessoas até à minha vida profissional. Cheguei a estar 4 anos desempregada, por vergonha de ir às entrevistas de emprego.
Aparentemente, era uma pessoa feliz, bem-disposta, divertida…e brincava com as situações, muitas vezes para que as pessoas que me rodeavam não se sentissem desconfortáveis, com algum comentário menos simpático.  
E sentia-me feia, incapaz, triste, revoltada, incompreendida…

Quais os factores motivacionais que contribuíram para a mudança?
M.A: Nunca tive problemas de saúde ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Em Setembro do ano passado, comecei a acompanhar o “Biggest Loser” americano, na Sic Mulher, e deu-se o “clic”.
Comecei a comentar, em casa, que queria inscrever-me num ginásio, mas não tinha coragem…ou melhor, tinha muita vergonha!
No dia 12 de Outubro de 2010, a minha irmã mais nova, a Sílvia, praticamente me arrastou até à recepção do ginásio.  
Ela disse: “Tens vergonha? Vergonha devias ter de estar nesse estado e não fazeres nada!”. E assim foi, inscrição feita, avaliação física marcada para dia 18 de Outubro, a segunda-feira seguinte.
Chegado o dia, dirigi-me ao ginásio para ter avaliação física com o Personal Trainer Gonçalo Fonseca, que tem formação em Reabilitação no Desporto e experiencia em controlo do peso.
Ia motivada, mas cheia de vergonha e com muito medo de fracassar, mais uma vez.
O Gonçalo fez-me subir à balança e deparar-me com o número 179,1! Arregalei os olhos e não consegui dizer nada… Ele disse: “Vieste no momento certo! É agora! Tiveste a coragem de dar o primeiro passo e o mais difícil já está feito!”


A partir desse dia, treino sob a sua orientação, 6 dias por semana.  
Estar-lhe-ei eternamente grata por tudo o que me ajudou a alcançar. O Gonçalo é um grande profissional e um dos pilares do meu sucesso.  
Faz-me exigir sempre mais de mim. Faz-me ir ao limite e superar-me a cada treino. E isso tem sido fundamental neste processo. Porque hoje, me sinto capaz de vencer qualquer obstáculo ou contrariedade que possa surgir.

Visto os seus planos terem tido êxito, qual ou quais os factores que contribuíram para o sucesso?
M.A: Perseverança, perfeccionismo (no sentido de querer fazer sempre mais e melhor, por muito que isso me custe), disciplina, motivação, concentração, espírito de sacrifício e, principalmente, muita força de vontade.

Quais as características da sua personalidade que considera relevante neste processo de mudança, na gestão da adversidade ao longo do plano?  
M.A: Empenhada e cada vez mais cheia de vontade de prosseguir esta saga contra os quilos a mais.

Como se sente agora?
M.A: Sinto-me mais bonita, mais segura de mim, mais capaz. Sinto-me uma vencedora e orgulho-me de cada conquista.
Sinto-me uma atleta, saudável e cheia de energia. Sinto que, desta vez, ao contrário do que aconteceu nas dietas anteriores, não haverá recuos, porque consegui adquirir hábitos de vida saudáveis.
A sensação de frustração já não existe. Hoje sou uma mulher confiante. Sinto-me uma guerreira…vitoriosa.
Sinto-me muito feliz!


Considera que a sua experiencia de vida pode motivar outras pessoas com o mesmo problema a procurarem alternativas e/ou soluções? Explique como.
M.A: Sim. Aconteceu o mesmo comigo. Inspirei-me em casos de sucesso, dei o primeiro passo e fui em frente.  
O facto de ver pessoas como nós, com as mesmas dificuldades e com os mesmos problemas irem à luta pelos seus sonhos e objectivos, apesar dos seus medos e das suas limitações, motiva-nos e encoraja-nos.  
Acomodarmo-nos não é solução. Pior que fracassar é a sensação de não ter tentado.
Por mais árduo que seja o percurso, por muitas quedas que dêmos, não podemos, nunca, desistir de nós. E ver os outros a “arregaçar as mangas” e a vencer pode fazer toda a diferença.

Obrigada, Margarida Araújo.

Contacto: guida.araujo@gmail.com

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Comentário: Os meus sinceros agradecimentos à Margarida Araújo pela sua participação no Recuperar das Dependnecias. O seu exemplo, através da progressão do distúrbio alimentar (obesidade) ilustra o papel disfuncional sobre os hábitos alimentares no dia-a-dia, na nossa sociedade, assim como as consequências negativas a nível psicológico, físico e social.

 

O nosso organismo não está preparado para processar aquilo que comemos e como comemos, como queremos. Está "formatado" para armazenar, sempre que comermos algo que não consigamos processar (metabolismo).

 

Sabia que por vezes comemos de forma a satisfazer as nossas necessidades emocionais? Uma grande parte de nós aprendeu a socializar-se, com comida, para nos sentirmos bem. Recebemos comida por imensas razões, por ex. exprimir amor ou reconhecimento, hospitalidade e ajuda-nos a lidar com a desilusão e experiências negativas (Craighead, 2006).

 

Mais uma vez os parabéns à Margarida pelo seu exemplo de motivação em quebrar a ambivalência, de coragem em enfrentar a negação, o estigma e a vergonha, a resiliência e no seu testemunho/partilha de experiencia. Este tipo de experiencias será recordado, ao longo da vida, como uma vitória perante a adversidade. Mais uma vez reforço que não é o nosso corpo que precisa de mudar, são as nossas atitudes.

Recuperar É Que Está A Dar. Seja da adicção activa (substâncias psicoactivas licitas, incluindo o álcool e a nicotina, e/ou as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, o shoplifting - -furto, as compras - shopaholics, relacionamento de dependência – codependência), da recaída, da doença crónica, do divórcio, da obesidade, da perda e do luto, da crise, da separação, da saudade, da dor crónica, do insulto e da violência, da depressão, da ansiedade, da auto estima e da dignidade.

 

 

Distúrbio Alimentar em “Piloto Automático”

Desde muito cedo aprendemos que o tempo útil disponível aparenta ser insuficiente. Todos nós vivemos num corrupio diário, capaz de gerar emoções muito dolorosas (stress), como se o nosso bem-estar e a qualidade de vida dependessem disso e andamos uma parte muito significativa das nossas vidas sempre ocupados e preocupados com as contas, com os estudos, com o trabalho, com os pais, com os filhos, com a alimentação, com as compras mais variadas e as arrumações, com o patrão, com o emprego, com a mulher/marido, com a empresa, com as dietas, com o exercício físico e a imagem, com a saúde, com a casa, com o dinheiro, com a família, com o/a parceiro/a, com o sucesso e o prestigio, com a perfeição e o controlo (poder), com a falta de tempo, mas também acontece, por irónico que seja, quando não estamos ocupados também ficamos preocupados. A vida é difícil.

 

Progressivamente, vamos acumulando e sobrecarregando a nossa limitada agenda com tarefas e/ou compromissos urgentes e importantes. Na maioria dos casos, tudo é urgente, para ontem de preferência. Através deste tipo de comportamento problema podemos ficar vulneráveis e expostos à adversidade e/ou à doença,  por ex. comportamentos adictivos (substâncias licitas, incluindo o álcool, as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, as compras - shopaholics, o shoplifting - furto. Determinados atitudes e comportamentos geradores de desconforto podem despoletar o mecanismo (ex. prazer, bem estar, procura do alivio do sofrimento e/da apatia, do aborrecimento, da depressão ou da ansiedade) que supostamente nos protege da dor (tipo efeito amortecedor) mas na realidade e progressivamente, conduz-nos no sentido contrario, da dependência e mais sofrimento.