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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Testemunho - ajudar, atraves do desapego emocional

Boa tarde,


Não sei bem por onde começar, tenho um amigo toxicodependente, uma situação muito complicada. Ele é imigrante, esta ilegal, já foi um sem abrigo, actualmente depende da ajuda de algumas pessoas que lhe pagam alojamento e alimentação.

Há mais ou menos três anos fez uma desintoxicação no CAT (Centro de Atendimento Toxicodependência), nunca parou de consumir, mas consumia de uma forma espaçada, tipo uma ou duas vezes por semana, mas agora entrou numa fase de  consumir quase todos os dias. Aguenta tipo dois dias, depois bebe um pouco e vai consumir. Está no programa de metadona do CAT com 80mlg.

Sei que tenho alguma culpa nisto, porque acabo por lhe dar sempre o dinheiro que ele diz ter de pagar aos traficantes, diz que lhe emprestam e depois tem de ir pagar o que consumiu. Isto poderá até ser verdade, mas acho que ele depois quando vai lá novamente paga e consome mais.


Ele tem hepatite C e HIV e está tomar medicação no Hospital. O médico já lhe disse que se não pára de consumir lhe retira a medicação. Sinceramente, penso que no CAT com os métodos deles, não vai a lado nenhum.

Ele diz que quer deixar, faz projectos para o futuro, mas acaba sempre por não conseguir concretizar. Ele tem apoio e carinho das pessoas amigas, mas nada parece surtir efeito. Não sei se  ele vai conseguir deixar de consumir. Muito sinceramente, não acredito nos programas de internamento, por alguns meses, porque quando saem de lá  muitos voltam aos consumos.

Desculpe, isto é mais um desabafo, sei que não devia lhe dar dinheiro, sei que me vai dizer que sou codependente, sei que me vai dizer que é ele que tem de mudar, que tem de ser responsabilizado pelo caminho que está a dar á vida dele. Provavelmente, não o sei ajudar. Sei que eles podem ser mentirosos, inventar histórias, tudo e mais alguma coisa, mas este meu amigo nem sempre mente, e nunca inventou grandes histórias.
Obrigada por ler este meu email. Sei que não existem milagres, mas tenho pena que este meu amigo não pare de consumir.

Catarina (nome fictício)

 

 

As Drogas eleitas pela nossa sociedade

Somos uma sociedade (cultura) que promove e desenvolve “o culto cool” e da moda associado ao consumo de drogas psicoactivas adictivas - licitas, incluindo o alcool, a nicotina e ilícitas? Será uma forma diferente, original e criativa de pensar e fazer coisas? Ou optamos pelo caminho mais fácil (atalhos) na ânsia de procurar responder aos milhares de estímulos e expectativas a que somos sujeitos, dia-a-dia?

 

Portugal é o país da Europa com menor numero de estudos especializados realizados especificamente acerca do consumo de álcool e dos problemas a ele associados (Simpura et al.,2001). Quais são as pessoas e ou organizações interessadas em investigar as consequências autênticas do álcool na nossa sociedade? Qual o interesse publico desta informação? Qual o impacto e o custo na sociedade portuguesa associado ao alcool? E das outras drogas, licitas, medicamentos sujeitos a receita medica (ex. benzodiazepinas - tranquilizantes, ansioliticos) e ilícitas?

Uma parte significativa da nossa população, cujos números exactos (estudos epidemiológicos[i]) não se conseguem obter com exactidão, (desde os jovens, aos adultos, incluindo a população sénior) recorre com mais ou menos frequência, ao consumo de substâncias psicoactivas susceptíveis de causar dependência.

 

Usar drogas é um acto voluntario, uma escolha individual, que pode ser sujeita ou não à pressão do grupo e o ambiente. Nem todos os indivíduos que consomem substâncias psicoactivas adictivas iram desenvolver um problema de abuso ou dependência, assim como consumir esporádico seja sinónimo de doença, mas existe um certo grau de risco (dependendo da potência/efeito da substância, a dose administrada, a duração do consumo e do próprio consumidor). Estes factores (neurologico-bio-psico-social) juntos podem contribuir para um problema grave de saúde, familiar e profissional.

 

 Cada um elege as drogas que lhe proporcionam o efeito desejado. A mesma droga não é eleita por todos. Existem drogas para todos os gostos. Algumas pessoas usam drogas por mera curiosidade, outros para se divertirem, outros para praticarem desporto, pratciar sexo, para “fugirem” ao stress e à pressão diária, para trabalhar, para relaxarem, por motivos de doença, outros recorrem às drogas porque abusam e por último aqueles que estão dependentes (doença da adicção).

 

Existe uma relação entre a oferta e a procura que faz com que hoje as drogas estejam mais disponíveis e presentes no dia-a-dia das pessoas, comparativamente à 15 anos atrás. Provavelmente, todos nós conhecemos, directa (ex. um familiar, ou amigos) ou indirectamente (ex. amigo do amigo), alguém que nesta altura tenha ou já tenha passado por um problema com drogas, incluindo o álcool.

 

Porque é que uns sofrem horrores e destruição nas suas vidas, associado às drogas psicoactivas adictivas, incluindo o álcool, ex dependência (doença/adicção) e outros não?

 

Através do consumo de drogas aprende-se a oscilação das emoções e descobre-se todo um “novo mundo” de novas experiências sensoriais e singulares que de outro modo não seria possível experienciar.

 

A dependência às drogas lícitas, incluindo o alcool e a nicotina, e/ou ilícitas psico-activas, é uma doença do cérebro (adicção). Sabemos que o consumo de drogas altera a percepção (ideias, compreensão) e o funcionamento normal do cérebro (neuroquímica/neurotransmissores) enveredando o adicto na senda da gratificação imediata, procura aquela sensação de prazer e/ou bem-estar única capaz de gerar energia extra, capaz de modificar e ou atenuar (dormente) as emoções dolorosas; ex. raiva e ressentimento, o medo e a insegurança, rejeição numa relação romântica, despedimento (frustração), perda de alguém querido, cansaço físico e/ou sensação de falta de energia, ansiedade e ou sentir-se deprimido etc. As drogas psicoactivas modificam a forma como as pessoas sentem, pensam e agem.

 

 

Demasiado amor pode ser negativo para a relação-romântica

Por vezes, evoca-se um conceito positivo e saudável nas relações românticas, mas no final o resultado daquilo que fazemos é o oposto; revela-se disfuncional e em ultima instancia patológico. As emoções românticas podem assumir um papel demasiado intenso, obsessivo e “sagrado”, gerador de pressão e controlo, e o individuo acabar “presos” às suas fantasias e atitudes organizadas em crenças disfuncionais e/ou mecanismos de “fuga” às emoções dolorosas. Refiro-me por exemplo, ao conceito do AMOR. A paixão pode ser um estímulo suficientemente forte para se procurar alguém para AMAR , por vezes, depois da paixão nada resta, senão a separação.

Então se o AMOR é uma necessidade básica de qualquer ser humano (dar e receber afecto, intimidade e compromisso, obviamente não confundamos com coisas materiais) porque tornamos as relações disfuncionais em nome do AMOR?

Um novo estudo veio revelar que um vínculo demasiado intenso (apegado) numa relação romântica pode revelar-se prejudicial. Relacionamentos românticos definem laços especiais de intimidade e de compromisso entre os seus parceiros. Em muitos casos, um pacto apaixonado conduz a relações duradouras, e em último caso, à constituição de famílias.

Por vezes, um ou ambos (parceiros) colocam um anseio e uma expectativa demasiado elevada (preocupação irracional) na sua relação. Como resultado manifestam uma disposição (disfuncional) em exprimir e avaliar a auto estima e os limites, baseando-se somente no resultado das suas interacções românticas. Isto é, se a relação está positiva, está tudo bem, caso contrário, sentem-se exageradamente culpados e frustrados por a relação não apresentar os sinais de segurança, que seria suposto. Não é permitido sentir as emoções desconfortáveis e as angustias “livremente.” Imediatamente, reagem ansiosos e estabelecem planos e projectos para salvar a relação ou fugir à dor à revelia do seu parceiro/a.

É aquilo que os psicólogos apelidam de Relação-Duvidosa que Afecta a Auto-Estima e que segundo o investigador Raymond (Chip) Knee Ph.D. afirma, é um factor negativo para a relação romântica assim como para a auto estima de um ou ambos parceiros.

Segundo o Dr. Raymond (Chip) Knee, Professor Assistente de Psicologia e Director do Departamento de Relações Interpessoais e de Pesquisa em Grupos de Motivação da Universidade de Houston “Os indivíduos que apresentam níveis elevados do fenómeno Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão excessivamente comprometidos (apegados) às relações e também demasiado vulneráveis emocionalmente, caso surja algum tipo de adversidade/conflito – para isso, basta uma pequena discórdia, para que despolete todo um conjunto de problemas que assumem dimensões desproporcionadas."

Pessoalmente, Ouço relatos nas consultas de um dos membros do casal que afirma “Discutimos e zangamo-nos por coisas insignificantes, quando na realidade não são assim tão importantes. Na altura, não se consegue pensar naquilo que se diz e/ou faz. Só mais tarde, de cabeça fria, se chega á conclusão, que afinal todo aquele aparato não passou de um disparate”. Por vezes estas discussões acabam em agressões verbais e total desrespeito que afectam a confiança na relação entre parceiros.

Raymond Chip Knee acrescenta que a Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode desencadear discussões, com base em argumentos banais, capazes de gerar episódios de depressão e ansiedade, tais como; uma errada interpretação de palavras, diferenças de opinião, uma critica/comentário à personalidade ou à aparência física. Segundo o especialista “Um compromisso excessivo pode influenciar negativamente a relação.

Um ou ambos os parceiros também podem desenvolver comportamentos maníacos e/ou obsessivos (ex. um dos parceiros exige uma atenção exagerada sobre si próprio em relação ao seu companheiro/a) directamente relacionados com o amor.

Acompanho casos de indivíduos, homens e mulheres, com comportamentos obsessivos que afirmam que não pensam noutra coisa senão no seu parceiro/a. Alguns ex. "Onde está…?" ou "Com quem está…?" "Se não atende o telefone, algo de errado se está a passar", ou, se um dos parceiros afirma não estar disponível para fazer sexo, é porque já não existe amor na relação, etc. Sabemos que estes comportamentos desgastam a relação e prejudicam a qualidade de vida do indivíduo.

O fenómeno da Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode provocar alterações bruscas num dos parceiros após a separação, o divorcio ou haver ameaças serias à integridade física – ex. violência doméstica. Se no inicio de uma relação este tipo de comportamentos disfuncionais for identificado podem ser tomada medidas de forma a prevenir consequências negativas e traumáticas ou servir para que ambos reconheçam e admitam que afinal são incompatíveis.

 

Recuperação Duradoura e a Alimentação Saudavel

 

Na minha opinião a alimentação saudável é uma pratica corrente a ter em conta na recuperação duradoura dos comportamentos adictivos. Cada vez mais observo homens e mulheres em recuperação ansiosos e preocupados com os seus hábitos de alimentação e como consequência inquietos com a sua saúde física, mental e espiritual, não religios sem dogmas e divindades. Uma vez ouvi alguém afirmar que “ Aquilo que comemos está relacionado com a forma como nos sentimos e tratamos.”
 
Recuperação dos comportamentos adictivos (substâncias psicoactivas, lilícitas, incluindo o alcool e as ilícitas, jogo, sexo, disturbio alimentar, compras- shopaholics, shoplifting - furto, dependencia emocional) é regularizar hábitos disfuncionais (sono, alimentação, higiene pessoal, saúde, etc.) e identificar comportamentos geradores de sentimentos dolorosos e disfuncionais e em alguns casos compulsivos por ex. a comida, relações, sexo, jogo patológico, trabalho patológico e fazer compras.
 
Na maioria dos casos, agimos no prazer imediato, com base em pensamentos automaticos, com vista a saciar o vazio interior e espiritual (não religios, sem dogmas e divindades), com coisas (pessoas, lugares e coisas) e não optamos por adiar a gratificação e congratularmo-nos por isso. Queremos algo e já.
 
Para aqueles que estão em recuperação de comportamentos adictivos que têm filhos/crianças podem organizar em família refeições saudáveis e coloridas. Partilhar momentos e rituais saudáveis em família em que a refeição (saudavel e diersificada) é o momento de comunicação, união e confraternização. 
 
Nos últimos cinco anos, após um período conturbado que ainda atravesso, tenho procurado adoptar uma postura diferente e procurado investir “devagarzinho” na alimentação saudável, refiro-me à vegetariana. Após iniciar este ciclo algo mudou no meu comportamento em relação à comida, semelhante á sensação que tive quando deixei de fumar. Sinto que estou a cuidar de mim e isso é reconfortante, inspirador, gratificante e gerador de auto-estima. Também tenho desenvolvido um ritual com o meu filhote de em vez dos gelados vou ao supermercado comprar fruta e/ou sumos de fruta naturais (sem corantes nem conservantes, sem adicção de açúcar. Existem uns muito bons) e passamos um momento inesquecível juntos.
 
Frequento um restaurante vegetariano que é excelente. Cada vez que ali me desloco tenho a sensação de que os pratos são confeccionados com dedicação, criatividade e amor.
Na passada sexta-feira estava a deliciar-me com uma saborosa iguaria juntamente com um amigo e tive uma ideia luminosa. Revelar este simpático, descontraído, sereno e acolhedor espaço chamado:
 
 Daterra localizado na Rua Dr Afonso Cordeiro, 71 em Matosinhos. Reservas 912835771 reservas@daterra.pt / www.daterra.pt
 
Espero que usufruam tanto ou mais que eu e lembrem-se “Recuperar é que está a dar”
 
Se quiserem divulgar restaurantes vegetarianos e ou outros que conheçam e considerem excelentes e saudáveis nos seus manjares e que sejam um deleite para o espirito podem enviar o nome e a sua localização para o blogue através de email. Já agora quando enviarem o email com o nome do restaurante enviem uma sugestão quanto ao prato que mais gostaram e bebida, sem ser alcoólica, claro.
 
Mais tarde irei publica-los a todos e tornar a lista acessível.
 
 

Dar e receber abraços

 

O abraço é:

Comunicar, pertencer, apoiar, proteger, arriscar, confiar, amor proprio, entregar, respeitar, segurança, amizade... é gratis.~

 

Quem já recebeu um abraço daqueles que nos eleva o espirito, renasce a esperança, reconhece a importancia do calor humano genuino e espontaneo...quem não sabe, experimente!

Vamos dar e receber abraços "iluminados" e abençoados.

Pegadas na Areia




Tenho um amigo muito especial. Conheci-o em Lisboa, no final dos anos oitenta. Ele é para mim um modelo de determinação, de bravura, de resiliencia; essa inaudita capacidade de resistência humana perante a adversidade.
 
Ele é VIH positivo, há 17 anos, está em recuperação da adicção às drogas há 18 e é um homem maravilhoso e um pai dedicado.


 


A amizade é um dos grandes " tesouros " da minha existencia.


"Por vezes, os amigos estão lá para nós, quando não conseguimos ser um companhia saudavel e positiva para nós mesmos."



Um dia, ofereceu-me esta extraordinária “meditação” que guardo com imensa devoção e carinho.


 


Gostaria de reforçar que a mensagem desta bonita "meditação" é de caracter espiritual, não religioso, sem dogmas e divindades.



Pegadas na areia
Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor, e no firmamento, passavam cenas da minha vida. Após cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: um era o meu e o outro era do Senhor.

Quando a ultima cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me deveras e perguntei ao Senhor:



- Senhor, tu disseste-me que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que, nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor respondeu-me:
- Meu querido filho, jamais te deixaria nas horas de prova e sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente aí que peguei em ti ao colo.”


 


Um grande Bem Hajas Amigo e "Professor"
 
 

Alguns dados preocupantes sobre as consequências do álcool na nossa sociedade


 


Sabia que vários estudos sobre relação entre álcool e suicídio apontam para uma influência do álcool nos comportamentos e na ideação suicida, a diversos níveis. Se por um lado existe uma relação directa entre o consumo de álcool e a prevalência das taxas de suicídio pode-se concluir também que a presença do álcool potencializa a probabilidade da ocorrência de comportamentos relacionados com o suicídio.

Comprova também que este potencializar de comportamentos suicidas acontece não apenas no âmbito da população em geral, mas também em grupos específicos como os idosos, os adolescentes, ou em grupos com determinadas perturbações mentais.
Também a relação entre as características presentes em situações de intoxicação por álcool (como a impulsividade, hostilidade e a agressividade) e o suicídio foi estudada e considerada estatisticamente significativa. Através dos estudos de Christoffersen & Soothill, 2003, o consumo de álcool, por parte dos pais, durante os anos de formação dos filhos potencializa comportamentos suicidas dos filhos.


  

Sabia que Aproximadamente 20% da população entre os 15-64 anos tem problemas de dependência de álcool e outras substâncias psicoactivas. Os custos sociais e económicos decorrentes desta problemática sugerem ser elevados, sobrecarregando o sistema de saúde, prisional e contributivo. Todavia, parece não haver interesse publico em se efectuar estudos sobre o impacto económico (custos) da toxicodependência e do alcoolismo.

Sabia que Quase todos os estudantes de 15-16 anos (>90%) beberam álcool em algum momento da sua vida, começando em média aos 12 ½ anos de idade, e embriagando-se pela primeira vez aos 14 anos. A quantidade média bebida numa única ocasião por jovens de 15-16 anos é acima de 60g de álcool, e chega a quase 40g no Sul da Europa. Mais de 1 em 8 (13%) dos jovens entre 15-16 anos embriagaram-se mais de 20 vezes na sua vida, e mais de 1 em 6 (18%) fizeram “binge drinking” (5 ou mais bebidas numa única ocasião cujo intuito é a intoxicação) três ou mais vezes no último mês. Os rapazes continuam a beber mais e a ficar embriagados com  mais frequencia do que as raparigas, com uma redução pequena na diferença absoluta entre eles. A maior parte dos países mostram uma subida no “binge-drinking” para os rapazes desde 1995 a 1999 e a 2003, e quase todos os países mostram isto para as raparigas (resultados semelhantes são encontrados para países sem pesquisa ESPAD e usando outros dados). Por detrás desta tendência global, podemos ver uma subida no “binge-drinking” e na embriaguez na maioria da UE de 1995 a1999, seguidos por uma tendência muito mais ambivalente desde então (1999-2003).

Sabia que Os jovens carregam uma quantidade desproporcionada das consequencias negativas do alcool, com mais de 10% da mortalidade jovem feminina e cerca de 25% da mortalidade jovem masculina a ser devida ao álcool. Infelizmente, pouca informação existe acerca da extensão dos danos sociais nos jovens, embora 6% dos jovens entre 15-16 anos na EU declarem envolvimento em brigas e 4% declarem sexo desprotegido devido ao seu consumo de álcool.

Pior saúde em áreas carenciadas também parece estar ligada ao álcool, com estudos que sugerem que a mortalidade directamente atribuída ao álcool é mais alta em áreas carenciadas, para além daquela que pode ser explicada pelas desigualdades a nível individual.

Muitos dos danos causados pelo álcool são suportados por terceiros. Isto inclui 60,000 nascimentos com pouco peso, bem como 16% de abuso e negligência de crianças, e 5-9 milhões de crianças em famílias negativamente afectadas pelo álcool. O álcool afecta também outros adultos, incluindo uma estimativa de 10,000 mortes em acidentes de viação com álcool para pessoas (inocentes) que não o condutor alcoolizado, com uma substancial parte de crimes atribuídos ao álcool também possível de ocorrer a terceiros.

Anorexia Nervosa


 

“A anorexia nervosa (AN) é uma doença relacionada com o comportamento alimentar. A característica mais comum é a perda de peso, associada a uma progressiva mudança de comportamento (medo de engordar). A perda de peso é lenta mas progressiva e, normalmente, tem início com uma dieta normal, podendo também ocorrer de forma brusca como consequência de uma determinada restrição alimentar. É designada de privação alimentar (jejum provocado e ou forçado, jejum prolongado ou ingerir alimentos com baixo teor de calorias). E um termo psiquiátrico e é a doença psiquiátrica que apresenta mais fatalidades – 20% das pessoas com esta doença vêm a falecer. Normalmente é tratada como uma doença mental (psiquiátrica) cuja nucleo, centra-se na família disfuncional e outros factores que incluem: a natureza da personalidade da rapariga/rapaz em causa, como por exemplo, a forma de relacionamento entre membros da família, problemas fora do contexto familiar, sobretudo na escola (pressão de pares), abuso, e factores genéticos. Na abordagem médica, normalmente, o aspecto adictivo é ignorado.

A anorexia nervosa é uma doença do comportamento alimentar em que o indivíduo luta de forma a manter um baixo consumo de alimentos, com episódios esporádicos de ingestão de alimentos a que alguns chamariam de alimentação moderada. Todavia, para a pessoa com A.N., estes episódios esporádicos são interpretados como inaceitáveis, terríveis binges (ingestão compulsiva, voracidade, empanturrar-se), com uma forte relação com a imagem corporal distorcida (dismorfia corporal). A maioria dos anorécticos utiliza manobras purgativas (vomitar, usar laxativos e/ou outros métodos de eliminação de alimentos) depois de um episódio de binge (ingestão compulsiva, voracidade, empanturrar-se). 

A anorexia nervosa parece ser mais da área da psiquiatria do que da adicção. As pessoas com anorexia nervosa revelam mais do que pensamento e comportamento disfuncional, em relação à alimentação, pode envolver outras áreas. Em alguns casos a família é super controladora, demasiado protectora, e podem existir outros problemas que vão além da adicção na família. Generalizando, a maioria dos anorécticos não responde positivamente ao modelo de tratamento da adicção, mesmo sendo numa boa instituição.


  

Adicção á privação (jejum provocado, jejum prolongado ou ingerir alimentos com baixo teor de calorias) – a privação influencia e interfere em muitos neurotransmissores (cerebro) e outros agentes bioquímicos. Neste sentido, é plausível tornarem-se adictos aos próprios agentes bioquímicos.
Evitar a ingestão compulsiva/voracidade – A maioria dos anorécticos sentem um medo tremendo de comer (pânico), nas suas mentes surge o medo de não conseguir parar de comer. Este medo pode ter a origem no peso exagerado (passado) e ou obesidade na família.

Restringir/privação vs. Purgar alimentos (Manobras de Purgativas) - Muitos anoréxicos intercalam entre episódios de ingestão compulsiva de alimentos (voracidade, empanturrar-se - binge) vs. vomitar, usar laxativos e/ou outros métodos de eliminação de alimentos - (purge), apesar das regras auto impostas, muito restritas e rígidas, quanto à alimentação. È possível ser anoréxico e bulímico, ao mesmo tempo. Existem dois tipos de Anorexia Nervosa:

Anorexia Nervosa Restritiva - É caracterizada por uma dieta rigorosa e recusa em manter um peso normal e a Anorexia Nervosa
Compulsiva/Purgativa (também designada por Anorexia Nervosa Bulimica) - Aqui predominam as crises bulimicas e os comportamentos para evitar o aumento de peso. Os critérios de diagnóstico para a Anorexia Nervosa são: Recusa em manter o peso corporal para a idade e altura.

Efeitos da privação / jejum provocado – alteram o equilíbrio neuroquimica e as funções do organismo. O efeito, no cerebro (sistema límbico) parece ser semelhante aqueles encontradas nas drogas estimulantes do sistema nervoso central.


  

 

Historia dos 12 Passos / Alcoolicos Anónimos


 



Curiosidades
Os Alcoólicos Anónimos (AA) são uma irmandade de homens e mulheres que tem proporcionado, desde 1935, a milhões de pessoas por todo o mundo, uma maneira de recuperar do alcoolismo. A sua filosofia, atraves dos seus princípios, os 12 Passos e as 12 Tradições providenciam um modelo e o protótipo para muitos grupos diferentes de ajuda-mutua. Os grupos de ajuda-mutua que se auto intitulam de anónimos e que aplicam os 12 passos vêem o AA como o fundador.
Existem muitos factores que influenciaram o AA no seu inicio de seguida irei mencionar alguns.

Nos finais dos anos 20, Bill Wilson, um dos co-fundadores do AA, depois de lutar contra o álcool durante anos foi visitado por um dos seus colegas dos “copos”, chamado Ebby Thatcher, que o informou que tinha conseguido ficar sóbrio, utilizando a religião – referia-se grupo de Oxford.
Ebby Thatcher, por sua vez, recebeu ajuda de Rowland H. que antes tinha sido classificado, pelo famoso psiquiatra suíço Carl Jung, como um caso sem solução. De qualquer forma, o Dr Jung afirmou, que ocasionalmente tinha observado algumas pessoas a ser salvos do alcoolismo por um milagre religioso.
 
Rowland H. no final dos anos 20 fazia parte do grupo de Oxford, grupo com denominação evangélico que procurava o espírito do cristianismo do século XX. Ele ficou sóbrio e tentava ajudar outros alcoólicos utilizando os princípios/valores do movimento religioso, que mais tarde se tornaram a fundação para o desenvolvimento da recuperação dos AA. Alguns desses princípios davam ênfase auto-avaliação, confissão, recompensa, dar a si mesmo através da ajuda aos outros.

Bill Wilson conseguiu permanecer sóbrio durante alguns meses frequentando os grupos de Oxford e tentando ajudar outros alcoólicos.
Foi mais tarde, em Maio de 1935, em Akron, Ohio, EUA que Bill, co-fundador dos AA conheceu Dr. Robert H. Smith, mais conhecido entre os membros de AA, como Dr. Bob, outro dos co-fundadores do AA. Nessa noite de Maio, Bill desejando beber, telefonou para um dos homens do clero de Oxford, onde manifestou o desejo muito forte de ajudar outro alcoólico onde este o encaminhou para o Dr. Bob.

Era esperado que aquela reunião tivesse a duração de quinze minutos, quando finalmente terminaram tinham estado quatro horas a conversar. O que impressionou o Dr. Bob foi que Bill também sofria do mesmo problema e mais importante ainda, que Bill precisava tanto de si como Bob precisava de Bill. Isto aconteceu no dia 10 de Junho de 1935, em que Dr. Bob ingeriu pela ultima vez bebidas alcoólicas. Este dia é celebrado como o dia do aniversario dos AA.
 
Datas:

1879 – Nasce Robert Holbrook (Dr Bob) Smith a 8 de Agosto, Vermont, EUA.

1895 – Nasce William Grifith Wilson (Bill) a 26 de Novembro, Vermont, EUA.

1915 – Dr. Bob casa com Anne Ripley a 25 de Janeiro.

1918 – Bill casa com Lois Burham a 24 de Janeiro.

As esposas, Lois e Anne, tornaram-se vitais para o desenvolvimento do programa dos 12 passos pelo apoio que proporcionaram aos seus maridos e pelas suas contribuições para o movimento que mais tarde viria a ser conhecido pelo Al-Anon (grupo de ajuda-muta para as família de alcoolicos).

1933 – Dr. Bob começa a frequentar o grupo de Oxford para lidar com o seu alcoolismo. Apesar da orientação espiritual do denominado movimento cristão, ele continua a beber. Nesta altura, Bill dá entrada no Towns Hospital, em Nova Iorque. Pela primeira vez onde o Dr William Silkworth o informa de que o alcoolismo, é como um tipo de alergia ao álcool. Nesta altura, Bill pensa que está curado.

1934 – Em 11 de Dezembro, Bill toma a sua ultima bebida. É admitido novamente no Towns Hospital, em Nova Iorque, mas desta vez ele afirma ter tido uma experiência espiritual durante a sua estadia neste hospital. Dr. Silkworth diz-lhe “Agarra-te a isso”. Bill e Lois começam a frequentar o grupo de Oxford. Bill W., nos cinco meses seguintes, envolve-se com dezenas de alcoólicos procurando ajudar e nenhum deles permanece sóbrio – mas Bill consegue.

1935 – 12 de Maio. O primeiro encontro entre Bill e Dr. Bob em Akron, Ohio, EUA, que em principio ia durar quinze minutos, de facto durou quatro horas. O dia 10 de Junho é reconhecido como o dia de aniversario dos Alcoólicos Anónimos. Nesta altura, a classe medica, nos EUA, começou seriamente a questionar o seu trabalho,  sobre os alcoólicos, por causa de a taxa de sucesso no tratamento ser muito baixa.

1939 – Em Abril, é publicado o livro dos A.A., mais conhecido como o “Big Book”. È uma compilação pratica dos primeiros 100 membros na qual já se encontra a primeira mulher no A.A.. Dois dias depois, Hitler invade a Polónia, interferindo no desenvolvimento de A.A., enquanto o mundo se prepara para a guerra.
Também neste ano, Florence R. é a primeira mulher a tornar-se membro do AA. Ela opõe-se ao titulo escolhido no Big Book “ One Hundred Men” por razões obvias.

1940 – Nesta altura, Lois W., esposa de Bill decide que tal como o marido que precisa de ajuda para o alcoolismo, ela também precisa de fazer algo. Nesta altura, as famílias reuniam-se com os alcoólicos desde 1935. Foi a partir desta data que começaram a efectuar reuniões abertas e reuniões fechadas.

1944 – Marty Mann, a primeira mulher a alcançar a sobriedade prolongada dentro dos AA, foi também um dos membros a fundar o National Committe for Education on Alcoholism.

1950 – Em Julho tem lugar em Cleveland, (Ohio, EUA) a 1ª Convenção Internacional de AA. As 12 tradições são aceites. Depois de uma década de experiências, com este tipo de organização, as tradições são desenvolvidas. Em Novembro, Dr. Bob morre de crancro.

1951 – O Al-Anon é fundado e criado o escritório em Nova Iorque.

1953 – A partir de 17 de Agosto começa o movimento dos Narcóticos Anónimos (NA). A primeira reunião foi realizada no sul da Califórnia conhecida pela reunião de “Narcóticos Anónimos e Alcoólicos Anónimos do Vale de San Fernando”. Um dos membros fundadores chama-se Jimmy Kinnon, mais conhecido por Jimmy K, um dos autores do símbolo de Narcóticos Anónimos. Este pioneiro da organização foi membro de N.A. durante 36 anos mantendo-se abstinente e em recuperação através de N.A. Houve outras adictos que também participaram no movimento, conhecidos como; Frank e Doris C., Paul R., Steve R. e outros.
 
1953 - Neste anoA primeira reunião documentada aconteceu em 5 de Outubro. Os 12 passos e as 12 tradições de AA são escritas e publicadas com a participação de Bill W.

1956 – Primeira publicação, intitulada de Narcóticos Anónimos, constava de um folheto informativo de oito paginas, contendo 20 perguntas, uma sinopse do programa de NA (os Doze Passos) e os endereços dos grupos de Studio City e San Diego, na Califórnia.

1957 – Dia 13 de Setembro inicia a primeira reunião de Jogadores Anónimos.
 
1957 - O Al-Alateen (jovens filhos de pais Alcoolicos) começa como parte integrante do Al-Alanon. Alateen (teenagers)

1960 – Em 19 de Janeiro começam os Overeaters Anónimos.

1962 – O livro Branco foi publicado a partir da primeira publicação de NA em 1956.

1971 – Em 24 de Janeiro, Bill W. morre de efizema.
 
1971 -  A 6 de Julho começam os Emocionais Anónimos em Minneapolis, Minnesota (EUA) mas as suas raizes remontam a 1965 quando Marion F. leu um artigo num jornal sobre os 12 Passos dos Alcoolicos Anónimos.
 
1971 - Primeira convenção mundial de Narcóticos Anónimos.

1972 – Abertura do Escritório Mundial de Serviço de Narcóticos Anonimos (World Service Office), em Los Angeles, Califórnia.

1975 – Foi redigida a The NA Tree, sobre a estrutura de serviço que começava a ser implementada em NA.

1978 – Neste ano a mulher do presidente dos EUA, a Primeira Dama Betty Ford, inicia a sua recuperação em tratamento e mais tarde torna-se membro do AA.

1979 – Inicio das reuniões dos Alcoólicos Anónimos, igreja do Corpo Santo, em Lisboa, Portugal.

1983 – Publicação mais completa e actualizada do Texto Básico, mais conhecida como Livro Azul de Narcoticos Anonimos.

1985 – Morre Jimmy K. pioneiro do movimento de Narcóticos Anónimos.

1985 – Inicio das reuniões de Narcóticos Anónimos em Lisboa, Portugal.

1988 – No dia 5 de Outubro Lois Burham morre.

1991 – Publicação do livro Azul de Narcóticos Anónimos em Português.


Narcóticos Anónimos é a terceira maior irmandade depois dos AA e Al-Alanon. Segundo dados divulgados na revista oficial The NA Way Magazine, editada pelo WSO de Junho de 2003 existiam 30.000 reuniões semanais, organizadas por 19.742 grupos em 106 países.
 
Ficamos a saber pela mesma fonte que a literatura de NA se encontra traduzida em 23 idiomas: Bengali, Bahasa, Melayu, Portugês, Chinês, Alemão, Espanhol, Dinamarquês, Inglês, Farsi, Finlandês, Francês, Grego, Hebraico, Italiano, Japonês, Lituano, Manipuri, Holandês, Norueguês, Polaco, Russo, Sueco, Tagalog e Turco.

Actualmente, existem em território continental e ilhas cerca de 162 grupos e 200 reuniões semanais.
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