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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Escuta Ativa para Quebrar o Silêncio

teresa blogue autor Betina La Plante.jpg

Foto de Betina La Plante

 

Obrigada pela "persistência" da dica “Arte Bem Viver” que agora recebi e li.

Chorei, confesso.

Porque aprendi recentemente e constantemente luto para conseguir ser silêncio...

Passei por quase tudo, perdas, divórcio, doença crónica, acidentes, ameaças à integridade física e financeira, pessoas alegadamente amigas que não o eram, alienação parental, desilusão atrás de desilusão e riscos de perda de esperança, que felizmente inverto porque nasci a reclamar, mas a mirar o "copo meio cheio". Sou aquela que é “forte”, “supermulher”, se desenrasca e “adeus”, qual descartável humano, ou desnecessitada de qualquer ajuda por me encararem como lutadora que tudo ultrapassa sozinha.

Se me perguntam como estou nem posso dizer que bem, nem que mal, porque as respostas são desastrosas e nada empáticas, encolho então os ombros, sorrio e digo "um dia de cada vez". Hoje aprendi a sua expressão: se me perguntarem “como estás”, não direi o habitual, mas "faz - se por isso".

Um dos meus amigos ensinou-me sem querer, uma expressão que anotei, "sempre em frente" e "força". Nunca me disse "pensamento positivo" felizmente, pessoa sábia. Não suporto ou sequer admito tal expressão, viro costas com uma desculpa, se estão por bem.

Queira - se ou não, há um estigma brutal contra a doença, a incapacidade física ou limitação mental, por muito que se fale disso... Modas. Estigma contra os pobres, doentes, idosos, pessoas instituídas, desempregados. Sou direta. Não adocem pílulas com intenções ou falsa compreensão.

 

Os meus sonhos … não penso neles, são impossíveis. Sou demasiado lúcida, citando esta característica dita por alguém que muito considero há muitos anos, para acreditar na possibilidade real de sonhar...  Sou empática e seria bom para a minha saúde geral, mudar de profissão que tanto amo, para outra que igualmente ame. Ajudar os outros, porém não tenho habilitação específica para tal, nem condições para a adquirir, como com tantos outros sonhos que não me pagam as contas ou resolvem problemas. Sobra a reconversão, de difícil gestão.

Sou adicta em café, livros que não tenho tempo de ler, música, arte, espetáculos.

Não posso ou é muito difícil para mim, deslocar-me e fruir, logo, tenho a Internet e a TV (música sempre ligada quando estou em casa) logo, isolo-me por não ter paciência para futilidades, melhor, não saio porque além dos compromissos profissionais, preciso de repousar para aguentar a semana de trabalho. Um dia de “ressaca” de dores e fadiga que persistem, apenas abrandam, outro para tarefas domésticas e para preparar trabalho e assim por diante. Pouco sobra...  Muito se acumula e desengane-se quem me considere em isolamento, porque gosto muito de conhecer pessoas e conviver. Porém é necessário fazer escolhas...

Já deixei de me culpabilizar.

Sou mulher de causas e dedico-me a elas através do trabalho, porém só me sobrecarrega, embora me realize.

Não referi a frustração de já não poder ser como era. Foi e é continuamente necessária a reconversão, muito aquém do que desejaria. Tenho muito para dar, mas necessito respeitar o meu corpo total (físico, mental e espiritual), por isso, habitam em mim duas Teresa' s. A que sofre, ri, chora intensamente. E a outra, vigilante que alerta para horários, gestão do tempo, a saúde, etecetera.

Aceitação e serenidade. Sempre fiz da escrita a catarse. Deixei de o fazer.

Não sou amarga. Gosto de brincadeiras inteligentes e genuínas, o que é difícil conseguir. Rir, conversar, aprender, colocar muitas questões, divagar nos temas e partilhar vivências e aprendizagens. Não é fácil encontrar pessoas dispostas a isso. Porém aprendi a dizer não ao que me faz mal e até ao que gosto muito, se tiver que “pagar um preço” inaceitável, traduzindo, ser usada. Abdico pela minha dignidade. Não sou de todo perfeita. Mas sou íntegra e tento ser coerente. Sou sincera e direta, o que incomoda muito, sobretudo porque recuso a vender-me e não tenho medo de me manifestar quando há injustiças, difamação, etc. Aqui regresso fechando o ciclo iniciado com o silêncio.

Estou a "trabalhar" o silêncio o que baralha as pessoas, porque sou comunicativa embora tímida. Calada, assim protejo-me, porque na maioria das vezes, só posso contar comigo. Confiar e desabafar com alguém? Como isso me é importante.... Contudo não tenho muitas bases para isso. As que teria estão longe e focadas nas suas vidas. Não quero ser peso, mas leveza.

Perdoe.

Li a dica “Arte Bem Viver” e pus-me a escrever.

Persistência, sim persista com a sua /nossa dica que tanto me ajudou desde o início...

Como costumo dizer, se tanto esforço ajudar nem que só uma pessoa, então valeu a pena. O pior está em bastas vezes esquecer-me da pessoa mais importante, eu mesma.

Desejo sinceramente que a sua dor se dilua rapidamente.

Criar "sentido" para quem de criança a vida só faz sentido com "sentido", é muito doloroso e complicado ainda que apenas hoje...

Eis por todo o supra, me sinta uma "outsider”, que às vezes, bastas vezes, fala algo e parece usar uma língua desconhecida... Não entendem o que me é elementar. Há que aceitar. Felizmente humildade é qualidade que não tive que "trabalhar", mas dói confrontar-me diariamente com estas situações…

Carapaça, viver em carapaça... A necessidade que dispensava de bom grado. Aproveito então, para saborear todo e qualquer momento, evento ou partilha, por infinitesimal que seja, para fruir regando com gratidão.

Bem-haja,

Teresa

 

"Pensar melhor - O poder de saber o que não sabemos", Adam Grant, Editora Vogais

Comentário: Obrigado pelo elogio em relação à dica Arte Bem Viver e por ser uma “colaboradora” das publicações do Facebook. Quando recebi a sua mensagem, que se converteu numa publicação no blogue, considerei que seria uma pena, se ficasse perdida, nos arquivos das mensagens do Facebook, em vez de ser partilhada. Refiro-me à espontaneidade e genuinidade. Considero, generalizando e não sendo dramático, (é apenas) uma sensação de que a espontaneidade e a genuinidade estão em declínio no léxico e nas ações do ser humano, no dia a dia. Anda-se numa correria, idêntica à roda do rato hamster, na busca de coisas externas geradoras de recompensa vs alheamento. Não fazia mal nenhum, se direcionássemos o foco para o universo interior e imaterial na busca de um propósito. Continue a participar, como tem feito até aqui. Mais uma vez, obrigado.

A dica Arte Bem Viver existe desde 2011, vamos no número 260 dicas. Caso esteja interessado/a em receber a dica na sua caixa de correio eletrónico é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e no assunto escrever dica Arte Bem Viver.