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Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951)
27 de Julho de 1938 - O Dr. Silkworth escreve um artigo que é publicado no livro "Big Book", dos Alcoolicos Anónimos,intitulado “A Opinião do Médico"
"Especializei-me no tratamento do alcoolismo durante muitos anos.
No inicio dos anos 30, tratei um paciente que, apesar de ter sido um homem de negócios competente, com muita capacidade para ganhar dinheiro, era um alcoólico de um tipo que eu tinha chegado a considerar irrecuperável.
Durante o seu terceiro tratamento adquiriu determinadas ideias sobre um possível programa de recuperação. Como parte da sua reabilitação, começou a dar a conhecer os conceitos do seu programa de recuperação a outros alcoólicos, incutindo neles a necessidade de fazer o mesmo com os outros. Este conceito veio a tornar-se a base de uma associação formada por alcoólicos em recuperação e pelas suas famílias em rápido crescimento. Tudo leva a crer que este homem e mais uma centena se recuperaram .
Pessoalmente, conheço também um numero de casos idênticos em que outras abordagens diferentes falharam por completo.
Estes factos parecem ter a maior importância médica, e devido às extraordinárias possibilidades de rápido crescimento inerentes a este grupo, eles podem vir a assinalar uma nova abordagem nos anais do tratamento do alcoolismo. É bem possível que estes homens tenham um solução para milhares de casos de pessoas com problemas com o álcool.
Pode confiar-se inteiramente em tudo aquilo que partilhem a respeito de si próprios.
Atenciosamente,
William D. Silworth"
Comentário: No passado dia 27 de Julho de 2014 celebrou-se setenta e seis anos (76) após a publicação da carta do Dr. Silkworth. Podemos constatar que a sua visão sobre "(...) estes homens..." veio revelar-se uma realidade inquestionável, não só nos EUA, mas em todo o mundo, incluindo Portugal. Faço votos que mais profissionais da saúde, em Portugal, possam também ter uma visão semelhante sobre o tratamento do alcoolismo visto ainda existirem imensos mitos, estigma e falsos preconceitos sobre o programa de recuperação dos Alcoólicos Anónimos.
RIP, Dr Silkworth.
A minha história começa como tantas outras. Sempre fui uma criança gordinha, mas nunca obesa, o que não me preocupava nada, até ao dia em que alguém verbalizou que eu estava gorda e precisava de perder peso. Não sei quem foi, nem quando. Só sei que me marcou profundamente. De repente, eu era diferente dos outros. Tinha peso a mais, tinha de o perder e, pior ainda, tinha de deixar de comer para o conseguir.
A partir desse momento, parecia que estava sempre alguém à espreita, pronto a apontar o dedo e a lançar um olhar reprovador, cada vez que metia um pedaço de bolo à boca. Desde então, o dedo acusador passou a estar presente em todos os momentos que houvesse comida e eu a desejasse comer.
Como criança pensei que a solução passava por comer às escondidas. Se ninguém vir o que como, é como se não acontecesse, ninguém me pode acusar ou lançar olhares reprovadores… Foi assim que aprendi a comer às escondidas. Nesses momentos, era só a comida e eu, a minha nova melhor amiga. O prazer foi crescendo, à medida que criava um mundo secreto, só meu.
Com a entrada na adolescência a situação agravou-se e o aumento de peso tornou-se evidente. A primeira reacção foi fazer de conta e evitar os espelhos. O que não se vê, não existe… Os comentários continuaram e ajudaram a que comesse cada vez mais, numa espécie de espiral compulsiva. Evitava comer em público.
"Olá! Sou a Marta e sou uma adicta em recuperação limpa de drogas há 9 anos e dois meses.
Gostava de partilhar aqui neste blogue um pouco sobre a minha experiência.
Na minha opinião, para interromper a dependência das drogas, em primeiro lugar temos de admitir a nossa adicção e a impotência perante as drogas e que precisamos de ajuda.
Assim sendo, com força de vontade e através da identificação de pessoas com os mesmos problemas, consegui parar de usar drogas e, parar para pensar; se estas pessoas conseguem eu também iria conseguir!
È possível recuperar um modo de vida saudável, pensando um dia de cada vez, procurando as ajudas certas e especializadas.
Quem deseja recuperar da dependência consegue, MAS É PRECISO QUERER, comigo foi assim.Tive um percurso de drogas curto e duro.
Deu para ver muito rapidamente o que é o fundo do poço e levar ao desespero aqueles que mais gostam de mim. No entanto, a verdadeira lesada, magoada e cansada daquela vida era apenas eu, estava a destruir-me lentamente, dia após dia.
Só eu é que poderia mudar a minha vida, obviamente com ajuda de outras pessoas, pois sozinha não seria capaz. Finalmente, consegui deixar de viver naquela profunda solidão em que me encontrava.
Neste programa, conheci pessoas maravilhosas que me mostraram o lado bom da vida e o quanto é bom estar abstinente e em recuperação.
Hoje, sei que não estou sozinha é muito bom sentir isso.
Estou muito agradecida a este programa de recuperação dos 12 Passos de Narcóticos Anónimos.
Marta
Comentário: Gostaria de agradecer à Marta a sua amabilidade em partilhar connosco a sua experiência pessoal. Creio que para aqueles que desejam recuperar das dependências (comportamentos adictivos) a Esperança de um modo de vida diferente e saudável é aquilo que mais ambicionam, um dia de cada vez. Afinal, é possível viver abstinente de substâncias e feliz. A recuperação duradoura, no caso da Marta, é motivo de júbilo e de realização pessoal. Os meus parabéns e Recuperar É Que Está a Dar.
Recuperação dos comportamentos adictivos através da espiritualidade (poder Superior, não religioso, sem dogmas e ou divindades). Se as suas próprias atitudes e comportamentos disfuncionais não mudam; na realidade nada muda; contudo, algumas pessoas rejeitam qualquer tipo de ajuda e apoio exterior quando por exemplo essa ajuda pode ser a uma forma de manifestação de um poder Superior, não religioso sem dogmas e divindades, nas suas vidas.
Quando perdemos o controlo dos nossos actos; podemos adquirir alguma consciência através da partilha e “feedback” das outras pessoas. Para um adicto, pode soar a um risco porque sabe que está a agir de forma errada, e isso pode significar ouvir aquilo que não quer ouvir. As vezes, quando falamos com alguém sobre algo do foro intimo parece que acabamos por conseguir ouvir aquilo que dizemos num tipo de frequência diferente. Estamos em sintonia com o outro, em vez de estar, exclusivamente, em sintonia connosco mesmo.
Na recuperação da adicção o adicto contempla e deseja mudar, em direcção ao conhecimento, à auto-realização, à necessidade de pertencer e à segurança, à aceitação, à rendição e à paz de espirito; essencial ao discernimento e ao perdão, à honestidade e à confiança nas relações com as outras pessoas, procura “modelos” saudáveis e referências espirituais nos outros e num poder Superior, não religioso, sem dogmas e divindades.
Acredito que o ser humano tem uma predisposição física no cérebro (neocortex) que o impele a acreditar em algo Superior. Já os nossos antepassados que habitavam nas cavernas e se vestiam de peles de animais deixaram um legado de manifestações de adoração a algo superior; deus do fogo, deus do trovão; deus da chuva, deus do sol para enumerar somente alguns.
Será que quando o ser humano confrontado com doenças (ex. adicção), crises, tragédias, traumas despoleta algo dentro de si (adquire a consciência da sua vulnerabilidade perante a adversidade e busca a fé num poder Superior) provavelmente “adormecido”, de forma a manter a espécie (mecanismo de sobrevivência do gene)?

Bill W.