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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

O que é normal e o que é disfuncional? Falamos sobre sexo

 

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O que é certo e o que é errado? O que é normal e o que é disfuncional?

É através dos valores/convicções que sabemos, adquirido através da experiência e conhecimento, a distinguir aquilo que está certo e aquilo que está errado. Ao conseguir identificar, esses mesmos valores/convicções, permite-nos definir o que queremos ou rejeitamos, assim como, por exemplo, definir limites saudáveis nos relacionamentos, em detrimento da ausência de limites, por exemplo: relação caótica. É através dos valores/convicções que definimos objetivos, tomamos decisões (desde as mais básicas às mais complexas), cooperamos uns com os outros, estabelecemos limites nas relações, definimos um rumo, com sentido e propósito, na nossa vida. Adquirimos esses mesmos valores/princípios na família e na sociedade. Isto é, são as mensagens que recebemos, enquanto crianças, que moldam as crenças, as convicções e são as crenças e as convicções que moldam as normas das nossas condutas; por exemplo, o respeito mutuo, a liberdade e a igualdade, o amor, a comunicação, a honestidade, a solidariedade, a responsabilidade, a ética e a moral, a importância dos afetos, etc.

  • Quais são os valores/convicções que aprendemos em relação ao sexo e à sexualidade?
  • Os nossos valores/convicções geram qualidade de vida ou sofrimento?

Quais foram as referências sobre o sexo e a sexualidade? Com duas décadas de aconselhamento, atrevo-me a dizer que um número muito significativo de pessoas, homens e mulheres, aprenderam na rua com os amigos e na sociedade com recurso a mitos, tabus e algumas tradições rígidas e disfuncionais. Ainda se transmitem às crianças mensagens de reprovação, principalmente, quando surgem os primeiros impulsos, de que o sexo é pecado, perversidade, motivo de vergonha e sentimento de culpa.

Afinal, o que é que está certo e o que é que está errado em relação à sexualidade e o sexo?

Segundo a Organização Mundial de Saúde define: “A sexualidade é uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura, intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e por isso influencia também a nossa saúde física e mental.” Acrescentaria, é uma componente integrante dos afetos, da comunicação interpessoal e do prazer.

Em pleno seculo XXI, no domínio do sexo e da sexualidade, Portugal ainda permanece em negação, refiro-me à educação sexual nas escolas, assim como, por razões históricas e culturais, teimam em existir (resistir) com o nosso consentimento, mitos e tabus, praticas e valores morais rígidos, que contribuem para distorcer e agravar as condutas em relação ao sexo e à sexualidade, à linguagem dos sentimentos e aos relacionamentos uns com os outros. Ainda se associa ao sexo e à sexualidade pecado, impureza e deve ser unicamente contemplado entre parceiros, como fator reprodutivo.

 

 

 

 

 

 

" A recuperação é uma dádiva"

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“A Recuperação é uma dádiva, que só foi possível acolhê-la quando me rendi, baixando os braços com humildade, pedindo ajuda.”

 

 Vivi muitos anos a acreditar que controlava o uso de drogas. Uma vida dupla, com muita manipulação, “a brincar com a vida”. Tempos limpa, tempos a usar, tempos a fazer tratamentos, a construir e a destruir. A última recaída, levou-me rapidamente a um estado de degradação, um completo descontrolo facilitado com dinheiro que meu pai deixou quando faleceu.

Completamente obcecada pelas drogas e a usar compulsivamente à procura de algo que não sabia o que era. Comecei a ter medo de morrer, mas também tinha medo de deixar as drogas e viver sem elas.  Desconectada de mim.  Onde é que eu estava? E foi essa necessidade de me encontrar, mais o amor das minhas filhas que deu coragem para parar de usar, mais uma vez…

Pedir ajuda foi a primeira etapa. Por um lado, sentia-me tão frágil e por outro, queria viver.

Rendi-me perante os factos evidentes da minha destruição total como ser humano. A mais visível era a componente física, mas a mais dolorosa, era destruição da minha alma, invisível a olho nu, mas visível ao meu olhar- uma mágoa enorme, vergonha, desespero, frustração e muita confusão.

Foi quando conheci o programa dos 12 passos que comecei uma viagem diferente. Encontrei pessoas como eu, que tinham problemas com drogas e que queriam aprender a viver sem ter que as usar. As identificações sucederam-se, o sentimento de pertença e amor contribuíram para que começasse a acreditar, que afinal o meu caso, não era um caso perdido, como tantas vezes ouvi.

 

 

 

 

 

Feliz Ano 2018

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O tempo não para e não espera por nós! O tempo não volta para trás ou cristaliza. Quem é que manda? Nós próprios ou é o tempo? É através do tempo que avaliamos, mudamos e reforçamos os vínculos com pessoas. O tempo permite-nos tirar ilações e definir objetivos. O tempo foi ontem, é agora e pode ser amanhã. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa o significado da palavra tempo: “serie ininterrupta e eterna de instantes. Época determinada. Prazo, demora. Estação, quadra própria.”

 

Estamos prestes a terminar mais um ano (época determinada); fecha-se um capitulo antigo e reinicia-se outro no presente com vista ao futuro. Ao longo do tempo, o ser humano está em constante transformação; somos moldados de acordo com as experiências de vida e o conhecimento empírico. Nesse sentido, esta é altura do tempo para fazer um balanço corajoso. Digo corajoso, porque como sabemos, procuramos refugio (segurança e pertença) no conformismo, na apatia e na negação. Queremos que o estado das coisas mudem, para melhor, mas na maioria dos casos, optamos pelos velhas e conservadoras rotinas e hábitos disfuncionais. Ou fantasiamos que alguém apareça, como milagre, para nos motivar ou fazer por nós, aquilo que é da nossa responsabilidade.

 

Algumas questões para o ajudar a refletir (aumentar a consciência) e quiçá tomar uma decisão irrevogável; não há volta atrás.

  • Você considera que precisa de mudar algo nas suas atitudes e comportamentos, para melhor?
  •  Possui um plano concreto?
  • Já definiu objetivos específicos e realistas?
  • Está a sofrer, há demasiado tempo (a duração do sofrimento ultrapassou a logica e os limites)?
  • As pessoas significativas insistem que você deve mudar algo nas suas atitudes e comportamentos?
  •  Já procurou apoio, orientação para a causa do sofrimento ou considera que a solução está ao seu alcance, mas tem andado a adiar? Se as coisas não mudam a tendência é para piorar.

Respondeu sim?  Diga para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar atitudes e comportamentos.” Excelente, identificou rotinas e hábitos disfuncionais (consequências negativas), agora precisa de encontrar fatores que o motivem a avançar. Alguns exemplos: consequências negativas na saúde? Consequências negativas na família, incluindo as crianças? Consequências negativas no local de trabalho (colegas), com a entidade empregadora ou diretor/a? Consequências negativas na justiça?  Respondeu sim? Repita para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar de atitudes e comportamentos”. Ajuda imenso à mudança se você “abrir o jogo”, assumir o compromisso e responsabilidade, com pessoas de confiança ou profissionais.

 

O tempo não para ou espera por nós. O tempo não volta atrás e não cristaliza. O tempo só para nas nossas memorias, crenças e na ilusão; as coisas têm a importância que nós decidimos que elas tenham. A vida é difícil, mas o ser humano é fantástico, resiliente e possui mais competências e recursos do que aqueles que imagina possuir.

Adeus 2017 e excelente ano de 2018 que a mudança de atitudes e comportamentos traga consigo a motivação, a coragem e a esperança com vista a um presente e futuro luminoso. Se mudamos é para melhor. Seja feliz

Às vezes não possuímos todas as respostas, principalmente, quando estamos sós

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Ao longo de duas décadas de acompanhamento de pessoas com problemas relacionados com comportamentos adictivos (dependência de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, incluindo o alcool, jogo, perturbação do comportamento alimentar, dependencia emocional, sexo, shoplifting -furto, compras) o isolamento é um factor presente em todas as adicções.

O isolamento que refiro funciona como uma redoma e um escudo. Isolamento da realidade da doença. Isolamento através das vidas duplas, reforçado pelos segredos, pela vergonha, sentimento de culpa e pela fantasia do controlo. Uma afirmação muito comum, " O meu problema é diferente dos outros. Eu controlo"

Estas pessoas lutam sózinhas contra a doença, o estigma, a negação e a vergonha, todavia, esta luta é inglória e extremamente frustrante, porque do ponto onde começam é o ponto onde acabam, efeito espiral (ciclo vicioso) característico da progressão da adicção. Isto é, o problema tem tendência para se agravar, todavia, a percepção da pessoa sobre o problema é precisamente o oposto. 

Recuperar da adicção é um processo complexo onde TODOS os intervenientes; os indivíduos, familiares e profissionais procuram estar numa espécie de sintonia e focados na solução. Recuperar é que está a dar

Desligue o complicómetro

 

Meditação do dia: Oportunidades e pessoas significativas. Não dê ouvidos às crenças e pensamentos negativos que o/a puxam para baixo, que o/a desvalorizam, que o/a distanciam de pessoas importantes, que antecipam cenários catastróficos. Esses pensamentos negativos são o ego orgulhoso dorido e a vergonha tóxica, que o impedem de ser vulnerável e honesto/a com os sentimentos e que visam reforçam o isolamento e a rejeição. Renove a coragem nos critérios necessários a fim de ser honesto/a, explore novas oportunidades para viver uma vida plena, reforce os vínculos de intimidade e de confiança com as pessoas significativas.

Desligue o complicometro! Seja autentico/a, o mais possível, em vez de uma miragem! As pessoas mais felizes gostam de pessoas!

 

Nota: Esta publicação é publicada semanalmente no Facebook, designada de meditação e não serve para fornecer respostas, mas para proporcionar discernimento, motivação e resiliência na selecção das opções e no rumo do devir. É exclusiva e fruto da minha experiencia profissional de duas décadas.

Independentemente das crenças de cada um, somos seres espirituais

 

"Não somos seres humanos que almejamos um rumo espiritual. Somos seres espirituais que nos transformamos ao longo da vida." Pierre Teilhard de Chardin

 

Being rich is not... veja o video



"Being rich is not about how much you have but how much you can give"

24ª Dica Arte Bem-Viver de 04/09/2011


Olá, 

a Dica da Arte de Bem-Viver desta semana é dedicada ao Medo. Como bem sabe o medo faz parte das nossas vidas. Sem ele (medo) não estaríamos vivos, mas se levado a extremos pode contribuir para níveis elevados de ansiedade, preocupação, pânico, ódio, agressividade. É uma questão de saber e conseguir interpretar os pensamentos que originam o medo (equilíbrio). Infelizmente aprendemos, na nossa cultura e agravado pelo estilo de vida consumista e hedonista, a fugir e a negar as emoções, acreditando que assim iremos livrar-nos do Medo. Na realidade, esta atitude não funciona em abono da verdade, bem pelo contrario, é necessário enfrenta-lo e conhece-lo. Sabia que uma das manifestações mais comuns sobre o medo, no dia-a-dia, é a projeção de cenários catastroficos geradores de preocupação excessiva e controlo?

 

Pergunte a si mesmo: Qual o motivo pela qual esta situação me está a causar medo? Qual é o sentido em sentir este medo?

 

  • Alguns medos mais comuns:

Medo do abandono, medo da rejeição, medo da intimidade, medo do medo, medo falhanço/sucesso, medo do desconhecido.

 

Da mesma maneira que valoriza a gratidão e a felicidade, sugeria que abençoe o Medo, como uma dádiva da Vida. É através do medo que desafiamos as nossas questões existenciais mais complexas do nosso devir (intuição, motivação, curiosidade, introspecção, reflexão) e desenvolvemos as competências cognitivas e emocionais. Quando procuramos identificar competências e recursos para enfrentar o Medo (paralisa, incapacitante), isso significa que ao mudar de padrões/rotinas/status (atitudes e comportamentos), por vezes as coisas pioram antes de ficar melhor. Isto não é sinónimo de falhanço, mas avanço. Identificou-se o medo, fomos apresentados a ele.

Factos sobre o medo. Conforme vamos crescendo e desafiando os nossos limites (status) o medo não irá desaparecer. Paradoxalmente, enfrenta-lo melhora os niveis de auto estima, o auto conceito e é mais recompensador do que adotar condutas de evitamento (medo do medo). Todos nós sentimentos medo em contextos desconhecidos.

 

A coragem não é ausência do medo; mas o compromisso em transformar o mito e/ou o status em realidade. Siga o seu proposito (objetivos) e proporcione ao medo um sentido construtivo na sua vida - Liberdade de escolha e expressão.


Votos de uma semana com coragem

 


Comentário
: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 100ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.

 

"Conversa Estimulante"

Qual é a fonte da sua motivação perante os desafios? As pessoas mais felizes gostam de pessoas. Veja este video e votos de um bom dia para si, afinal "estamos todos no mesmo barco": Recuperar é que está a dar da adicção, da crise, da doença, do divorcio/separação, da depressão, do isolamento, da recaída, da dignidade, da auto estima...