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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Não basta sobreviver é preciso ir mais além

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A genialidade humana reclama que não estejamos limitados a sobreviver, mas que sejamos inovadores e resilientes na arte de bem viver.

Algumas soluções exigem inovação e criatividade

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Precisamos de concentrar-nos na solução, porque os problemas vieram para ficar

O poder da palavra

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Existem palavras poderosas, utilizadas como arma ou ferramenta, que mudam as pessoas

Crise e mudança

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A crise e a mudança, para melhor, andam de mãos dadas.

O que é normal e o que é disfuncional? Falamos sobre sexo

 

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O que é certo e o que é errado? O que é normal e o que é disfuncional?

É através dos valores/convicções que sabemos, adquirido através da experiência e conhecimento, a distinguir aquilo que está certo e aquilo que está errado. Ao conseguir identificar, esses mesmos valores/convicções, permite-nos definir o que queremos ou rejeitamos, assim como, por exemplo, definir limites saudáveis nos relacionamentos, em detrimento da ausência de limites, por exemplo: relação caótica. É através dos valores/convicções que definimos objetivos, tomamos decisões (desde as mais básicas às mais complexas), cooperamos uns com os outros, estabelecemos limites nas relações, definimos um rumo, com sentido e propósito, na nossa vida. Adquirimos esses mesmos valores/princípios na família e na sociedade. Isto é, são as mensagens que recebemos, enquanto crianças, que moldam as crenças, as convicções e são as crenças e as convicções que moldam as normas das nossas condutas; por exemplo, o respeito mutuo, a liberdade e a igualdade, o amor, a comunicação, a honestidade, a solidariedade, a responsabilidade, a ética e a moral, a importância dos afetos, etc.

  • Quais são os valores/convicções que aprendemos em relação ao sexo e à sexualidade?
  • Os nossos valores/convicções geram qualidade de vida ou sofrimento?

Quais foram as referências sobre o sexo e a sexualidade? Com duas décadas de aconselhamento, atrevo-me a dizer que um número muito significativo de pessoas, homens e mulheres, aprenderam na rua com os amigos e na sociedade com recurso a mitos, tabus e algumas tradições rígidas e disfuncionais. Ainda se transmitem às crianças mensagens de reprovação, principalmente, quando surgem os primeiros impulsos, de que o sexo é pecado, perversidade, motivo de vergonha e sentimento de culpa.

Afinal, o que é que está certo e o que é que está errado em relação à sexualidade e o sexo?

Segundo a Organização Mundial de Saúde define: “A sexualidade é uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura, intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e por isso influencia também a nossa saúde física e mental.” Acrescentaria, é uma componente integrante dos afetos, da comunicação interpessoal e do prazer.

Em pleno seculo XXI, no domínio do sexo e da sexualidade, Portugal ainda permanece em negação, refiro-me à educação sexual nas escolas, assim como, por razões históricas e culturais, teimam em existir (resistir) com o nosso consentimento, mitos e tabus, praticas e valores morais rígidos, que contribuem para distorcer e agravar as condutas em relação ao sexo e à sexualidade, à linguagem dos sentimentos e aos relacionamentos uns com os outros. Ainda se associa ao sexo e à sexualidade pecado, impureza e deve ser unicamente contemplado entre parceiros, como fator reprodutivo.

 

 

 

 

 

 

" A recuperação é uma dádiva"

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“A Recuperação é uma dádiva, que só foi possível acolhê-la quando me rendi, baixando os braços com humildade, pedindo ajuda.”

 

 Vivi muitos anos a acreditar que controlava o uso de drogas. Uma vida dupla, com muita manipulação, “a brincar com a vida”. Tempos limpa, tempos a usar, tempos a fazer tratamentos, a construir e a destruir. A última recaída, levou-me rapidamente a um estado de degradação, um completo descontrolo facilitado com dinheiro que meu pai deixou quando faleceu.

Completamente obcecada pelas drogas e a usar compulsivamente à procura de algo que não sabia o que era. Comecei a ter medo de morrer, mas também tinha medo de deixar as drogas e viver sem elas.  Desconectada de mim.  Onde é que eu estava? E foi essa necessidade de me encontrar, mais o amor das minhas filhas que deu coragem para parar de usar, mais uma vez…

Pedir ajuda foi a primeira etapa. Por um lado, sentia-me tão frágil e por outro, queria viver.

Rendi-me perante os factos evidentes da minha destruição total como ser humano. A mais visível era a componente física, mas a mais dolorosa, era destruição da minha alma, invisível a olho nu, mas visível ao meu olhar- uma mágoa enorme, vergonha, desespero, frustração e muita confusão.

Foi quando conheci o programa dos 12 passos que comecei uma viagem diferente. Encontrei pessoas como eu, que tinham problemas com drogas e que queriam aprender a viver sem ter que as usar. As identificações sucederam-se, o sentimento de pertença e amor contribuíram para que começasse a acreditar, que afinal o meu caso, não era um caso perdido, como tantas vezes ouvi.

 

 

 

 

 

Feliz Ano 2018

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O tempo não para e não espera por nós! O tempo não volta para trás ou cristaliza. Quem é que manda? Nós próprios ou é o tempo? É através do tempo que avaliamos, mudamos e reforçamos os vínculos com pessoas. O tempo permite-nos tirar ilações e definir objetivos. O tempo foi ontem, é agora e pode ser amanhã. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa o significado da palavra tempo: “serie ininterrupta e eterna de instantes. Época determinada. Prazo, demora. Estação, quadra própria.”

 

Estamos prestes a terminar mais um ano (época determinada); fecha-se um capitulo antigo e reinicia-se outro no presente com vista ao futuro. Ao longo do tempo, o ser humano está em constante transformação; somos moldados de acordo com as experiências de vida e o conhecimento empírico. Nesse sentido, esta é altura do tempo para fazer um balanço corajoso. Digo corajoso, porque como sabemos, procuramos refugio (segurança e pertença) no conformismo, na apatia e na negação. Queremos que o estado das coisas mudem, para melhor, mas na maioria dos casos, optamos pelos velhas e conservadoras rotinas e hábitos disfuncionais. Ou fantasiamos que alguém apareça, como milagre, para nos motivar ou fazer por nós, aquilo que é da nossa responsabilidade.

 

Algumas questões para o ajudar a refletir (aumentar a consciência) e quiçá tomar uma decisão irrevogável; não há volta atrás.

  • Você considera que precisa de mudar algo nas suas atitudes e comportamentos, para melhor?
  •  Possui um plano concreto?
  • Já definiu objetivos específicos e realistas?
  • Está a sofrer, há demasiado tempo (a duração do sofrimento ultrapassou a logica e os limites)?
  • As pessoas significativas insistem que você deve mudar algo nas suas atitudes e comportamentos?
  •  Já procurou apoio, orientação para a causa do sofrimento ou considera que a solução está ao seu alcance, mas tem andado a adiar? Se as coisas não mudam a tendência é para piorar.

Respondeu sim?  Diga para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar atitudes e comportamentos.” Excelente, identificou rotinas e hábitos disfuncionais (consequências negativas), agora precisa de encontrar fatores que o motivem a avançar. Alguns exemplos: consequências negativas na saúde? Consequências negativas na família, incluindo as crianças? Consequências negativas no local de trabalho (colegas), com a entidade empregadora ou diretor/a? Consequências negativas na justiça?  Respondeu sim? Repita para si próprio: “Quero ser outra pessoa, quero mudar de atitudes e comportamentos”. Ajuda imenso à mudança se você “abrir o jogo”, assumir o compromisso e responsabilidade, com pessoas de confiança ou profissionais.

 

O tempo não para ou espera por nós. O tempo não volta atrás e não cristaliza. O tempo só para nas nossas memorias, crenças e na ilusão; as coisas têm a importância que nós decidimos que elas tenham. A vida é difícil, mas o ser humano é fantástico, resiliente e possui mais competências e recursos do que aqueles que imagina possuir.

Adeus 2017 e excelente ano de 2018 que a mudança de atitudes e comportamentos traga consigo a motivação, a coragem e a esperança com vista a um presente e futuro luminoso. Se mudamos é para melhor. Seja feliz

Às vezes não possuímos todas as respostas, principalmente, quando estamos sós

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Ao longo de duas décadas de acompanhamento de pessoas com problemas relacionados com comportamentos adictivos (dependência de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, incluindo o alcool, jogo, perturbação do comportamento alimentar, dependencia emocional, sexo, shoplifting -furto, compras) o isolamento é um factor presente em todas as adicções.

O isolamento que refiro funciona como uma redoma e um escudo. Isolamento da realidade da doença. Isolamento através das vidas duplas, reforçado pelos segredos, pela vergonha, sentimento de culpa e pela fantasia do controlo. Uma afirmação muito comum, " O meu problema é diferente dos outros. Eu controlo"

Estas pessoas lutam sózinhas contra a doença, o estigma, a negação e a vergonha, todavia, esta luta é inglória e extremamente frustrante, porque do ponto onde começam é o ponto onde acabam, efeito espiral (ciclo vicioso) característico da progressão da adicção. Isto é, o problema tem tendência para se agravar, todavia, a percepção da pessoa sobre o problema é precisamente o oposto. 

Recuperar da adicção é um processo complexo onde TODOS os intervenientes; os indivíduos, familiares e profissionais procuram estar numa espécie de sintonia e focados na solução. Recuperar é que está a dar