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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Mapas desatualizados são crenças retrogradas

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Precisamos de rever os mapas segundo os quais construimos as rotinas e habitos. Peça feedback.

Viver em função de numeros compromete a autoestima

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«Não é o peso que dita a saúde e o amor próprio» Redefinir a Imagem Corporal

E atrevo-me a acrescentar, peso e imagem. Contrariamente, ao que podemos pensar, algumas pessoas com o peso e imagem, dito, «ideal» não são pessoas com autoestima, visto adotarem comportamentos e dietas disfuncionais, em relação a uma alimentação saudável e equilibrada. No caso da perturbação do comportamento alimentar (anorexia, bulimia, ingestão compulsiva, vulgo binge eating) é o equivalente à ditadura dos números (vive-se em função do numero das calorias, do peso na balança e da imagem).

Segundo o Dr. Walter Kaye, investigador da Universidade da Califórnia (San Diego, EUA) afirma que as crianças predispostas a desenvolver a perturbação do comportamento alimentar são perfecionistas, ansiosas e os comportamentos são orientados por desafios rigorosos, competição excessiva e extremamente exigentes consigo próprios, assim como, estão vulneráveis às dietas restritivas e à imagem corporal. Contudo, a perturbação do comportamento alimentar revela-se mais complexa do que as características perfecionistas e pessoas extremamente competitivas.

Normalmente, quando temos acesso a informação sobre a perturbação do comportamento alimentar (PCA) são através de noticias, nas revistas ou na televisão, de figuras publicas a assumirem o seu problema. Na maioria dos casos, são mulheres, atrizes ou modelos. Desta forma, podemos ficar com a ideia errada, de que a perturbação do comportamento alimentar está somente associada aos fatores externos; à pressão cultural do «corpo perfeito» e às pessoas do sexo feminino. Apesar dos fatores culturais, das questões familiares e ou eventos traumáticos, estarem associados à perturbação do comportamento alimentar, de acordo com a investigação mais recente, não são assim tão relevantes como se pensava, os fatores determinantes que contribuem para o PCA estão localizados no cérebro (funcionamento de algumas estruturas cerebrais – circuitos neuronais). É fundamental, compreender os fatores associados à doença, a fim de, desenvolverem-se abordagens inovadoras ao tratamento. Para a maioria das pessoas, sentar-se à mesa, proporciona sensações agradáveis, contudo para as pessoas com perturbação do comportamento alimentar, a mesma situação proporciona sensações desconfortáveis e preocupantes. Aparentemente, isso acontece por questões biológicas (International Journal of Eating Disorders, 2012).

 

 

Carta ao Jack, amigo do pai.

 

O pai de Laura tinha um problema com o alcool, nesse sentido, ela decidiu escrever uma carta ao « Jack, amigo do pai». Sabia que as crianças, são negligenciadas nos casos em que o progenitor ou ambos abusam do álcool?  São o elo mais fraco.

 

As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool

Ao visualizar este video, recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.

 

Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem  aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.

Veja o video e faça os seus comentarios.

 

Recuperar é que está a dar.

 

Sou mãe de um adicto

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“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins

 

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho com cancro, diabetes ou VIH.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes queridos

 

Sou a mãe de um adicto

Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos desta doença

Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho

Só existem lagrimas, gritos silenciosos e angustia quando alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica de algo que possa ter acontecido ao meu filho

 

Sou a mãe de um adicto

Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache, com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda com as consequências das suas decisões

Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança

Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se irei voltar a vê-lo outra vez

 

 

 

O jogo problemático é um problema de saúde publica

 

Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios (17 de Fevereiro de 2014)e está disponível só para assinantes online , nesse sentido, disponibilizo-o para si que é seguidor do blogue Recuperar das dependencias.

 

Jornal de Negócios: Nos últimos anos, o volume de jogos de fortuna e azar e apostas desportivas foram aumentando quer em locais físicos, mas como através da Internet. Esse crescimento foi acompanhado pelo registo de incremento de pessoas com adicção de jogo?

O incremento de pessoas com adicção ao jogo e o jogo patológico, através da internet tem sido exponencial. Por exemplo, no final dos anos 90 a maioria dos indivíduos adictos ao jogo, em casinos, eram adultos na casa dos 40 e dos 50 anos. Hoje em dia através do acesso online, chegam às consultas indivíduos com problemas associados ao jogo com idades entre os 24 e os 30 anos. Todavia, isso não quer dizer que todos sejam adictos ao jogo, isto é, alguns são indivíduos com problemas associados ao jogo que varia entre moderado e grave. Na sua pergunta refere adicção, nesse sentido, importa saber o que é a adicção. A adicção afecta a saúde do indivíduo, os vínculos familiares, incluindo das crianças, o desempenho profissional e a qualidade de vida. Ser adicto não é uma escolha pessoal. Ao longo de vinte anos de experiência profissional, na área da adicção, nunca ouvi nenhum individuo afirmar que escolheu ser adicto. Não é um acto voluntario, o individuo perde o controlo, a compulsividade, o craving (desejo intenso e irracional pela actividade) e continuação do comportamento apesar das consequências negativas. A Sociedade Americana da Medicina da Adicção define a adicção como uma doença primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro responsável pelo prazer e recompensa, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais adjacentes. Sabemos que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e espiritual no indivíduo, que se reflectem na busca e recompensa patológica do prazer. Por outras palavras, a adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e adversidades ao longo da vida do indivíduo. Este fenómeno repete-se com a adicção às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, as ilícitas, vulgo drogas, com o jogo, o sexo, as compras, o furto. A fim de ficar esclarecido existe um critério que identifica o jogo problemático (moderado a severo) e um critério para a adicção (doença primária e crónica). A adicção não é um vírus.  

Segundo estudos (American Medical Association, EUA, 2000) existem factores genéticos em comum entre os indivíduos jogadores patológicos do sexo masculino e o álcool. Todavia, também gostaria de referir que nas últimas duas décadas, com os avanços tecnológicos e a investigação, principalmente nos EUA e Canadá, ainda estamos a aprender sobre o que é a adicção; as causas, a identificar aqueles indivíduos mais vulneráveis e os tratamentos disponíveis mais adequados.

 

Jornal de Negócios: É possível traçar o perfil do jogador compulsivo?

Segundo uma investigação no Canadá, os indivíduos com problemas associados ao jogo compulsivo (patológico) apresentam quatro vezes mais probabilidades de serem diagnosticados com doença mental, relacionado com perturbação do humor e ansiedade, do que os indivíduos não jogadores. A actividade associada ao jogo começam na adolescência, com mais prevalência no sexo masculino do que no sexo feminino.

Na minha experiencia profissional o perfil do individuo jogador compulsivo oscila entre os 24 e os 56 anos. Sexo masculino, classe media/alta, licenciados com carreiras profissionais estáveis, trabalham em excesso, têm dívidas, gostam de quebrar regras e correr riscos, são impulsivos e egocêntricos. Acreditam que o dinheiro é a causa e/ou a solução para os seus problemas. Alguns deles afirmam, em situações de desespero, ideações e tentativas de suicídio. Alguns destes indivíduos são oriundos de famílias desestruturadas com problemas de álcool, jogo e violência doméstica.    

 

 

 

Recuperar da adicção - "The Anonymous People"

 

 

 

 

A Adicção veio para ficar com consequências trágicas. Todavia, existe a esperança, milhões de pessoas encontraram as respostas para os seus problemas.

 

Veja este vídeo (trailer) do filme "The Anonymous People" siga o link


Recuperar É Que Está A Dar

26/6 Dia para reflexão aprofundada sobre a consciência da realidade

O dia 26 de Junho assinala o Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Trafico Ilícito. Este dia, para mim, é de reflexão, onde dedico algum tempo à pesquisa de artigos publicados forma a manter-me actualizado sobre a evolução deste fenómeno avassalador, para uns representou uma verdadeira tragedia. Nomes sonantes vítimas das dependências, recordo, Micael Jackson, Amy Winehouse e Whitney Houston, só para enumerar alguns, sem esquecer os indivíduos desconhecidos e as suas famílias.

 

Em Portugal, estou em crer, que este dia, nunca mereceu a devida atenção e até posso acrescentar que para a maioria da população portuguesa passa despercebido, principalmente devido ao estigma, à negação e à vergonha associados à dependência de substâncias psicoactivas, vulgo toxicodependência. Estamos atrasados duas décadas em relação ao que se pratica, se ensina, investiga e no tratamento das dependências a nível internacional. Trabalho nesta área, desde 1993, e ainda constato, por parte dos profissionais de saúde, um certo tipo de ignorância e/ou desinteresse. Por exemplo, as universidades portuguesas ainda não possuem as condições e os recursos necessários a fim de motivar os seus alunos para a área das dependências. Tenho outro exemplo, mais concreto, conheci vários psicólogos e são unânimes em afirmar que aquilo que aprendem, sobre as dependências nas universidades, é insuficiente. Já para não referir a questão da prevenção das dependências, que tal como o tratamento do abuso e dependência de drogas, é uma matéria que ainda não mereceu por parte dos responsáveis políticos, dos media, dos tribunais e dos advogados, das mais diversas Ordens de profissionais da saúde e da sociedade em geral a devida atenção. Todos nós, eu e você, negamos as evidências óbvias.

 

 

 

Ecstasy (MDMA) pode ser perigoso e letal

As aparências podem iludir

Jazmín de Grazia (04 de Julho de 1985 / 05 de Fevereiro de 2012)

 

Uma notícia no jornal (JN)de 07 de Fevereiro, atraiu a minha atenção, o título referia o seguinte “Modelo argentina afogou-se na banheira. Jazmín de Grazia, de 27 anos, foi encontrada morta em casa pelo namorado. Droga pode ser a causa.”

 

Após pesquisar, pela internet, soube que Jazmín após a sua participação num reality show argentino, na altura com 18 anos, tornou-se modelo, mais tarde chegou a ser capa da revista Playboy, também era apresentadora de vários programas de televisão. Mais um caso, de uma jovem que alcançou o estrelato, de rápida ascensão, através dos tão badalados e afamados programas denominados reality show. Todavia, com um trágico desfecho aos 27 anos.

 

De acordo com a notícia, teria sido encontrado restos de cocaína no seu apartamento, todavia a autópsia revelou que a causa da morte foi “asfixia devido a imersão na água”. Foi também referido que Jazmín terá deixado uma mensagem no espelho da casa de banho, afirmando “Vocês não têm culpa que este mundo seja tão feio.”

 

Evitando especular sobre as causas da morte desta rapariga gostaria de realçar o fenómeno, sobejamente conhecido, sobre a vulnerabilidade dos jovens em relação ao flagelo associado ao consumo e abuso das drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas.

Actualmente em Portugal, o consumo e o abuso das drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas fazem parte integrante do convívio, acto social, de um numero significativo de jovens. Felizmente, não são todos os jovens. Na minha opinião, este fenómeno é encarado como um ritual de passagem para a idade adulta. Isto é, a negação, pressupõe que os consumos de drogas são de curta duração, todavia, não podemos negligenciar os factos; para alguns jovens os consumos esporádicos, aparentemente inofensivos, revelam-se uma via (porta aberta) ao abuso das drogas com graves consequências para as suas vidas a médio e longo prazo. Infelizmente, o caso de Jazmín foi mais um a acrescentar a muitos outros.

 

Aparentemente, através da suposta mensagem que Jazmín que terá deixado, no espelho da casa de banho, parece revelar algumas fragilidades de cariz emocional. Para alguns jovens o consumo de drogas surge como uma almofada às pressões e ao stresse do dia-a-dia. Nesse sentido, o consumo de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, poderá assumir um estatuto significativo, semelhante ao de auto medicação e controlo das emoções/oscilação do humor na busca do alivio e bem-estar.

 

Dica:

Caso identifique pressão e/ ou a sensação de vazio em relação aos afectos acompanhado de sentimentos de inadequação, evite consumir substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e/ou ilícitas, visto a sensação que proporcionam ser somente sensações falsas e efémeras de prazer e bem-estar. Com a agravante de puder agravar ainda mais os sintomas de algum eventual problema emocional, por exemplo: depressão, solidão, tristeza.

 

Se identificar mudanças de humor e/ou vazio emocional evite o consolo no consumo de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e/ou ilícitas. Procure outras alternativas para se mimar. Procure pessoas genuínas, honestas e expresse os seus sentimentos. Invista mais nos afectos, menos nas coisas materiais e/ou nas aparências.

 

Não corra riscos desnecessários. O que, aparentemente, resulta para uma pessoa pode não resultar para outra. Não avalie o seu interior pelo exterior dos outros. Se considera que gosta de explorar o lado bom da vida, invista na sua literacia emocional. A vida encerra segredos que só são revelados aqueles que arriscam.

 

Caso reconheça que o problema que o/a atormenta toma conta da sua vida peça ajuda profissional. Você não está sozinho/a.

 

“O suicídio é uma solução definitiva para problemas provisórios, passíveis de mudar a qualquer momento” José Carlos Santos, psiquiatra.