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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

28ª Dica Arte Bem-Viver, de 02/10/2011

Olá, exclusivamente para si, Bom Ano de 2014.

A 28ª Dica Arte Bem-Viver, está relacionada com o trabalho e o espírito de equipa.

 

Durante catorze anos consecutivos trabalhei num contexto de equipa, com supervisão individual, altamente dinâmico, que me possibilitou um conhecimento muito significativo a nível pessoal e profissional.

 

Passamos uma parte significativa das nossas vidas a trabalhar. Enquanto crianças, ouvimos com muita frequência: «O que é que queres ser quando fores grande?». Desde cedo fazemos um grande investimento na realização profissional e levamos adiante esse projecto, com altos e baixos, avanços e recuos, até ao final dos nossos dias. Crescemos e amadurecemos a trabalhar. Somos ensinados a ambicionar segurança, prestigio, reconhecimento, poder e sucesso. Se não monitorizarmos os objectivos e o propósito, podemos até ficar adictos ao trabalho (workaholics), desenvolvendo expectativas irreais, e assim sacrificar todas as outras áreas das nossas vidas, exemplos: relacionamentos de intimidade, família, incluindo os filhos, auto conceito, amigos, hobbies.

 

Considero, ao contrário daquilo que muitos pensam, que a questão financeira não é a motivação principal para um excelente desempenho profissional. Considero dois factores importantes. Primeiro: A gratidão (paixão) de desempenhar algo pela qual estamos dotados e que se enquadra no nosso perfil. Segundo: um óptimo ambiente de trabalho (ex. espírito de equipa).

 

Não é sinónimo de excelência, de compromisso e/ou profissionalismo ser medico, engenheiro, advogado, ou possuir um MBA (master business admnistration ) etc. Na minha opinião, acima de tudo é preciso atitude, compromisso, liderança e dedicação à causa. Quero dizer com isto que, existem pessoas que desempenham a sua profissão e/ou seguem as suas carreiras, mas poucas são profissionais de excelência.

 

Trabalha em equipa? Algumas curiosidades, sobre o espírito de equipa, baseadas na minha experiência profissional:

1. Em termos de potencial, o que é que você acrescenta à sua equipa de trabalho (espírito de equipa)?

2. Em termos de potencial, o que é o/a distingue dos seus colegas?

 

Sabia que tudo aquilo que acontece no seio do trabalho de equipa/grupo influencia cada um dos seus membros, ainda que possa não ser notado. Alguns factores que influenciam a dinâmica de grupo de trabalho: aceitação, apoio e esperança, altruísmo e vivências (diversidade), avaliação. E o potencial (mais valia) que cada membro da equipa proporciona aos restantes membros do grupo.

 

Sabia que as pessoas que nunca tenham trabalhado num contexto de grupo/equipa, de início, apresentam a tendência para percepcionar o grupo como uma entidade fechada e confusa à qual sentem uma certa hostilidade. Algumas pessoas pensam: «Que grande confusão» ou «Tanta gente! Isto vai ser um complicado.» Não conseguem ter uma perspectiva organizada.

 

Um dos factores mais importantes, para o êxito ou o insucesso no trabalho de grupo, é a disponibilidade, de cada indivíduo para este tipo de contexto, assim como, as suas características pessoais. Refiro-me ao compromisso e/ou a falta dele.

 

Sabia que o trabalho em equipa pode fornecer um nível de estimulação significativo capaz de activar processos que permitem a tomada de consciência das suas próprias qualidades, das suas áreas de maior dificuldade no relacionamento com as outras pessoas e facilitar novas crenças construtivas.

« I Love My Job» e você?

 

Votos de uma semana de trabalho motivada para a auto realização e para o espírito do grupo.

 

Cumprimentos,

 

 

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 145ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar. 

Prevenção e intervenção no ambiente de trabalho

 

 

Desde há uma década, que em Portugal, alguns empresários têm vindo a preocupar-se acerca dos efeitos negativos que ocorrem nas suas empresas, como resultado de empregados que abusam (uso problemático) de álcool e drogas. 

 

Sabia que a grande maioria dos indivíduos com dependência de álcool e/ou drogas estão empregados. Segundo um estudo o álcool é a substancia eleita e a que mais preocupação gera no local de trabalho. Estima-se que exista, um milhão de indivíduos que abusam de álcool (750 mil alcoólicos crónicos) e 45 mil dependentes de drogas. Se incluirmos as drogas psicoactivas lícitas, por auto medicação - não monitorizado por um médico; ex. benzodiazepinas -ansioliticos e tranquilizantes, assim como o uso concomitante de várias substâncias diferentes, ex. álcool e tranquilizantes, o problema aumenta exponencialmente dentro da empresa e sendo transversal na sociedade.

 

Consequências graves no trabalho

É do senso comum quando se refere que aqueles trabalhadores que apresentem problemas de abuso de álcool e/ou drogas licitas e/ou ilícitas são menos produtivos,

Apresentam atrasos no horário laboral,

Conflitos entre chefia e colegas,

Ficam doentes com mais frequência,

Absentismo,

Intoxicação no trabalho,

Lesões e acidentes de trabalho (a si mesmos e aos colegas),

Problemas disciplinares,

Desemprego/tribunal/rescisão de contracto.

 

Na minha experiencia, a grande maioria dos indivíduos com problemas de substâncias, incluindo o álcool, utiliza o trabalho para negar a progressão da sua dependência e minimizar a necessidade urgente de interromper a dependência. Oiço com muita frequência, “Não me posso tratar porque se sabem do meu problema, sou despedido”. Durante os 14 anos que trabalhei no tratamento residencial em regime de internamento, aproximadamente 34% dos indivíduos que eram admitidos encontrava-se a trabalhar (em part ou full-time). A esmagadora maioria dos empresários/empresas acabava por não se envolver e/ou participar no processo de reabilitação do seu empregado durante o internamento de oito semanas. Uns com conhecimento da situação clínica, outros sem o conhecimento sobre o que realmente se passava. Outros limitavam-se a desmarcar afirmando “Quando estiver tudo bem, aparece.”

 

Incongruência entre palavras e factos - ambivalência

 

Ao mesmo tempo, o meio laboral, é o contexto ideal e apropriado para se abordar as dependências (informação, intervenção e educação) junto dos recursos humanos (capital) de qualquer empresa ao nível da Prevenção, da Intervenção e Tratamento.

  

Claramente, é um problema que afecta a “saúde e a estrutura” da empresa; é necessário medidas concretas que contemplem este problema específico, paralelamente também é necessario medidas para aumentar a produtividade e que beneficiem o ambiente de trabalho. Alguns empresários e instituições têm desenvolvido grandes avanços nas suas empresas diversificando a abordagem que inclui actividades tais como; formação no trabalho e vocacional, educação para a família, por ex programas de apoio à família de dependentes de substâncias – têm na família um ou mais casos de problemas de drogas lícitas, incluindo o alcool e ou ilícitas admitem que a sua produtividade é afectada negativamente, a supervisão, programas de melhoramento do local de trabalho, política e procedimentos que contemplem um ambiente profissional livre de álcool e drogas.

  

A Recuperação é um excelente investimento

 

Aquelas empresas, cujas medidas são menos tolerantes ao consumo de drogas, incluindo o álcool, adoptadas no ambiente de trabalho apresentam benefícios visíveis quanto ao aumento da produtividade, da atitude e motivação dos seus empregados. Será de salientar que estes benefícios se prolongam para além do local de trabalho, refiro-me à família e à comunidade.

 

Os benefícios em investir na prevenção, na intervenção e no tratamento no ambiente de trabalho são vastos. Um empregado que permaneça em recuperação duradoura revela-se uma excelente referencia no ambiente profissional por ter conseguido enfrentar obstáculos e adversidades pessoais ultrapassando desafios colossais, seguramente, será um trabalhador proactivo capaz de gerar sinergias motivadoras dentro da cultura da empresa e uma referencia para os seus colegas.

  

Segundo um estudo[i] económico dos custos e consequências do tratamento do consumo de drogas, a sociedade poupa, por cada euro investido no tratamento dez euros ou mais em termos de serviços de cuidados de saúde, sociais e em recursos de justiça. Apresenta efeitos colaterais ao nível das empresas e estes resultados podem consciencializar alguns empresários/empresas para a eficiência do tratamento a nível dos custos e adoptar medidas nesta área.

 

Se você identificar um problema de dependência que afecte a sua produtividade no trabalho envie um email para joaoalexx@sapo.pt ofereço uma dica útil de forma a receber ajuda. Provavelmente, você não é o único a saber, ao contrario daquilo que pensa, que algo não está bem. Por ex. o seu colega do lado.

 

 

 



 



[i]Godfrey, C., Stewart, D., Gossop, M. (2004), ‘Economic analysis of costs and consequences of the treatment of drug misuse: two-year outcome data from the National Treatment Outcome Research Study (NTORS)’, Addiction, Vol.99, Issue 6, p. 697

 

 

Alguns dados preocupantes sobre as consequências do álcool na nossa sociedade


 


Sabia que vários estudos sobre relação entre álcool e suicídio apontam para uma influência do álcool nos comportamentos e na ideação suicida, a diversos níveis. Se por um lado existe uma relação directa entre o consumo de álcool e a prevalência das taxas de suicídio pode-se concluir também que a presença do álcool potencializa a probabilidade da ocorrência de comportamentos relacionados com o suicídio.

Comprova também que este potencializar de comportamentos suicidas acontece não apenas no âmbito da população em geral, mas também em grupos específicos como os idosos, os adolescentes, ou em grupos com determinadas perturbações mentais.
Também a relação entre as características presentes em situações de intoxicação por álcool (como a impulsividade, hostilidade e a agressividade) e o suicídio foi estudada e considerada estatisticamente significativa. Através dos estudos de Christoffersen & Soothill, 2003, o consumo de álcool, por parte dos pais, durante os anos de formação dos filhos potencializa comportamentos suicidas dos filhos.


  

Sabia que Aproximadamente 20% da população entre os 15-64 anos tem problemas de dependência de álcool e outras substâncias psicoactivas. Os custos sociais e económicos decorrentes desta problemática sugerem ser elevados, sobrecarregando o sistema de saúde, prisional e contributivo. Todavia, parece não haver interesse publico em se efectuar estudos sobre o impacto económico (custos) da toxicodependência e do alcoolismo.

Sabia que Quase todos os estudantes de 15-16 anos (>90%) beberam álcool em algum momento da sua vida, começando em média aos 12 ½ anos de idade, e embriagando-se pela primeira vez aos 14 anos. A quantidade média bebida numa única ocasião por jovens de 15-16 anos é acima de 60g de álcool, e chega a quase 40g no Sul da Europa. Mais de 1 em 8 (13%) dos jovens entre 15-16 anos embriagaram-se mais de 20 vezes na sua vida, e mais de 1 em 6 (18%) fizeram “binge drinking” (5 ou mais bebidas numa única ocasião cujo intuito é a intoxicação) três ou mais vezes no último mês. Os rapazes continuam a beber mais e a ficar embriagados com  mais frequencia do que as raparigas, com uma redução pequena na diferença absoluta entre eles. A maior parte dos países mostram uma subida no “binge-drinking” para os rapazes desde 1995 a 1999 e a 2003, e quase todos os países mostram isto para as raparigas (resultados semelhantes são encontrados para países sem pesquisa ESPAD e usando outros dados). Por detrás desta tendência global, podemos ver uma subida no “binge-drinking” e na embriaguez na maioria da UE de 1995 a1999, seguidos por uma tendência muito mais ambivalente desde então (1999-2003).

Sabia que Os jovens carregam uma quantidade desproporcionada das consequencias negativas do alcool, com mais de 10% da mortalidade jovem feminina e cerca de 25% da mortalidade jovem masculina a ser devida ao álcool. Infelizmente, pouca informação existe acerca da extensão dos danos sociais nos jovens, embora 6% dos jovens entre 15-16 anos na EU declarem envolvimento em brigas e 4% declarem sexo desprotegido devido ao seu consumo de álcool.

Pior saúde em áreas carenciadas também parece estar ligada ao álcool, com estudos que sugerem que a mortalidade directamente atribuída ao álcool é mais alta em áreas carenciadas, para além daquela que pode ser explicada pelas desigualdades a nível individual.

Muitos dos danos causados pelo álcool são suportados por terceiros. Isto inclui 60,000 nascimentos com pouco peso, bem como 16% de abuso e negligência de crianças, e 5-9 milhões de crianças em famílias negativamente afectadas pelo álcool. O álcool afecta também outros adultos, incluindo uma estimativa de 10,000 mortes em acidentes de viação com álcool para pessoas (inocentes) que não o condutor alcoolizado, com uma substancial parte de crimes atribuídos ao álcool também possível de ocorrer a terceiros.