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Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Recuperar das Dependências (Adicção)

Contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. O silêncio não é seguramente a melhor opção para a recuperação; ninguém recupera sozinho.

Despertar espiritual; um passo para a recuperação dos comportamentos adictivos

Doze Sintomas sobre o Despertar Espiritual. (tradução)

1. Aptidão para deixar que as coisas aconteçam, em vez de fazer com que elas aconteçam; largar o controlo.

2. Ataques de riso frequentes.

3. Sentimentos de ligação (conexão) com as outras pessoas e a com a natureza.

4. Episódios frequentes e necessários de estima.

5. Propensão para pensar e agir da uma forma espontânea em vez de agir com base no medo das experiencias do passado.

6. Aptidão inequívoca de usufruir cada momento.

7. Desprendimento na tendência para ficar preocupado.

8. Desprendimento no interesse de entrar em conflito.

9. Perda de interesse em interpretar o comportamento dos outros.

10. Perda de interesse em julgar ou criticar os outros.

11. Perda de interesse na auto critica negativa.

12. Extrair proveito da aptidão para amar sem esperar nada em troca.

 

Fonte: http://recoverytradepublications.com 

 

Comentário: O que é que significa despertar?

De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, é

“Tirar do sono; acordar; estimular; ativar; dar origem a; avivar o espirito”

 

Na minha opinião o despertar espiritual, está intrinsecamente relacionado com a recuperação dos comportamentos aditivos. Isto não quer dizer que o despertar espiritual seja uma experiencia que ocorra em todos os aditos/aditas e/ou que seja uma condição para o individuo iniciar a sua recuperação. Não, todavia, algumas pessoas afirmam passar por esta experiencia poderosa e profunda quando fazem a transição entre a adicção ativa e a abstinência/recuperação – Mudança. A mudança de atitudes e comportamentos proporciona uma determinada experiencia, ao individuo, referida como despertar, que o afeta nível espiritual.

 

Um numero considerável de pessoas que experimentam a perda total do controlo da sua vida, como consequência da adicção activa, isto é, perdem a capacidade de antecipar e prever o resultado final dos seus comportamentos e/ou objetivos é uma experiencia aterrorizadora e traumática, agravada pela consciência plena do desastre e do caos eminente. Durante a adicção ativa, estas pessoas perdem a capacidade de sonhar, perdem a capacidade de comunicar com as pessoas que amam, perdem a capacidade de desempenhar as suas competências no trabalho, vivem vidas duplas de ilusão, negação e sofrimento, da qual a busca sistemática do alívio está confinado ao prazer imediato, refiro-me às substancias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos (jogo, sexo, distúrbio alimentar, dependência emocional, compras e furto). Quando surge a oportunidade de interromper a progressão da doença (adicção) e do sofrimento, através da consciência das coisas que foram vivenciadas durante a experiencia passada e dolorosa, o despertar espiritual, eleva o potencial humano, numa situação idêntica á sobrevivência, a atingir objetivos que o individuo julgava não ser possível concretizar; desperta, acorda, reconhecendo que a verdadeira mudança está em si mesmo, clarividente do renascer, e voltar a viver, através dos paradoxos e da mudança de paradigmas disfuncionais, a fim de ser tornar uma pessoa melhor.

 

Gostaria de referir que a palavra espiritual, não expressa uma conotação religiosa pré determinada, não possui dogmas e/ou divindades. Espiritualidade é um conceito único e livre, dependendo das crenças e experiencias de cada individuo, é um sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem o individuo comunica potenciado através da qualidade dos relacionamentos com as outras pessoas (conexão – valores).

 

Você está em recuperação dos comportamentos adictivos e passou por um despertar espiritual? Envie a sua experiencia para joaoalexx@sapo.pt Partilhe a sua história connosco. Bem-haja.

 

Seis dígitos - 100.000: Recuperar É Que Está A Dar

 

 

 

 

Noticia: Esta sexta feira passada atingimos os seus digitos - 100.000 visitas e 176.236 page views. Bem haja ao Sapo Mulher e a todos aqueles seguidores do blogue; que enviam comentarios, que visitam paginas, que partilham o blogue pelos seus contactos.

  • O Recuperar das Dependências é o blogue pioneiro em Portugal que aborda a temática da intervenção, prevenção, tratamento e recuperação dos comportamentos adictivos, numa abordagem espiritual, não religioso, sem dogmas e divindades, da qual inclui as substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool, e as ilícitas, o jogo, as compras - shopaholics, o sexo, o furto - shoplifting, a codependencia.

 Sabia que o blogue Recuperar das Dependências está presente, no Sapo Mulher - Consultórios Online,  desde 2008? São enviadas respostas a todos aqueles que enviam as suas questões e ou dúvidas. 

  • Existem seguidores do Recuperar das Dependencias em varios países de expressão portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde).

Alguns comentarios dos seguidores deste blogue

 

“Os meus parabéns pelo blogue. Por um lado, apresenta informação pertinente e estruturada de forma interessante, por outro disponibiliza os conhecimentos, partilhando-os com as outras pessoas. Agradeço-lhe por isso. Vou levar o seu texto para debate dentro de um conhecido hospital psiquiátrico português, para debater em conjunto com algumas pessoas internadas. Bem-haja, Manuel (Nome fictício)”

 

“Meu Deus, como é que pode nos entender assim tão bem?! Fiquei mais animada quando, li os seus artigos. Peço a Deus que continue a ajudar na tua caminhada. Estou em recaída, assim espero melhorar, e seguir em frente pois ninguém é perfeito, mas podemos melhorar, no que queremos! UM FORTE ABRAÇO, Xavier (Nome fictício)”

 

“Ola. Infelizmente sofro de dependência emocional desde que me separei a 4 anos. Não é nada fácil viver com esta doença, pois foram muitas as vezes que caí em depressão, e para fugir dela comprei sempre roupas novas e resultou porque aumentou minha autoestima. Foi muito bom ter encontrado a sua ajuda. Espero que mais pessoas possam ler e mudar de atitude para que todo mundo viva em paz. Álvaro(Nome fictício)  ”

 

“Apesar de seu texto ser para doentes crónicos, eu consegui tirar muito proveito, viver um dia de cada vez é difícil, principalmente que a doença causa ansiedade. Obrigada pelo texto e parabéns, Lídia (Nome fictício)”


“Olá, gostei muito do material (post`s) do blogue. É um assunto que muito me interessa.
Vou iniciar um blogue sobre dependência química e gostaria do seu parecer. Um grande abraço. Vasco (Nome fictício)”

 

“O seu blogue é extremamente inspirador. Ao que parece, muitas pessoas que confrontam a eminência da sua morte redescobrem o poder de canalizarmos toda a nossa energia e paixão a Cada Momento Presente. Como que vendo nele a própria eternidade. Muito Obrigado, Maria (Nome fictício)”

 

“Adorei os artigos. Adicionei aos favoritos para mais tarde voltar a ler e re-ler. Procurei ajuda neste sentido Relações de dependência, mas não encontrei nada que de facto me ajudasse, devo dizer que este artigo me tocou. Muito Obrigada por existir pessoas tão boas que partilham dos seus saberes assim tão desprendidamente.

Obrigado, Abílio(Nome fictício)  ”


“Boas, gostei de ler este artigo, é enriquecedor. Vou passar a ser seguidor frequente. Cumprimentos, Manuel (nome fictício)

 

“Muito obrigado por este belissimo post relativo a recuperar das dependências!

Interessante, obrigado por partilhar. Cumprimentos, António (nome fictício)

 

"Viva João, 
Já li alguns textos sobre codependência e este é sem dúvida o melhor para codependentes! Aproveito para dizer que faço parte dessa grande "família". Obrigada, Ana (Nome fictício)

 

“ Muuuuuito bom o artigo! Excelente! Parabéns e continue publicando! Está ajudando milhões de pessoas.  Carla (Nome fictício)

 

“Muito bom o artigo... Vou seguir as dicas para ver se funciona. “

Cumprimentos, Sónia (Nome fictício)

 

Partilhe o Recuperar das Dependências pelos seus contactos. Queremos atingir as 200.000 visitas

 

 

 

 

 

Sabedoria popular actualizada

O conhecimento acumulado, ao longo de gerações, enriquecido pela experiência e que se mantém actualizado nos dias de hoje e mais além. Já diz o povo...

 

Alimento pro pensamento.

 

 

Ditados populares


"Mais homens se afogam num copo do que no mar."


“Ao bêbado e ao tolo, dá-se o caminho todo.”


“Porcos com frio e homens com vinho fazem grande ruído.”


"As bebidas fortes fazem os homens fracos."



 

 

 

Pessoas Especiais (Mentores) Earnie Larson e Alan Marlatt

Recentemente tive conhecimento do falecimento, de duas pessoas, ambos excelentes profissionais dedicados e empenhados na área do tratamento e recuperação do alcoolismo e das dependências de substâncias psicoactivas licitas e/ou ilícitas (drogas), refiro-me ao Dr. Earnie Larsen e ao Dr. G. Alan Marllat.

 

Como profissional, há já alguns anos que acompanhava o trabalho destes dois vultos cujo imenso e valioso contributo irá permanecer na história da Recuperação dos comportamentos Adictivos. Para além de ser um profissional dedicado (espírito de missão,) Earnie Larson também era um adicto em recuperação com um historial de sobriedade de mais de 40 anos. O Dr Alan G. Marllat desenvolveu, entre muitos, um brilhante trabalho nas áreas da Prevenção da Recaída e na Redução de Danos.

 

Uma sincera homenagem ao Dr. Alan G. Marllat e ao Dr. Earnie Larsen pelo compromisso, profissionalismo e orientação (mensagem de inspiração) que prestaram, ao longo da sua vida, a milhares de indivíduos, a profissionais, como eu, e principalmente aqueles que sofrem da Adicção, incluindo famílias (crianças) e à comunidade.

 

Gostaria de acrescentar que é urgente, em Portugal, existir mais recursos e competências, pessoas especializadas e instituições dedicadas, tanto a nível cientifico como empírico, em relação ao tratamento da doença da adicção às substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas. É imperativo aproximar a ciência (investigação) da prática (experiencia) e formar equipas multidisciplinares. São necessárias reformas (quanto à metodologia, epidemiologia e etiologia) direccionadas à prevenção, ao tratamento e à recuperação, assim como um maior envolvimento da sociedade, cujo principal intuito é derrubar o estigma, a negação e a vergonha associado a esta doença. Aos indivíduos doentes, assim como às suas famílias, é inevitável devolver a dignidade que eles merecem. Não basta reinseri-los na sociedade, são obrigatórias terapias que contemplem o individuo (bio-psico-social e espiritual).

 

Um saudoso adeus.

 

 

 Earnie Larsen, 1939 – 2011 Alguns livros: Stage II Relationships – Live Beyond Addiction, Beyond Anger Facilitator`s Guide, Days of Healing Days of Joy, From anger To Forgiveness, Abused Boys Wounded Men Workbook. 

 

 

 

 

 

 

 

 G. Alan Marllat, 1941 - 2011 Investigador reconhecido internacionalmente escreveu e publicou mais de 20 livros e centenas de artigos científicos e recebeu inúmeros galardões. Esteve em Portugal.  

 

 

Alguns livros: Alcohol Use and Problem Drinking, Brief Alcohol Screening and Intervention for College Students, Determinants of Relapse, Harm Reduction, Managing Your Drug or Alcohol Problem, The Tao of Sobriety

 

Menu de escolhas - pensamento adictivo e o pensamento em recuperação

 

A Adicção é um fenómeno transversal à nossa sociedade consumista e moralista. Paradoxalmente, uma parte significativa da nossa cultura limita e restringe o tratamento e a recuperação da Adicção através de sistemas adaptativos (capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos)e cumulativos, (modificações trazidas por uma geração que passam à geração seguinte) ex. tradições, preconceitos, estereótipos, crenças que reforçam a negação, a vergonha, o estigma e em último caso a recaída.

 


Enquanto crianças, não aprendemos a pensar em lista de opções (Menu Criativo). Aprendemos demasiados  Não (s), e dolorosamente, demasiados "Tens..." ou "Deves...". Aprendemos a reagir (acting out)[i] e a negar as emoções dolorosas e ou depender de pessoas e coisas de forma a satisfazer as necessidades básicas. Aprendemos a agradar aos nossos pais, às suas expectativas irreais e exigências relacionadas com o êxito. Aprendemos a agradar aos nossos professores e a seguir aquilo que está pensado pelos outros (instituído), antes de nós – o mesmo processo/medida aplica-se a todos. Mais tarde, procuramos o êxito a qualquer custo através do trabalho e do estatuto profissional. Aprendemos a tomar decisões já desactualizadas e retrógradas. Aprendemos a depender e acreditar, única e exclusivamente, em nós mesmos (mito), quando na realidade passamos a vida a depender de pessoas e coisas. Quando alguém destemido e aventureiro mostra intenção de investigar, explorar novas ideias e caminhos colocam-se rótulos insólitos, como se tratasse de um “vírus” ao status familiar e/ou cultural. Aprendemos a pensar mais naquilo que os outros pensam e dizem (sobre nós mesmos) e como devemos sentir, ao invés de explorar e reinventar as nossas próprias escolhas e Rumos – através do potencial individual e colectivo (humanidade).

 

Se não existe um ser humano igual ao outro, porque é pensamos e cometemos os mesmos erros, ao longo de gerações? Atribuímos erradamente, os falhanços à herança genética. Parece que fazemos as mesmas decisões moralizadoras, sem outras opções. Utilizando uma metáfora, vivemos dentro de uma “Caixa”, repleta de preconceitos, estereótipos, julgamentos, falsas expectativas e tabus. Dentro da “Caixa - salve-se quem puder”, evoca-se o êxito, para se coroar a incompetência, a injustiça e a arrogância. Afinal não é nada daquilo que aprendemos quando crianças. O mundo dos adultos é uma “Caixa”. Acabamos confusos, desorientados, assustados e isolados (crise social), em alguns casos presos à adicção.

 

As Mudanças (Menu Criativo)

Existe um fenómeno identificado no pensamento do indivíduo adicto, todavia não é exclusivo dos indivíduos adictos, descrito como pensamento distorcido (raciocínio, lógica adictivo) associado à (des) ilusão, o auto-engano, a auto-decepção na progressão da Adicção. Este raciocínio reforça o agir nos sentimentos e comportamentos associados ao prazer imediato, alteração do humor e nega a realidade da doença (consequências adversas). A obsessão e compulsividade identificadas nos comportamentos adictivos são caracterizadas pela preocupação intensa (fixação) e constante em ideias irracionais que reforçam o sistema do pensamento distorcido (ciclo vicioso adictivo).

 

 


Historias de vida na recuperação da dependência (Rostos e Vozes)

Ao longo de 17 anos de carreira profissional "acumulo" um vasto registo de historias de pessoas. Historias de vida. Historias reais repletas de drama e coragem, de sofrimento e de humildade, de doença e Recuperação. Recordo o nome do primeiro paciente. Recordo imensos rostos e vozes. Alguns são exemplo "vivo" daquilo que o ser humano é capaz de (re)inventar de forma a Recuperar.

 

Recordo uma dessas historias reais.

Conheci um individuo dependente com 38 anos, em tratamento em regime residencial de internamento, afectado pela progressão (consequências negativas) da doença activa (dependência) ao longo de 20 anos. Inúmeros problemas na saúde, família e emprego.

 

Após o período inicial de adaptação ao tratamento,  aproximadamente de um mês, certo dia, este individuo queixava-se de dores de cabeça e pediu medicação. Como era costume, encorajávamos os nossos residentes a ventilar e a expressar as suas emoções dolorosas. Sabíamos que as dores de cabeça eram "normais" derivado à abstinência e à "pressão" do tratamento ex. viver 24/24 horas com 20 e tal indivíduos na mesma casa, grupos diários de terapia, trabalhos escritos (ex. os 45 exemplos danos e impotências), regras da casa, enfim uma realidade completamente distinta do "mundo" da dependência.

 

A maioria dos dependentes fica extremamente ansioso, quando está com algum sintoma desconfortável (dores fisicas); a reacção imediata é "Quero medicação... dói-me imenso a cabeçaNão aguento mais isto."

 

Este individuo andou mais ou menos cinco dias a queixar-se de dores de cabeça. Com a agravante dos sintomas agudizarem-se conforme os dias iam passando. A medicação obedecia a um determinado protocolo clinico por ex. uma vez por dia, ou de 8 em 8 horas, dependendo de cada caso.

 

Comecei a constatar que algo se estava a passar de anormal. Encaminhei este individuo para a urgência do Hospital, recordo que foi acompanhado por um paciente mais "antigo," que também recordo o nome e o rosto.

 

Passado umas horas tivemos a noticia. As dores de cabeça eram provocadas por um tumor maligno alojado na caixa craniana. Segundo o medico, o tumor aumentou de tamanho provocando e intensificando as dores.

 

Ficou imediatamente internado para efectuar exames. Nunca mais falei com ele. Fiquei em choque. Senti-me culpado por não ter "atenuado" as dores e gerado ainda mais sofrimento. Comuniquei a situação clínica à família e forneci-lhes os contactos do hospital. O Centro colocou-se à disposição para ajudar naquilo que fosse necessário, apesar da nossa impotência.

 

Passados uns dias soubemos, pela família, que o prognostico era muito reservado. Iria ficar internado.
Uns meses depois liguei para a família para saber mais noticias e a situação clinica fica cada vez pior. Segundo a família "Ele foi operado, mas esperanças de vida são poucas...os médicos não podem fazer nada."

 

Um dia mais tarde alguém me disse "Sabias que o Carlos (nome fictício) morreu? Foi operado à cabeça, na tentativa para remover o tumor, mas não resultou e acabou por falecer." Fiquei apático e sem conseguir dizer absolutamente nada.
Tentei contactar a família, para saber o que tinha acontecido, mas não consegui. Para mim, a vida do Carlos tinha terminado.

 

Dois anos depois, vinha no corredor do Centro, abriu-se a porta da rua, e vejo entrar o Carlos. Fiquei "assombrado" e pálido. Pensei "Não é possível...este tipo morreu e agora aparece aqui?!"

 

Aproximei-me e fui "recebido" com um sorriso e um abraço "iluminado."

 

Afinal foi boato. Estava ali na minha presença. Não era alucinação. Reparei na cicatriz recente na cabeça. Confirmando a intervenção cirúrgica. Convidei-o a vir ao gabinete para falarmos. Foi uma conversa que nunca mais esqueço na vida.

 

"João, hoje vim ao centro, para esta sessão de pós-tratamento, para receber o medalhão(1) e despedir-me de vocês. Os médicos afirmam que não irei durar muito tempo. Chegou a minha hora. A doença que tenho na cabeça vai matar-me, mas não vou morrer dependente de drogas. Tenho recebido imenso apoio da família e amigos que conheci aqui. Queria agradecer todo o apoio que recebi nesta casa durante o tempo que aqui estive. Ensinaram-me imenso e queria expressar a minha gratidão."

 

Durante o a sessão de terapia de grupo este individuo "brilhou" e conquistou a admiração de todos os pacientes. A sua espontaneidade, humildade, sabedoria e honestidade foi uma "lição" de vida na Arte de Bem viver. Se realizarmos estamos expostos a esta ou outra qualquer tipo de adversidade.

 

Recordo que este individuo fez uma viagem sozinho de comboio de 6 horas (ida e volta) da sua zona de residência até ao local onde estava localizado o Centro. Afirmava estar abstinente de substancias psicoactivas (heroina, cocaía e alcool) há 2 anos.

 

No final, simplesmente despediu-se de TODA a gente e saiu pela porta "grande". Parecia em paz com o mundo, com deus, na forma como cada um O concebe. Parecia aceitar a sua realidade. Era impotente para alterar esta situação e escolheu Entregar soltando-se das preocupações com o passado e ambições com o futuro. Afinal, o que realmente importava era estar "limpo" de drogas e Viver Um Dia de Cada Vez. A Vida tem um fim. Não sabia quando chegaria a sua hora portanto porque preocupar-se com isso?! Cada dia era uma oportunidade única de usufruir da Recuperação e de um Novo Estilo de Vida, na Arte de Bem-Viver.

 

(1) Medalhão. Medalha simbólica que era entregue (conquistada) a todos aqueles que terminavam o tratamento, em regime residencial de internamento, ao longo de três meses. Nesta cerimonia, reunia-se todo o grupo e era uma cerimónia repleta de emoções "fortes". Simbolizava o encerramento de um ciclo disfuncional e o inicio de um novo, cheio de adversidades e conquistas. " A partir daqui nunca mais estarei sozinho."

 

Se passou  por uma experiência (pessoal) de internamento das dependências, regime residencial (comunidade terapêutica),  idêntica pode enviar a sua historia para joaoalexx@sapo.pt para ser publicada no blogue. Recuperar É Que Está A Dar. Bem Haja


Da abstinência à recuperação da Adicção Activa

O conceito de Abstinência

Para aqueles homens e mulheres, que identificam nas suas vidas, sinais e sintomas dos comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, jogo, sexo, nicotina, compras - shopaholics, shoplifting - furto, relações disfuncionais e dependencia, distúrbio alimentar) geradores de sofrimento, estigma e negação, isolamento social, ansiedade, depressão e impotência urge inverter esta tendência progressiva, compulsiva e definir uma estratégia realista e exequível onde todos os recursos humanos disponíveis são importantes. Numa primeira fase, interrompe-se a progressão da adicção activa. Depois desenvolve-se um conceito de abstinência (fecha-se um ciclo vicioso e adictivo).

http://recuperarequeestaadar.blogspot.com/2007/09/abstinencia-da-adico.htm

 

Após um período de interrupção da progressão activa (doença) inicia-se a abstinência dos comportamentos adictivos. Nesta fase, é um período de adaptação, reconsideração, transformação, renovação e conquista da confiança entre o passado e o presente –Algumas pessoas questionam-se “Depois desta experiencia dolorosa o que é que faço à minha vida?

 

Para caracterizar esta fase, por ex. oiço histórias de indivíduos que apresentam problemas com o álcool e/ou drogas onde após uma noite de bebedeira/pedrada, no outro dia de manhã, acordam e encontram um bilhete do parceiro/a… “Ontem à noite senti-me desrespeitado/a pelos teus comportamentos…estavas uma lastima... senti-me envergonhado/a. Como sabes já não é a primeira vez… nem a segunda…prometes dúzias de vezes que deixavas de fazer este tipo de coisas. Ontem foi a última gota…Para mim…chega. Adeus”. Conheço alguns adictos/as, que quando são confrontados com esta realidade, ficam em pânico. Não se lembram de nada, nem daquilo que se passou…nem onde estiveram.

 

Após este incidente grave tomam uma decisão seria e “radical” (promessa). Afirmam “João, nunca mais bebo uma gota de álcool. Sinto-me um traste e um hipócrita…Chega.

 

Recuperação Duradoura

A Recuperação Duradoura inicia-se quando se constata, que afinal não basta parar de beber (abstinência), é precio sair da zona de conforto e enfrentar o desconhecido, mas como é que isso se faz? Perante esta ambivalência é preciso definir um Rumo diferente de vida baseado em pessoas significativas, lugares, coisas e valores morais baseados na abstinência e nas competências da Arte de Bem-Viver.

 

Durante a fase da Abstinência inicial, da privação e da restrição, o passado não foi ultrapassado, o luto ainda é ignorado, a “despedida dos velhos e disfuncionais padrões e crenças” não foram reconsideradas e ou assumidas  (perdoado/emendado). Parece que foi tudo reprimido pela vergonha e valorizado pelo ressentimento, pelo orgulho, pelo ego “frenético” e pelo sentimento de culpa. Após este período de privação e restrição (abstinência), onde a força de vontade prevalece; a promessa de recuperação permanece em aberto e “não pode ser quebrada”.

 

A fase da Recuperação Duradoura é um fenómeno ainda que permanece desconhecido e ignorado em Portugal. É um novo ciclo de mudança no Rumo da Vida do indivíduo, impulsionado pelo discernimento, auto eficácia e a motivação em não voltar aos mesmos erros e crises do passado, aos consumos de drogas licitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, pelo trabalho interior e ajudar os outros pelo exemplo e experiencia, sem falsos moralismos.  A recuperação representa a Arte de Bem-Viver, a espiritualidade, não religioso sem dogmas e divindades, e a integração na família e na sociedade. Como o tipo que deixou de fumar, que após várias tentativas “dolorosas” ao longo dos anos finalmente interrompe o consumo de nicotina, inicia o exercício físico de uma forma regular, adopta um regime alimentar mais saudável e decide criar uma associação para ajudar as outras pessoas com o mesmo problema.

 

Recuperação Duradoura não tem um limite, meta ou período definido, não é uma cura, procura da perfeição ou do controlo. É um Rumo onde a orientação espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades, é uma prioridade reconfortante, uma escolha gratificante, inspiradora, não julgativa, tolerante e flexível, geradora de capital humano e de auto-estima. Almeja-se não voltar aos mesmos hábitos e comportamentos do passado e contempla-se a recaída, como um problema, e uma experiencia a ser evitada. Vive-se o presente onde o grande investimento centra-se na monitorização e auto-avaliação (ex. disciplina, responsabilização, compromisso e orientação espiritual, não religioso sem dogmas e divindades) e nas relações significativas (capital humano) com outras pessoas. Um indivíduo que atinge a Recuperação Duradoura não faz mais do que ser responsável, só assim evita a negação e o estigma.

 

Quais os benefícios em um indivíduo adicto/a permanecer em Recuperação Duradoura como um membro dinâmico da sua família? Um membro dinâmico na sua comunidade? No seu local de trabalho?

Na minha opinião, é considerado um mentor, um “modelo”, um/a sobrevivente e uma referência. Um ser humano, cujo potencial foi submetido a adversidade e ao trauma que atingiu a liberdade de escolha e de expressão, o direito a uma vida plena, digna e cuja orientação espiritual o impele a ajudar os outros. Não em benefício próprio (ego frenético e exigente), mas da Recuperação.

 

"I Love" Recuperação

Testemunho - ajudar, atraves do desapego emocional

Boa tarde,


Não sei bem por onde começar, tenho um amigo toxicodependente, uma situação muito complicada. Ele é imigrante, esta ilegal, já foi um sem abrigo, actualmente depende da ajuda de algumas pessoas que lhe pagam alojamento e alimentação.

Há mais ou menos três anos fez uma desintoxicação no CAT (Centro de Atendimento Toxicodependência), nunca parou de consumir, mas consumia de uma forma espaçada, tipo uma ou duas vezes por semana, mas agora entrou numa fase de  consumir quase todos os dias. Aguenta tipo dois dias, depois bebe um pouco e vai consumir. Está no programa de metadona do CAT com 80mlg.

Sei que tenho alguma culpa nisto, porque acabo por lhe dar sempre o dinheiro que ele diz ter de pagar aos traficantes, diz que lhe emprestam e depois tem de ir pagar o que consumiu. Isto poderá até ser verdade, mas acho que ele depois quando vai lá novamente paga e consome mais.


Ele tem hepatite C e HIV e está tomar medicação no Hospital. O médico já lhe disse que se não pára de consumir lhe retira a medicação. Sinceramente, penso que no CAT com os métodos deles, não vai a lado nenhum.

Ele diz que quer deixar, faz projectos para o futuro, mas acaba sempre por não conseguir concretizar. Ele tem apoio e carinho das pessoas amigas, mas nada parece surtir efeito. Não sei se  ele vai conseguir deixar de consumir. Muito sinceramente, não acredito nos programas de internamento, por alguns meses, porque quando saem de lá  muitos voltam aos consumos.

Desculpe, isto é mais um desabafo, sei que não devia lhe dar dinheiro, sei que me vai dizer que sou codependente, sei que me vai dizer que é ele que tem de mudar, que tem de ser responsabilizado pelo caminho que está a dar á vida dele. Provavelmente, não o sei ajudar. Sei que eles podem ser mentirosos, inventar histórias, tudo e mais alguma coisa, mas este meu amigo nem sempre mente, e nunca inventou grandes histórias.
Obrigada por ler este meu email. Sei que não existem milagres, mas tenho pena que este meu amigo não pare de consumir.

Catarina (nome fictício)

 

 

As Drogas eleitas pela nossa sociedade

Somos uma sociedade (cultura) que promove e desenvolve “o culto cool” e da moda associado ao consumo de drogas psicoactivas adictivas - licitas, incluindo o alcool, a nicotina e ilícitas? Será uma forma diferente, original e criativa de pensar e fazer coisas? Ou optamos pelo caminho mais fácil (atalhos) na ânsia de procurar responder aos milhares de estímulos e expectativas a que somos sujeitos, dia-a-dia?

 

Portugal é o país da Europa com menor numero de estudos especializados realizados especificamente acerca do consumo de álcool e dos problemas a ele associados (Simpura et al.,2001). Quais são as pessoas e ou organizações interessadas em investigar as consequências autênticas do álcool na nossa sociedade? Qual o interesse publico desta informação? Qual o impacto e o custo na sociedade portuguesa associado ao alcool? E das outras drogas, licitas, medicamentos sujeitos a receita medica (ex. benzodiazepinas - tranquilizantes, ansioliticos) e ilícitas?

Uma parte significativa da nossa população, cujos números exactos (estudos epidemiológicos[i]) não se conseguem obter com exactidão, (desde os jovens, aos adultos, incluindo a população sénior) recorre com mais ou menos frequência, ao consumo de substâncias psicoactivas susceptíveis de causar dependência.

 

Usar drogas é um acto voluntario, uma escolha individual, que pode ser sujeita ou não à pressão do grupo e o ambiente. Nem todos os indivíduos que consomem substâncias psicoactivas adictivas iram desenvolver um problema de abuso ou dependência, assim como consumir esporádico seja sinónimo de doença, mas existe um certo grau de risco (dependendo da potência/efeito da substância, a dose administrada, a duração do consumo e do próprio consumidor). Estes factores (neurologico-bio-psico-social) juntos podem contribuir para um problema grave de saúde, familiar e profissional.

 

 Cada um elege as drogas que lhe proporcionam o efeito desejado. A mesma droga não é eleita por todos. Existem drogas para todos os gostos. Algumas pessoas usam drogas por mera curiosidade, outros para se divertirem, outros para praticarem desporto, pratciar sexo, para “fugirem” ao stress e à pressão diária, para trabalhar, para relaxarem, por motivos de doença, outros recorrem às drogas porque abusam e por último aqueles que estão dependentes (doença da adicção).

 

Existe uma relação entre a oferta e a procura que faz com que hoje as drogas estejam mais disponíveis e presentes no dia-a-dia das pessoas, comparativamente à 15 anos atrás. Provavelmente, todos nós conhecemos, directa (ex. um familiar, ou amigos) ou indirectamente (ex. amigo do amigo), alguém que nesta altura tenha ou já tenha passado por um problema com drogas, incluindo o álcool.

 

Porque é que uns sofrem horrores e destruição nas suas vidas, associado às drogas psicoactivas adictivas, incluindo o álcool, ex dependência (doença/adicção) e outros não?

 

Através do consumo de drogas aprende-se a oscilação das emoções e descobre-se todo um “novo mundo” de novas experiências sensoriais e singulares que de outro modo não seria possível experienciar.

 

A dependência às drogas lícitas, incluindo o alcool e a nicotina, e/ou ilícitas psico-activas, é uma doença do cérebro (adicção). Sabemos que o consumo de drogas altera a percepção (ideias, compreensão) e o funcionamento normal do cérebro (neuroquímica/neurotransmissores) enveredando o adicto na senda da gratificação imediata, procura aquela sensação de prazer e/ou bem-estar única capaz de gerar energia extra, capaz de modificar e ou atenuar (dormente) as emoções dolorosas; ex. raiva e ressentimento, o medo e a insegurança, rejeição numa relação romântica, despedimento (frustração), perda de alguém querido, cansaço físico e/ou sensação de falta de energia, ansiedade e ou sentir-se deprimido etc. As drogas psicoactivas modificam a forma como as pessoas sentem, pensam e agem.

 

 

Demasiado amor pode ser negativo para a relação-romântica

Por vezes, evoca-se um conceito positivo e saudável nas relações românticas, mas no final o resultado daquilo que fazemos é o oposto; revela-se disfuncional e em ultima instancia patológico. As emoções românticas podem assumir um papel demasiado intenso, obsessivo e “sagrado”, gerador de pressão e controlo, e o individuo acabar “presos” às suas fantasias e atitudes organizadas em crenças disfuncionais e/ou mecanismos de “fuga” às emoções dolorosas. Refiro-me por exemplo, ao conceito do AMOR. A paixão pode ser um estímulo suficientemente forte para se procurar alguém para AMAR , por vezes, depois da paixão nada resta, senão a separação.

Então se o AMOR é uma necessidade básica de qualquer ser humano (dar e receber afecto, intimidade e compromisso, obviamente não confundamos com coisas materiais) porque tornamos as relações disfuncionais em nome do AMOR?

Um novo estudo veio revelar que um vínculo demasiado intenso (apegado) numa relação romântica pode revelar-se prejudicial. Relacionamentos românticos definem laços especiais de intimidade e de compromisso entre os seus parceiros. Em muitos casos, um pacto apaixonado conduz a relações duradouras, e em último caso, à constituição de famílias.

Por vezes, um ou ambos (parceiros) colocam um anseio e uma expectativa demasiado elevada (preocupação irracional) na sua relação. Como resultado manifestam uma disposição (disfuncional) em exprimir e avaliar a auto estima e os limites, baseando-se somente no resultado das suas interacções românticas. Isto é, se a relação está positiva, está tudo bem, caso contrário, sentem-se exageradamente culpados e frustrados por a relação não apresentar os sinais de segurança, que seria suposto. Não é permitido sentir as emoções desconfortáveis e as angustias “livremente.” Imediatamente, reagem ansiosos e estabelecem planos e projectos para salvar a relação ou fugir à dor à revelia do seu parceiro/a.

É aquilo que os psicólogos apelidam de Relação-Duvidosa que Afecta a Auto-Estima e que segundo o investigador Raymond (Chip) Knee Ph.D. afirma, é um factor negativo para a relação romântica assim como para a auto estima de um ou ambos parceiros.

Segundo o Dr. Raymond (Chip) Knee, Professor Assistente de Psicologia e Director do Departamento de Relações Interpessoais e de Pesquisa em Grupos de Motivação da Universidade de Houston “Os indivíduos que apresentam níveis elevados do fenómeno Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão excessivamente comprometidos (apegados) às relações e também demasiado vulneráveis emocionalmente, caso surja algum tipo de adversidade/conflito – para isso, basta uma pequena discórdia, para que despolete todo um conjunto de problemas que assumem dimensões desproporcionadas."

Pessoalmente, Ouço relatos nas consultas de um dos membros do casal que afirma “Discutimos e zangamo-nos por coisas insignificantes, quando na realidade não são assim tão importantes. Na altura, não se consegue pensar naquilo que se diz e/ou faz. Só mais tarde, de cabeça fria, se chega á conclusão, que afinal todo aquele aparato não passou de um disparate”. Por vezes estas discussões acabam em agressões verbais e total desrespeito que afectam a confiança na relação entre parceiros.

Raymond Chip Knee acrescenta que a Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode desencadear discussões, com base em argumentos banais, capazes de gerar episódios de depressão e ansiedade, tais como; uma errada interpretação de palavras, diferenças de opinião, uma critica/comentário à personalidade ou à aparência física. Segundo o especialista “Um compromisso excessivo pode influenciar negativamente a relação.

Um ou ambos os parceiros também podem desenvolver comportamentos maníacos e/ou obsessivos (ex. um dos parceiros exige uma atenção exagerada sobre si próprio em relação ao seu companheiro/a) directamente relacionados com o amor.

Acompanho casos de indivíduos, homens e mulheres, com comportamentos obsessivos que afirmam que não pensam noutra coisa senão no seu parceiro/a. Alguns ex. "Onde está…?" ou "Com quem está…?" "Se não atende o telefone, algo de errado se está a passar", ou, se um dos parceiros afirma não estar disponível para fazer sexo, é porque já não existe amor na relação, etc. Sabemos que estes comportamentos desgastam a relação e prejudicam a qualidade de vida do indivíduo.

O fenómeno da Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima pode provocar alterações bruscas num dos parceiros após a separação, o divorcio ou haver ameaças serias à integridade física – ex. violência doméstica. Se no inicio de uma relação este tipo de comportamentos disfuncionais for identificado podem ser tomada medidas de forma a prevenir consequências negativas e traumáticas ou servir para que ambos reconheçam e admitam que afinal são incompatíveis.